sábado, 26 de novembro de 2011

AS MULHERES TERIAM ERRADO O LOCAL ONDE ESTAVA O VERDADEIRO TÚMULO DE JESUS, E VISITADO UM TÚMULO VAZIO, E ESPALHADO ENGANADAMENTE A NOTÍCIA DE QUE ELE RESSUSCITARA?

Jefferson Magno Costa

     Foi o historiador alemão Kirsopp Lake quem criou, no início do século 20 (em 1907), a teoria de que as mulheres que se dirigiram ao túmulo de Jesus na madrugada do domingo da Ressurreição, por estarem profundamente tristes, erraram o caminho e se dirigiram a um outro túmulo, que já estava vazio, mas não era o que pertencia a José de Arimatéia, dentro do qual o corpo de Jesus havia sido colocado.
     Daí a razão de terem imaginado que Cristo havia ressuscitado, e saírem divulgando equivocadamente a notícia de que Jesus ressuscitara. Porém, é impossível que esse engano tenha acontecido.
      Eis 6 razões que cromprovam isto:
     1) Inicialmente, devemos levar em conta que o corpo de Jesus Cristo não havia sido sepultado em um cemitério público, e sim em um sepulcro particular. Não havia, portanto, outros sepulcros para estabelecer a confusão;
     2) Por mais tristes que as mulheres pudessem estar, era impossível elas terem-se esquecido, após o curto período de menos de 72 horas (três dias), do lugar exato onde o corpo de Cristo havia sido sepultado, pois elas mesmas tinham estado presentes ao sepultamento (Mt 27.57-61; Mc 15.47; Lc 23.55). Portanto, elas jamais poderiam errar o túmulo.
     3) Mas caso as mulheres tivessem se enganado e se dirigido a um túmulo errado, os príncipes dos sacerdotes e dos fariseus teriam ido ao túmulo certo para de lá retirarem o corpo de Jesus e o apresentarem ao povo como prova de que Ele não ressuscitara. Teriam calado a boca dos discípulos para sempre. Mas eles não puderam fazer isso, porque Jesus já ressuscitara!
     4) Se as mulheres tivessem se enganado, Pedro e João, quando correram para comprovar se realmente Cristo ressuscitara, não teriam errado o túmulo (Jo 20.2-10).
     5) E havia uma pessoa que jamais se enganaria acerca do lugar onde o corpo de Cristo fora sepultado: José de Arimateia, dono do sepulcro.
     6) Mas se todos os seres humanos tivessem errado, o ser celestial que moveu a pedra jamais teria se enganado, quando disse às mulheres: “Ele não está aqui: ressuscitou como havia dito. Vinde ver onde ele jazia” (Mt 28.6).
     Portanto, é impossível negar a Ressurreição de Cristo! Tudo confirma que Ele ressuscitou. Não há, em toda a história da humanidade um acontecimento tão extraordinário e possuidor de tantos argumentos que comprovam sua realidade e autenticidade.
     Conta-se que um certo pastor, conversando com o fundador de uma seita que perguntava ao pastor se existia alguma fórmula de fazer sua seita prosperar e crescer, ouviu do pastor a seguinte resposta:
     “Ah, sua seita não está prosperando? Pois eu conheço uma fómula infalível de torná-la um sucesso e conhecida no mundo inteiro: Faça-se crucificar numa sexta-feira... e procure ressuscitar no domingo!” O fundador da seita olhou espantado para o pastor, deu meio-volta e afastou-se rapidamente. Ou seja: a Ressurreição de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é um acontecimento único na História. Ninguém conseguirá repeti-lo!

 
Jefferson Magno Costa

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

JESUS TERIA SIDO SEPULTADO DESMAIADO?

Jefferson Magno Costa
     
     No final do Século XVIII e meados do XIX, os alemães Gottlob Paulus, Schleiermacher e Herder inventaram a diabólica teoria de que Jesus não morrera de verdade: após todos os suplícios sofridos na cruz, ele desmaiara, e nessas condições tinha sido retirado do alto do madeiro, dado como morto, mas na verdade só estava desfalecido pela perda de sangue, esgotamento e dor, afirmam os autores desta diabólica teoria.
     Ao ser colocado no túmulo, o ar gelado do ambiente o fez voltar a si, e Ele pôde então sair do túmulo e ir ao encontro dos seus discípulos. “Foi assim que começou toda a história da ressurreição”, diziam os filósofos alemães.
     Ora, essa teoria é ridícula e pode ser facilmente derrubada. Basta considerarmos os sofrimentos morais e físicos a que Cristo foi submetido, e que resultaram em sua morte. Ei-los:

CRISTO MORREU REALMENTE: CAUSAS DE SUA MORTE
     1) A agonia no horto foi tão intensa e prolongada, que o levou a suar sangue (Lc 22.44);
     2) Jesus foi brutalmente açoitado, e esse castigo, aplicado pelos romanos, geralmente causava a morte do réu (Mt 27.26; Mc 15.15. Jo 19.1);
     3) Uma coroa de espinhos foi fincada em sua cabeça à força de golpes (Mt 27.29,30; Mc 15.17; Jo 19.2);
     4) As caminhadas de um lado para o outro, entre Herodes e Pilatos, e a caminhada até o Calvário lhe foram tão cansativas e penosas, que os soldados romanos, no caminho do Gólgota, tiveram que convocar Simão, o Cirineu, para ajudá-lo (Mt 27.32; Mc 15.21 e Lc 23.26);
     5) No Gólgota, suas mãos e pés foram cravados na cruz por imensos pregos (Mt 27.35; Mc 15.24);
     6) Determinando uma grave e progressiva perturbação no sistema circulatório do crucificado, a crucificação produz sensação de cãimbra, febre, tremores, até causar a morte por asfixia;
     7) O evangelista João diz que o soldados romanos, “chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Mas um dos soldados lhe abriu um lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (Jo 19.33,34). Dado pelo soldado romano para eliminar toda e qualquer dúvida quanto à morte de Jesus, esse golpe de lança deve ter traspassado o coração do nosso Salvador. Esta é a prova científica de que Cristo morreu.
     8) O sepultamento entre os judeus fazia uso, na preparação do cadáver, de substâncias aromáticas, como mirra e aloés. Em Jesus, 100 libras desse composto aromático foram utilizados (vários quilos, portanto).
     Em seguida, o seu corpo foi envolvido em um grande sudário (espécie de lençol ou mortalha), amarrado nas mãos e nos pés. Colocaram-no, por fim, dentro de um sepulcro escavado na rocha e o fecharam com uma grande pedra (Jo 19.39-42).
     Se Jesus, depois de tudo o que sofrera até ali, e mesmo após o violento golpe de lança no peito, ainda estivesse vivo, teria então morrido sufocado dentro do sepulcro.

