quinta-feira, 29 de abril de 2010

O TEXTO DO NOVO TESTAMENTO CITADO PELOS ESCRITORES DA IGREJA PRIMITIVA É O MESMO QUE NÓS LEMOS HOJE

A RECONSTITUIÇÃO DOS TEXTOS NEOTESTAMENTÁRIOS
Certa vez o erudito inglês e estudioso da Bíblia, Sir David Dabrymple, resolveu buscar resposta para a seguinte questão: “Suponhamos que o Novo Testamento tivesse sido destruído, e no final do terceiro século, todas as cópias manuscritas tivessem desaparecido: seria possível reconstruir o texto integral do Novo Testamento a partir dos escritos dos Pais da Igreja (escritores cristãos primitivos) que viveram no Segundo e Terceiro Séculos?”
Dabrymple resolveu pesquisar para ver se era possível. No final de um longo trabalho de investigações, ele declarou: “...Possuo todas as obras existentes dos escritores da Igreja do Segundo e Terceiro Séculos. Até o presente momento, tenho encontrado nessas obras citações de todo o Novo Testamento, com exceção de 11 versículos.”
O grandioso de tudo isso é saber que esses trechos do Novo Testamento abundantemente citados pelos chamados Pais da Igreja, correspondem fielmente ao texto integral que compõe o Novo Testamento usado por nós hoje.


CITAÇÕES DO NT EM ESCRITORES DA IGREJA PRIMITIVA
É importante considerarmos aqui o quadro estatístico das citações do Novo Testamento feitas pelos primeiros escritores da Igreja (irmãos que viveram nos séculos II e III d.C.)

JUSTINO, O MÁRTIR
Justino, cognominado o Mártir, nasceu na Grécia no ano 100. Aceitou Jesus como Salvador quando já era um filósofo famoso. Sendo pressionado a negar a fé, resistiu e foi morto no ano 163. Desse valoroso servo de Deus chegaram até nós três livros: Duas Apologias, e o Diálogo com o Judeu Trifão. Nessas três obras, Justino cita 268 vezes os Evangelhos, 10 vezes Atos dos Apóstolos, 43 vezes o Apocalipse, totalizando 330 citações.

IRINEU, PASTOR DA IGREJA DE LIÃO
Nasceu na cidade asiática de Esmirna, no ano 130. Morreu em 202. Em seus livros, Irineu cita 1.038 vezes os Evangelhos, 194 vezes Atos dos Apóstolos, 499 as epístolas paulinas, 23 as epístolas gerais, e 65 vezes o Apocalipse, totalizando 1.819 citações.


CLEMENTE DE ALEXANDRIA
Nasceu na cidade grega de Atenas, em 150, e morreu no ano 215. Nos seus escritos, Clemente citou 1.127 as epístolas paulinas, 207 as epístolas gerais, e 11 vezes o Apocalipse, num total de 2.406 citações.


ORÍGENES, O MAIOR TEÓLOGO DO SÉCULO II
Nascido em 184 e falecido em 254, Orígenes escreveu muitos livros, e foi o escritor da Igreja Primitiva que mais citou o Novo Testamento. Dos Evangelhos ele fez 9.231 citações; dos Atos dos apóstolos, 349; das epístolas paulinas, 7.778; das epístolas gerais, 399, e do Apocalipse, 165, totalizando 17.922 citações.


TERTULIANO, O GRANDE APOLOGISTA
Nascido em 160 na cidade africana de Cartago, o eloquente apologista Tertuliano escreveu vários livros em defesa da fé, e neles citou 3.822 vezes os Evangelhos, 502 Atos dos Apóstolos, 2.609 as epístolas paulinas, 120 as epistolas gerais, e 205 o Apocalipse. Total: 7.258 citações.


EUSÉBIO, O PRIMEIRO HISTORIADOR DA IGREJA
Eusébio de Cesaréa, nascido em 265 e falecido em 340, citou em suas famosas obras 3.258 vezes os Evangelhos, 211 vezes Atos dos Apóstolos, 1.592 as epístolas paulinas, 88 as epísolas gerais,e 27 vezes o Apocalipse, totalizando 5.176 citações.

O TESTEMUNHO DOS LECIONÁRIOS DA IGREJA PRIMITIVA
Lecionários eram manuscritos especialmente preparados para ser usados durante os cultos de adoração realizados pelos crentes da Igreja Primitiva. Continham trechos da Bíblia,que eram lidos pelas congregações reunidas ocultamente nos três primeiros séculos do Cristianismo. Já que não era possível dar para cada um dos irmãos um rolo ou pergaminho contendo os livros da Bíblia, os lecionáios foram preparados para suprir essa carência. Hoje, existem cerca de 2.135 lecionários espalhados em museus e grandes bibliotecas do mundo. Eles foram redigidos nos primeiros séculos da Era Cristã.
O erudito Bruce Hetzger escreveu um breve comentário sobre esses preciosos documentos,que também confirmam a integridade e confiabilidade do texto do Novo Testamento: “Seguindo o costume da Sinagoga, onde eram lidas porções da Lei e dos profetas durante o serviço divino realizado a cada sábado, a Igreja Cristã adotou a práica de ler passagens dos livros do Novo Testamento nos cultos de adoração. Foi desenvolvido um sistema regular de lições dos Evangelhos e das Epítolas, e passou-se a usar essas lições cumprindo-se uma ordem fixa de domingos e de outros dias santos do ano cristão.” 
O importante de tudo isto é que essas citações do Novo Testamento, feitas por escritores cristãos que viveram em épocas próximas do tempo dos apóstolos, provam que o texto neotestamentáio que eles conheceram e citaram é fielmente igual ao texto que nós possuímos hoje: O Novo Testamento é digno de confiança!




Jefferson Magno Costa

POR QUE O NOVO TESTAMENTO É DIGNO DE CONFIANÇA

O fato que mencionaremos a seguir não ocorre com relação a nenhum livro secular antigo; só com os livros que compõem o Novo Testamento.
Graças à quantidade de cópias manuscritas, escritas a partir do II século da Era Cristã (existem quase 5.000 manuscritos gregos do NT, aproximadamente 8.000 da Vulgata Latina – tradução do NT do grego para o latim -, e uns 1.000 manuscritos compondo a coleção das versões primitivas, perfazendo assim cerca de 14.000 cópias manuscritas do Novo Testamento); graças às citações que os mais antigos escritores da Igreja Primitiva fizeram dos 27 livros neotestamentarios, seria possível reconstruirmos hoje integralmente o texto do Novo Testamento a partir dos versículos e passagens inteiras citados pelos primeiros escritores da Igreja Primitiva. Diante desses dois fatores - existem muitos outros – podemos ter absoluta certeza de que os livros do Novo Testamento lidos por nós hoje correspondem fielmente àqueles que foram escritos pelos apóstolos e discípulos de Jesus.

A SUPERIORIDADE DOS MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO COM RELAÇÃO AOS MANUSCRITOS DOS LIVROS DE AUTORES CLÁSSICOS
Se compararmos hoje o grau de confiabilidade que os manuscritos do Novo Testamento oferecem em relação aos manuscritos da chamada Literatura Clássica da Antiguidade, veremos o quanto o Novo Testamento é superior. Os eruditos e críticos literários aceitam como verdadeiros os textos de obras de autores gregos e romanos, como Heródoto, Demóstenes, Sófocles (escritores gregos), Virgílio, Tácito e Suetônio (escritores romanos), e muitos outros. Ora, o fato é que hoje muitos desses eruditos e críticos são capazes de colocar em dúvida a autenticidade do Novo Testamento, mas eles ficariam envergonhados se soubessem que nenhuma obra da literatura clássica greco-romana tem a mínima condição de competir em número de provas de sua autenticidade interna (ou externa) com o Novo Testamento!
Enquanto existem cerca de 14 mil cópias manuscritas, reproduzindo fielmente o texto original do Novo Testamento, dos livros seculares da Antiguidade só existem 10, 20, 100 e no máximo 200 cópias, como ocorre com os discursos do maior de todos os oradores gregos, Demóstenes (384-322 a.C.).
Além do mais, temos de considerar as datas em que essas cópias foram feitas. No caso de Demóstenes, por exemplo, seus discursos foram escritos entre os anos 350 a 322 antes de Cristo. A cópia mais antiga que temos hoje de um desses discursos data do ano 1.100 d.C. Portanto, entre o manuscrito original e a cópia mais próxima que temos dele, hoje existe um espaço de tempo de 1.400 anos – um verdadeiro abismo! Mas nenhum crítico põe em dúvida a autenticidade de Demóstenes. Vejamos ainda a situação das obras de outros escritores.


