quinta-feira, 24 de junho de 2010

VOCÊ ACHA QUE O ATEU JOSÉ SARAMAGO FOI PARA O CÉU?

Jefferson Magno Costa



    (Resposta a um comentário sobre a matéria SARAMAGO FOI AO ENCONTRO DO SEU IRMÃO CAIM, enviado ao nosso blog por Oséias Balzaretti, e publicado por nós no final da referida matéria. Sugerimos que os leitores leiam esse importante comentário. A seguir, nossa resposta ao comentário do Oséias):


    Prezado irmão Oséias:
    Achei bela e louvável sua atitude de defender a situação de Saramago na eternidade. Porém, lamento ter de lhe informar que o que aconteceu entre Saramago e Deus não foram meras “desavenças”, conforme o irmão classificou. Tampouco Saramago, ao proferir suas blasfêmias e impropérios contra Deus, estava dirigindo-se a um deus com “d” minúsculo, conforme o próprio irmão distinguiu, mas sim atacando o Deus Eterno, Criador dos céus e da terra, que nos enviou o seu Filho Jesus Cristo para morrer por nós e nos proporcionar a salvação.
    Lamento também ter de lhe lembrar que, agora, nenhum ser humano poderá fazer qualquer coisa em favor do ilustre escritor português, algo que mude a situação desconfortável em que ele se encontra na eternidade diante de Deus, o Deus cuja existência ele sempre negou, e contra quem proferiu impropérios e palavrões.
     O destino de Saramago está selado, amigo Oséias. A Bíblia é muito clara quanto a isto: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9.27).
     Não sei se o irmão sabe, mas nesse juízo, todos os seres humanos que morreram sem aproveitar a salvação oferecida por Jesus Cristo serão julgados pelas obras que praticaram aqui na terra. Não estou inventando isso; está na Bíblia: “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida: e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras”, Apocalipse 20.12.
    Portanto, prezado irmão Oséias, lamento ter de lhe informar também que as blasfêmias, os insultos, os palavrões, as ironias, os deboches e impropérios que o senhor Saramago escreveu ou proferiu contra Deus serão julgados nesse Tribunal, e estão enquadrados na lei da semeadura e da colheita, que também não fui eu quem criou; foi Deus: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; por que tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7).
    E o que o nosso ilustre escritor português semeou? Vejamos uma pequena amostra de sua “semeadura”, durante uma entrevista a um jornalista do jornal Folha de São Paulo (está no Youtube; é só acessar). 
    O jornalista pergunta: “Após ser curado de uma doença, o senhor mudou de opinião quanto à existência de Deus?”
  


  Saramago responde: “Por que haveria de mudar? Por que me salvou a vida, supostamente? Quem me salvou a vida foram os médicos... e esta que está sentada ali [diz o escritor, apontando para a esposa]. Deus simplesmente não existe. Existe na cabeça das pessoas. Inventamos Deus porque precisamos de Deus em um certo momento. Inventamos essa coisa absurdamente satânica que é o pecado. Quando a Igreja inventou o pecado, inventou um instrumento de controle dos corpos. Precisamos de Deus para quê? Nunca o vimos. Tudo aquilo que se diz que é Deus foi escrito por pessoas. A Bíblia foi escrita ao longo de dois mil anos. E a Bíblia não é um livro que se possa deixar nas mãos de um adolescente. Só tem maus conselhos, assassínios, incestos. É um desastre.
    Caro irmão Oséias, não cabe a mim julgar aqui Saramago; isto é da competência de Deus. Porém, não imagino Deus como talvez, devido à maneira como o irmão concluiu o seu comentário, o senhor o imagina: um velhinho bonachão, incapaz de pronunciar qualquer palavra de reprimenda ou praticar qualquer ato de justiça. Segundo seu comentário, Deus deve ter recebido Saramago na eternidade de braços abertos, e, depois de o sentar no colo, bateu um papo com ele, rindo das mal-criações daquele garotinho peralta. Após colocá-lo de novo no chão, Deus deve ter-lhe perdoado tudo, e dando um tapinha nas costas do escritor, o empurrou carinhosamente para dentro do Céu.
    Meu prezado irmão Oséias, lamento ter de lhe informar que, baseado no tipo de semente que o Prêmio Nobel português semeou, é impossível imaginá-lo entrando no Céu e sendo em seguida recepcionado pelos anjos e pela multidão dos salvos e remidos pelo sangue de Jesus, o Jesus que Saramago ultrajou no livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Fica também muito difícil, irmão Oséias, imaginar que uma pessoa que espalhou, aos quatro ventos do mundo, blasfêmias, palavrões e insultos contra Deus, vai estar sentada ao seu ou ao meu lado, participando conosco das Bodas do Cordeiro.
     O irmão acha que essa minha afirmação é fruto de exageros fundamentalistas? Pois para lhe provar que estou sendo até muito brando em minhas considerações sobre a conduta do senhor Saramago, apresentarei a seguir uma pequena amostra (entre muitas outras que tenho aqui) do tipo de "semente" que Saramago espalhou pelo mundo. (Vale lembrar que, após Saramago ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura, seus livros foram traduzidos para dezenas de idiomas). Pena que eu não disponha ainda de tempo para expor e analisar, cuidadosa e pacientemente, outros trechos dos livros do ilustre escritor.
     Porém, consideremos por enquanto o seu último romance, Caim. Segundo a narração de Saramago, após peregrinar longamente, Caim fez uma parada a fim de recuperar as energias. Deitou-se nas proximidades do monte Moriá, exatamente no lugar por onde passariam, dentro de instantes, Abraão e o seu filho Isaque a caminho do local do sacrifício. Eis como Saramago reconstruiu a cena (não estranhe o leitor no texto de Saramago a ausência de pontuação convencional e outros padrões e marcas que constituem a maneira como nós, simples mortais, escrevemos a língua portuguesa. Saramago, que não se considerava um simples mortal, inventou sua própria maneira de escrever. Além do mais, do auto de sua soberba, Saramago tratava Deus como "o senhor", com "s" minúsculo, e não como "o Senhor"; além de outras demonstrações de falta de respeito pela Altíssima, Santa e Soberana pessoa de Deus). Eis um pequeno trecho do Caim
    “Já as pálpebras tinham começado a pesar-lhe quando uma voz juvenil, de rapaz, o fez sobressaltar, Ó pai, chamou o moço, e logo uma outra voz, de adulto de certa idade, perguntou, Que queres tu, isaac, Levamos aqui o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o sacrifício, e o pai respondeu, O senhor há-de prover, o senhor há-de encontrar a vítima para o sacrifício. E continuaram a subir a encosta. Ora, enquanto sobem e não sobem, convém saber como isto começou para comprovar uma vez mais que o senhor não é pessoa em quem se possa confiar.
    “Há uns três dias, não mais tarde, tinha ele dito a abraão, pai do rapazito que carrega às costas o molho de lenha, Leva contigo o teu único filho, isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte mória e oferece-o em sacrifício a mim sobre um dos montes que eu te indicar. O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim. Na manhã seguinte, o desnaturado pai levantou-se cedo para pôr os arreios no burro, preparou a lenha para o fogo do sacrifício e pôs-se a caminho para o lugar que o senhor lhe indicara, levando consigo dois criados e o seu filho isaac. No terceiro dia da viagem, abraão viu ao longe o lugar referido. Disse então aos criados, Fiquem aqui com o burro que eu vou até lá adiante com o menino, para adorarmos o senhor e depois voltamos para junto de vocês.     