TESTEMUNHAS OCULARES DA MORTE DE JESUS
     Numerosas testemunhas oculares, reunidas no Calvário por motivos os mais diversos (curiosidade, ódio, amor, dever de ofício) estavam atentas a tudo o que acontecia a Jesus, e interessadíssimas em saber como todo aquele comovedor e inesquecível episódio no Calvário terminaria. Foram elas que, no final de tudo, comprovaram que Jesus realmente morrera. Havia ali amigos, inimigos e pessoas neutras.
     1) Os amigos que estavam ao pé da Cruz e comprovaram que Jesus realmente havia morrido foram:
     a) Todos os conhecidos de Jesus, e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia (Lc 23.49);
     b) Maria, sua mãe, a irmã dela (uma tia de Jesus, portanto), Maria, mulher de Cleopas, e Maria Madalena (Jo 19.25);
     c) Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé (Mc 15.40);
     d) João, discípulo de Jesus (Jo 19.26,27);
     e) José de Arimatéia, membro do Sinédrio, e Nicodemos, mestre da Lei, ambos discípulos ocultos de Jesus (Jo 19.38,39). Nenhum desses parentes e amigos do nosso Salvador teriam consentido que o sepultassem sem antes terem obtido a plena certeza de que Jesus estava realmente morto.
     E não devemos esquecer que o mais sensível dos corações humanos (o coração materno) estava representado ali, na pessoa de uma mulher: Maria. Seu coração pulsava, dolorido e desconsolado, diante do seu filho morto. Teria Maria consentido que sepultassem Jesus se Ele ainda estivesse vivo? Nunca!
     2) Os inimigos de Jesus, ou seja: os príncipes dos sacerdotes e os fariseus comprovaram a morte de Jesus
     Eles jamais teriam abandonado o Calvário sem a certezade que Jesus realmente morrera, pois eram as pessoas que mais estavam interessadas em sua morte. Além do mais, se não estivessem convencidos de que o nosso Salvador não mais vivia, não teriam permitido que os amigos se apoderassem do Seu corpo para o sepultar.
     Temos de considerar também outro interessante fato: os próprios inimigos de Jesus confirmaram sua morte quando foram pedir a Pilatos guardas para o sepulcro (Mt 27.62-66).
     A realidade da morte do nosso Salvador Jesus Cristo era um acontecimento de tamanha verdade e confirmação que, 52 dias depois, Pedro, discursando perante o povo, acusou as autoridades judaicas de O terem matado, e elas não puderam dizer nada em contrário, pois sabiam que o que Pedro estava dizendo era verdade: Cristo fora morto por eles (At 2.23;3.15).
     Portanto, Jesus estava morto. O próprio Sinédrio, reunido, foi acusado da morte de Jesus, e nenhum de seus membros ergueu a voz para dizer que Cristo não morrera (At 4.5-13). (Mas Ele ressuscitou!)
     3) As pessoas neutras, representadas por Pilatos, o centurião e os soldados romanos, comprovaram a morte de Jesus.
     Quando José de Arimatéia veio pedir a Pilatos o corpo de Jesus para sepultá-lo, não o obteve sem antes o Governador ter-se certificado, junto ao comandante da guarda (o centurião) de que Jesus Cristo já estava morto (Mc 15.42-45).
     Em João 19.31-33 vemos que Pilatos, a pedido dos fariseus, havia mandado os guardas acelerar a morte de Jesus e dos dois ladrões. Os soldados quebraram as pernas dos dois homens que haviam sido crucificados ao lado do nosso Salvador; “chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas” (João 19.33).
     Portanto, não havia como todas essas testemunhas terem-se enganado acerca da morte de Cristo.
     Porém, apesar de todas essas provas de que a teoria do desmaio é um absurdo, suponhamos que Jesus Cristo, conforme afirmam os inimigos do Evangelho, tenha sido colocado no túmulo ainda vivo e desacordado.
     Diante desta suposição, é o escritor note-americano Paul Little quem pergunta: “É possível acreditar que Ele teria sobrevivido três dias em um túmulo abafado, sem alimentos, nem água, nem atenção de espécie alguma? Teria Ele sobrevivido após ser envolto nos panos cheios de especiarias do sepultamento? Teria Ele achado forças para desembaraçar-se dos panos do sepultamento, empurrar a pesada pedra do túmulo, subjugar os guardas romanos e caminhar diversos quilômetros com aqueles pés que haviam sido traspassados pelos cravos? Tal crença é mais fantástica do que o simples fato da própria ressurreição.”
     Até mesmo o crítico alemão David Straus, inimigo do Evangelho e violento combatedor da doutrina da Ressurreição, reconheceu o quanto essa teoria do desmaio é absurda, e rejeitou-a terminantemente no seu famoso e polêmico livro Nova Vida de Jesus:
      “É impossível que alguém que acaba de sair da sepultura, semimorto, que vinha se arrastando fraco e doentio, que se achava necessitado de tratamento médico, de ataduras, de fortalecimento e de minucioso cuidado, e que por fim sucumbira ao sofrimento, pudesse jamais ter causado nos discípulos a impressão de que Ele era um vencedor da morte e da tumba; que Ele era o Príncipe da Vida. Isto formava a base do futuro ministério deles. Uma ressurreição assim só poderia trazer enfraquecimento na impressão que Ele havia causado neles, em vida e na morte – ou, no máximo, poderia ter dado à tal impressão um aspecto melancólico – mas não poderia, por nenhuma possibilidade, ter mudado sua tristeza em entusiasmo ou elevado sua reverência ao nível da adoração.”

JESUS MORREU, MAS AO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU!
     O nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo realmente morrreu, mas venceu a morte e ressuscitou ao terceiro dia. Ele inaugurou e confirmou para nós a esperança de que um dia, todos os que morreram ou morrerem na condição de salvos e remidos por Ele, vencerão a morte gelada e ressuscitarão em um corpo glorioso, para viver eternamente em Sua companhia!


Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

AS AUTORIDADES JUDAICAS TERIAM REMOVIDO O CORPO DE JESUS DO TÚMULO, COM MEDO DE QUE OS DISCÍPULOS O ROUBASSEM?

Jefferson Magno Costa
      
     Outra teoria inventada pelos inimigos do Evangelho apóia-se na afirmação de que, para impedir que os discípulos roubassem o corpo de Jesus, as autoridades judaicas o teriam removido do túmulo emprestado por José de Arimateia, e colocado o corpo em um lugar seguro e desconhecido de todos.
     Ora, essa teoria anula-se por si mesma quando lembramos que as autoridades judaicas tinham colocado um pelotão de soldados guardando a entrada do túmulo de Jesus, pois temiam que o desaparecimento do corpo pudesse levar o povo a crer na ressurreição de Cristo, predita por Ele mesmo para ocorrer no terceiro dia após o sepultamento. Eles não iriam, portanto, contribuir para o início dessa crença, ao removerem e esconderem o corpo de Cristo em outro lugar.
     Além do mais, sabe-se que, diante da pregação dos discípulos sobre a Ressurreição do nosso Salvador, as autoridades judaicas ficaram iradas, mas nada conseguiram fazer para silenciá-los. Nem prendendo-os, espancando-os e ameaçando-os, conforme está registrado no capítulo 4 de Atos, conseguiram silenciar os apóstolos.
     Mas havia um meio eficaz, infalível, que desmascararia e calaria a pregação dos discípulos e da Igreja, caso as autoridades romanas tivessem removido o corpo de Jesus para outro lugar. Conforme comentário do grande apologista norte-americano Paul Little:
     “Estivessem eles (os romanos e os judeus) de posse do corpo de Cristo, bastaria que o levassem em desfile pelas ruas de Jerusalém. Com um golpe certeiro eles teriam extinguido com êxito o Cristianismo no berço. Que não tenham feito isto traz um eloquente testemunho de que eles não tinham o corpo”.
     Portanto, é impossível que o Corpo de Cristo tenha sido roubado, quer pelos apóstolos, quer pelas autoridades judaicas ou romanas. Pouco mais de seis semanas após a ressurreição de Cristo, Jerusalém começou a ser abalada pela pregação dos apóstolos.
     Eles estavam pregando para cima e para baixo, dizendo que Cristo ressuscitara. Isto estava incomodando tremendamente os inimigos do Evangelho. Se o corpo de Cristo pudesse ser encontrado em algum lugar, ninguém tenha dúvida de que ele seria apresentado ao povo, e isto serviria para colocar os discípulos na condição de mentirosos perante todos.
     Porém, as autoridades não tinham nenhum cadáver para apresentar, pois nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo vencera a morte e ressuscitara!