ARISTÓTELES (384–322 A.C.)
Não sabemos exatamente quando o filósofo grego Aristóteles começou a escrever suas obras. Portanto, os pontos de referência a que nos reportamos são as datas do seu nascimento e de sua morte. Hoje, são conhecidas cinco cópias manuscritas, em grego, de algumas obras daquele que teve, entre os seus discípulos, Alexandre, o Grande. Elas datam do ano 1.100 depois de Cristo, existindo, portanto, o mesmo abismo de separação de 1.400 anos entre as cópias e o manuscrito original, conforme ocorre com Demóstenes. E também no caso de Aristóteles, os eruditos e críticos não vêem nenhuma dificuldade em aceitar suas obras como autênticas.


TÁCITO (55–120 D.C.)
O famoso livro de história de autoria do escritor romano Cornélio Tácito, intitulado Anais, foi escrito por volta do ano 100 d.C. A mais antiga cópia que temos do manuscrito original desse livro (ao todo existem 20 cópias manuscritas) é do ano 1.000 d.C. Portanto, 1.000 anos a separa do manuscrito sobre o qual Tácito deslizou suas mãos. E todos os historiadores hoje leem confiadamente os Anais de Tácito.

 SUETÔNIO (69–141 d.C.)
A cópia mais antiga que temos hoje da Vida dos Doze Césares foi escrita no ano 950 d.C. Entre essa cópia e a época em que a obra foi escrita, há um espaço de 800 anos. Mas ninguém põe dúvida sobre a autenticidade do livro de Suetônio.



TEMPO QUE SEPARA OS MANUSCRITOS ORIGINAIS DO NT DE SUAS PRIMEIRAS CÓPIAS
E quanto ao Novo Testamento, que espaço de tempo separa os manuscritos originais de suas cópias mais antigas? Para respondermos a esta pergunta, e demonstrarmos o quanto as cópias manuscritas neotestamentárias superam em número e antiguidade as cópias dos livros de literatura clássica greco-romana, é necessário tecermos um breve comentário sobre os mais famosos documentos do Novo Testamento, guardados atualmente nos grandes museus e bibliotecas do mundo.

UM FRAGMENTO DO EVANGELHO DE JOÃO
A mais antiga cópia manuscrita do Novo Testamento data do ano 130 d.C. Incompleta, ela contém parte do Evangelho de João, e sua descoberta no início deste século foi de importância capital para se desmentir a teoria do professor de Tubingen, na Alemanha, Ferdinand Cristian Baur, que dizia que o Quarto Evangelho tinha sido composto por volta do ano 200 d.C. Porém, está confirmado hoje que João concluiu seu Evangelho antes do ano 1000 d.C. Esse fragmento do Quarto Evangelho é conhecido como Manuscrito John Ryland, por se encontrar guardado na Biblioteca John Ryland, em Manchester, Inglaterra. A partir desse documento é possível verificar o quanto o Novo Testamento lido hoje por nós é fiel.

O PAPIRO CHESTER BEATTY
A autenticidade e confiabilidade do Novo Testamento pode ser também confirmadas comparando-se o texto que lemos hoje em nossas Bíblias, com o Papiro Chester Beatty – uma cópia incompleta do NT, datada do ano 200 d.C. Nenhum livro secular dispõe de cópias escritas em cima da época tão próxima a do ano em que foi escrito o seu manuscrito original. O erudito cristão Sir Frederic Kenyon afirmou que “nenhum outro livro antigo dispõe do testemunho da autenticidade do seu texto, tão abundante e tão próximo ao original, conforme dispõe o Novo Testamento. Nenhum estudioso honesto negará que o texto do NT chegou até nós substancialmente íntegro e fiel aos manuscritos originais”.
O Papiro Chester encontra-se hoje guardado na Universidade Chester Beatty, em Dublin, capital da Irlanda.

DIATESARÃO, OU HARMONIA DOS QUATRO EVANGELHOS
Por volta do ano 160 d.C., o escritor Taciano, um assírio convertido ao Cristianismo, escreveu uma obra intitulada Diatesarão, que em grego significa “uma harmonia de quatro partes”. Hoje, essa obra é conhecida como “harmonia dos Quatro Evangelhos”. Através dela também podemos comprovar a fidelidade dos Evangelhos.


 O CÓDICE SINAÍTICO
Em 1844, o pesquisador alemão Tischendorf estava manuseando alguns velhos papéis que ele encontrara junto com outros destinados ao lixo, no Mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai, quando de repente deparou-se com uma relíquia: ele encontrara o Códice Sinaítico! Esse manuscrito contém quase todo o Novo Testamento (falta apenas Mc 16.9-20 e Jo 7.53-8.11), e foi escrito por volta do ano 350 d.C. O responsável pelo Mosteiro doou esse documento ao Czar da Rússia em 1859, mas no Natal de 1953, a Inglaterra o comprou por 100.000 libras. Atualmente, ele se encontra guardado no Museu Britânico. O Códice Sinaítico constitui-se em mais um instrumento através do qual é possível hoje verificar-se a fidelidade do texto do Novo Testamento.

OUTROS DOCUMENTOS PRECIOSOS
Além dos documentos citados até aqui, existem outros que fazem parte dos pontos de referência de que lançamos mão como evidências internas da confiabilidade do Novo Testamento. Eles são o Códice Vaticano, escrito por volta do ano 350 d.C., e que contem quase toda a Bíblia em grego (está guardado na Biblioteca do Vaticano); o Códice Alexandrino (escrito em 400 d.C.), guardado no Museu Britânico, contendo também quase toda a Bíblia; e outros.
O que se conclui diante de tudo isso, é que nenhum outro livro está tão bem respaldado bibliograficamente como o Novo Testamento. Isto se deve ao zelo e à reverência com que os antigos copistas (ou escribas) trabalhavam na preparação das cópias, e principalmente à providência de Deus em reservar para a sua Igreja um texto fiel e exato das Escrituras. A abundância de testemunhos dessa fidelidade chegados até nós colocam o Novo Testamento acima de qualquer outro livro no mundo.
Os eruditos e críticos aceitam como dignos de confiança os livros da literatura clássica, mesmo sabendo que as cópias manuscritas mais antigas desses livros estão mais de mil anos distantes da época em que foram escritos originalmente por seus autores. E em muitos casos, o número de manuscritos existentes é muito pequeno. Diante disto, podemos ver o quanto o Novo Testamento, com suas quase 14.000 cópias manuscritas, muitas delas escritas em épocas bem próximas aos manuscritos originais, é digno de confiança!
Jefferson Magno Costa

terça-feira, 27 de abril de 2010

EXISTE UM ÚNICO DEUS OU VÁRIOS DEUSES?

Em que criam os primeiros seres humanos que povoaram o mundo: na existência de um único Deus ou em vários deuses? Para este tema têm-se voltado centenas de filósofos, etnólogos e historiadores. Ao longo dos séculos, muitos estudos têm sido feitos para se saber que idéia influenciou primeiro as populações primitivas: Se o monoteísmo (a crença na existência de um único Deus), ou se o politeísmo (a crença na existência de vários deuses).
O curioso é que, estando incluído entre os pensadores que têm debatido sobre este assunto, o filósofo francês Voltaire, apesar de sempre ter-se mostrado propenso a apegar-se a idéias anarquistas e antibíblicas, acreditava plenamente que a forma originária de crença do ser humano fora a da existência de um único Deus. "O politeísmo surgiu muito tempo depois, devido à fraqueza humana", concluiu o polêmico escritor.
A posição da maior parte dos etnólogos modernos (homens que se dedicam ao estudo das práticas religiosas e dos costumes dos povos primitivos) diante da questão, é a mesma adotada por Voltaire. Um exame da Bíblia neste sentido nos mostra também que o que houve na humanidade foi uma degradação: da crença na existência de um único Deus, os homens passaram pouco a pouco a cultuar e a crer na existência de vários deuses.
Por esse motivo, a luta antipoliteísta e anti-idolátrica marca de ponta a ponta as páginas das Sagradas Escrituras, e o posicionamento dos que nela deixaram os seus registros inspirados é semelhante ao conteúdo desta afirmação do profeta Jeremias:
"Mas o Senhor Deus é o verdadeiro Deus; ele mesmo é o Deus vivo, o Rei eterno. Do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação. Assim lhes direis: esses deuses, que não fizeram os céus e a terra, desaparecerão da terra e de debaixo deste céu" (Jeremias 10:10,11).