  Quer dizer, além de tão filho da puta como o senhor, abraão era um refinado mentiroso, pronto a enganar qualquer um com a sua língua bífida, que, neste caso, segundo o dicionário privado do narrador desta história, significa traiçoeira, pérfida, aleivosa, desleal e outras lindezas semelhantes.”
    Caro irmão Oséias, minha indignação trava a minha mão e me impede de continuar escrevendo. Porém, não posso concluir essa comentário sem antes lembrar ao irmão que, quanto àquela “luz irradiante e plena de amor, o qual o abraçou e perdoou”, frase com a qual o irmão concluiu o seu comentário, não se esqueça de que essa luz pode muito bem não ser Jesus vindo ao encontro de Saramago, conforme o irmão sugere. Pode ser outra pessoa vindo ao encontro do escritor português, não para perdoá-lo, e sim para dar-lhe as “boas-vindas” pelos “bons serviços prestados” ao reino que não foi o de Deus. Não se esqueça do que a própria Bíblia nos avisa: para enganar os incautos e recepcionar os que estão a serviço dele, “o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz”, 2Coríntios 11.14.
Jefferson Magno Costa

sábado, 19 de junho de 2010

SARAMAGO FOI AO ENCONTRO DO SEU IRMÃO CAIM

Jefferson Mafgno Costa

    Partiu para a eternidade negando a existência de Deus, xingando palavrões contra ele (xingou o Criador enquanto narrava a história de um dos seus irmãos, Caim, título do seu último romance, e alguém que, como Saramago, também teve um caso de amor mal resolvido com Deus), falando mal da Bíblia e esperneando rabugentamente, o único escritor da língua portuguesa a receber, até este ano, o Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago.
    Ele foi um dos mais hábeis narradores em toda a história da literatura de língua portuguesa, um poderoso criador de metáforas, dono de um estilo único, inconfundível.
    A elegância e a musicalidade de sua prosa sempre me fizeram lembrar o estilo magistral e sublime dos primeiros historiadores e cronistas dos séculos XIV e XV, que viveram na corte dos reis portugueses, um Fernão Lopes, um Azurara, um Fernão Mendes Pinto, um João de Barros, um Diogo do Couto.
    Todavia, não foi o mais artístico ou o maior escritor da nossa língua. Não sou anacrônico nem um saudosista doentio, mas o padre Antônio Vieira, a quem Fernando Pessoa chamou em um dos seus poemas de "o imperador da língua portuguesa", mesmo só tendo escrito sermões, cartas e alguns livros exegéticos, mantém de longe o cetro e a superioridade.


    Saramago também não foi o romancista mais expressivo da língua portuguesa. Sua obra, de uma riqueza excepcional, fica muito atrás da obra do nosso Machado de Assis, ou das obras de um Eça de Queirós ou de um Camilo Castelo Branco, para só citar dois romancistas portugueses de expressão e influência universais.
    O caso de Saramago na literatura contemporânea é digno de ser cuidadosa e imediatamente estudado pelos teólogos evangélicos brasileiros. Não sou teólogo de plantão nem de carteirinha, mas não ficarei indiferente diante dos insultos abominavelmente bem escritos e das blasfêmias satanicamente bem expressadas que o senhor José Saramago atirou contra Deus, o Deus cuja existência ele sempre negou. Mexeu com o meu Deus, mexeu comigo. 
    Cada época tem o seu Voltaire, cuja tentativa de desestabilizar e lançar no descrédito a fé cristã nunca é executada sozinha: sempre arrebanha admiradores e aliados. José Saramago foi o Voltaire da nossa época, e teve muitos admiradores. Publicarei minhas impressões de leitor que sempre reconheceu o grande escritor que ele foi, e minhas respostas de evangélico-cristão indignado diante de seus insultos à fé cristã e suas blasfêmias contra Deus. É a hora de os apologistas cristãos exercitarem o seu talento e esgrimirem a Espada de dois gumes. Ao ataque!
    Nos primeiros séculos da fé cristã, houve um rei que antes de começar a ler os Evangelhos, sempre desembainhava sua espada, e quando chegava no momento em que o texto bíblico narra que Jesus foi preso, brutalizado pelos judeus e açoitado pelos soldados romanos, esse rei erguia a espada com a mão direita, e enquanto segurava o texto bíblico com a mão esquerda, bradava: "Ah se eu estivesse lá com os meus soldados! Ah se eu estivesse lá com os meus soldados!" 
   Diante de blasfêmias como as que o senhor José Saramago proferiu ou escreveu contra a Bíblia, Deus e Jesus Cristo, nossa reação não chegará a tanto, mas chegará perto. Apresentaremos veementemente as justas e necessárias respostas aos vários postulados heréticos que ele soube apresentar, sutil e artisticamente bem embrulhados no diáfano e multicolorido véu da literatura, da qual ele foi um dos maiores mestres da atualidade. Esse rabugento e mal-criado escritor português semeou inúmeras blasfêmias, para a delícia dos muitos aratacas e paspalhos que, por desconhecerem a Bíblia e não estarem nem aí para Deus, riam de suas frases heréticas, desrespeitosas e quadrupedemente formuladas durante suas entrevistas (o Youtube está cheio de vídeos que documentam tropas de asnos menores rindo diante do zurrar do asno maior).
    O Prêmio Nobel português não tinha a mínima noção de exegese ou hermenêutica bíblicas, e sempre fez uma leiturazinha muito chocha e literal das Sagradas Escrituras, leitura que não levava em conta nenhum contexto histórico ou de outra natureza.
    Pena que em Portugal não se tenha levantado nenhum teólogo evangélico para dar as respostas que Saramago precisava ouvir, e lhe falar da mensagem de salvação trazida por Jesus. Um dos maiores pecados que a Igreja Evangélica comete hoje é o da covardia e omissão. Se não tivéssemos sido omissos, talvez Saramago não estivesse tendo a essas horas na eternidade, diante do Deus cuja existência ele negou, algumas surpresas nada agradáveis. São só as primeiras surpresas, entre muitas que ele terá.
    Veremos que o capítulo Saramago na história da literatura de língua portuguesa não passou de mais um caso de amor mal resolvido com Deus. Saramago é produto do péssimo testemunho, da impotência, da indiferença, da falta de conviccão de salvação, da falta de verdadeiro amor pelas almas, da ausência de interesse pelo destino eterno de vidas preciosas, e da falta de poder do Espírito Santo por parte da Igreja Católica Apostólica Romana, que está quase morta em Portugal, e cujos líderes não têm valores espirituais nem para eles mesmos, quanto mais para dar aos outros. Milhares de Saramagos estão indo para o inferno no mundo inteiro por culpa da inoperância dessa igreja. 
    Em breve postarei artigos sobre alguns livros desse autor que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, a mais alta láurea que um escritor consegue alcançar neste mundo. Porém, no grande Dia do Juízo Final, saberemos que prêmio Saramago receberá das mãos de Deus, e onde passará a eternidade. E é isto o que, ao final de tudo, importa, quer o indivíduo tenha sido um José Saramago ou um Zé Sem Reinado; quer tenha sido ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, ou tenha recebido o prêmio de jóquei vencedor da corrida de jegues em Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande do Norte. "E todo o resto é literatura". 
Jefferson Magno Costa   

TRAFICANTE E ASSALTANTE É LIBERTO POR JESUS DAS VEREDAS DO CRIME

Jefferson Magno Costa


    Sua infância em Belo Horizonte foi marcada pelas cenas de alcoolismo do seu pai. Anos mais tarde, seguindo o mau exemplo paterno, alguns dos seus irmãos tornaram-se alcoólatras. Paulo Roberto ia para a escola carregando em seu coração de menino de 12 anos a tristeza de não viver em um lar feliz. Foi em uma dessas ocasiões que um de seus colegas de escola quis saber porque ele andava tão triste. Após ouvir o motivo, o colega disse-lhe que também enfrentara esse mesmo problema em sua casa, mas descobrira um “mundo melhor” que o ajudara a superar tudo aquilo. Quando a situação tornava-se ruim, ele se “ligava” nesse mundo, fazia um “viagem” e tudo acabava bem.