 
Jefferson Magno Costa

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

EM VEZ DE TER RESSUSCITADO, JESUS TERIA TIDO O SEU CORPO ROUBADO?

Jefferson Magno Costa
     Sabedores de que a vitória de Cristo sobre a morte foi o acontecimento que determinou o início da propagação do Evangelho no mundo, e estabeleceu a base de confirmação e segurança para a pregação da Igreja, os inimigos do Cristianismo têm desfechado inúmeros ataques contra o grandioso acontecimento da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, afirmando que esse sublime e único evento jamais aconteceu. E na intenção de conseguirem seu intento diabólico, eles inventaram várias teorias.
     A primeira delas começou a circular em Jerusalém no próprio dia em que Cristo ressuscitou. Foi a teoria do roubo do corpo.

O CORPO DE CRISTO TERIA SIDO ROUBADO?
     Na tentativa de invalidarem o testemunho do túmulo vazio, os principais sacerdotes e anciãos judeus deram dinheiro aos guardas que lhes haviam trazido a notícia de que o corpo de Jesus tinha desaparecido do túmulo, e instruíram os guardas a sair contando que os discípulos de Jesus haviam aparecido de noite e roubado o corpo, enquanto eles dormiam.
     O episódio foi registrado por Mateus (28.11-15): “E, indo eles, eis que alguns da guarda foram à cidade e contaram aos principais tudo o que sucedera. Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram, enquanto dormíamos. Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até o dia de hoje.”
     Ora, essa desonesta intenção de tentar explicar porque o túmulo de Jesus aparecera vazio ao terceiro dia baseou-se em uma história tão flagrantemente mentirosa, que o evangelista Mateus nem sequer perdeu tempo em refutá-la: qualquer pessoa daquela época poderia descobrir que aquela história dos guardas era falsa. Bastava considerar os seguintes aspectos da questão:

O DEVER DOS SOLDADOS
     Conforme argumentou o genial e inspiradíssimo teólogo africano Aurélio Agostinho, dormindo ou acordados, os guardas seriam condenados à morte por terem deixado o corpo de Cristo ser roubado; teriam sido presos e executados caso as autoridades judaicas não tivessem intercedido por eles. “Se estavam acordados, por que deixaram alguém roubar o corpo de Jesus? E se estavam dormindo, como poderiam declarar que foram os discípulos que furtaram o corpo de Jesus?”, pergunta Agostinho. Ninguém sabe o que está acontecendo quando se está dormindo.
     Adormecidos, como os guardas poderiam afirmar que o corpo de Cristo havia sido roubado, se eles nada estavam vendo, e que provas poderiam apresentar contra os apóstolos, quando se sabe que quem está dormindo nenhum conhecimento tem do que sucede ao seu redor?
     O apologistra norte-americano Paul Little, destacando a falsidade dessa história, pergunta: “Que delegado ou juiz lhe daria ouvidos se o leitor dissesse a ele que durante o seu sono o vizinho tinha entrado na sua casa e roubado o seu televisor? Um testemunho desta espécie seria alvo de galhofa em qualquer tribunal.”

O CARÁTER DOS APÓSTOLOS
     O segundo argumento que esmaga a teoria do roubo do corpo de Jesus está alicerçado no caráter dos apóstolos. Nem os mais violentos críticos racionalistas duvidam hoje da honestidade daqueles homens. Violar a sepultura do Mestre e roubar o seu corpo era algo que se chocava violentamente com tudo o que eles haviam aprendido com o próprio Jesus.
     Os discípulos eram incapazes de praticar tal coisa. Diante deles existiam duas barreiras: a ética e a psicológica. Violar sepulturas era um crime entre os judeus e entre os romanos. As leis romanas condenavam à morte os ladrões de sepulcros.
     Além do mais, com que finalidade os discípulos roubariam o corpo de Jesus? Com o propósito de saírem pregando que Cristo ressuscitara? Que vantagem eles tirariam disso? Nenhuma; só desvantagens, tanto nesta vida (as perseguições e mortes sofridas pelas discípulos e pela Igreja nos três primeiros séculos do cristianismo), como na outra: o castigo eterno reservado a todos os mentirosos.
     Aliás, se Cristo não tivesse ressuscitado, os discípulos teriam se considerados enganados pelas muitas afirmações de Jesus quanto à sua ressurreição, e esperado inutilmente que Ele ressurgisse dentre os mortos. Caberia a eles colaborar com quem os enganara? De forma nenhuma!
     Devemos atentar também para o fato de que a afirmação: “Cristo venceu a morte e está vivo outra vez!” custou a vida de milhões de pessoas, a começar pelos discípulos, desdobrando-se na execução de milhares de pessoas convertidas ao Evangelho nos primeiros séculos da história da Igreja, mediante essa pregação.
     Seriam os discípulos destituídos de sentimentos a ponto de, com indiferença, verem morrer tantas pessoas inocentes (inclusive muitos parentes deles mesmos), pelo simples fato de elas terem confessado sua fé na pregação deles sobre um homem que fora crucificado, mas que na verdade não ressuscitara? Não! Eles jamais fariam tal coisa.
     E lembremo-nos de que os próprios discípulos também sofreram na pele as consequências da afirmação de que Cristo ressuscitara: foram perseguidos, castigados e mortos. Se o que pregavam sobre o Cristo ressurreto fosse mentira, eles não teriam persistido nessa mentira até à última consequência, a morte.
     Sobre este aspecto da questão, assim comentou um historiador norte-americano: “Cada um dos discípulos enfrentou a prova da tortura e do martírio pelas suas afirmações e suas crenças. Os homens morrerão por aquilo que eles creem ser verdadeiro, ainda que isso seja efetivamente falso. Não morrem, contudo, pelo que sabem ser uma mentira. Se alguma vez um homem falará a verdade, será na hora da sua morte.”
     O filósofo francês Blaise Pascal costumava dizer: “Eu acredito em testemunhas que se deixam matar.” Ou seja: ele acreditava em testemunhas que morrem afirmando aquilo em que creem. E tanto os discípulos de Jesus como milhões de crentes, durante principalmente os três primeiros séculos do cristianismo, foram duramente perseguidos e mortos, mas partiram para a eternidade afirmando uma coisa: Que Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morrera, mas ao terceiro dia ressuscitara dentre os mortos!
     E esta esperança está dentro de todos nós, os que O aceitamos como Salvador: Os que morrerem fiéis ao que Ele ensinou, e convictos da salvação que Ele nos trouxe, ressuscitarão um dia para reinar com Ele no Céu!
     Portanto, os discípulos jamais poderiam ter roubado o corpo de Jesus para depois se tornarem testemunhas de uma mentira. Não! Eles eram testemunhas oculares de uma verdade (At 1.22;3.15;13.30,31; 1 Co 9.1;15.11).

