sábado, 1 de maio de 2010

COMO PODEMOS CONHECER A DEUS

Como é possível a nós, seres humanos, limitados pela matéria, conhecermos a Deus, que é ilimitado e Espírito puro? Poderemos sondá-lo, chegar ao mais profundo de sua onipotência? Ele é mais alto que os céus, e mais profundo que o maior de todos os abismos. Sua grandeza é humanamente insondável. Ele é superior ao mar e à terra. "Porventura desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até a perfeição do Todo-poderoso?" perguntou o patriarca Jó. "Como as alturas dos céus é a sua sabedoria: que poderás fazer? Mais profunda é ela do que o abismo: que poderás saber? A sua medida é mais longa do que a terra, e mais larga do que o mar" (Jó 11.7,9. ARA).
Nossa capacidade de conhecer as coisas reside nos órgãos sensoriais do nosso corpo: os cinco sentidos — olfato, paladar, tato, visão e audição — que nos foram dados por Deus, e nos permitem entrar em contato com a natureza. Porém, eles foram ajustados para nos fornecer informações sobre o mundo visível, palpável — o mundo material —, mas são incapazes de nos colocar em contato direto com o invisível, o impalpável — o mundo espiritual.
Todavia, apesar de não nos ser possível ter uma visão imediata e direta de Deus, podemos chegar, através desses mesmos sentidos, ao reconhecimento de Sua existência através do seu reflexo no espelho da natureza — as obras de suas mãos. Só desta forma nos é possível, humanamente falando, obtermos o conhecimento de Deus. Isto, de acordo com os nossos próprios esforços e capacidade natural. Não estamos levando em conta aqui o conhecimento e experiências que podemos obter no aspecto espiritual. Isto será estudado mais à frente.

CONHECIMENTO NATURAL E CONHECIMENTO REVELADO
É nenessário distinguir os dois tipos de conhecimento que podemos obter de Deus: o natural e o revelado. O conhecimento natural de Deus é aquele que obtemos através daquilo que nos diferencia dos animais irracionais: nossa capacidade de pensar, ou seja, nossa razão, nosso intelecto. Portanto, todo homem tem à sua disposição as provas da existência de Deus, refletidas no espelho de tudo o que Deus criou no Universo. E por isso que o ateu será indesculpável diante destes testemunhos; é o que diz Paulo em Romanos 1.20.
Todavia, sabendo Deus que os poderes da razão humana só eram capazes de fornecer ao homem um conhecimento natural acerca de sua existência, e que esse conhecimento era insuficiente para desvendar à humanidade a necessidade de que todos se arrependessem e fossem salvos dos seus pecados, Deus se revelou a nós através de sua Palavra, e de seu Filho Jesus Cristo. Este é o conhecimento revelado.
Como não nos era possível obter um conhecimento sobrenatural de Deus do mesmo modo como podemos obter o conhecimento natural, alguém teve que nos ajudar a chegar a esse conhecimento. Esse alguém é Cristo. Só aqueles que forem alcançados pela graça através da fé em Jesus Cristo é que poderão obter esse conhecimento sobrenatural (ou revelado) de Deus. Esta verdade constitui-se em um dos pilares do Evangelho de João: "Ninguém nunca viu a Deus, mas o Deus unigênito, que está ao lado do Pai, é quem o revelou" (João 1.18).

CRISTO, A PLENITUDE DA REVELAÇÃO DE DEUS
Deus revelou-se ao homem primeiramente no "espelho" do universo e no tribunal de sua consciência, depois em sua Palavra, inspirada aos patriarcas e profetas, e finalmente no seu Filho Jesus Cristo: "Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo" (Hebreus 1.1, 2. ARA).
Assim, pois, à medida que passamos a tomar parte do infinito conhecimento que Cristo tem de Deus, já não contemplamos a Deus com os olhos puramente humanos, mas com os olhos humano-divinos de Cristo, e deste modo poderemos compreender em profundidade e glória aquilo que nos seria impossível conhecer através dos limitados poderes da nossa razão.
A fé torna possível à nossa mente a obtenção do conhecimento sobrenatural (que está acima do natural) dos imensos mistérios de Deus. "O conceito cristão de revelação é este: a verdade que os homens não podem enxergar por si, sem o auxílio divino, é apresentada em Cristo através da operação da divina graça" — escreveu o apologista Allan Richardson. Pela fé em Jesus Cristo é que descobrimos a face de Deus.
O fato de Deus nos ter falado em linguagem de homem através de seu Verbo mudou completamente as perspectivas de toda a busca da Divindade. Hoje, os que já aceitamos Jesus Cristo como Salvador, caminhamos em direção a Deus guiados pelo Filho, que nos revela o Pai através de sua doutrina, de sua vida e do seu Espírito.

