sábado, 1 de maio de 2010

EXISTE DIFERENÇA ENTRE O NÃO-CRENTE E O ATEU?

O ateu, aquele que nega a existência de Deus, não deve ser confundido com o naõ-crente — aquele que não reconhece nem a autoridade da Bíblia, nem a divindade de Jesus e sua condição de Salvador da humanidade, apesar de acreditar na existência de Deus. Porém, além do ateu e do não-crente, há um terceiro tipo de pessoa: o indiferente, para quem Deus e os demais assuntos que dizem respeito à salvação não lhe interessam. Para ele não faz nenhuma diferença o fato desses assuntos serem verdadeiros ou falsos, reais ou irreais.
Além disso, muitos evangélicos acreditam que o ateísmo professado por muitas pessoas seja tão-somente uma máscara que as permite fazer o que bem entenderem, sem nenhum remorso ou reprovação moral. Porém, devemos atentar para o fato de que ser ateu nem sempre significa ser libertino. Será um grave erro tentarmos evangelizar ateus fundamentados no falso conceito de que todos eles vivem afundados na imoralidade.
Por sua vez, devido à negligência na formação e solidificação de sua fé; devido às más apresentações da doutrina bíblica e as deficiências na sua vida moral e social, o crente muitas vezes contribui, através desses maus testemunhos, para o fortalecimento do ateísmo. Essas coisas concorrem muito mais para ocultar o rosto de Deus do que para dar provas de sua existência ao mundo.

O SOFRIMENTO HUMANO NA ORIGEM DO ATEÍSMO
A maior parte das pessoas que se posicionam como contrárias à crença na existência de Deus apoia esse posicionamento em perspectivas falsas que as fazem ver o universo fragmentariamente, e não segundo a ordem e o fim global em que ele se move sob a ação de Deus. As causas de pranto e de dor, os infortúnios e as tragédias da existência humana aparecem como enigmas inexplicáveis e motivos de ímpio ceticismo para os que olham a brevidade dos passos humanos sobre a face da terra, e perdem de vista a ordem universal em que o homem está inserido.
Agostinho, atormentado pelo problema do mal e do sofrimento humano ("De que se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados", Lamentações 3.39), depois de haver encontrado na mensagem de Jesus Cristo a luz e a paz procuradas em vão em outros lugares, nos previne que quem se perde em olhares e contemplações individuais, terrenas e fragmentárias, desesperará de alcançar qualquer satisfação no imenso mistério da vida humana e do universo, que obedecem a um grandioso plano divino. Esse mistério de Deus envolve toda a realidade material e espiritual, temporal e eterna, e assinala a trajetória precisa e infalível do ser humano no mundo.
A dificuldade de muitos acreditarem na existência de Deus por verem o sofrimento humano, foi muito bem expressada pelo poeta brasileiro Ronald de Carvalho (1893-1935):

Diante da eterna dor, do mal insano,
Não é muito a ventura prometida;
Não é muito uma vida além da vida,
Onde será divino o ser humano.


Dentro da sanha desse amargo oceano
De miséria contínua, repetida,
Cada ilusão recorda uma ferida,
Cada alegria traz um desengano...

Por que, meu Deus, essa tortura imensa,
Essa noite profunda de descrença
Em que as almas se agitam, com pavor?

Por que, Senhor, tanta revolta obscura,
Nessa infeliz, humílima criatura,
Que tem medo de crer no seu Criador?
(Ronald de Carvalho. Poemas e Sonetos. 2S edição, Livraria Editora Leite Ribeiro, 1923, pp, 197, 198.)


Diante dos efeitos do pecado no mundo, o homem deve considerar que Deus, em sua infinita bondade e sabedoria, para apagar de diante de si a ofensa do primeiro homem, decretou a Encarnação do seu Filho Jesus Cristo. Ele é o Redentor do gênero humano e o restaurador do plano divino sobre o destino do homem: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram (...) Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque se pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foi abundante sobre muitos" (Romanos 5.12, 15. ARA).

DEUS EXISTE: NÓS O ENCONTRAMOS!
Apesar de o ateísmo ter-se constituido em uma terrível realidade de nossa época, imposto durante dezenas de anos de cima para baixo como "religião do Estado" pela ex-União Soviética e por muitos outros países de regime marxista, a fé em Deus continuou sendo igualmente um fato poderoso, que abrangeu o mundo e proclamou a existência e a soberania de Deus sobre a vida de um número cada vez maior de seres humanos. "Deus existe!" é a grande afirmação ecoando poderosamente nas consciências e nos corações de milhões de pessoas que, declaradamente ou em oculto, rendem adoração ao Criador do Universo!
Em nossas atividades como apologistas (defensores) do cristianismo, devemos argumentar aos ateus que, ao contrário do que o diabo tem colocado em seus corações e em suas mentes, o fato de Deus existir de maneira alguma entra em choque com a liberdade necessária ao progresso humano, pois o Filho de Deus veio ao mundo para levar o homem a conhecer a verdadeira liberdade: "Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8.36). Liberdade e vida: eis o que Deus nos enviou através de Seu Filho Jesus Cristo: "... eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10.10).
Os ateus devem saber que o Deus de quem eles negam a existência não é o verdadeiro Deus, aquele a quem nós adoramos e servimos. É uma falsa imagem, uma caricatura dele. Aquele que se revelou "com poder e grande glória" na Criação, na consciência coletiva e individual dos povos, e nas Sagradas Escrituras; Aquele que resplandece com luz penetrante e viva nos ensinamentos e na pessoa de Jesus Cristo — este é o nosso Deus. Ele é aquele que, tendo vindo para o meio dos homens, "a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens..." (Filipenses 2.7).
Ele é o Criador, a quem pertencem a glória e o domínio de todas as coisas "pelos séculos dos séculos" (1 Pedro 4.11). Por amor a nós e para nos salvar dos nossos pecados, "humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" (Filipenses 2.8). Este Deus revelado em Jesus Cristo, longe de destruir a liberdade do homem, antes a fundamenta e a completa. Deus existe, e a fé nele e em Jesus Cristo oferece para os problemas humanos respostas incomparavelmente superiores às do ateísmo.

Jefferson Magno Costa

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