AS IMPOSSIBILIDADES FÍSICAS QUE IMPEDIAM DE OS DISCÍPULOS ROUBAREM O CORPO DE JESUS
     Além das barreiras psicológica e ética que impediam os discípulos de roubarem o corpo de Jesus, existiam também as impossibilidades físicas. Ei-las:
     a) Os discípulos teriam de se aproximar do túmulo sem serem vistos pelos guardas, e isto era praticamente impossível, pois durante aqueles três dias, nada em toda a Palestina estava sendo tão bem guardado como o túmulo de Cristo;
     b) A hipótese de que para roubarem o corpo de Jesus os discípulos tiveram de enfrentar e vencer os guardas é ridícula: como simples homens, sem preparo militar ou habilidade no uso de armas, poderiam enfrentar e vencer soldados romanos bem armados, atentos e experientes?
     c) A hipótese de corrupção também é outra que deve ser descartada. Os guardas jamais concordariam em se deixar subornar pelos discípulos, pois teriam em seguida de dar explicações às autoridades sobre o desaparecimento do corpo de Jesus. Receber dinheiro dos discípulos e deixá-los violar a sepultura e roubar algo que estava sob o cuidado deles é de todo inadmissível, quando consideramos a rigorosa disciplina romana com relação às sentinelas.
     A guarda que Pilatos entregara aos principais sacerdotes e fariseus para vigiar o túmulo de Jesus sabia que qualquer negligência naquele serviço resultaria em pena de morte. A sentinela que fosse encontrada dormindo no posto de vigilância era condenada à morte pelas leis romanas. Comandando os soldados estava um centurião.
     Segundo antigos escritores, esse homem chamava-se Petrônio. Certamente ele era o mesmo que reconhecera a divindade de Jesus, quando o Salvador expirou no Calvário (Mt 27.34).
     Como soldados do Império Romano, treinados sob rigorosa disciplina, o centurião e os seus comandados tinham todas as condições de cumprir as ordens do Governador. Todos eles haviam jurado lealdade ao César, e Pilatos representava naquele caso a pessoa do Imperador.
     Segundo comentário de um erudito católico, nunca um “criminoso” havia causado tanta preocupação, mesmo depois de ter sido executado. A preocupação em evitar que o corpo de Jesus fosse roubado era tanta, que eles selaram a grande pedra que fechava a entrada da sepultura com o selo imperial de Roma (Mt 27.66).
     Mostrando ser impossível a hipótese do suborno dos soldados romanos pelos discípulos, e destacando a importância que o selo sobre a pedra do túmulo tinha para os soldados, assim comentou o professor Alberto Roper:
     “O selo romano, fixado à pedra que tapava o túmulo, era para eles muito mais sagrado que toda a filosofia de Israel ou a santidade de seu antigo credo. Soldados que tinham suficiente sangue frio para lançar sorte sobre a túnica de uma vítima agonizante, não são a classe de homens que se deixa enganar por tímidos galileus, nem tampouco arriscam seus pescoços romanos dormindo no posto.”

A IMPOSSIBILIDADE DE OS DISCÍPULOS TEREM CAVADO UM TÚNEL ATÉ O CORPO DE JESUS
     Sendo impossível os discípulos se aproximarem do sepulcro de Cristo sem serem vistos pelos guardas, temos que considerar também a impossibilidade de eles terem cavado um túnel na rocha em tão pouco tempo e sem serem ouvidos.
     Porém, caso isso tivesse acontecido, teriam ficado os sinais: o túnel aberto pelos discípulos teria sido apresentado pelas autoridades judaicas como prova de que os discípulos haviam roubado o corpo de Cristo, e em seguida passado a pregar uma ressurreição forjada, falsa.
     Mas as autoridades nada puderam apresentar, pois não havia nada que levasse qualquer pessoa em Jerusalém a aceitar a absurda teoria do roubo do corpo de Jesus. O nosso Salvador, acima de qualquer dúvida, havia ressuscitado!
Jefferson Magno Costa

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A INFLUÊNCIA CULTURAL E ESPIRITUAL DA MÚSICA

    Jefferson Magno Costa    
     “Cantemos o hino 124 da Harpa Cristã.” De harpas em punho, a igreja entoa solenemente o hino Adoração, e, pouco a pouco, as vozes unidas adquirem tonalidades de céu, mar, cedros, grama verdejante. O culto está iniciado.
     O sentimento de louvor e adoração se apossa suavemente do coração de todos: homens, jovens, velhos e meninos louvam o Redentor. Ventos, chuvas, raios e trovoadas; sol, lua e coros estelares são convocados para esta adoração. Um mesmo sentimento une a igreja através da mais arrebatadora e espiritual das artes: a música.
     O que é a música? De que modo ela consegue traduzir os sentimentos e aspirações do ser humano, como ocorre nesse culto onde está sendo cantado o hino 124? Que lugar ela ocupa na cultura evangélica? Que formas tem assumido no decorrer de sua evolução entre nós?
     Responder estas perguntas implica em fazer um exaustivo e cuidadoso estudo da origem, evolução e influência da música, tanto do ponto de vista geral, da humanidade, como do ponto de vista particular, nosso, dos evangélicos – tarefa que está muito acima dos nossos conhecimentos e recursos críticos.
     Porém, na esperança de que este trabalho motive o surgimento de outros – criteriosos e científicos como devem ser os trabalhos sobre um tema tão importante – façamos, assim mesmo, algumas considerações sobre a música.