DESVIOS DA HUMANIDADE
Em todos os locais onde a cultura humana floresceu, nos grandes ou pequenos redutos onde foram encontrados monumentos religiosos ou qualquer outro vestígio de práticas religiosas, tem-se verificado que houve uma decadência no primitivo sentimento de adoração a Deus. A princípio o homem considerava a Natureza, e tudo o que nela existe de mais belo, como sinais da existência de um Deus único, individual, invisível e superior ao mundo. Tudo anunciava a existência de Deus, mas não era visto como o próprio Deus, concebido como ser total e essencialmente único. Portanto, a crença na existência de vários deuses, surgida tempos depois, foi uma degeneração, uma consequência da observação supersticiosa da Natureza, e do temor diante dos diversos fenômenos e seres nela existentes. Mas foi sobretudo resultado da inegável atuação das hostes malignas de Satanás.
Portanto, várias circunstâncias contribuíram para desviar a humanidade, através de séculos e milênios, da crença na existência do verdadeiro Deus. À medida em que a crença em muitos deuses ia se alastrando entre os povos, os seres humanos passaram a adorar os ídolos da casa, da tribo, da cidade, da selva, do reino, da nação, do império. Passou-se a adorar e a servir a criatura em lugar do Criador, caindo-se na abominável confusão denunciada muito tempo depois pelo apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos: "Mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram a criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente" (Romanos 1.25).


DEUSES POR TODA PARTE
Assim, a Terra passou a ser adorada pelas religiões siro-fenícias, como mãe fecunda de todas as outras divindades; o sol passou a ser cultuado pelos egípcios, e, tempos depois, pelos japoneses; o céu tornou-se o deus dos chineses; os persas adoravam o fogo, vendo-o como uma gigantesca ave do céu com asas de ouro, a travar combates tremendos com os "espíritos da noite". Inventando deuses e mais deuses, a humanidade foi-se distanciando cada vez mais da crença original de um único Deus soberano. A água, o vento, a chuva fertilizadora, o sol, o orvalho, o trovão, o relâmpago, as nuvens, os animais — tudo, tudo passou a ser divinizado. Conforme comentou o pregador francês Bossuet, "tudo era Deus, menos o próprio Deus".
Mas que Deus é este que o espírito humano há tantos séculos sabe de sua existência, mas não consegue compreender? Por acaso ele é o mesmo que os deuses informes dos selvagens, o Phtah dos egípcios, o Bel dos assírios, o Odin dos escandinavos, o Wotan dos tedescos, o Teutates dos celtas, o Zyus dos brâmanes, o Zeus dos gregos, o Júpiter dos romanos, o Alá dos maometanos? Não! "Porque o Senhor é o grande Deus, e grande Rei acima de todos os deuses", declarou o salmista (Salmo 95.3). E o profeta Isaías acrescentou: "Assim diz o Senhor, Rei de Israel, e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus" (Isaías 44.6). "Eu creio no Deus que criou os homens, e não nos deuses que os homens criaram", declarou conclusivamente o escritor francês Alexis Karr.


ISRAEL E A CRENÇA EM UM ÚNICO DEUS
Diante do aparecimento e da propagação de tantos deuses no mundo antigo, o puro monoteísmo de Israel, que se apresenta como um acontecimento absoluto e único na história, superando qualquer explicação psicológica, cultural ou étnica, é verdadeiramente um milagre. Os estudiosos têm concluído, admirados, que o fato de a religião de Israel ter reclamado para si, contra todas as religiões politeístas e mais antigas que ela, a adoração de um único Deus, está completamente fora das leis que regulam a evolução histórico-cultural da humanidade; é um fato surpreendente e cientificamente inexplicável.
Sabe-se, através de vários documentos, que a raça semita de onde se originou o povo de Israel teve originariamente a noção da existência de uma "Potência suprema". Por outro lado, os documentos que nos chegaram provenientes dos antigos povos cananeus revelam que, sob a influência de outros povos que transitavam na Mesopotâmia, os semitas, com a única exceção do povo hebreu, degradaram-se moralmente e caíram no politeísmo. "Quem não reconhece a Deus por Senhor, terá que submeter-se a muitos senhores", diz um antigo provérbio.
Porém, apesar de a mentalidade desses povos, tanto semitas como de outras raças, entre os quais Israel peregrinava, ter sido totalmente politeísta, não há nenhum vestígio na Bíblia que mostre ter a influência dessas nações apagado por completo no coração dos israelitas a fé monoteísta, desviando-os totalmente da crença em um só Deus. Mesmo quando a nação caía sob a tentação dos cultos idólatras, a crença no Deus único e verdadeiro persistia na alma do povo, e era isso o que sempre possibilitava o arrependimento e o retorno de Israel aos caminhos do Senhor.


O DEUS DOS PATRIARCAS E DOS PROFETAS
Essa grandiosa solidão e exclusividade de sentimento religioso experimentado pelo povo hebreu, verdadeira luz nas trevas, não se manifestou como uma afirmação ou experiência passageira, nem como resultado de profundas meditações filosóficas da parte dos líderes do povo. Ela aconteceu tão-somente devido à grandiosa intervenção do Senhor, que graciosamente elegeu Israel, instruiu-o e revelou-se a ele através de homens chamados e inspirados pelo seu Santo Espírito: os patriarcas e os profetas. Foi através desses homens que Deus se manifestou plenamente no meio da nação israelita, e irradiou fulgores que, sem limites de espaço e de tempo, anunciaram a verdade e a salvação a todos os seres humanos, através de todas as gerações.
Portanto, por intermédio dos patriarcas e dos profetas, o povo hebreu foi alcançado pela revelação de um Deus que é o mais elevado, o mais sublime entre todos os deuses, o único e verdadeiro Deus. A Bíblia é a história dessa revelação. A glória de Israel é, portanto, a de haver sido o primeiro, entre todos os povos, a receber a verdadeira idéia de Deus. Foi o único povo que primeiramente conheceu e professou o monoteísmo puro, apesar da posterior e forte atração que os seus filhos tiveram para o politeísmo semítico. Todavia, no panorama religioso de todos os tempos, jamais existiu um monoteísmo tão severo e tão zeloso. Sua história, narrada na Bíblia, não é outra coisa senão a luta pela supremacia absoluta do único e verdadeiro Deus, superior aos reis vitoriosos, aos povos poderosos e aos seus deuses.


REVELAÇÃO DE DEUS NO MONTE HOREBE
Moisés havia levado o rebanho de ovelhas do seu sogro Jetro para o lado ocidental do deserto, até chegar aos pés do monte de Deus, o Horebe. Subitamente, o resplendor de uma sarça em chamas no alto do monte despertou a atenção do patriarca, e ele resolveu subir para ver de perto aquela maravilha — o fogo queimava, mas a sarça não se consumia! Ao aproximar-se, uma voz misteriosa e sublime elevou-se de dentro das chamas:
"Moisés, Moisés, não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó" (Êxodo 3.1-6).
Após declarar que vira o sofrimento do seu povo sob a opressão dos egípcios, o Senhor fez saber a Moisés que o encarregara de libertar a nação escolhida. Temeroso, o genro de Jetro quis saber qual era o nome próprio de Deus, nome que lhe serviria para justificar a autoridade daquela missão. E o Senhor lhe respondeu: "EU SOU O QUE SOU... Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros".
Diante desta revelação, religião alguma alcança semelhante sublimidade! É difícil explicar o que a conquista dessa tão alta idéia da natureza de Deus representa para o povo hebreu, 13 séculos antes do aparecimento do Cristianismo.
Porém, haveria no povo de Israel algum mérito especial que tivesse determinado sua eleição por parte do Senhor? Não. Para eleger, Deus não depende das súplicas humanas, nem das qualidades morais que um homem ou um povo por acaso possua. Essa eleição depende tão-somente do seu amor e da sua fidelidade:
"O Senhor não se afeiçoou de vós, e vos escolheu por serdes mais numerosos do que todos os outros povos, pois éreis menos em número do que todos os povos. Mas porque o
Senhor vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão forte, e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito" (Deuteronômio 7.7, 8).
Esse amor misterioso do Pai celestial é absolutamente livre: não está sujeito aos critérios humanos de julgamento.
Essa eleição é recíproca. Da mesma forma como Deus escolhe seus fiéis no meio da multidão de homens, assim também os eleitos devem escolher a Deus, excluindo totalmente os falsos deuses. Esta reciprocidade em que está encerrado todo o insondável mistério do amor divino e do regresso do pecador ao seio do Sumo Bem, é simbolizada e expressada como "pacto" ou "aliança": "Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, como aliança perpétua, para ser o teu Deus, e da tua descendência depois de ti" (Gênesis 17.7). Abraão reconheceu o Altíssimo, o Deus do Céu e da Criação, e só a ele dedicou o seu culto. E Deus honrou a fé e a integridade do seu servo.