COMO SE FABRICA UM VICIADO
    Paulo Roberto quis saber como era aquilo. Então o garoto tirou do bolso um pacotinho contendo uma erva que Paulo nunca vira antes, fez com ela um cigarro, acendeu-o e deu para que ele fumasse. Foi a primeira experiência de Paulo com a maconha. Em seguida, o “bondoso menino” presenteou o “menino triste” com um pacotinho daquela erva, dizendo-lhe: “É de graça.” Paulo levou-a para casa, e quando se sentia deprimido, preparava um cigarro e fumava.
    Quando a erva acabou, Paulo procurou o seu “amigo” para pedir-lhe mais, porém este lhe disse: “Olha, Paulinho, eu não tenho, mas sei quem tem. Custa 100 cruzeiros.” Naquela época seu pai pagava 200 cruzeiros de aluguel da casa onde moravam. Portanto, para manter o vício, Paulo precisava gastar 100 cruzeiros por dia! A única solução era roubar, pensou ele.
    De sua própria casa e da casa de parentes começaram a “desaparecer” alianças e relógios que Paulo vendia para comprar a droga. Alguns meses depois estava ele praticando os primeiros furtos no comércio da cidade e em residências. Tornou-se intermediário de traficantes, antes de se tornar um deles. E seus pais de nada suspeitavam.


ADOLESCENTE E CHEFE DE TRÁFICO
    Aos 14 anos de idade, Paulo conheceu os membros de uma das maiores quadrilhas de traficantes de drogas de Minas Gerais. Quando a polícia prendeu o líder dessa quadrilha, Paulo, por ser ainda um menino, passou a visitar o presídio em companhia dos familiares dos detentos, levando ocultamente drogas para o uso pessoal do traficante-chefe. Com isto, passou a ser admirado a respeitado por todos os bandidos antigos. Naquela época, Paulo já se tornara um traficante, vendendo drogas em colégios, praças e ambientes de prostituição.
    Passou a fazer uso de drogas mais fortes. A maconha servira-lhe tão-somente de porta para o aparentemente colorido, mas na verdade tenebroso mundo dos tóxicos. Quando a imprensa noticiava que um ou vários adolescentes tinham sido presos portando drogas, o nome de um tal Paulinho Bonfim era apontado como o fornecedor e chefe do tráfico.
    A polícia passou a saber que havia um certo Paulinho traficando em grande escala, e imaginava-o um bandidão portando revólveres e metralhadora, mas jamais suspeitava que ele fosse um simples adolescente. Esse Paulinho Bonfim era Paulo Roberto.


PRESO PELA PRIMEIRA VEZ
    Durante uma “blitz” da polícia em uma área de prostituição, Paulo foi preso com o bolso cheio de drogas. Diante do inspetor e do comissário de polícia ele mentiu, afirmando ser mais uma vítima da perseguição dos policiais, que estavam tentando fabricar um bandido, e haviam colocado a droga dentro do seu bolso. Ninguém ali suspeitava que ele fosse o tão procurado Paulinho Bonfim. Foi solto algumas horas depois. Tinha 16 anos. Naquele mesmo dia, juntou-se a dois delinquentes menores e saiu para assaltar. Nas proximidades de uma indústria, cercaram um homem que trazia um pequeno envelope na mão. Estava escuro. Um dos companheiros de Paulo deu um soco no estômago do homem, o outro deu-lhe uma “gravata” e Paulo encostou-lhe uma arma no peito. O homem segurou firmemente o envelope e suplicou, chorando: “Por favor, não me roubem. Este dinheiro é o leite dos meus filhos.”
    Os três rapazes insistiram, e o homem gritou: “Pelo amor de Deus, socorram-me. Estão me assaltando!” Imediatamente as luzes da frente do prédio se acenderam, e os ladrões fugiram, sem conseguir levar o envelope.
Muitas vezes, após haver sido reconhecido por alguma de suas vítimas na rua ou dentro de um ônibus, Paulo tinha de fugir para não ser preso ou linchado. Quando parava para refletir, chorava, perguntando a si mesmo: “Como é que eu entrei nisso? Tenho de sair dessa situação.” O “mundo colorido” transformara-se em um túnel escuro e sem saída.
    “Muitas vezes as pessoas caem no abismo das drogas e do crime como quem entra em um poço; impulsionadas pela curiosidade, aventura ou influência de ‘amigos’. Elas descem a escada do poço, e de repente o diabo tira o escada, deixando-as presas ali”, afirmou o irmão Paulo.


“MEU FILHO, EU NUNCA ESPERAVA ISTO DE VOCÊ
    Poucos meses após completar 18 anos (nasceu no dia 31 de dezembro de 1943), Paulo e mais três companheiros realizaram um assalto e fugiram, mas quando estavam dividindo o produto do roubo, viram-se cercados pela polícia. Diante das armas pesadas, renderam-se e foram levados para o depósito de presos. No dia seguinte, 13 de maio (dia das mães), a notícia e as fotos de Paulo e dos outros assaltantes saíram na primeira página do principal jornal mineiro.
    Após responder ao interrogatório e assinar seu depoimento, Paulo foi jogado em uma cela com capacidade para 20 presos, mas ali havia 80, sem água, sem as mínimas condições de higiene, agredindo-se e matando-se uns aos outros. Ao receber a visita de sua mãe, ele chorou muito, abraçado a ela. “Meu filho, eu nunca esperava isto de você.” Esta frase o acompanhou durante os quatro anos e oito meses de prisão a que foi condenado.
    Durante esse período, fugiu e foi recapturado quatro vezes. Esteve 11 vezes na cela escura, a “solitária”. Na sua quarta fuga ele entendeu que o mal de sua vida não estava nem dentro da cadeia nem fora de suas paredes, e sim dentro dele mesmo. Foi espancado duramente.


DEUS TAMBÉM AMA OS CRIMINOSOS?
    Com o corpo dolorido e coberto de hematomas roxos causados pelos socos e pontapés que levara, com os dentes quebrados e curativos no rosto, nas costelas e nos braços, deitado em sua cela, Paulo se viu de repente pensando em Deus. Ele existiria mesmo? “Se Deus existe, porque Ele permitiu que eu descesse tão baixo? Se Deus existe, por que Ele permite que eu viva enjaulado como um animal? Se Deus existe, por que Ele não me dá uma prova de sua existência?” Estas foram suas reflexões. Adormeceu em seguida.
    Quando acordou era domingo, dia de visitas no presídio. Sua mãe não viera. Um grupo de moças e rapazes, com acordeom e violão, aproximou-se de onde ele estava. Segurando firmemente nas grades da cela, Paulo os observava. Eles pararam diante da cela ao lado e começaram a cantar: “Ó quão cego andei e perdido vaguei, longe, longe do meu Salvador.” Paulo estremeceu. Seus olhos foram-se enchendo de lágrimas à medida que os jovens cantavam o hino. Até aquela data, ninguém se aproximara dele para falar-lhe de Jesus.
    Naquele momento um rapazinho (deveria ter uns 13 a 14 anos) destacou-se do grupo, aproximou-se da cela onde Paulo estava e perguntou-lhe: “Você crê em Deus?” Paulo respondeu: “Creio.” “Você crê em Jesus Cristo como Salvador?” “Creio”, tornou a responder Paulo. O rapaz disse: “Eu acho que você não me entendeu. Vou repetir tudo de novo. Eu não estou perguntando se crê em um Jesus de 25 de dezembro, que nunca cresceu na manjedoura, nem estou lhe perguntando se você crê no Cristo da Sexta-feira da Paixão, que os homens carregam ano após ano. Estou lhe perguntando se você crê no Cristo que foi crucificado, sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia, e o Espírito Santo dele entra no coração do homem que o aceita como Salvador, transformando-o e dando-lhe uma nova natureza. É neste Cristo que eu estou perguntando se você crê.” Paulo disse: “Creio.” O rapaz tornou a perguntar: “Então, você quer entregar sua vida a este Jesus?” “Não posso”, respondeu Paulo. Ouvindo isto, o rapazinho começou a chorar.