ESSÊNCIA E ORIGEM DA MÚSICA

     A essência da música, ou o belo musical, reside na feliz harmonia dos sons consonantes e dissonantes, e na intensidade de penetração da emoção transmitida. (São considerados sons consonantes aqueles que produzem impressão agradável ao ouvido; inversamente, os sons dissonantes são aqueles que produzem sensação desagradável).
     De acordo com o tom em que é executada – o tom maior é próprio de canções tristes e melancólicas – a música pode vibrar o nosso coração e a nossa alma, ou transportar-nos às regiões eternas e nos aproximar de Deus. Alguém chegou a dizer que a música é um pouco do Céu sobre a Terra. (Esse pensamento não vale para toda e qualquer música, é evidente).
     Jacques Stehman, historiador francês, afirmou que a música foi a primeira linguagem do homem primitivo. Durante longos séculos permaneceu como oração, utilizada na invocação à divindade. Finalmente, misturando-se com o mundo profano, tornou-se também um divertimento.
     Porém, não se sabe exatamente quando, nem como a música surgiu na Terra. Além dos anjos, que no Céu eternamente louvam o Senhor, é possível que os portentosos ruídos da Criação tenham sido os componentes da grande orquestra que pela primeira vez encheu de sons o Universo.
     A música é de origem divina, e só Aquele que inspirou no homem todas as artes, sabe quando e como ela começou.
     As várias formas que a música tem assumido, desde os cantos dos rituais primitivos, passando pelo canto dos combatentes da Antiguidade, pela música dos festejos dionisíacos, pelas oferendas musicais dos povos antigos, pelos ajuntamentos festivos de rapazes e donzelas nos campos, vales e bosques, durante comemorações folclóricas, estão muito distantes da unção e sublimidade dos hinos cantados pela Igreja Primitiva nos subterrâneos das catacumbas de Roma; estão imensamente afastadas da tonalidade do canto gregoriano da liturgia católica, ou dos corais criados por Martinho Lutero, ou do sentimento que une os irmãos, ao cantarem: “Adorai o Rei do Universo/ Terra e Céus, cantai o seu louvor/”, ou da diabólica música do Kiss.
     O som e o ritmo, os elementos formais da música, são tão velhos como o homem. A harmonia e a melodia foram assimiladas posteriormente. Muitos historiadores supõem que o zumbido da corda do arco, o rumor do vento nas árvores e nos caniços, o cantar dos pássaros e os anseios espirituais do homem tenham sido os responsáveis pelo despertamento da sensibilidade humana para a música.
     Poeticamente alguém escreveu, falando do surgimento das artes entre os homens: “Adão foi o início da escritura, assim como Eva foi o começo da poesia. O desenho nasceu muito mais tarde. Nasceu talvez do remorso de Caim. E a música, de onde nasceu? A música nasceu da saudade que Adão sentiu de Abel.”
     Está provado que desde tempos imemoriais existe no homem um impulso natural para a música. Descobertas arqueológicas de baixos relevos egípcios mostram cantores e bailarinos a distraírem os faraós, em cantatas e desfiles rítmicos.
     A pintura, a escultura e as decorações de vasos e estampas constituem uma documentação preciosa das atividades musicais do homem da idade da pedra, do bronze, e das civilizações egípcia, grega, hindu, chinesa, e outras.
     Hoje, os museus do mundo inteiro expõem aos olhos dos estudiosos, liras sumerianas, sinos pré-babilônicos de argila e de metal, harpas, flautas e alguns instrumentos de percussão egípcios, trompas da idade do bronze, saltérios, alaúdes, chocalhos duplos, cornetas, e outros instrumentos não identificados.
     Alguns historiadores afirmam que os egípcios possuíram harpas de espantosa riqueza. Sobre madeiras raras, usadas na fabricação desses instrumentos, brilhavam o ouro, a prata e as pedras preciosas.
     Nas mãos dos gregos a música adquiriu uma dignidade e uma perfeição até então desconhecidas. Platão, um apaixonado por música, fez uma seleção das melodias de acordo com a influência que elas exerciam sobre o povo, indicando músicas para finalidades guerreiras, estimulantes e educativas.

A MÚSICA ENTRE OS JUDEUS

     Por ter surgido no meio de um povo profundamente marcado pelo sofrimento e peregrinações, a música judaica – ora incandescente e lírica, ora serenamente triste – acendeu a chama de esperança ou marcou os momentos de aflição do povo judeu.
     Nos tempos bíblicos, a música judaica foi ritualística, acompanhando o serviço sacrificial.
     Mas esteve também muito ligada à profecia, como no caso de Elias: “Ora, pois, trazei-me um tangedor. E sucedeu que, tangendo o tangedor, veio sobre ele a mão do Senhor”, 2 Reis 3.15; e no caso de Saul: 1 Samuel 10.10,11.
     A primeira referência a um músico na Bíblia encontra-se no livro de Gênesis, 4.21. Após o dilúvio, quem primeiro fez referência à música foi Labão, o sogro de Jacó: Gênesis 31.27. Os judeus comemoravam suas vitórias com cânticos de triunfo: Êx 15.1-21 e Jz 5.1-32. Davi, tangendo a harpa, fazia com que um espírito deixasse de atormentar Saul: 1 Sm 23.16.
     Célebre era a festa da Retirada da Água em Sucot, quando uma enorme multidão, que se reunia no pátio das Mulheres do Templo de Jerusalém, cantavam canções de alegria e louvor, empunhando lanternas acesas e carregando jarras de água nos ombros, enquanto os levitas executavam músicas com a lira, a harpa, os címbalos, as trombetas e inúmeros outros instrumentos.
     O historiador Natham Ausubel informa que “embora cerca da metade dos 150 hinos incluídos no Livro de Salmos fossem destinados (conforme indicam as inscrições sobrepostas e as instruções que neles se encontravam) a serem cantadas com acompanhamento instrumental pelos coros levitas no serviço do Templo no Monte Sion, e embora haja mesmo uma certa base para se crer que cada um deles deveria ser cantado segundo um modo musical específico, bem conhecido dos judeus daquela época, não existe qualquer indicação de quais seriam as melodias ou entonações”.
     A música judaica iria inspirar toda a sublime criação musical do cristianismo. Na Igreja Cristã ela teria o seu conceito dilatado. O teólogo Ambrósio (séc. IV) assim a definiu:
     “A música e a poesia são as duas asas com as quais a alma, movida pela esperança, pelo arrependimento e pelo amor, é transportada até Deus. A harmonia dos Céus e da Terra é um concerto do Universo, no qual os poderes celestes, as cortes dos eleitos, todo o coro da Criação e até as ondas dos mares tomam parte. As vozes dos homens, das mulheres e das crianças, que soam nos salmos e nos responsórios, parecem-se com o murmurar das águas”.
CRISTIANISMO E MÚSICA
     Disse Jacques Stehman que “a ciência musical evoluiu através da execução da música ao longo dos séculos”. Os mais antigos cânticos cristãos são os Salmos, que proveem do culto hebraico. Os primeiros cristãos imitaram a salmodia dos judeus, acentuando o ritmo das palavras num recitativo.
     É importante sabermos que os mais antigos trabalhos da música cristã pertencem à liturgia católica. O Kyrie (composto e utilizado pela Igreja desde as origens do Cristianismo), o Sanctus (séc. II), o Criste (séc. IV), o Te Deum (séc. VI) e o Glória (séc. XI), são as mais antigas criações musicais do Cristianismo. Os estudiosos reconhecem que o Te Deum é uma composição poética e musical de grande magnitude. É o hino principal de ação de graças da liturgia católica.
     Segundo Friedrich Herzfel, musicólogo alemão, “o canto gregoriano (usado na liturgia católica) é a base da música civilizada de hoje. Para trás dele, embora se encontrem princípios científicos e formais de importância e uso constante, é outro mundo musical, sem ligação com o mundo presente. Todas as formas melódicas empregadas nas obras-primas da música clássica, romântica e moderna se encontram no canto gregoriano”.
     Foi Gregório Magno (Gregório I), doutor da Igreja, nascido em Roma no ano de 540, o criador do canto que hoje é conhecido como gregoriano. Ele reuniu todos os cantos da Igreja Romana num volume denominado Antifonário Autêntico, que segundo escreveu Luiz de Freitas Branco, “continha todas as cerimônias rituais do ano eclesiástico, dispostas pela ordem do culto, e ficava preso ao altar-mor da Igreja de São Pedro em Roma, com uma cadeia de outro para indicar que serviria de modelo e norma para o canto de toda a cristandade”.
     Os cantos gregorianos eram estritamente vocais, sendo vedada a utilização de quaisquer instrumentos, considerados pelos antigos padres como “utensílios de demônios”. Tinham caráter rigorosamente monódico, ou seja: todos os elementos do coro cantavam simultaneamente a mesma linha melódica, na mesma altura.
     Conforme reconhecem os maiores musicólogos cristãos, eram adaptações bem próximas dos antigos modos de canto da Torah, ouvidos na sinagoga.
     O canto gregoriano, purificado, decantado pelos religiosos daquela época, é o reflexo de uma vida espiritual muito elevada.
     Coube a Martinho Lutero criar o gênero coral protestante. É necessário fazermos aqui um paralelo entre os corais compostos ou traduzidos por Lutero, e os hinos da Harpa Cristã e do Cantor Cristão.
     Entre os hinos que cantamos, há alguns trazidos do folclore nórdico. Bom seria que se fizesse um estudo aprofundado sobre a gênese dos hinos evangélicos, que em sua maioria foram traduzidos do inglês ou do espanhol, e alguns deles traduzidos, inicialmente, de outras línguas para o inglês.
     É importante considerar o fato de que Lutero mudou radicalmente a atitude de seus contemporâneos religiosos com relação à música, indo buscar inspiração nas melodias populares (ou foclóricas) alemãs.
     Por compreender a importância da música no culto divino, e a necessidade da participação dos fiéis nos cânticos de louvor a Deus, ao empreender a Reforma, Lutero restabeleceu o uso do canto congregacional, que havia sido abandonado por volta do século VI ou VII.
     Lutero escreveu 36 hinos, entre textos de inspiração própria, traduções e versificações de passagens bíblicas. O teólogo e pedagogo Comenius comentou que os cantos luteranos tinham atraído mais gente para a Reforma do que os próprios sermões e escritos teológicos de Lutero.
     Criticado por se inspirar nas melodias populares alemãs, e não utilizar o latim ao escrever suas letras, Lutero respondeu que não via “qualquer razão para o diabo ficar com todas as melodias bonitas”. Os títulos de seus hinos muito se assemelham aos títulos de nossos hinos, e estão astronomicamente afastados dos cantos da liturgia católica.
     Além do Castelo forte é o nosso Deus, ele escreveu Alegrai-vos cristãos; Senhor Deus nós te louvaremos, Da mais profunda dor eu clamo a Ti, Sê louvado Jesus Cristo, Cristo jazia nos laços da morte, Rogamos ao Espírito Santo, Conserva-nos, Senhor, junto da tua Palavra.
     A música sacra influenciou todos os grandes mestres da música clássica. Johan Sebastião Bach, com seus Oratórios do Natal e da Páscoa, suas duas Paixões, e seus inúmeros Prelúdios sobre corais; Haendel, com o seu oratório O Messias (o Aleluia é um coro desse oratório) e outras obras; Schubert, com suas Missas, e também Haydn, e Liszt, e muitos outros, devem à música sacra grande parte da monumentalidade de suas obras.
Jefferson Magno Costa