NÃO NOS É LÍCITO REPRESENTAR A DEUS
Portanto, além de haver inundado a Natureza e a consciência coletiva e individual de todos os povos com as provas de sua existência, Deus elegeu um povo e revelou-se a ele de forma especial, para, através desse povo, abençoar todas as nações da Terra, estabelecendo assim um caminho de salvação que conduz a Cristo, o Salvador da humanidade, surgido em meio à confusão que os falsos deuses haviam causado.
"No evangelho de Jesus se consuma com perfeição a aspiração de tornar racional e de humanizar a idéia de Deus, que palpitava já desde os tempos mais remotos da tradição israelita, sobretudo nos profetas e nos salmos, e que enriquecera e engrandecera o sentimento do sagrado... Assim, chegou-se à forma insuperável da crença em Deus Pai, tal como existe no Cristianismo, com Jesus Cristo", comentou oportunamente o escritor alemão Rudolf Otto.
Além de combater o politeísmo (a idéia da existência de outros deuses), a Bíblia também combate a idolatria (culto prestado a ídolos, geralmente representados por imagens de escultura dos falsos deuses ou do verdadeiro Deus): "Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem a elas servirás; pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso..." (Êxodo 20.4, 5). Porém, não podendo vê-lo pessoalmente, e sentindo-se irresistivelmente atraído pela curiosidade de saber "como ele é", o ser humano sempre carregou dentro de si um imenso desejo de representar a Deus através de figuras e símbolos.
A Bíblia combate esse desejo idólatra, por ele ser a negação da unidade e da transcendente invisibilidade de Deus. Além disso, a idolatria é uma tentativa de rebaixar o Criador à condição de uma obra feita por homens. O Ser Eterno e Supremo, origem da Vida, ficaria reduzido a um pedaço de madeira ou pedra inanimados, simples produto fabricado pelas mãos de um artífice. E isto sempre foi um ultraje, uma abominação à sua santa, digna e perfeitíssima Pessoa.
O culto das imagens de Deus, entre o povo de Israel, sempre constituiu-se em gravíssima transgressão da "aliança": "Guardai-vos de vos esquecer da aliança que o Senhor vosso Deus fez convosco, fazendo alguma imagem de escultura, figura de alguma coisa que o Senhor vosso Deus vos proibiu" (Deuteronômio 4.23). Só em Jesus Cristo a humanidade encontra a única representação verdadeira e completa de Deus. Ele está revelado nas páginas da Bíblia, e se revela dentro de nós. Em Jesus, temos Deus humanamente revelado, pois ele "é o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa" (Hebreus 1.3). E foi o próprio Jesus quem disse que "Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4.24).


UM SÓ DEUS, E NÃO VÁRIOS DEUSES
"Temos deuses demais para serem verdadeiros", disse certa vez um antigo politeísta, desconfiado e incrédulo diante da adoração de tantos deuses. Ora, as mitologias antigas, as histórias lendárias dos primeiros povos mostravam o mundo sacudido e visitado por milhares de deuses, em sua maioria inimigos dos homens e inimigos uns dos outros, que se destronavam, que se digladiavam, que se despedaçavam. Porém, à medida em que as pessoas foram reaprendendo a observar o mundo, notaram que a Natureza tem as suas leis, e essas leis são fixas. O Universo pareceu-lhes então uma obra-prima, criado e governado por um ser dotado de infinita sabedoria. A Bíblia foi a principal responsável por essa concepção da soberana posição de Deus diante de todas as coisas. A mensagem que ela trouxe aos homens (inicialmente aos judeus, e depois ao mundo todo) abalou as bases da crença politeísta.
Portanto, as fictícias narrações de guerras ocorridas entre os deuses mitológicos passaram a impressionar cada vez menos o ser humano. A atuação e a existência desses deuses seriam confirmadas se o sol interrompesse o seu deslizar cotidiano no céu, se os astros se chocassem uns com os outros, se os rios corressem para as nascentes, se os mares e oceanos avançassem e cobrissem toda a Terra. Mas nada disso era visto. Ora, por acaso não haveria motivos para se pensar que existe um só Deus, que estabeleceu leis fixas e as mantém? Sim, pois se existissem muitos deuses, todos os dias os homens contemplariam o resultado de suas vontades em discórdia, a confusão estaria estabelecida no mundo, e os fenômenos da Natureza seriam irregulares e descontrolados:
"Porque assim diz o Senhor que criou os céus, o único Deus, que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a fez para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor e não há outro" (Isaías 45.18. ARA).
Portanto, além de ter-se revelado na consciência coletiva dos povos, na natureza e na consciência de cada indivíduo, Deus revelou-se na Bíblia, destronando os falsos deuses. Através das Sagradas Escrituras, a humanidade tem recebido o testemunho da existência do Deus único e verdadeiro, que é Rei, Pai e Criador dos céus e da Terra. Ele opera maravilhas entre os seres humanos, e detém em suas mãos o domínio do Universo. "Surgem e se vão novas formas, novas circunstâncias históricas e sociais, mas sempre e sempre, atrás e por debaixo delas todas, está a revelação de um Deus que não muda e que é eterno", escreveu o apologista Allan Richardson.


A UM ATEU
Vasco de Castro Lima

Não crês em Deus. No entanto, Deus existe,
E atrás de tudo eu vejo a sua mão.
Segue-te os passos desde que surgiste,
E, para amá-lo, deu-te um coração.


Ele criou o sol que assiste,
E o mar, e a terra, o céu, o amor, e o pão...
Dá vida aos mortos, alegria ao triste,
ao pecador, a bênção do perdão.


Deus vive em nós e está no seu sacrário,
Como esteve no drama do Calvário,
E no humilde presépio de Belém.


Não crês porque não viste. Mas, um dia
Tu O verás, pois diz a Profecia
Que os próprios cegos O verão também!

Jefferson Magno Costa

sábado, 24 de abril de 2010

O DEUS QUE SE FAZ PRESENTE NA CONSCIÊNCIA DO SER HUMANO

Jefferson Magno Costa    
A certeza da existência de Deus e a necessidade de render-lhe culto é a primeira grande inclinação do espírito e do coração humanos. Elevando o seu pensamento na busca da causa de sua existência e de tudo o que ele contempla no êxtase da admiração, o homem banha a fronte nos raios da glória do Onipotente, e curva-se ante a majestade infinita do seu Criador. Tudo fala de Deus ao seu pensamento e ao seu coração.
     "Há um Deus", é a voz que ecoa no íntimo de sua consciência. Como diz o inspirado autor de O Gênio do Cristianismo, o francês René Chateaubriand (1768-1848), "as ervas do vale e os cedros da montanha o glorificam, o inseto sussurra os seus louvores, o elefante o saúda ao nascer do sol, o pássaro o canta na folhagem, o raio manifesta o seu poder, e o oceano declara a sua imensidade." (René Chateaubriand. O Gênio do Cristianismo. Tradução de Camilo Castelo Branco. 3a edição, Porto, Cruz Coutinho, 1874, Vol. 1, p. 102.)
     E o homem o adora, fala com Deus em oração. Nota harmoniosa que se ergue da terra para as alturas do infinito, a oração do ser humano é a sua grande escada para subir a Deus. 
     Porém, a súplica não é somente o impulso do coração desejoso de socorro, de forças e de consolo para as dores do corpo e da alma; ela tem sido, desde os mais remotos tempos, a expressão de uma fé instintiva ou refletida, obscura ou clara, vacilante ou firme, na existência, na presença, no poder e na misericórdia do Deus supremo a quem essa oração é dirigida.
     Ela é a expressão do sentimento da existência de um laço permanente que une a humanidade ao seu Criador, laço esse cujas raízes se encontram na voz da consciência.

CONSCIÊNCIA: INSCRIÇÃO DE DEUS NA ALMA
     A consciência é, na verdade, a inscrição que Deus gravou na alma do ser humano com letras lapidares, inapagáveis, infalsificáveis. Todo homem nasce trazendo dentro de si essa voz interior.
     Todos os seres humanos, mesmo aqueles de consciência cauterizada, ou que tenham tido uma educação má, ou sejam produto de um meio social corrompido, conhecem o que é certo e o que é errado, e sabem muito bem que ambos não são a mesma coisa.
     É a consciência que os acusa diante da prática do mal (mesmo que muitos não dêem ouvidos a essa acusação) e os aprova pela prática do bem.
     Essa diferença entre o bem e o mal é independente da vontade e dos caprichos humanos. O bem, uma vez reconhecido pelo homem como dever, exige cumprimento incondicional — ao mesmo tempo que proíbe absolutamente a prática do mal, por mais belo e sedutor que este se apresente.
      A consciência nos diz, portanto, que temos obrigação de praticar o bem e de evitar o mal. Ora, se não existe, conforme afirmam os ateus, um Ser Supremo, infinitamente bom e santo, que aprova o bem e reprova o mal, de onde vem essa voz, ou quem a colocou dentro dos seres humanos?
     O senso do dever moral presente em nossa consciência é uma das formas como Deus se manifesta a cada pessoa. O sentimento de obrigação que leva os seres humanos a fazerem aquilo que eles julgam certo é, na verdade, a pressão indireta (em suas consciências) do Criador sobre suas criaturas, impulsionando-as para o bem.
     Aliás, todos aqueles que conhecem a Deus são esforçados na prática do que é correto, do que é bom.
Jeremias, profetizando contra Jeoaquim, rei de Judá, fala a respeito dos homens de consciência cauterizada, e apresenta um exemplo de alguém que conhecia a Deus — o pai do rei Jeoaquim:
     "Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem paga, e não lhe dá o salário do seu trabalho. Ele diz: Edificarei para mim uma casa espaçosa, e largos aposentos. De modo que lhe abre janelas, forra-a de cedros e a pinta de vermelho. Reinarás tu, só porque procuras exceder no uso do cedro? Acaso o teu pai não comeu e bebeu, e não exercitou o juízo e a justiça? Por isso lhe sucedeu bem. Julgou a causa do aflito e do necessitado, e por isso lhe sucedeu bem. Não é isto conhecer-me? diz o Senhor" (Jeremias 22.13-16).