“SALVAÇÃO E LIBERTAÇÃO, SÓ EM JESUS”
    Naquele momento a sirene tocou, encerrando o horário de visitas. Segurando firmemente nas mãos de Paulo estendidas através das grades, o rapaz falou: “Moço, não se esqueça: Salvação e libertação, só em Jesus Cristo.” A frase ficou ecoando por alguns instantes no corredor ladeado de celas, e muitos detentos a ouviram.
    Um ano depois, Paulo foi posto em liberdade. Cumprira sua pena. A família o recebeu, e todos choraram. No dia seguinte, saiu de casa à procura de emprego. Bateu em muitas portas. Ninguém quis dar uma chance a um ex-encarcerado. Caiu novamente no mundo do tráfico. Botou uma “boca de fumo” apoiado pelos amigos marginais. Arrasado fisicamente devido ao constante uso de drogas nas veias, recebendo intimação policial para abandonar o Estado dentro de 48 horas, Paulo recebeu um convite de seu irmão para ver um “bíblia tocando guitarra que era uma beleza”, em um culto que estava sendo realizado nas proximidades da “boca de fumo”.
    Ele foi. Lá, ouviu o testemunho de uma velhinha. Sua filha tinha sido prostituta e viciada, mas pelo poder da oração e da fé em Jesus Cristo, fora salva e liberta, e agora era uma missionária no Amazonas. “Ora, se Deus salvou uma mulher assim, Ele vai me salvar também, hoje”, disse Paulo para si mesmo. Mas quando tentou atender ao apelo, algo estranho não lhe permitiu levantar o braço nem dar um passo à frente.
    Enquanto isto lhe acontecia, seu irmão e mais seis colegas atendiam ao apelo, aceitando Jesus Cristo como Salvador. Usado pelo Espírito Santo, o pregador disse: “Se alguém não tem forças para levantar o braço e vir à frente, pelo poder do sangue de Jesus, seja liberto agora.” As lágrimas começam a rolar dos olhos de Paulo, ele conseguiu mover-se de onde estava, aproximou-se dos colegas e ajoelhou-se.
    Os irmãos oraram por aqueles oito rapazes, sem saber que estavam diante de viciados, assaltantes e traficantes. O poder daquela oração foi tão grande que cortou o efeito da droga na mente de Paulo. Ao chegar em casa, ele jogou todo o estoque de drogas fora, e disse para os seus pais: “De hoje em diante, nunca mais roubo nem uso drogas.”
    Passou a frequentar assiduamente a igreja, os irmãos deram-lhe uma Bíblia de presente, e 14 dias após sua conversão, Jesus o batizou com o Espírito Santo. Casado e pai de quatro filhos, hoje o pastor Paulo Roberto conta suas experiências como missionário no Amazonas, na Itália e em outros lugares do mundo.
Jefferson Magno Costa

DESASTRE DE MOTO MUDA VIDA DE UMBANDISTA


    Filho de pais separados, João Carlos Xavier, nascido no Rio de Janeiro em 1954, foi criado pelo pai e a avó, longe da mãe, pois esta, por força de circunstâncias, afastou-se da família quando ele tinha nove anos de idade. Isto o desmotivou para os estudos. Sua escola passou a ser a rua. Começou a fumar cigarros de papel-jornal.
    Aos 14 anos, devido ao desemprego de seu pai, que era sapateiro, começou a trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Arranjou emprego na Light, mas não demorou muito ali, por receber influências negativas, e caiu na vadiagem. Tempos depois, já com 16 anos de idade, seu pai conseguiu-lhe emprego no escritório de um amigo.
    Certo dia, ao voltar para casa, Carlos resolveu dar um passeio na Ilha do Governador. Desceu no Jardim Guanabara. Viu muitos despachos na beira da praia. Estava perdido. Não sabia mais voltar para casa. Um homem aproximou-se dele e se propôs a ensinar-lhe o caminho de volta. Antes, vendo que o rapaz estava com muita sede, convidou-o a ir tomar água em sua casa. João Carlos aceitou. E foi aí que ele iniciou a trajetória de um caminho que o levou rapidamente para o abismo.

INICIADO NO HOMOSSEXUALISMO POR UM PAI-DE-SANTO
    O homem, cuja casa impressionou o rapaz, era homossexual, viciado em drogas e pai-de-santo. João Carlos passou a visitar assiduamente seu novo amigo. Certo dia deparou-se com uma sessão espírita sendo realizada naquela casa. O homem explicou-lhe que ali se praticava caridade e buscava-se o aperfeiçoamento do espírito. Só que, alguns dias depois, essa tal caridade e esse tal aperfeiçoamento de espírito revelaram sua verdadeira face.
    O pai-de-santo arrastou João Carlos para o candomblé. Cortou o corpo do rapaz com uma navalha, fazendo-lhe marcas, e disse que aquilo era para fechá-lo contra os “espíritos atrasados”. Em seguida, convidou-o para práticas de perversão. Depois, disse que ia “virá-lo no santo”. Resultado: João Carlos recebeu um espírito imundo e passou a entregar-se a práticas homossexuais.
    Ao se ver desprezado pelo pai-de-santo, Carlos tentou o suicídio. Foi socorrido pela família e levado às pressas para um hospital. Recuperou-se, voltou para casa, mas a partir de então resolveu assumir totalmente sua vida de pecaminosidade. Estava com 18 anos. “Nessa minha trajetória – conta ele – o que eu buscava mais intensamente era a paz espiritual. Continuei buscando-a no espiritismo. Saí do candomblé e fui para um terreiro de umbanda. Decepcionei-me novamente e procurei o kardecismo, e experimentei nova decepção.”

CABELEIREIRO NA ILHA DO GOVERNADOR
    Buscando uma atividade profissional que o definisse financeiramente, Carlos fez um curso de teatro, e lá trabalhou maquiando atores. Isto lhe deu experiência com corte de cabelo e penteados. Depois de uma rápida trajetória por salões da zona sul do Rio de Janeiro, Carlos tornou-se um dos mais famosos cabeleireiros e maquiladores da Ilha do Governador. Passou a ganhar muito dinheiro. Mobiliou a casa, comprou um carro e depois uma moto. Porém, viu que estava sendo rejeitado por ter muitas espinhas no rosto e ser muito magro.
    Entrou numa academia de ginástica, passou a levantar-se cedo para correr e recorreu a ajuda de anabolizantes (remédios para engordar). Em pouco tempo adquiriu um físico de atleta. “Porém, no final de tudo isso, cheguei a uma amarga conclusão: eu era uma pessoa profundamente infeliz. Ora, mas eu tinha conseguido praticamente tudo o que almejava em termos materiais; por que então não era feliz? Tinha noites que eu passava de moto em todas as boates que conhecia, e voltava pra casa com um profundo sentimento de frustração e vazio dentro de mim.”