12 PROVAS DE QUE JESUS NÃO FOI UM HOMEM IGUAL A MIM E A VOCÊ, E SIM O PRÓPRIO DEUS ETERNO QUE NOS VISITOU

Jefferson Magno Costa
     Jesus está acima de todas as grandes personalidades que marcaram a história da humanidade. Ele é superior a todas elas. Ao aparecer no mundo, o impacto que ele causou foi tão grande que a História foi dividida em antes e depois dele. Jesus não foi uma pessoa igual a mim ou a você, ou a qualquer grande nome da história. Ele é inigualável. Eis 12 provas disto.

1a. prova - JESUS DISSE QUE CRER NELE É O ÚNICO CAMINHO PARA A SALVAÇÃO
     Quem tem poder de salvar, a não ser Deus? Jesus Cristo afirmou ser Deus ao declarar: “Por isso quem Crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36).
     Ele mostrou que é igualmente importante crer em Deus e crer nele: “...crede em Deus, crede também em mim” (João 14.11).
Mas por que razão nossa fé deve ser projetada nele? Jesus nos diz o porquê: “...Eu sou o caminho, e a verdade e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Sendo Deus, Jesus mostra o valor do seu nome: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14.13,14).

2a. prova - JESUS DISSE QUE DEVEMOS AMÁ-LO ACIMA DE TUDO
     Jesus Cristo exigiu também para com a Sua pessoa o mesmo amor que devemos ter para com Deus: um amor que deve estar acima de todas as coisas. Ora, se por acaso Cristo não fosse Deus ou não tivesse consciência de sua divindade, faria ele exigências tais como suportar com alegria e perseverança as perseguições, por amor a Ele? Mateus 5.11,12: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, pois é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”.
     Por amor a Ele devemos, se necessário, sacrificar nossa própria vida (Mateus 10.39; 16.24,25). Devemos amá-lo mais do que aos nossos próprios parentes (Mateus 10.37).
      Só quem tem consciência de ser Deus faria tais exigências, e Jesus Cristo as fez por ser o próprio Deus visitando a humanidade por Ele criada.
    E o número dos que o amam, o servem e morrem na esperança de um dia ressuscitar e reinar com Ele é cada vez maior – fato que não ocorre na vida de simples homens!
     “Por que caíram todos os impérios da Antiguidade?” perguntou um antigo historiador. “Por que a consciência humana não palpita ao recordar os heróis que já passaram? A força e a política, o talento e as riquezas aliaram-se em algumas ocasiões para sustentar esses tronos que pareciam eternos? 
     Como é que apesar de contar com todos os recursos humanos, nenhuma instituição, nenhum império sobreviveu na história? Porque eram obra do homem, e o homem e tudo quanto lhe pertence leva impresso o selo do transitório e do perecedouro; a mão do tempo fere sem cessar os organismos mais fortes e acaba pondo-os em ruína, fim das grandezas humanas.”
     Sim, reis, conquistadores, impérios e governos caíram, porque não eram Deus nem de Deus. Só Jesus Cristo é um Sol sem ocaso, luz irradiante que brilha sempre com a mesma intensidade, sem que o tempo, as perseguições e a descrença tenham podido diminuir seus fulgores.
     O Reino de Jesus Cristo não tem fim, e um número cada vez maior de seres humanos continua sendo alcançado por sua obra redentora realizada há dois mil anos na cruz do Calvário. Seu nome está sendo a cada dia mais pronunciado, e sua mensagem se apossa dia a dia do coração da humanidade, e está hoje mais viva e vitoriosa do que nunca!
 
3a. prova - JESUS REALIZOU MILAGRES EM SEU PRÓPRIO NOME
     Jesus deixou bem claro que realizava milagres em seu próprio nome, como um ato de sua vontade: “E eis que um leproso, tendo-se aproximando, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo de sua lepra” (Mateus 8.2,3).
     Os milagres aconteceram através da fé que os doentes tinham no poder de Jesus Cristo: “Tendo ele entrado em casa, aproximaram-se os cegos, e Jesus lhes perguntou: Credes que eu posso fazer isso? Responderam-lhe: Sim, Senhor. Então lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé” (Mateus 9.28,29). E os cegos foram curados!
 
4a. prova - JESUS CUROU TODO TIPO DE DOENÇAS
     “E vieram a ele multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos, e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou” (Mateus 15.30). Veja também Mateus 11.4,5.
 
5a. prova - JESUS DEMONSTROU TER DOMÍNIO SOBRE A NATUREZA
     Ele revelou ser o próprio Deus entre nós, ao exercer domínio sobre a Natureza: “Acudiu-lhes então Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mateus 8.26,27). Veja também 14.25-33.