QUEM NOS IMPULSIONA PARA O BEM?
     Segundo o que o próprio Deus declarou em Gênesis 8.21: "... é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade" (ARA), a natureza humana está inclinada para a prática do que é desagradável ao Senhor.
     Diante disto, somos levados a concluir que aquilo que impulsiona uma pessoa a praticar algo contrário à sua própria natureza, ou seja, o bem, deve obrigatoriamente proceder de alguém que lhe é superior.
     Se fosse o homem o autor dessa lei, dessa força, ele poderia entregar-se à prática de tudo quanto é ruim, e depois ir dormir tranquilamente. Mas não o pode. Quando o homem deixa de obedecer a essa lei, ouve dentro de si uma voz insistente que o reprova, acusando-o de ter praticado o mal. Essa voz, que ressoa em sua consciência é mais uma das provas da existência de Deus.
     O célebre poeta alemão Johan Wolgang Goethe (1749-1832) escreveu em um de seus poemas:

Baixinho nos segreda Deus no peito,
Baixo sim, mas bem claro nos indica
O que evitar, o que fazer devemos.

     Esse mesmo Goethe perguntou em um trecho de um de seus livros, quando falava sobre a existência de Deus:
"Não sentes no coração a ação de uma força desconhecida que paira à tua volta, visível num mistério invisível? Enche com ela a tua alma, e quando tiveres achado a felicidade neste sentimento, chama-lhe o que quiseres; chama-lhe alegria, paz, amor: eu chamo-lhe Deus!" (J. Pantaleão Santos, in Deus: As Mais Belas Afirmações em Prosa e Verso. Petrópolis, Vozes, 1963, p. 72.)

A CERTEZA DA EXISTÊNCIA DE DEUS DENTRO DE NÓS
     Portanto, a certeza da existência de um Ser infinito e perfeito foi colocada dentro do homem, essa criatura finita e imperfeita. Essa ideia que todos temos do Ser infinitamente perfeito é que nos faz reconhecer as imperfeições que se acham em todas as criaturas.
     Pela ideia que temos acerca da existênia desse Ser infinito, concluímos que nenhuma coisa, de todas quantas nos cercam, lhe é igual, e somos levados a distinguir o mal e o bem. Essa idéia é a manifestação de Deus dentro de nós.
     Pois só Deus teria poder para colocar dentro do homem algo que é contrário à sua inclinação, algo que está acima de sua natureza, e é infinitamente superior ao seu entendimento.
     "Eis aqui o espírito do homem (escreveu o filósofo francês Fénelon): débil, incerto, limitado, cheio de erros. Quem tem posto a ideia do infinito e do perfeito em um ser tão limitado e tão cheio de imperfeições? Quem tem posto em mim essa ideéia do infinito? Ela está em mim, mas não sou eu." (François de Fénelon. Demonstração da Existência de Deus. Porto, Tipografia de Manoel José Pereira, 1871, p. 83.)
     Muitos filósofos e teólogos têm falado dessa voz existente na consciência do ser humano, onde Deus manifesta a sua vontade; têm falado desse ponto em que Deus toca a alma para suspendê-la até ao conhecimento dele. O inspiradíssimo Agostinho, expressando-se à semelhança de um simples pecador destituído da graça de Deus, colocou em seus próprios lábios as palavras que esse pecador, distante dos caminhos eternos, pronunciaria:
     "Há dentro de mim mesmo uma profundidade que não conheço e que tu conheces, Senhor, profundidade que não é mais que trevas, até converter-se em luz, sob o resplendor da tua face!" (Aurélio Agostinho, citado por August Gratry, in De la Connaissance de Dieu. Huitiéme edition. Tome Premier, p. 32, Téqui, Libraire-Editeur, Paris, 1903, p. 238.)

ORAÇÃO ANTES DA MORTE
     A oração que se segue foi encontrada no bolso de um soldado norte-americano desconhecido. Ele tombou em pleno campo de batalha, estraçalhado por uma granada. Dele só havia restado, intacta em um de seus bolsos rasgados e ensanguentados, uma folha de papel contendo esta oração em forma de poema.
     Tendo sido um homem que antes jamais se preocupara com Deus ou com o destino de sua alma na eternidade, o que o teria levado a pensar no seu Criador horas antes de morrer, senão a voz da consciência, e o testemunho da Criação?

Escuta Deus:
Jamais falei contigo.
Hoje quero saudar-te. Bom dia, como vais?
Sabes, disseram que tu não existes,
e eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado a tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas
vi teu céu estrelado
e compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertarás a minha mão.
Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo causado pela guerra
achei a luz para enxergar teu rosto.
Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar:
só que... que... tenho muito prazer em conhecer-te.
Faremos um ataque à meia-noite.
Não sinto medo.
Deus, sei que tu velas...
Ah! é o clarim! Bem, Deus, devo ir-me embora.
Gostei de ti, vou ter saudades... Quero dizer:
será cruenta a luta, bem o sabes,
e esta noite pode ser que eu vá bater à tua porta!
Muito amigos não fomos, é verdade.
Mas... sim, estou chorando.
Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
Bem, Deus, tenho que ir. Sorte é coisa bem rara.
Juro, porém: já não tenho medo da morte.

(Raimundo Cintra e Rose Marie Muraro. As Mais Belas Orações de Todos os Tempos. Rio de Janeiro. Livraria José Olímpio Editora, 2S edição, 1970, p. 139)
     A voz da consciência, a chamada lei moral, existe dentro de cada ser humano, recriminando-o pela prática de más obras e proclamando a existência de Deus.
     O orador romano Cícero chamou a atenção de todos para o fato de não existir uma lei natural em Roma, outra em Atenas, outra agora, outra depois, mas uma eterna e imutável lei, que se estende a todos os povos e em todos os tempos. E também de Cícero a seguinte observação:
     "Os verdadeiros sábios estão sempre convencidos de que a lei moral não é uma invenção humana, mas eterna, e é a regra do Universo... Todo o fundamento da lei moral se acha em Deus, que ordena e que proíbe." (Marco Túlio Cícero, no livro De Legibus, II, 4, apud Francesco Gaetani. Op. Cit. p. 143.)

DESEJO DE ETERNA FELICIDADE
     Além de existir dentro do homem essa voz que reprova suas más ações, e a ideia de que acima de nós há um Ser superior e perfeito, devemos nos lembrar também que dentro de toda pessoa existe um desejo de total felicidade.
     Porém, conforme tem demonstrado a experiência humana, não é possível chegar-se à plena felicidade aqui na Terra. Deve existir então alguma coisa ou um Ser capaz de satisfazer essa sede de felicidade, pois a natureza não criaria algo impossível de ser atingido.
     Conclui-se, portanto, que a felicidade pela qual todos anseiam, existe. Não nas coisas criadas, e sim fora deste mundo há um Ser com totais poderes de satisfazer plenamente o desejo de felicidade dos seres humanos. Este ser é Deus.
     Foi ele quem colocou no coração do homem o desejo de felicidade eterna. É por esse motivo que o ser humano vive sempre faminto de algo que está além do mundo e muito acima dele mesmo.
     Na tentativa de satisfazer esse anseio, muitas vezes as pessoas mergulham nos prazeres que o mundo lhes oferece; porém, no fim de tudo elas sempre se sentem frustradas, e reiniciam sua busca de felicidade eterna, como um prisioneiro que mede todos os limites de sua prisão, e conta, com impaciência, todas as horas do seu exílio.
     O ser humano sempre buscará a Deus em todos os tempos, por todos os caminhos e no mais profundo de sua consciência. Porém, apesar de estar ciente de que a Natureza, além de o sustentar com suas dádivas e sua força, tem sido dominada em parte pela tecnologia e está a serviço da humanidade, o homem sabe que através dela não conseguirá descobrir qual é a finalidade de sua existência.
     Na própria sociedade onde vive, e na qual busca proteção, ele reconhece que corre o perigo de ser aniquilado. Nela, o ser humano também não conseguirá saber qual é a razão de sua vida.
     Se ele tivesse sido dotado de poderosas asas que lhe permitissem voar, certamente seu desejo de desvendar o Mistério o conduziria às moradas do Altíssimo, às regiões superiores onde vive Aquele que exerce domínio sobre todas as coisas.
     Sua consciência lhe diz que há um Deus soberano, oculto na obscuridade do Mistério, mas sua inteligência limitada, finita, não pode chegar até ele. O escritor francês Littré expressou esse desejo e essa insatisfação do ser humano ainda não alcançado pela graça, ao escrever:
     "O Absoluto, o Infinito é como um oceano que vem bater às nossas praias, para o qual não temos nem barcos nem asas."
     Porém, esse "barco", essas "asas" sobre os os quais fala Littré poderão ser dados ao homem por Jesus Cristo. Ele é a maior revelação de Deus à humanidade, a única resposta a todos os anseios do ser humano, o único caminho que conduz a Deus: "... Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim", disse Jesus (João 14.6).
     Deus fez uso de vários meios para testemunhar de sua existência ao ser humano, porem, de nenhum desses meios ele fez um caminho de salvação, a não ser através de seu Filho Jesus Cristo. Encerramos este artigo citando a bela oração do escritor inglês Martineau (1802-1876):
     "Ó Deus, que és, que eras e que hás de ser, perante as gerações que se levantam e passam; de geração em geração os vivos te buscam, e sabem que tua fidelidade não tem fim. Tu, fonte única da paz e da justiça, tira o véu de todo o coração, e une a todos nós em verdadeira comunhão com os teus profetas e santos, que confiaram em ti e não foram decepcionados..." (Citado por Leonel Franca, in O Problema de Deus. 2a. edição, Rio de Janeiro, Livraria Editora Agir, 1955, p. 58.)
Jefferson Magno Costa