ÓDIO AOS EVANGÉLICOS
    Até aquela data, Carlos não tinha tido nenhum contato efetivo com o Evangelho. Odiava os evangélicos, zombava de qualquer um deles, se os encontrasse na rua. Não conseguia entender porque “aquele povo” não “aproveitava” a vida. “Passei durante 30 anos diante de uma igreja evangélica sem nunca ter entrado nela. Reclamava muito do barulho dos alto-falantes, botava o rádio em alto volume para não ouvir a mensagem. Considerava os evangélicos um bando de loucos.”

“ESTOU AIDÉTICO!”
    Certa vez Carlos foi passar um final de semana em um sitio. Lá comeu algo que lhe fez mal. Alguns dias antes ele havia lido em uma revista que um dos sintomas da AIDS eram manchas vermelhas nas juntas do corpo. Pois foi exatamente isto que ele viu em seu corpo quando voltou para casa: manchas avermelhadas. “Estou com Aids!” pensou. Foi para o salão em prantos e não conseguiu trabalhar. Pegou sua moto e rumou para o hospital da Cruz Vermelha, no centro do Rio de Janeiro, para fazer o teste.
    Lá, desesperado, disse ao médico que o atendeu: “Doutor, quero oferecer meu corpo para pesquisa. Pode retalhá-lo. Quero que esse mal pare, e daqui para frente ninguém mais contraia AIDS. Não quero que ninguém sofra o que estou sofrendo agora.” Feitos os exames, foi constatado que o que o Carlos tinha na verdade era uma gastrenterite – inflamação do estômago e intestino.

UM VOTO A DEUS
    Porém, aquela experiência colocou diante de Carlos a oportunidade de ele avaliar o quanto a sua situação era miserável. Ele disse para si mesmo: “Vou completar 30 anos. Minha vida precisa mudar.” Todavia, Carlos sabia que em si mesmo, ele não encontrava forças para produzir essa mudança. Pagava um preço altíssimo por toda aquela vida de pecados que levava.
    “Gastava muito dinheiro para manter minha miséria”, confessou em tom de amargura. Diante dessa situação, ele resolveu fazer um voto a Deus. Disse que ia vender a moto, comprar uma Bíblia e arranjar uma namorada. Comprou a Bíblia, mas passou a usá-la como um amuleto em cima da estante, “aberta no Salmo 91, para dar sorte.” Apareceu um comprador para a moto, mas ele não a vendeu. Quanto à namorada, Carlos resolveu que primeiro iria livrar-se de seu comportamento moralmente censurável para depois tentar qualquer relacionamento com o sexo feminino.

DESASTRE COLOCA CARLOS DIANTE DA MORTE
    Porém, no dia em que completava 30 anos e estava resolvido a mudar de vida, alguns de seus amigos apareceram em sua casa e lhe fizeram uma festa-surpresa. No final, ele resolveu que não iria mudar. Continuou sua trajetória de práticas pecaminosa, até que, no dia 29 de novembro de 1984, sua vida tomou um rumo inesperado e diferente.
    Vinha de moto, descendo do Alto da Boa Vista, todo equipado, quando de repente, o carro que ia à sua frente, freou para não atropelar um cachorro. O carro que vinha atrás, um Passat, desviou-se do carro da frente, mas o motorista não viu que a moto de Carlos estava ao seu lado. Resultado: Carlos bateu no Passat. A pancada foi tão violenta que o seu rosto transformou-se em uma verdadeira massa de sangue. “Afundei minha cabeça na lateral daquele carro. A estrutura óssea do meu rosto partiu-se em 270 pequenos fragmentos. Saíram pedaços de ossos pelo meu nariz. O maxilar e o molar se deslocaram. A cartilagem do nariz ficou pendurada. Tive traumatismo craniano e fissuras nas costelas. Houve um deslocamento de todos os ossos do meu rosto. O laudo médico acusou fratura DEFOR III, a pior classificação para o caso.”
    Carlos foi socorrido por uma viatura da polícia e outra do corpo de bombeiros. Não pôde ser atendido no Pronto Socorro da Barra, pois já chegou ali apresentando sintomas de pneumocefalia, ou seja: estava ocorrendo entrada de ar pelas rachaduras de seu rosto e cabeça. O rosto e o pescoço pareciam uma bola cheia de ar. Seu corpo estava coberto de hematomas. Foi transferido para o Hospital Miguel Couto, colocado em uma maca. Os médicos disseram: não passa desta noite. Quando seu pai chegou, teve dificuldades de reconhecê-lo. Um médico lhe falou; “O senhor pode voltar para casa. O estado de seu filho é irrevogável. O que podíamos fazer por ele, já fizemos.”
    O pai de Carlos voltou para casa desesperado. Sua irmã lembrou-se de recorrer à Bíblia. Abriu-a e deparou-se com a seguinte passagem do livro de Jó, e leu-a em voz alta: “Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-poderoso. Porque ele faz a ferida e ele mesmo a ata; ele fere, e as suas mãos curam. De seis angústias te livrará e na sétima o mal te não tocará” (Jó 5.17-19). Estas palavras confortaram os seus corações e proporcionaram a certeza de que Carlos não iria morrer. Porém, eles ainda não haviam reconhecido Jesus Cristo como Salvador. Além do mais, a mãe de Carlos era espírita.

O ROSTO CRUCIFICADO
    Ao ficar sabendo da situação do filho, sua mãe dirigiu-se a uma igreja evangélica. Mesmo sendo praticante do espiritismo, não procurou um pai-de-santo, e sim as irmãs de oração. Pediu que a igreja orasse por Carlos. As irmãs intercederam e Jesus Cristo ouviu o pedido de suas servas. Carlos foi operado, mas em seguida contraiu meningite, sentiu dores indescritíveis, tornou a ser submetido à outra cirurgia, mas Deus deu-lhe vitória.
    “Colocaram uma armação de aço presa ao meu crânio, com um parafuso no alto da cabeça e outros parafusos atarrachados nas laterais. Um ferro entrava pela minha boca, um fio de aço entrava pelas bochechas para prender os maxilares, e todos os meus dentes foram amarrados. Fiquei com aquela armação, sem poder falar, chorar, sorrir ou comer. Alimentava-me através de sonda. Sentia que o meu rosto estava como que crucificado. Fiquei naquelas condições durante 33 dias, o que corresponderia, em anos, à idade do meu Salvador.”

