domingo, 30 de janeiro de 2011

TALENTO: QUEM RECEBEU MENOS E MULTIPLICOU PROVOU TER MAIS CAPACIDADE DO QUE QUEM RECEBEU MAIS


Jefferson Magno Costa    

     Toda pessoa possuidora de talentos corre o risco de os usar mal, os enterrar ou os perder, e quando um dia estiver diante de Deus, não dará boa conta deles.
     




Alguns por terem caído no pecado da soberba, outros por terem caído no pecado da inveja,







e outros por terem caído no pecado da falta de decisão e firmeza, que é o pecado da omissão.

     Na parábola dos dez talentos usada por Jesus (Mt 25.14-30), o servo que enterrou o único talento que recebera de seu senhor, cometeu esse último pecado.
     Porém, ele poderia ter sido considerado o melhor, e ter-se mostrado muito mais capaz do que os outros dois servos que haviam recebido dois e cinco talentos, caso não tivesse enterrado o seu.
     Certa vez um grupo de teólogos iniciou um debate para saber qual dos criados da parábola dos dez talentos se mostrara mais sábio e capaz, se o que com dois talentos conseguira outros dois, ou se o que com cinco talentos conseguira outros cinco.
     Por não terem conseguido chegar a uma conclusão, os teólogos resolveram levar o problema para um grupo de experientes comerciantes e empresários, os quais concluíram que mais habilidoso tinha sido o servo que com dois talentos conseguira mais dois talentos do que o que com cinco talentos conseguira mais cinco.
     A justificativa para essa conclusão os comerciantes e empresários haviam tirado da própria experiência: É mais difícil ganhar pouco com pouco do que muito com muito.
     E também acrescentaram que se o servo que recebera um só talento tivesse conseguido outro talento, teria superado largamente em capacidade ao servo que recebera dois e ao servo que recebera cinco.
     Essa última conclusão serve de grande consolação e incentivo às pessoas que se consideram possuidoras de pouco ou quase nenhum talento.
     Pegue o único talento que você tem, apresente-o a Deus, diga-lhe que quer usá-lo para o engrandecimento, a honra e a glória do Seu Reino, e prepare-se para testemunhar milagres!
     (A. V. Trecho do Serm. Prim. Dom. Adv. Adapt. Lisb. 1676)
Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

AMOR: COMO O “VÍNCULO DA PERFEIÇÃO” TORNA POSSÍVEL OBEDECERMOS A TODOS OS MANDAMENTOS DE DEUS


Jefferson Magno Costa
     O motivo por que na vida espiritual não conseguimos nos tornar espiritualmente mais fiéis e a cada dia melhores, é porque consideramos sempre nossos deveres e desafios na sua multidão, e não reduzimos a multidão à unidade.

     Esta é a razão por que a sabedoria e a providência divinas reduziram todas as suas leis a uma só lei, e todos os seus preceitos a um só preceito, que é o do amor.
     Assim o declarou o apóstolo Paulo, o qual a este preceito um e único a que se reduzem todos os outros, chamou vínculo da perfeição: “E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3.14).
     A perfeição desatada constitui-se em infinitas virtudes, e infinitos atos de cada uma delas; porém atada e reduzida à unidade, é uma só virtude. E o que concluímos disso tudo?
     Concluímos que a perfeição desatada e sem este vínculo, pela multidão em que se divide, é quase impossível de ser alcançada; porém, atada pelo vínculo do amor, pela unidade a que se reduz, torna-se acessível a todos nós.
     Ouçamos, quanto a isto, o ensinamento do próprio Legislador divino, Jesus Cristo:     
     "Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra. Meu pai o amará, e viremos para ele e nele faremos morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras...” (Jo 14.23,24).
     Para observarmos a diferença destes termos, não é necessário muito esforço. Aos seus mandamentos, Jesus os chama em um momento minha palavra, e em outro momento minhas palavras.
     Quando lhe chama minhas palavras, diz que não se guardam; e quando lhes chama minha palavra, diz que se guarda. Por quê?
     O próprio Texto Sagrado dá a resposta. É por que, no esforço para a cumprir, uns consideram a Lei de Cristo atada e unida pelo vínculo da perfeição, que é o amor; e outros a consideram desatada e desunida pela falta desse vínculo.
     Quando a perfeição é considerada de maneira desatada, os mandamentos tornam-se muitos, e devido à sua multidão, é muito difícil obedecê-los; porém, quando a perfeição é considerada atada e unida, levando esses mandamentos a se tornarem um só pelo vínculo da perfeição, torna-se facílimo obedecê-los.
     Assim como o apóstolo Paulo, escrevendo aos colossenses, reduziu a perfeição ao vínculo de uma só virtude, como já vimos; da mesma forma, escrevendo aos romanos, depois de relacionar todos os mandamentos, os reduziu a um só (Rm 13.9), e concluiu:
     “De sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10).
(A. V. Serm. Dom. Salvador, 1689)
Jefferson Magno Costa