sexta-feira, 23 de abril de 2010

DEUS CONHECE O FUTURO E O REVELA

Jefferson Magno Costa       
     Em que nos alicerçamos para afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus? Sua narração de fatos históricos é solida e confiável o suficiente para resistir a um exame rigoroso? Ela é digna de total confiança?
     Se alguém nos pedir provas de que a Bíblia não é um livro como outro qualquer, e sim o Livro dos livros, verdadeiro, atual, o grande instrumento que Deus usou para revelar os seus desígnios aos seres humanos, como apresentaremos essas provas? Se a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm 10.17), como poderemos levar uma pessoa duvidosa da autenticidade da Bíblia a crer que ela é digna da nossa total confiança, e é realmente a Palavra de Deus?
     A onisciência do Senhor, que tudo conhece, tudo vê, inclusive os mais ocultos sentimentos do ser humano, e prevê todos os acontecimentos futuros da história da humanidade, nos fornecerá uma das grandes provas de que a Bíblia é sua Palavra, sua mensagem ao homem. Deus tem falado através dos seus profetas. Pregando sempre a justiça, a necessidade do avivamento, e predizendo os juízos e as recompensas de Deus sobre o seu povo e sobre a humanidade, os profetas têm sido os mensageiros de Deus, os portadores de seus recados ao mundo.

TESTES PARA SABER SE UM PROFETA É FALSO OU VERDADEIRO
     A Bíblia fala claramente que a profecia é um recado divino. Mas como poderemos saber se uma profecia é de Deus? Deuteronômio 18.21,22 dá a resposta: “Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder como profetizou, esta é a palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele.”
     No capítulo 13 do mesmo livro de Deuteronômio, há outro importante teste para se descobrir se um profeta é falso ou verdadeiro. Se o profeta fizer previsões em nome de alguém que não seja o Senhor, o povo de Deus não lhe deve dar crédito (mesmo que a profecia se cumpra):
     “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti, e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador...” (vv 1-3). Portanto, o desmascaramento dos falsos profetas está vinculado ao não cumprimento de suas profecias, e em nome de quem eles profetizam. É o que Isaías diz (41.22,23):
     “Trazei e anunciai-nos as cousas que hão de acontecer: relatai-nos as profecias anteriores, para que atentemos para elas, e saibamos se se cumpriram; ou fazei-os ouvir as coisas futuras. Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses...”
     Porém, conforme veremos agora, o que Deus anunciou através dos seus profetas, cumpriu-se fielmente, pois: “... a palavra que falei se cumprirá, diz o Senhor Deus” (Ez 12.28b).
     Comprovaremos isto analisando o destino que tiveram duas das grandes capitais da Antiguidade. Veremos que o que Deus anunciou através dos seus profetas com relação a estas duas cidades, cumpriu-se integralmente.

PROFECIAS CONTRA NÍNIVE, CAPITAL DA VIOLÊNCIA
     Nínive e Babilônia foram as duas maiores cidades do mundo antigo. Ambas se destacaram pelo número de seus habitantes, pela grandeza de suas muralhas e pelas riquezas de seus palácios, jardins e torres. Ambas foram centro de impérios extremamente fortes.
     Nínive foi capital do Império Assírio, cujos reis se destacaram como os mais cruéis daquela época. Babilônia foi capital do Império Babilônico, e ficou conhecida na Bíblia como símbolo de abominação contra Deus. Distantes 480 quilômetros uma da outra, Babilônia e Nínive sempre foram rivais.
      Dois profetas dirigiram suas mensagens proféticas aos ninivitas: Jonas (em 780 a.C.), pregando arrependimento, e Naum (mais ou menos em 620 a.C.), anunciando a destruição de Nínive, e de todo o reino da Assíria. Quando Naum proferiu suas predições, Nínive era a mais poderosa cidade do mundo. Como o profeta poderia ter descrito, com toda a riqueza de detalhes, a queda de Nínive, se não tivesse sido inspirado por Deus, se não tivesse funcionado como um porta-voz dos juízos do Altíssimo?
     Analisemos sua profecia, e vejamos que o seu cumprimento histórico nos assegura que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus enviada aos homens.
     Os pontos essenciais do “recado” de Naum aos ninivitas estão fundamentados nos seguintes versículos: capítulo 1, versículo 8: “Mas com inundação transbordante acabará duma vez com o lugar desta cidade”; v.10: “Porque ainda que eles se entrelaçam com os espinhos, e se saturam de vinho como bêbados, serão inteiramente consumidos como palha seca”; capítulo 2, v.3: “Os escudos dos seus heróis são vermelhos, os homens valentes vestem escarlate, cintila o aço dos carros no dia do seu aparelhamento, e vibram as lanças”; v.6: “As comportas dos rios se abrem, e o palácio é destruído”; capítulo 3, v. 13: “Eis que tuas tropas no meio de ti são como mulheres; as portas do teu país estão abertas de par em par aos teus inimigos; o fogo consome os teus ferrolhos”; v.19: “Não há remédio para a tua ferida; a tua chaga é incurável; todos os que ouvirem a tua fama baterão palmas sobre ti porque, sobre quem não passou continuamente a tua maldade?”
     Segundo o profeta Naum, Nínive seria destruída com inundação, em estado de embriaguez. Seus invasores usariam a cor vermelha em seus equipamentos e vestes. A cidade seria incendiada, destruída totalmente, e não mais rescontruída.