EXISTE HARMONIA ENTRE A RAZÃO E A FÉ?
Porém, devemos atentar para o fato de haver pessoas que afirmam ser impossível obter-se sequer uma prova da existência de Deus através da razão. Crê-se na existência de Deus, na Bíblia como sua Palavra e em Jesus Cristo como Salvador do mundo tão-somente fazendo-se uso da fé: mas provas mesmo não existem, afirmam. Tais pessoas são conhecidas como fideístas. A sua fé é cega. Acreditam que, quando se trata de fé, a razão (ou seja: a capacidade da mente humana raciocinar) não deve tomar parte. Por isso elas fecham os olhos e esforçam-se para continuar crendo, apesar de imaginarem que qualquer avaliação dos porquês de sua crença abalaria os fundamentos de sua fé.
Tais pessoas estão perigosamente enganadas. "Eu creio, mas desejo compreender", dizia o teólogo Anselmo. E este deve ser o lema de todo crente que deseja estar em condições de cumprir o que nos aconselhou Pedro: "... antes, santificai a Cristo como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (1 Pedro 3.15). Em nossa trajetória em busca do conhecimento dos mistérios de Deus, não existe conflito entre a fé e a razão. Há crentes que desconhecem o quanto o uso da razão é importante em nossos esforços para penetrarmos os mistérios relacionados com a nossa salvação. É certo que é Deus quem revela esses mistérios. Porém, Ele nos fala tanto ao nosso coração como à nossa mente, para nos levar à certeza de que nossa fé está fundamentada em bases seguras. Ela não é cega, nem irracional.
Diante disto, afirmamos convictamente que a Bíblia sairá triunfante como um livro verdadeiro, como Palavra da verdade, em qualquer análise a que for submetida. Nossa fé na Bíblia é uma fé possível de ser provada. Assim como existem provas racionais da existência de Deus, existem também inúmeras provas de que a Bíblia é realmente a Palavra da Verdade, e está acima de todos os livros existentes no mundo. Porém, os crentes que desconhecem esse fato preferem fechar os olhos e crer. Eles temem que, se os abrirem, ou seja: se sua fé for submetida ao teste da razão, eles se tornarão incrédulos.
O teólogo inglês Ricardo Hooker fez o seguinte comentário sobre esses crentes: "Há um bom número de gente que pensa não poder admirar, como é preciso, o poder e a autoridade da Palavra de Deus, caso nas coisas divinas se possa atribuir qualquer força à razão humana. Por esse motivo nunca usam de boa vontade a razão, temendo levar a Bíblia a descrédito." Avisamos aqui a essas pessoas que elas podem ficar tranquilas: a Bíblia não corre esse perigo.
Jefferson Magno Costa

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Marcelo disse...

A Paz de CRISTO,

Pr Jefferson,desculpe-me usar esse sublime espaço para perguntas,mas:

O LIVRO QUE APARECE NO SEU BLOG SOBRE UM MÉDICO QUE RELATA À CRUCIFICAÇÃO DE CRISTO É POSTADO PELO IRMÃO OU...É BOMMM?!

31 de janeiro de 2011 21:25

Jefferson Magno Costa disse...

Não, não é bom, prezado irmão e amigo Marcelo Pires: é fantástico, é excelente, é único no mundo em seu gênero. É iniqualavelmente esclarecedor, e capaz de levar um rochedo às lágrimas. Recomendo-o a toda e qualquer pessoa que tenha algum interesse por Jesus Cristo.

1 de fevereiro de 2011 11:01