FILHOS: COMO PORTA-VOZ DO ESPÍRITO SANTO, JACÓ ABENÇOOU SEUS FILHOS E PROFETIZOU SOBRE O FUTURO DELES

Jefferson Magno Costa    
     Admirável foi a forma como o patriarca Jacó, pouco antes de morrer, repartiu profeticamente entre os seus filhos as porções da bênção paterna que caberia a cada um.
     Usando o nome de diferentes animais,



a Judá chamou de leão (Gn 49.9),



a Dã chamou de serpente (49.17),




a Benjamim chamou de lobo (Gn 49.27),



a Naftali chamou de cervo (Gn 49.21),

a Issacar chamou de jumento (Gn 49.14).
     Não podemos esquecer que os demais filhos de Jacó também receberam sobre suas vidas variadas expressões proféticas sobre o futuro de cada.  
     Mas quero chamar a atenção do leitor para os que foram comparados a animais.
     Todos os animais têm suas inclinações, seus instintos e propriedades, suas virtudes e seus vícios naturais. O leão é generoso, a serpente astuta, o lobo voraz, o cervo ligeiro, o jumento sofredor no trabalho.
     E debaixo dessas metáforas Jacó dava significado e distribuía aos filhos os talentos de cada um, e como seriam usados, e profetizou sobre quais haviam de ser as ações e acontecimentos de suas vidas e descendências.
     Ora, é de admirar que esses mesmos irmãos tenham suportado tão mal da parte daquele mesmo pai o fato de ele ter feito uma túnica de várias cores para um deles, a ponto de eles terem planejado tingir a túnica no sangue do próprio irmão.
     Como agora nenhum se queixa de o pai os vestir de tão diferentes peles e pelos, e de lhes chamar de tão diferentes nomes, e colocá-los dentro de tão diferentes categorias, como a que separa o lobo do cervo, a serpente do leão, e o leão do jumento?
     No episódio da túnica diferente que deu a um único filho, Jacó agiu como pai em seu próprio nome. Porém, na diferente divisão de talentos entre todos os filhos, Jacó falou como profeta em nome de Deus.
     Todos os filhos reconheciam a voz de Deus na voz do velho patriarca Jacó.
     E como a divisão de talentos e do que aconteceria a eles e aos seus descendentes no futuro estava sendo feita pelo próprio Deus na voz de Jacó, e os talentos estavam sendo distribuídos por Deus, mesmo sendo tão diferentes no valor quanto é diferente a posição de quem reina da posição de quem serve, a posição do leão da posição do jumento entre os animais, todos os filhos, abaixando a cabeça diante do pai, conformaram-se com sua sorte. Não houve nenhum que abrisse a boca para reclamar.
(A.V. Serm. Prim. Dom. Adv. Cap. Real. Lisb. 1675)
Jefferson Magno Costa

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

GRATIDÃO: JAMAIS DEVEMOS ESQUECER DE ONDE VIEMOS


Jefferson Magno Costa
     Antes de Adão ser formado por Deus, ele não era nada. E mesmo quando Deus o formou, ele não passava de uma estátua de barro deitada no chão. O Senhor então soprou o fôlego de vida em suas narinas, e Adão colocou-se de pé e tornou-se um homem.
     Logo após ter sido criado, Adão foi extraordinariamente abençoado por Deus, recebendo de Suas mãos três domínios: o domínio da terra sobre todos os animais, o domínio do ar sobre todas as aves, e o domínio do mar sobre todos os peixes (Gn 1.26).
     Em toda a história da humanidade, nenhum outro ser humano seria alcançado por tantas bênçãos ao mesmo tempo. O correto seria concluirmos que Adão jamais poderia pensar que alcançaria uma posição maior nem melhor do que a alcançara por dádiva de Deus.
     Porém, nem Adão nem sua mulher pensaram assim. Não ficaram satisfeito com o que receberam, e pretenderam mais. E o quê ambicionaram? Nada menos que ser como Deus. Foi isso o que a serpente prometeu a eles, e eles se deixaram invadir por essa soberba ambição: “...e sereis como Deus...” (Gn 3.5).
       É certo que antes de Adão e Eva, Lúcifer já ambicionara ser igual ou maior que Deus, e isto foi o que o fez cair do Céu. Mas na terra, haveria  outra ambição tão grande quanto esta de uma criatura querer se igualar em conhecimento e poder ao seu Criador?
     Anteontem nada, ontem barro, hoje homem, amanhã Deus? Será se Adão não se lembrava do que era ontem, ou do que era anteontem? Quem ontem era barro, não se contentará de ser hoje homem, e o primeiro e mais poderoso de todos os homens?
     Quem anteontem era nada, não se contentará em ser o mais importante de todos os seres sobre a terra, e mandar em tudo?
     Não, porque já naquela época Adão era como hoje são muitos de seus filhos, que saem, como ele, do barro e do nada do qual foram criados, e jamais param de querer ser sempre algo muito maior do que conseguem ser.
     Mal criados, e maus criados. Por isso são descontentes e ingratos, quando deveriam estar muito contentes e agradecidos. E a razão disso é que não consideram o que são, nem se lembram do que foram.
     (A. V. Serm. Terc. Quar-Feir. Quares. Cap. Real 1669)
     Jefferson Magno Costa