6a. prova - OS PRÓPRIOS DEMÔNIOS TEMIAM E OBEDECIAM JESUS
     “Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus. Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai desse homem. Então o espírito imundo, agitando-o violentamente, e bradando em alta voz, saiu dele. Todos se admiravam, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isso? Uma nova doutrina? Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” (Macos 1.23-27). Veja também Mateus 8.16.

7a. prova - JESUS CONCEDEU ESSES PODERES AOS SEUS DISCÍPULOS
     Jesus Cristo delegou poder e autoridade aos seus discípulos, permitindo-lhes que realizassem os milagres que Ele realizava, e expulsassem demônios:
     “Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir, e para curar toda sorte de doenças e enfermidades” (Mateus 10.1). Veja também Mateus 10.8; Marcos 16.17,18.
    "Então regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano” (Lucas 10.17-19).
     Observe-se que todos os discípulos estavam conscientizados de que o poder de realizar milagres não estava neles, e sim emanava de Jesus Cristo, da fé que depositavam no nome do Salvador. É o que prova o episódio da cura do coxo na porta do templo, chamada Formosa (Atos 3.1-16).
     Após o milagre, Pedro disse no seu discurso ao povo: “Pela fé em o nome de Jesus, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé que vem por meio de Jesus, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós” (Atos 3.16). Veja também Atos 9.32-40.

8a. prova - JESUS AFIRMOU E DEMONSTROU TER PODER DE RESSUSCITAR MORTOS
     Esse poder está nele, e Jesus ressuscita a quem Ele quiser: “Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer” (João 5.21). João 11.25:
     “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” Veja também Lucas 7.11-17 (a ressurreição da filha de Jairo), e João 11.1-53 (a ressurreição de Lazáro).

9a. prova - JESUS AFIRMOU TER PODER DE RESUSCITAR A SI MESMO
     “Por isso o Pai me ama; porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu pai” (João 10.17,18).

10a. prova - JESUS AFIRMOU TER PODER DE PERDOAR PECADOS
      Sendo Deus, Jesus Cristo é o único que tem poder de perdoar pecados: “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seus corações: Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? Qual é mais fácil, dizer ao paralítico: estão perdoados os teus pecados? Ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados – disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa. Então ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim” (Marcos 2.5-12). Veja também Lucas 5.20-26, e 7.48-50.
     Jesus Cristo é Deus! Nenhum ser humano, em toda a história da humanidade, ousou fazer semelhantes afirmações sobre sua própria pessoa, e provou a veracidade dessas afirmações, conforme fez Jesus. 
     Ao examinarem os testemunhos que Ele deu de si próprio, ao considerarmos o poder, a majestade e o supremo domínio demonstrados por Ele, temos de reconhecer que, apesar de humano, Ele possuía uma segunda natureza: Era o próprio Deus entre nós.

11a. prova - JESUS AFIRMOU SER A LUZ DO MUNDO
     “De novo lhe falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8.12).

12a. prova - JESUS AFIRMOU SER O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA
     “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim” (João 14.6).
     Portanto, Jesus não foi simplesmente um homem, conforme se convenceu o imperador Napoleão Bonaparte. Ele é o centro do universo. Ele é maior do que o universo. Jesus é Deus!
Jefferson Magno Costa

domingo, 20 de novembro de 2011

O HOMEM QUE AFIRMOU SER O FILHO UNIGÊNITO DE DEUS

Jefferson Magno Costa
     Jesus afirmou ser o Filho de Deus no sentido próprio e natural, ou seja, sua natureza é substancialmente a mesma que a do Pai. Ele não se denominava Filho de Deus tão-somente no sentido moral (que não passa de uma filiação adotiva), segundo afirmam alguns críticos, ou no sentido puramente legal, conforme afirmam outros, e sim no sentido substancial, essencial.
     Jesus afirmou que viera diretamente do Pai: “... porque eu vim de Deus e aqui estou...” (João 8.42b); “Vim do Pai e entrei no mundo...” (João 16.28a); “Eu o conheço, porque venho da parte dele e fui por ele enviado” (João 7.29).
     Afirmando ser Filho de Deus, Jesus não estava querendo dizer que isto significava ser Ele mais um homem cujo estreitíssimo relacionamento religioso com o Criador o autorizava a usar aquele título.
     Se assim o fosse, muitos outros homens poderiam usá-lo, e nesse aspecto seriam iguais a Jesus. Não. Jesus não se apresentou simplesmente como “um Filho de Deus” e sim como O FILHO DE DEUS, o Unigênito, o único, co-igual e co-eterno com o Pai: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: Antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8.58).
     Em sua oração sacerdotal, Jesus disse: “...e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (João 17.5).
     Portanto, a sua filiação é diferente da filiação que cabe a todos nós. Ele sempre se colocou à parte, usando a expressão Meu Pai e não Nosso Pai, ao falar com os discípulo. Quando tinha algo a dizer-lhes, usava a expressão Vosso Pai, pois a filiação dele para com seu Pai não era a mesma dos discípulos para com Deus Pai.
     Houve ocasiões em que Ele deveria se incluir coletivamente na filiação divina com os discípulos (“nosso Pai”). Mas não o fez: “então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai...” (Mateus 25.34a); “E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto convosco no reino de meu Pai” (Mateus 26.29); “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai...” (Lucas 24.49a).

OUTRO TÍTULO DA DIVINDADE DE JESUS: FILHO DO HOMEM
     Jesus também se apresentou como o Filho do homem, e algumas pessoas usaram essa expressão referindo-se a Ele. Trata-se de um título messiânico. Jesus sabia que viera ao mundo em cumprimento das profecias do Antigo Testamento acerca do Messias.
     Daniel usou a expressão "Filho do homem" no seu livro (Daniel 7.13,14), e ela também denota que seria divino aquele que a ela faria jus: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do homem, e dirigiu-se ao Ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.
     Foi-lhe dado domínio e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.”
     Portanto, o título "Filho do homem" também prova a divindade de Jesus. Quando Estevão estava sendo apedrejado (observe-se que nesta época Jesus Cristo já havia subido ao Céu, para ficar ao lado do Pai) exclamou: “...Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé à destra de Deus” (Atos 7.56).      Estevão estava vendo Jesus, e usou um dos títulos indicadores de sua divindade: Filho do homem.
     Observe-se que esse foi também o título que Jesus Cristo usou diante do Sinédrio e do sumo sacerdote para afirmar sua divindade (Marcos 14.61-63).
     Em várias outras ocasiões, Jesus usou esse título referindo-se à sua pessoa, e reafirmando ser Ele o próprio Deus: Mateus 8.20: “Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis e as aves dos céus, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”; 9.6: “Ora, para que saibas que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados...”; 12.40: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do homem estará três dias e três noites no coração da terra”; 13.41: “Mandará o Filho do homem os seus anjos...”; 17.9: “E, descendo eles do monte, ordenou-lhe Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem ressuscite dentre os mortos”; 24.27: “Porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem”; 24.30: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória”. (Veja também Mt 11.19; 16.13; 20.18; Lc 18.8; 19.10; 21.36 e 22.48.).