CUMPRIMENTO HISTÓRICO DESTAS PROFECIAS
     No ano 612 a.C., os exércitos da Babilônia, dos Citas e dos Medos cercaram a soberba Nínive, e após três meses de resistência, a cidade caiu e foi invadida. Todas as fontes históricas antigas e modernas que registram a queda da capital dos reis sanguinários, confirmam as palavras proféticas de Naum. É impressionante a riqueza de detalhes com que a profecia bíblica se cumpriu. Os soldados medos, por exemplo (pertencentes à Media, antiga região da Ásia) usavam a cor vermelha em suas roupas e armas, cumprindo assim Naum 2.3.
     Na época em que o profeta foi usado por Deus para profetizar contra Nínive, era humanamente impossível atacar e vencer a poderosa, brutal e soberana cidade, cheia de riquezas imensas trazidas de todas as regiões onde os assírios haviam ido guerrear e espalhar o terror, a destruição e a morte. O Senhor já havia falado contra as cidades sanguinárias: “...Ai da cidade sanguinária! Também eu farei pilha grande. Amontoa muito lenha, acende o fogo, cozinha a carne, engrossa o caldo, e ardam os ossos” (Ez 24.9,10).
     Assim fazia Nínive com todos os povos a quem ela atacava. Além do mais, vários de seus reis haviam comandado ataques ao Povo de Deus.
Sobre os sanguinários assírios também pesariam os ais que Habacuque proferiu contra os caldeus: “Ai daquele que acumula o que não é seu (até quando?), e daquele que a si mesmo se carrega de penhores. Não se levantarão de repente os teus credores? E não despertarão os que hão de te abalar? Tu lhes servirás de despojos. Visto como despojaste a muitas nações, todos os mais povos despojarão a ti, por causa do sangue dos homens, e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores” (Hc 2.6-8).
     O historiador romano Diodoro Século afirmou que pelas ruas de Nínive circulava uma antiga profecia, de certa forma responsável pela tranquilidade dos ninivitas, garantindo que a cidade jamais seria conquistada, a menos que as comportas do rio Tigre fossem destruídas. Além do mais, em matéria de segurança, de fortificações, só Babilônia poderia, tempos depois, ser comparada à Nínive. A capital do Império Assírio estava protegida por duas muralhas e um profundo fosso de 45 metros de largura.
     As medidas da cidade, fornecidas pelo historiador Diodoro Século, foram confirmadas pelos arqueólogos que desde o final do século 19 realizam escavações nas ruínas de Nínive. A muralha exterior tinha torres de 60 metros de altura, onde se posicionavam destacamentos de soldados veteranos fortemente armados. A muralha interior tinha 30 metros de altura por 15 de espessura, por onde podiam passar, lado a lado, até seis carros de guerra puxados por cavalos. O fosso – o primeiro obstáculo com que os exércitos que tentassem conquistar Nínive se deparariam – tinha 11 quilômetros de circunferência.
      Humanamente falando, era impossível conquistar uma cidade provida da tantas fortificações. Mas a profecia de Naum se cumpriu. O juízo de Deus caiu sobre os assírios. Revoltados diante de tantas atrocidades, os babilônios uniram-se aos medos e aos citas (povos da Ásia) e marcharam contra Nínive em 612 a.C. O rei da Assíria era Sardanápalo, sucessor de Assurbanipal. Festejando as vitórias obtidas em recentes batalhas, Sardanápalo e o seu exército estavam acampados fora das muralhas de Nínive. Tinham matado muitos animais e assado sua carne; os vasilhames com vinho corriam de mão em mão, embebendo-os. O versículo 10 do primeiro capítulo de Naum estava se cumprindo.

O RIO QUE DECIDIU A VITÓRIA CONTRA NÍNIVE
     E foi nessas condições que os assírios viram-se surpreendidos pelos babilônios e seus aliados. Percebendo que estavam sendo atacados, o rei e o seu exército fugiram apressadamente para dentro da cidade. Durante a fuga, centenas de soldados assírios foram mortos. Vendo-se novamente dentro das muralhas de Nínive, Sardanápalo voltou a ficar tranquilo, pois sabia que nenhum exército poderia vencer o sistema de defesa da cidade.
     Porém, estava-se em pleno outono, início da temporada das chuvas. Desde a época do rei Senaqueribe (bisavô de Sardanápalo), o rio Tigre representava um perigo para Nínive, e vários de seus palácios tinham sido danificados no período das cheias, necessitando depois ser reconstruídos. Por esse motivo o rio tivera o seu curso desviado, mas nenhum ninivita confiava nele quando o inverno começava. Além do Tigre, dois outros rios passavam próximos à cidade: o Khosr e o Tebiltu.
     Os alimentos de que Nínive dispunha armazenados para a sua população eram suficientes para vários anos de cerco. Mas naquele fatídico ano de 612 a.C., as chuvas não pararam, e os exércitos sitiadores não foram embora. Comandava essas tropas o general babilônio Arbazes. Em sua profecia, Naum havia empregado expressões que nenhuma dúvida deixavam quanto à queda de Nínive por inundação: (1.8) “Mas com inundação transbordante acabará de uma vez o lugar desta cidade...”
     Antevendo o perigo, e na tentativa de proteger os seus bens pessoais, Sardanápalo ordenou que o seu tesouro real e suas concubinas fossem transportados para o setor mais seguro do palácio. Nesse espaço de tempo, com grande estrondo, quatro quilômetros e meio de muralhas ruíram. O rio havia invadido a cidade! Babilônios, medos e citas aproveitaram a oportunidade para entrar na poderosa Nínive.
     Trancado com o seu tesouro e suas mulheres, Sardanápalo ordenou que o palácio fosse incendiado, iniciando assim o fogo que consumiria grande parte da cidade. Nínive caiu nas mãos dos seus inimigos como uma fruta madura sacudida da árvore (Na 3.12), e foi saqueada e arrasada, segunda previra o profeta.

PROFECIAS CONTRA A BABILÔNIA, CAPITAL DA ABOMINAÇÃO
     A grande responsável pela queda de Nínive foi Babilônia. Porém hoje, a 86 quilômetros ao sul da moderna cidade de Bagdá (capital do Iraque), vêem-se as ruínas daquela que outrora foi centro do comércio e da cultura do mundo antigo. Apesar das tentativas de recosnstrui-la, até hoje nenhum governante conseguiu concluir essa reconstrução. O que aconteceu à antiga Babilônia? Abramos o Livro dos livros, e através dele ficaremos sabendo porque Deus julgou o condenou a “capital da abominação”.
     Dois profetas foram especialmente usados pelo Senhor para predizerem o destino da soberba cidade: Isaías e Jeremias. Os capítulos 13 e 14 do livro de Isaías são dedicados à queda da capital do Império Babilônico. Destacaremos tão-somente cinco versículos destes dois capítulos.
     Isaías, capítulo 13, v.19: “Babilônia, a jóia dos reinos, a glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou”; v.20: “Nunca jamais será habitada, ninguém morará nela de geração em geração; o arábio não armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores farão ali deitar os seus rebanhos”; v. 21: “Porém nela as feras dos deserto repousarão, e as suas casas se encherão de coruja; ali habitarão as avestruzes, e os sátiros pularão ali”; v. 22: “As hienas uivarão nos seus castelos, os chacais nos seus palácios de prazer; está prestes a chegar o seu tempo, e os seus dias não se prolongarão“; capítulo 14, v. 23: “Reduzi-la-ei a possessão de ouriços e a lagoas de águas; varrê-las-ei com a vassoura da destruição, diz o Senhor dos Exércitos.”
     Enquanto o profeta Isaías viveu de 783 a 704 a.C., Jeremias viveu de 626 a 586 a.C., Os capítulos 50 e 51 do livro do profeta Jeremias reúnem suas profecias contra Babilônia, e porque Deus a condenou. Citaremos apenas dois versículos do capítulo 51: v. 26: “De ti não se tirarão pedras, nem para o ângulo nem para fundamentos, porque te tornarás em desolação perpétua, diz o Senhor”; v.43: “Tornaram-se as suas cidades em desolação, terra seca e deserta, terra em que ninguém habita, nem passa por ela homem algum.”