LIBERTO E TRANSFORMADO POR JESUS
    Dias depois, recebeu alta do hospital e foi para casa, ainda com todos aqueles ferros no rosto. Durante todo esse período de sofrimento, Carlos pôde refletir muito sobre sua verdadeira condição de miséria moral e espiritual. Alguns meses depois, já podendo andar e sair de casa, ele se arrumou e disse: “Eu quero visitar aquela igreja onde as pessoas oraram por mim.” Foi. E lá encontrou aquilo que procurara durante tantos anos: Encontrou a paz! “Eu aceitei a Jesus, após uma mensagem de Deus dirigida por um de seus servos especialmente para mim.”
    Carlos abandonou de uma vez por todas as práticas condenadas por Deus, foi gerado outra vez por Jesus Cristo, segundo está escrito em João 3.5, batizou-se em águas, e passou a ler e estudar a Palavra de Deus. Nesse ínterim ele sentiu que o Senhor não o queria mais na profissão de cabeleireiro. Hoje, 23 anos após sua conversão, Carlos recebeu de Deus uma esposa que, com ele, tem o coração na obra missionária, conforme ele pediu. O Senhor deu um filho ao casal, hoje um adolescente, e a família serve ao Senhor em uma igreja Assembleia de Deus próximo a Búzios, pastoreada por Carlos.
    Seu coração tem sido fortalecido na fé e diante do cumprimento das promessas do Senhor em sua vida. Carlos tem contado o seu testemunho em centenas de igrejas de todo o Brasil. Aliás, ele é um testemunho vivo do que Deus pode fazer na vida de uma pessoa que antes vivia mergulhada em práticas abomináveis, mas que hoje, purificada pelo sangue de Jesus, afirma: “Só Cristo pode resgatar e transformar o ser humano perdido.”
Jefferson Magno Costa

terça-feira, 15 de junho de 2010

POR QUE O SER HUMANO SE VESTE?

Jefferson Magno Costa
    É impossível avaliarmos hoje até onde as roupas têm influenciado o comportamento do ser humano. Basta saber que nossas virtudes, defeitos, emoções e convicções, assim como nossa profissão, posição social, nacionalidade ou religião podem ser facilmente identificados pela maneira como nos vestimos.
    Se as vestimentas têm tanta influência na vida do ser humano, será de extrema importância sabermos quais são os motivos que têm levado homens e mulheres a andarem vestidos, pois sabemos que, antes de desobedecerem a Deus, e comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, o primeiro homem e a primeira mulher andavam no jardim do Éden completamente despidos, e não tinham vergonha dessa nudez (Gn 2.25).
    Será que o sentimento de vergonha que se apossou de Adão e Eva logo após eles se conscientizarem de que estavam nus, é o único fator que tem determinado a necessidade de o ser humano usar roupas? Ou nos vestimos também por outros motivos? Sim. Outras razões têm levado a humanidade a cobrir sua nudez. Todos os antropólogos e sociólogos que já escreveram sobre esse assunto afirmam que as roupas servem a três finalidades principais: pudor (vergonha), proteção e ornamentação.

“ENTÃO FORAM ABERTOS OS OLHOS DE AMBOS”
    Nenhum ser civilizado sentir-se-á à vontade estando despido diante de outros seres humanos. Este sentimento de desconforto moral causado pela nudez só não existe nas crianças de pouquíssima idade, nos selvagens, em alguns grupos que se habituaram à prática do nudismo, e na experiente intimidade dos casais. Porém, em geral essa vergonha sempre existiu desde o Éden (Gn 3.7), e tem-se manifestado tanto nas pequenas como nas grandes civilizações.
    Entre todos os povos da antiguidade, nenhum outro contribuiu tanto para a formação da consciência moral da humanidade como o judeu. No colapso da civilização greco-romana, os judeus mantiveram-se fiéis aos preceitos morais da lei.
    Quando o cristianismo alvoreceu sobre o mundo, a civilização romana se encontrava na mais infamante situação de toda a sua história. O que o historiador Cornélio Tácito (nascido em Roma, no ano 54 d. C.) conta no seu livro Annais, e as revelações que Suetônio (outro historiador romano, nascido em 120 d.C.) faz nas Vidas dos Doze Césares nos dão condições de entender porque os romanos odiavam tanto os cristãos. Um lírio sem mácula nascido no grande pântano da degradação moral do mundo dominado pelos Césares, assim era a Igreja Primitiva em meio a uma civilização moralmente bárbara e depravada.
    O mundo começou a aprender com o cristianismo que a atenção exagerada que se costuma dar ao corpo, fazendo dele um verdadeiro objeto de culto, é prejudicial à salvação da alma. A indecência no vestir e a extravagância dos trajes foram desaprovadas pela Igreja: “... que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso”, 1 Tm 2.9.
    Mas a luta entre a simplicidade no vestir e as ostentações do luxo sempre existiu. Muitos, por uma simples questão de vaidade, ou com a intenção de afrontar a modéstia dos que se vestem de maneira recatada, ou ainda por não darem o mínimo valor aos preceitos bíblicos, passaram para a história como campeões do desperdício e da ostentação. O Duque de Buckingham, da Inglaterra, tinha 1625 trajes, e a Imperatriz Isabel, da Rússia, chegou a possuir 8700 vestidos.

A ROUPA COMO PROTEÇÃO

    O frio e o calor tiveram grande importância na origem das vestes humanas. As pessoas que viviam em regiões frias sentiam necessidade de se proteger contra uma temperatura desconfortavelmente baixa, e passaram a usar roupas de pele de animais.
    Da mesma forma, aquelas que moravam em regiões quentes, apesar de usarem pouca roupa, sentiram necessidade de se proteger melhor contra a incidência dos raios solares sobre a pele, pois muitas vezes, após um dia de trabalho com o corpo diretamente exposto ao sol, sentiam-se extremamente fatigadas. Por quê?
    A ciência explica: as energias que adquirimos através dos alimentos são gastas durante nosso esforço físico, mental e através da pele. Esse desgaste aumenta sensivelmente se o nosso corpo estiver desprotegido, exposto ao sol ou ao frio. O mais eficiente modo de diminuirmos a perda de calor é nos vestindo convenientemente.
    A necessidade de procurarmos proteção no uso de roupas fez com que elas adquirissem grande importância em nossas reações psicológicas. A roupa passou a ser, em alguns casos, uma garantia contra o perigo e a falta de amor. Estudiosos do comportamento humano observaram que, em noites frias, quando saímos de nossa casa aquecida e entramos em uma rua deserta, nossa tendência é procurarmos nos acomodar melhor dentro do nosso agasalho, não só como defesa contra o frio, mas como se inconscientemente buscássemos segurança nas roupas.
    Se considerarmos que a nossa tendência é simbolizar o amor e a segurança pelo calor, e a falta de amor e a insegurança pelo frio, tornar-se-á fácil entendermos porque certas pessoas, ao pressentirem o perigo, procuram, inconscientemente, sentir-se seguras em suas vestes.
    A couraça e a armadura representaram, em tempos passados, a forma mais desenvolvida na exteriorização desse sentimento, e só perderam sua utilidade com a invenção das armas de fogo. Dizem ainda alguns psicólogos (fazendo a analogia dos sentimentos humanos e a temperatura) que a causa de algumas pessoas serem mais sensíveis ao frio do que outras é a carência de amor em suas vidas.