domingo, 23 de janeiro de 2011

JESUS: O QUE DIFERENCIOU A ESTRELA DE BELÉM DO ANJO E DOS PASTORES DE BELÉM

Jefferson Magno Costa
     Os magos disseram que viram a estrela no Oriente (Mt 2.2). Ora, a estrela podia ser vista muito bem de muito longe, como se veem as outras estrelas, mas ela foi buscar os magos na terra deles.
     Neste esforço e na extensão desse caminho a estrela que guiou os magos superou muito o anjo que apareceu aos pastores (Lc 2.8,9). O anjo também iluminou os pastores (Lc 2.9), e também lhes anunciou o nascimento de Cristo (Lc 2.10,11).
     Mas até onde o anjo conduziu essa luz e esse evangelho? Não às terras do Oriente ou a outras terras remotas, como a estrela; mas a quatro passos da cidade de Belém, e nos próprios arredores dela, um percurso muito curto, portanto (Lc 2.15).
     A distância que separa Belém do Oriente é a diferença do que representou o trabalho da estrela do trabalho do anjo para anunciar a Cristo.
     Podemos visualizar muito bem essa diferença comparando a estrela com o anjo, e também comparando a estrela com os próprios pastores.
     Esses pastores de Belém são os mais celebrados da Igreja. São aqueles que a própria Igreja apresenta como exemplo aos pastores de almas.
     Mas o que fizeram ou o que faziam esses bons pastores? Eram tão zelosos e vigilantes do seu rebanho, que mesmo sendo noite avançada, não dormiam, mas guardavam e velavam suas ovelhas.
     Muito bem. Mas não sei se vocês observaram um detalhe que o evangelista informa sobre o lugar e o rebanho. Sobre o lugar, o evangelista diz que os pastores estavam em sua própria região, e acerca do rebanho, diz que as ovelhas eram suas.
     E nestas duas coisas consiste a vantagem que a estrela levou sobre os pastores. Os pastores estavam na sua região, e a estrela foi anunciar a Cristo em regiões estranhas.
     Os pastores guardavam as suas ovelhas, e a estrela foi buscar ovelhas para Cristo. E entre estar na sua cidade guardando suas ovelhas na sua região, e ir buscar ovelhas para Cristo em regiões estranhas, há uma enorme diferença.
     Os pastores eram apascentadores; a estrela era uma missionária. Para atrair a Cristo ovelhas de terras remotas e estranhas, a estrela precisou desdobrar-se muito mais, brilhar muito mais.
(A. V. Serm. da Ep. na Cap. Real. Lisboa, 1662)
Jefferson Magno Costa





sábado, 22 de janeiro de 2011

JESUS: A ESTRELA DE BELÉM ERA TAMBÉM UMA FIGURA DOS PREGADORES

Jefferson Magno Costa    
     Aquela estrela que condu-
ziu os magos a Cristo era uma figura celestial e muito ilustre dos pregadores do Evangelho.
     Qual foi a missão daquela estrela? Iluminar, guiar e trazer homens a adorar e aceitar a Cristo, e não outros homens, senão homens infiéis e idólatras, nascidos e criados nas trevas da gentilidade. 
     Pois essa é a mesma missão e trabalho não de quaisquer pregadores, e sim daqueles pregadores sobre os quais falamos, e por isso eles também podem ser propriamente chamados de estrelas de Cristo.
     É muito curioso que essa estrela que guiou os magos a Cristo seja chamada particularmente de estrela de Cristo (Mt 2.2).
     Ora, todas as demais estrelas não são também estrelas de Cristo que, como Deus, as criou? Sim, são.

      Então, por que motivo esta estrela, mais do que as outras, é chamada especialmente de estrela Sua? 
     Porque as outras estrelas foram geralmente criadas para ser tochas do Céu e do Mundo; esta foi criada especialmente para ser pregadora e exaltadora de Cristo.
     (A. V. Serm. da Ep. na Cap. Real. Lisboa, 1662)   
Jefferson Magno Costa       

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