CUMPRIMENTO HISTÓRICO DESTAS PROFECIAS
     A soberba declaração do rei Nabucodonosor em Daniel 4.30 mostra o quanto os soberanos caldeus viviam preocupados em tornar Babilônia a mais imponente cidade do mundo antigo: “...Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder, e para a glória da minha majestade?”
     Suas medidas explicavam o porquê do orgulho de Nabucodonosor. A cidade ocupava uma área de 500 quilômetros quadrados. Além de ser rodeava por um fosso de 10 metros de largura, Babilônia estava protegida por uma muralha de 104 metros de altura e 29 metros de largura. Na parte superior da muralha poderiam transitar, ao mesmo tempo, lado a lado, 11 carros.
     A cidade possuía 100 portas de bronze maciço, e qualquer pessoa que se aproximasse dela seria vista pelos guardas que se revezavam dia e noite em todas as 250 torres de vigia construídas sobre as muralhas, e 30 metros mais altas que estas. O historiador grego Heródoto (484-420 a.C.) e o historiador, filósofo e general grego Xenofonte (430-355 a.C.), descreveram a queda da Babilônia.
     Heródoto, no seu livro História; Xenofonte, no seu livro Ciropedia,  contam que os persas, comandados pelo rei Ciro, cercaram a grande cidade, mas logo concluíram que nada poderiam fazer contra suas muralhas e suas portas de bronze. Porém, nesses espaço de tempo, dois desestores babilônios, Gobryas e Gidatas, apareceram no acampamento dos persas.
      O rei Ciro estava há muitos dias sem qualquer alternativa de ataque. Mas Chrysantas, um dos conselheiros do rei, estudando a topografia da região, fez uma grande descoberta: o rio Eufrates corria por debaixo das imponentes muralhas, e era largo e profundo o suficiente para deixar passar um exército! Se as suas águas parassem de correr, o leito seco do rio funcionaria como um grande buraco no alicerce da invencível muralha de Babilônia!
     Ciro não perdeu tempo. Ordenou que os soldados cavassem imensas valas para desviar o curso das águas, e bloqueassem o leito original do rio alguns quilômetros acima do local onde ele penetrava sob as muralhas. Os dois desertores deram a Ciro todas as informações sobre a cidade e seu exército, e ajudaram na preparação de um plano de ataque à cidade, quando o exército já estivesse dentro de suas muralhas. Enquanto tudo isto se passava entre os persas, os babilônios estavam mergulhados em um verdadeiro bacanal, comemorando suas antigas vitórias. Era o célebre festim de Belsazar, descrito em Daniel 5.
     Em 13 de outubro de 539 a.C., Ciro entrou com os seus exércitos sob os muros de Babilônia, pelo leito seco do rio, e surpreendeu os embriagados soldados babilônios e seu rei Belsazar, matando-o. Daquela data em diante, aquela que era o orgulho dos caldeus nunca mais conseguiu se restabelecer. Foi outra vez atacada por Xerxes, rei da Pérsia, em 478 a.C., e por Alexandre, o grande, da Macedônia, em 324 a.C.
     No tempo de César Augusto, o imperador romano sob cujo reinado Jesus nasceu, o geógrafo grego Estrabão visitou o lugar onde Babilônia havia sido construída, e disse que a cidade “tinha se transformado em um deserto”. Era o cumprimento de Jeremias 51.43.
     O arqueólogo Austem Layard, no livro Descobertas Entre as Ruínas de Nínive e Babilônia, estabelece um paralelo entre a destruição desta última com o rigor com o qual Deus fez desaparecer Sodoma e Gomorra. Sua descrição das ruínas da "capital mundial da soberba" é impressionante: “... o lugar onde a cidade foi construída é hoje um horrível deserto. As aves noturnas saem voando dos escassos matagais, e o vil chacal caminha ocultando-se nas fendas do terreno.
     Certamente ‘a glória dos reinos e a formosura dos caldeus’ perdeu sua excelência e está como quando Deus castigou Sodoma e Gomorra. Os animais selvagens do deserto moram naquele lugar; o que restou de suas casas está infestado de lúgubres criaturas; as corujas vivem ali...”
     Outro arqueólogo de renome, Kerman Kilprect, diz que as ruínas de Babilônia têm servido de abrigo aos “animais selvagens, javalis, hienas, chacais e lobos”, cumprindo-se assim o que o profeta Isaías havia profetizado (Is 13.21,22).
     Desde os mais remotos tempos, os viajantes têm evitado passar a noite próximos às ruínas de Babilônia, e os beduínos (árabes do deserto) procuram evitar o lugar, pois além da região não possuir solo favorável ao crescimento de vegetação para o pasto de ovelhas, antigas superstições sobre a velha cidade fazem com que eles se afastem das ruínas, amedrontados. Além do mais, Babilônia é uma das poucas cidades que não está incluída nas grandes rotas turísticas, e poucos são os que a visitam.
     O escritor Peter Stone afirma que enquanto ladrilhos e outros materiais de construção foram aproveitados em outras cidades vizinhas, as pedras, grandes e imensamente custosas àqueles que as levaram para Babilônia, têm permanecido lá, e até hoje nunca foram removidas dali (veja Jeremias 51.26).
A Bíblia é a Palavra de Deus, e suas profecias têm-se cumprido fielmente – assim confirma a História!
Jefferson Magno Costa

INIMIGOS DO EVANGELHO AFIRMARAM QUE JESUS NÃO TERIA SIDO VISTO POR NINGUÉM APÓS RESSUSCITAR: TUDO NÃO TERIA PASSADO DE UMA ALUCINAÇÃO

Jefferson Magno Costa

 


     Na tentativa de abalarem o sólido edifício de provas da ressurreição de Cristo fundamentadas em suas aparecimentos às mulheres e aos discípulos, um grupo de inimigos do Evangelho afirmou que Cristo, na verdade, não apareceu a ninguém: as pessoas tiveram uma alucinação, ou seja: apenas pensaram que O tinham visto, mas tudo não passou de um engano de suas mentes.
     O Dicionário Aurélio assim define o termo alucinação: “Percepção aparente do objeto externo não presente no momento, algumas vezes sintomas de desequilíbrio mental.” Os inimigos do Evangelho dizem que todas as aparições de Jesus “não passaram de alucinações criadas na fantasia dos discípulos pelo seu desejo ardente e a expectativa febril de tornarem a ver seu Mestre”.
     Porém, a psicologia afirma que a alucinação só acontece em meio a determinadas condições:
     1) A pessoa ou as pessoas sujeitas a alucinações geralmente são nervosas e altamente imaginativas, fantasistas. Ora, muitas pessoas, de natureza bem diferente uma das outras, viram Jesus. Entre mulheres crédulas e emotivas havia homens sérios e desconfiados, como Pedro e Tomé.
     2) A alucinação é um fenômeno individual, proveniente de imagens puramente internas da fantasia de cada um. Tendo sido visto por muitas pessoas, inclusive por um grupo de "mais de 500 irmãos" (1 Co 15.6), seria necessário que todos os que O viram durante os 40 dias que Ele passou na Terra após sua ressurreição, estivessem em igual estado de expectativa esperançosa, prontos para vê-lo a qualquer momento. Mas vemos que os fatos não aconteceram bem assim.
     Os estados de ânimo não eram os mesmos. Eles viram Jesus em situações diferentes: Enquanto Maria Madalena estava chorando, Pedro estava cheio de remorsos, as mulheres que voltavam da sepultura estavam surpresas e cheias de temor, os discípulos de Emaús estavam preocupados com os acontecimentos da semana, enquanto Tomé era todo incredulidade. Portanto, não havia “clima” ideal para alucinações.
     Os apóstolos estavam tristes e desanimados devido à morte de Jesus. Eles não esperavam que o Salvador aparecesse de novo diante deles, pois, conforme observou João (20.19), eles não haviam entendido bem o que era realmente a ressurreição.
     Vemos também que as próprias mulheres tinham ido ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus. Isto prova que elas jamais esperavam encontrá-lo ressuscitado. Maria Madalena, quando viu o túmulo vazio, logo pensou que tivessem roubado o corpo, e a notícia que ela levou a Pedro e a João não foi: “Cristo ressuscitou!”, e sim: “Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram” (Jo 20.2).
     Voltando ao sepulcro, ela ficou chorando à sua entrada, e quando os dois anjos lhe perguntaram por que chorava, ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram” (Jo 20.11-13).
     Portanto, se alguém teria que sofrer alucinações, não seria Maria Madalena, pois mesmo vendo o próprio Jesus, ela não o reconheceu: pensou que ele fosse o jardineiro, e lhe pediu: “Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei” (Jo 20.14,15).
     Também não havia predisposição nos apóstolos para alucinações, pois eles, diante da notícia que as mulheres lhes levaram, pensaram que elas estivessem delirando (Lc 24.9-11), não acreditaram que Jesus tivesse aparecido a Maria Madalena (Mc 16.11), e ficaram espantados, pensando que estavam vendo um fantasma, quando Cristo lhes apareceu no Cenáculo (Lc 24.36-37).
     Portanto, não era bem esse tipo de pessoa que estaria sujeita a alucinação, pois para provar-lhes que ele era real, e para banir de uma vez por todas a incredulidade de seus corações, Jesus achou por bem se deixar tocar e apalpar, e comeu entre eles, querendo certamente dizer-lhes com isto: “Fantasma não comem mel e peixe” (Lc 24.39-43).
     Conforme observação do apologista Pedro Cerruti, os apóstolos não procederam “como crédulos exaltados, mas antes como críticos exigentes, que negam, duvidam, verificam e não se rendem senão à evidência atestada por todos os sentidos”.
     3) Cristo lhes apareceu em lugares diversos, e em diferentes horas do dia e da noite. E isto não ocorre em casos de alucinação. Geralmente tem que haver um lugar e um horário adequados para a alucinação acontecer.
     Ele apareceu de manhã às mulheres, próximo à sua sepultura (Mt 28.9,10); à tarde em uma estrada, aos discípulos de Emaús (Lc 24.13-33); a Pedro, em plena luz do dia (Lc 24.34), a sete discípulos, junto ao mar de Tiberíades, durante uma manhã (Jo 21.1-22), e a 500 crentes em um monte da Galiléia (1 Co 15.6).
     4) O interessante é que as alucinações costumam tornar a acontecer durante um certo período de tempo, e vão se tornando mais intensas, conforme a pessoa for sendo submetida à sua influência. Porém, quanto às aparições de Jesus, elas ocorreram durante um período de 40 dias, e de repente pararam, sem que ninguém mais voltasse a dizer que O tinha visto (sem levarmos em conta o caso muito especial do apóstolo Paulo, 1 Co 15.8).
     Portanto, a conclusão a que chegamos é que Cristo, Senhor do Universo e Salvador da humanidade, venceu a morte e ressuscitou, estabelecendo assim o caminho de esperança para todos nós, que cremos nele e o aceitamos como Salvador. Já não tememos a morte, pois Ele nos proporcionará a vida Eterna. A garantia de que, mesmo que morramos, ressuscitaremos um dia para reinar eternamente com Cristo está em sua Palavra, a Bíblia (Jo 5.28,29).
Jefferson Magno Costa

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