A ROUPA COMO ORNAMENTAÇÃO
    A tendência de o ser humano fazer uso da roupa como meio de ornamentar seu corpo é posterior à outra tendência observada nos povos primitivos: o uso do próprio corpo como forma de ornamentação. Tatuagem, pintura, mutilação e deformação estão entre as antigas práticas dos povos bárbaros.
    As partes do corpo sujeitas à deformação são os lábios, as orelhas, o nariz, a cabeça, os pés e a cintura. As chinesas têm hoje os pés pequenos graças à firme pressão que aplicam no calcanhar das meninas. Deformação mais perigosa ainda foi praticada no século passado, quando esteve em moda a “cintura de vespa”. A cintura delgada das mulheres era produzida por cintos ou laços apertados – prática que trouxe seriíssimas complicações de saúde, por modificar a conformação anatômica do corpo e deslocar os órgãos internos de suas posições naturais.
    Os mais recentes estudos do comportamento humano revelam que a humanidade tem procurado se afastar dos artifícios grosseiros, e tem procurado aceitar o corpo humano como ele é, sem recorrer à práticas que o deformam ou prejudicam. Mas isto não impediu que no século XIX as mulheres fizessem uso de crina de cavalo como enchimento de suas saias – as famosas crinolinas. As crinas, que eram avolumadas ao redor das pernas, foram depois substituídas pelas armações de arame, que aumentaram mais ainda o formato ‘balão’ dos vestidos e saias.
    Para uma geração que supervalorizou as poses vaidosas – mesmo que isso implicasse em uma situação ridícula – semelhante moda foi considerada muito digna. A crinolina passou a ser vista como o símbolo da dominação feminina. Contam que muitos homens tiveram sérias dificuldades em achar lugar para ficar de pé em uma sala ocupada por várias mulheres assim vestidas!
    Alguém da época observou ironicamente que um cavalheiro, para conduzir uma dama escada abaixo, se quisesse seguir rigorosamente as regras de etiqueta – que lhe ensinava a se posicionar sempre ao lado da mulher, nunca à frente ou atrás – teria que ceder os degraus da escada só para ela, e descer pelo corrimão!
    Na época em que essas exorbitantes saias eram olhadas como símbolos de dignidade, as mulheres passaram a usar também caldas, ou seja: o prolongamento da parte de trás dos vestidos e saias. A mais longa calda de que se tem notícia foi usada pela rainha Catarina II, da Rússia, na cerimônia de sua coroação. Tinha 70 metros de comprimento, e foram necessários 50 empregados para carregá-la.
    Mas não têm sido só as mulheres as únicas a procurarem nas roupas valores éticos, sociais ou de outra natureza. Os homens também associam às vestimentas profundos significados psicológicos. Por exemplo: os paletós com enchimento nos ombros e os uniformes militares com dragonas, botões de metal e medalhas estão associados à força muscular, ao poder e à autoridade. Tais vestimentas satisfazem ao orgulho e à masculinidade dos homens.
    Portanto, o exibicionismo também faz parte da natureza masculina. E mesmo que um homem não seja em si mesmo um exibicionista, sempre haverá nele uma certa tendência de projetar o exibicionismo nas esposa e nos filhos. Esta afirmação tem seu fundamento no fato de que dificilmente um homem não se sentirá orgulhoso ao aparecer em uma reunião social ao lado de uma mulher bela e bem vestida, coisa que não ocorre se ela estiver mal vestida.

AS ROUPAS REVELAM NOSSO CARÁTER
    Muitos psicólogos afirmam que, além dos outros meios de que a psicologia lança mão para estudar o ser humano, é possível conhecermos melhor as pessoas considerando as roupas que elas vestem, Assim, a humanidade está classificada em tipos (um tipo muitas vezes é a combinação de dois ou três outros tipos diferentes), segundo a atitude de cada pessoa em relação às roupas.
    O tipo rebelde é considerado o mais primitivo de todos eles. As pessoas que fazem parte desse grupo sentem-se constrangidas e aprisionadas dentro das roupas. Preferem que elas sejam leves e finas, e muitas dessas pessoas prefeririam não usar nenhuma. Desejam ficar em constante contato com o ar e o sol. A maioria dessas pessoas veste-se descuidadamente, e são poucas as que se importam com o asseio corporal.
    Como já ficou comprovado em vários estudos da psicologia moderna, as roupas também representam o agradável refúgio e a proteção que as mães dispensam aos seus filhos. Ora, o tipo rebelde é geralmente representado por adolescentes inconformados, hippies e as pessoas que estão sempre em posição contrária às normas da sociedade. Elas acham que já são bastante “adultas” para poderem viver longe da influência materna e de sua proteção agasalhadora.
O segundo tipo é conhecido como o não emocional. Os não emocionais não escolhem suas roupas; usam-nas, e não procuram encontrar nelas nada além de sua simples utilidade. Geralmente são asseados, mas não se preocupam muito com a aparência ou ornamentação. Vestem-se o mais rápido e eficientemente possível, pois – segundo costumam dizer – “há assuntos muito mais importantes a tratar do que simples roupas”.
    Quem pertence ao terceiro grupo – tipo sublimado – tem um excessivo interesse pelas roupas, gasta muita energia e tempo para se vestir, e pouco se importa se tiver de pagar quantias vultosas por elas, pois o que lhe interessa é que suas roupas satisfaçam sua vaidade. Essas pessoas passam a vida inteira sempre lutando parta se vestir melhor que as outras.
    O psicólogo J. C. Flugel disse que tal rivalidade é muito comum entre as mulheres: “Uma mulher pode ferir seriamente a outra, até o ponto de transformá-la em sua permanente inimiga, por estar melhor vestida ou mais na moda, em alguma ocasião especial. Enquanto a individualidade for permitida, as mulheres lutarão entre si para usar trajes mais recentes e mais caros.”
    É em semelhantes atitudes de rivalidad ultravaidosa e em modas que propagam a imoralidade que estão os dois maiores erros na maneira de se vestir. Porém, nada impede que o verdadeiro cristão se vista honesta e decentemente. Homens e mulheres podem (e devem) servir a Cristo em todos os aspectos de sua vida, inclusive na maneira de escolherem e usarem suas roupas.
    Os jovens devem levar em conta que a Palavra de Deus sempre orienta que escolhamos o melhor para nós. E o melhor para o crente é tudo aquilo que não o torna semelhante ao mundo, pois o mundo jaz no maligno. Somos servos de Deus, e ele nos colocou como mordomos do nosso tempo, dos nossos bens materiais e do nosso corpo. E nosso corpo é templo do Espírito Santo. Portanto, devemos honrá-lo com decência e pureza.
Jefferson Magno Costa

sábado, 12 de junho de 2010

PREGAR: POR QUE É NECESSÁRIO MUITAS VEZES O PREGADOR TORNAR-SE UM TROVÃO NO PÚLPITO

Jefferson Magno Costa


      Perguntaram certa vez a João Batista quem ele era. João respondeu: "Eu sou a voz do que clama no deserto" (Jo 1.23). Assim se definiu João Batista. Eu achava que a definição ideal do pregador seria: "aquele que argumenta" e não "voz do que clama". Por que João Batista se definiu fundamentando-se no clamor e não no argumento? Por que não se definiu apoiando sua atividade de pregador na argumentação, e sim nos brados? Porque sobre muitas pessoas neste mundo, o falar alto tem muito mais poder do que os argumentos.
    Vejamos uma prova disto em um exemplo envolvendo o Senhor Jesus.
    Assim que Ele concluiu a exposição da parábola do semeador, começou a clamar (bradar): "Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Lc 8.8). Jesus passou a clamar, e não se deteve mais em argumentar sobre a parábola, conforme fizera até ali, porque sobre aquele auditório os brados tinham mais poder do que os argumentos.   
    Vejamos outro exemplo bíblico.
    Quando Pilatos examinou as acusações que os escribas e fariseus apresentavam contra Jesus, lavou as mãos e disse: "...nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem" (Lc 23.14). Enquanto Pilatos, na sua polidez e serenidade de governador, declarava isto tranquilamente, a atitude dos escribas e fariseus, acompanhados do povo, era outra: "Mas eles instavam [insistiam] com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principais sacerdotes, redobravam" (Lc 23.23). 
    Portanto, Cristo tinha a seu favor os argumentos e o parecer consciencioso de Pilatos, e contra si os gritos da multidão. E qual deles prevaleceu? Os gritos da multidão. O parecer sereno e racional de Pilatos não foi suficiente para o livrar, mas os gritos tiveram poder suficiente para o colocar na cruz. 
    Tendo os gritos tanto poder sobre a humanidade, é necessário que em algumas ocasiões os pregadores clamem, bradem, gritem. 
     Certamente, foi por reconhecer que os pregadores muitas vezes terão a necessidade de gritar, que o profeta Isaías os chamou de nuvens: "Quem são esses que vêm voando como nuvens?..." (Is 60.8).
     A nuvem tem relâmpago, tem trovão e tem raio. Relâmpago para os olhos, trovão para os ouvidos, raio para o coração. Com o relâmpago ilumina, com o trovão assombra, com o raio mata. Mas o raio alcança a um, o relâmpago a muitos, o trovão a todos. Assim deve ser a voz do pregador: um trovão do céu que assombre e faça tremer o mundo. (Trecho do Sermão da Sexagéssima, pregado em 1655 na Capela Real, em Lisboa, pelo maior pregador da língua portuguesa, Antônio Vieira. Adaptado e atualizado para o leitor do século 21).
Jefferson Magno Costa

VOZES CELESTIAIS DA POESIA CRISTÃ DE LÍNGUA PORTUGUESA I

Jefferson Magno Costa
CANTO SOBRE AS ÁGUAS DA ILHA
José Santiago Naud












 Eu, poeta, profeta, biógrafo de Jesus Cristo,
João,
Quero dizer aos homens
Como o mar se espraia na ilha,
E é linda a moldura do céu sobre os rochedos.


Eu, solitário, homem hebreu, peregrino,
Boanerges,
Quero contar às mulheres
Como o trovão é doce,
E é delícia o caminho que o raio traça nos céus.
















Eu, habitante de Patmos, homem ancião, vidente,
Apóstolo,
Quero suplicar às crianças
Como as crianças são,
E pedir-lhes a conservação de sua humildade sem véus.


Eu que sou todos, dentro do amor que sofro,
E sou sábio, sob a luz do Paracleto,
E sou santo, pelo sangue de Cristo,
Quero dizer que não vos desespereis,
Homens de rede sem peixe,
E que compreendais o vento,
navegantes sem rumo,
E que vos perdoo doentes,
ao me arrancardes da ilha,
Para que gema convosco.


Eu, João Boanerges Apóstolo, biógrafo
de Jesus Cristo.


CANTARES VII
(Filha do Rei)
Joanyr de Oliveira






Os teus passos, filha do Rei,
acariciam a face translúcida
do dia; os caminhos, os campos.


Teu andar se harmoniza
com o mar e os pássaros,
em louvações perfeitas.


O imaculado corpo, teu corpo,
Estende-se ao longo da paisagem,
bendizendo os ofícios do Sol.


Nas têmporas do monte,
teus olhos equilibram as águas
construídas em meigo azul.

Ramos ataviam as alturas.
A cabeça nívea, serena.
A cabeleira flutuante no tempo.














O esquio porte, de palmeira.
Espargem teus cachos na Terra
taças de unções indizíveis.


Tens aroma – que estremecem e inebriam
as várias colunas da noite,
porque beijas o soluço e a dor


e os transmudas em flores.
Bem-aventurados teus filhos,
ó vero amor de delícias!


Sobre as piscinas de Hesbom,
deslizando as saudades antigas,
mosto de romãs, perfumes.


Bem-aventuradas tuas sandálias
sob a altiva torre do Líbano
e as frontes iluminadas do Eterno!






    No dia em que o primeiro homem ergueu o seu olhar para o céu e entoou um hino de louvor e agradecimento a Deus, nasceu a Poesia Religiosa. Era a mais bela e sublime poesia jamais brotada de lábios humanos. Depois Abel ofereceu a Deus as primícias dos seus rebanhos, acompanhadas de orações tão puras quanto o seu coração; os patriarcas registraram o relato de suas grandiosas peregrinações, os cânticos de Moisés e os Salmos de Davi foram ouvidos, e a harpa sagrada dos profetas ressoou, revelando os desígnios de Deus e inundando de beleza e majestade as páginas da Bíblia.
    Trazer uma mensagem nova (as Boas Novas) em linguagem contemporânea sem perder, contudo, o tom grandioso, inspirado e ungido dos poetas bíblicos, deve ser o objetivo de todos os que almejam propagar e enaltecer o nome de Cristo através da poesia evangélica.
    Os poetas evangélicos José Santiago Naud e Joanyr de Oliveira conseguiram alcançar em seus poemas um alto nível técnico e inspiracional.
    Há no poema de José Santiago Naud, Canto sobre as águas da ilha, uma tonalidade de céu e mar, uma amplitude e um ritmo que o aproxima da grandiosidade de muitas passagens bíblicas - aquele mesmo tom majestoso e grandiloquente que caracterizou o estilo do profeta Isaías e do apóstolo João.
    Há no poema de Joanyr de Oliveira, Filha do Rei, uma cadência suave, um fluir musical que nos faz lembrar o próprio caminhar leve e majestoso de princesa. Joanyr debruçou-se sobre a mesma fonte lírica (as pessoas, os costumes e a geografia da Palestina) de onde Salomão retirou os substratos para escrever o livro de Cantares (o  Cântico dos Cânticos).
    Mar, pássaros e campos se entremesclam com palmeiras, sandálias, piscinas de Hesbom e torres do Líbano. Joanyr (o meu grande amigo e confrade Joanyr, ex-companheiro de trabalho e um dos nossos maiores modelos de poeta exímio, que em dezembro último
partiu para encontrar-se e viver eternamente na companhia do Rei dos reis, e a quem estou devendo uma crônica neste blog) alcança uma plenitude lírica que o aproxima do gigantesco e universal poeta chileno Pablo Neruda, um dos cinco maiores poetas modernos da América Latina.
    No seu poema O Cântico Repartido (como em grande parte de sua vasta obra poética), Neruda usa elementos líricos extraídos da geografia de seu país. Eis um pequeno trecho do seu poema como exemplo:




Entre a cordilheira
e o mar do Chile
escrevo.


A cordilheira branca.
O mar cor de selva.


Regressei de minhas viagens com novos orvalhos.
E o vento.
Hoje entre mar e neve
e terra minha
eu depus os dons
que recolhi no mundo.


Eu regressei repleto
de uvas e cereais.






    Que os poetas evangélicos da atualidade acumulem uma atenta e vasta leitura das obras dos grandes poetas da língua portuguesa e de outras línguas, nomes que encabeçam as diversas listas de autores das literaturas antigas e modernas. 
    Que os poetas evangélicos não escrevam os seus poemas tão-somente impulsionados pela inspiração. Que sejam artesãos da palavra, operários habilidosos no difícil ofício de escrever poemas. Que conheçam e façam uso dos diversos recursos técnicos com os quais podem aprimorar suas composições.  
    Que sejam dotados de uma ampla perspectiva temático-poética, para que possam expressar poeticamente os temas de interesse do povo evangélico (fé, amor, gratidão a Deus, desafios existenciais, atitude diante da morte, esperança de vida eterna, e outros), e não meros poetas voltados para si mesmos, que só sabem expressar mediocremente suas frustrações, mágoas, dor de cotovelo. 
    Que tenham consciência de que escrever poemas é uma arte, e ser verdadeiramente um poeta evangélico é uma honra, um imenso compromisso assumido diante de Deus. Um ministério. 
    Portanto, meu conselho aos poetas evangélicos da atualidade é que não escrevam seus poemas confiantes e tão-somente movidos pela inspiração. Pois o produto final desta não passa, muitas vezes, de um atestado de incultura.
Jefferson Magno Costa      


  

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