Jefferson Magno Costa

sábado, 19 de novembro de 2011

QUANDO DEUS SE FEZ HOMEM E NOS VISITOU

Jefferson Magno Costa
     Ao ser preso na Ilha de Santa Helena, Napoleão Bonaparte escreveu a um amigo: “Conheço os homens, e garanto-te que Jesus Cristo não foi simplesmente um homem.” E no seu Memorial de Santa Helena, o imperador que vencera tantas batalhas e agora estava ali naquela ilha, prisioneiro e vencido, reconheceu:
     “Apaixonei as multidões que morriam por mim; mas era indispensável minha presença, a chama do meu olhar, minha voz, uma palavra minha... Agora que estou em Santa Helena, só e exilado neste rochedo, onde estão os cortesãos do meu infortúnio? Onde estão os que me acompanhavam? Para onde foram os meus ministros? Quem se recorda de mim? Quem se move por mim na Europa? Onde estão os meus parentes, os meus amigos? Que abismo tão grande entre a minha profunda miséria e o reino de Jesus Cristo, mais e mais louvado, a cada dia mais amado, sempre e para sempre adorado em todo o Universo!”
     Jesus não se apresentou ao mundo somente como o Messias prometido ao povo judeu, e sim como o Filho de Deus, como o próprio Deus que se fez homem e veio habitar entre nós, “cheio de graça e de verdade” (João 1.14b) para nos salvar.
     Estudando atentamente sua vida, é maravilhoso vermos como Ele atrai a atenção de todos para Si mesmo, conforme reconheceu o próprio imperador Napoleão Bonaparte. 

     O desenrolar de sua existência entre nós, a sublimidade de sua doutrina, a magnitude e os efeitos de sua obra redentora sobre a humanidade provam que Ele não foi um mero acidente histórico, como os demais homens, e sim Deus que se fez homem e veio habitar entre os seres humanos, para reconduzi-los a Deus, ou seja: A Si mesmo.

NEGADORES DA DIVINDADE DE JESUS
     Porém, ao longo dos séculos, Satanás tem inspirado a descrença no coração de muitos seres humanos, levando-os a afirmar que Jesus Cristo não é Deus. Muitos o admitem como profeta, legislador, revolucionário e até como Messias, mas não como Deus.
     A divindade de Jesus foi negada de forma sistemática no século II pelos cerintianos e ebionitas, no século IV pelos arianos, no século XVI pelos socianos, e, em todos os séculos, pelos racionalistas.
     Em 1863, o escritor francês e professor de hebraico Ernest Renan publicou o polemíssimo livro A Vida de Jesus, com o propósito de provar que Jesus Cristo fora simplesmente um homem, produto de sua época. Nessa obra, Renan afirma que nos Evangelhos “Jesus jamais declara a idéia sacrílega de que ele seja Deus”.
      Jean Stapfer, outro escritor francês, seguindo o mal exemplo de Renan, afirma também que “Jesus não foi mais que um homem”. O escritor alemão Johanes Wernle, encabeçando em sua pátria a lista dos modernos negadores da divindade de Jesus, disse que Cristo apresenta-se nos Evangelhos “com o sentimento da distância em que toda criatura está de Deus”.
     Portanto, estes e centenas de outros escritores racionalistas e materialistas disseram que Jesus nunca afirmou ser Deus. Veremos, porém, que esses homens estavam e estão enganados. Pois Jesus Cristo afirmou ser Deus. Nenhum líder religioso reconhecido ousou fazer tal afirmação.
     Nem Moisés, nem Buda, nem o apóstolo Paulo, nem Confúcio, nem Maomé, nem Allan Kardec afirmaram ser Deus. Só Jesus Cristo afirmou, e apresentou provas disto. O escritor norte-americano F.J. Meldau, diante do assunto, tece o seguinte comentário:
     “Os ensinamentos de Jesus eram a última palavra, finais – acima dos de Moisés e dos profetas. Ele nunca acrescentou melhoras ou revisões a seus pensamentos; nunca se retratou ou mudou de opinião; nunca falou demonstrando insegurança, incerteza. Isto é absolutamente contrário ao procedimento dos líderes e mestres humanos.”

 
Jefferson Magno Costa

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A LITERATURA EVANGÉLICA E A LÍNGUA PORTUGUESA

Jefferson Magno Costa  
     Ninguém hoje espere ingenuamente tornar-se um escritor hábil, seguro de seu ofício e influenciador de sua geração sem, antes, esforçar-se para conhecer as regras e as riquezas expressionais de sua língua.
     Só conseguiremos atuar impactante e eficientemente como escritores evangélicos se nos esforçarmos para redescobrir e dominar os amplos recursos da língua portuguesa.
     É nosso dever estudá-la permanentemente, com a mesma persistência que o aclamado poeta François Coppé demonstrou no estudo do francês. Ele chegou a responder a uma norte-americana que lhe perguntou se ele falava inglês: “Não, minha senhora... Continuo a aprender francês”.
     A língua que foi enaltecida por Camões, Vieira, Bernardes, Herculano, Camilo, Garret, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Drummond, Florbela Espanca, Henriqueta Lisboa, Cecília Meireles e tantos outros escritores notáveis necessita hoje mais e mais de embaixadores evangélicos que a enobreçam, enriqueçam, prestigiem e divulguem-na pelo mundo inteiro por meio de obras-primas de interesse cristão e universal.
     Assim fizeram em inglês os nossos irmãos em Cristo John Bunyan, com O Peregrino; John Milton, com O Paraíso Perdido; C. S. Lewis, com a série Nárnia e outras obras. Isto só para citarmos alguns dos grandes escritores evangélicos que escreveram e ultrapassaram as fronteiras evangélicas, conquistando também milhares de leitores no mercado secular.
     Nós, escritores evangélicos, estamos em dívida para com nossa língua, a portuguesa; língua que o poeta Manuel Bandeira usou para, em um soneto, honrar o imortal autor de Os Lusíadas. Disse Bandeira:

A CAMÕES

Quando n'alma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil tristeza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões assinalados.

     Escrever é preciso. Sim, mas escrever com arte, com profissionalismo, com clareza, objetividade, concisão e eficiência. Escrever, acima de tudo, para a glória de Deus. Escrever como um ato sacrificial, ministerial, holocausteando o nosso talento, o nosso dom Àquele de quem recebemos esse talento. Devemos apresentar-nos como sacerdotes diante do Senhor; diante desse mesmo Deus que inspirou Moisés, Davi e Isaías, e abriu apocalíptica e esplendorosamente os mistérios do Céu para o apóstolo João, na ilha de Patmos.
      Nós, que temos um lastro, uma herança tão rica e tão bela, composta de obras literárias que vêm sendo escritas por exímios artistas da palavra, estamos hoje, em muitos aspectos, em uma situação de lamentável desconhecimento, não aproveitando as riquezas do nosso idioma.
     Mas sejamos perseverantes. Leiamos os clássicos. Estudemos a língua portuguesa. Façamos tudo isto para honra, glória e enaltecimento do soberano, sublime e doce nome de Jesus.
Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

AS MARCAS DA PERFEIÇÃO DE DEUS ESPALHADAS NO UNIVERSO

Jefferson Magno Costa

     Certa vez um homem que se dizia ateu, durante uma viagem ao Oriente, viu pela manhã o árabe que conduzia a caravana ocupado em suas orações. Intencionando embaraçar o árabe, o ateu aproximou-se e perguntou-lhe em tom de zombaria:
     — Como sabes tu que Deus existe?
     O condutor de caravanas respondeu, sem alterar o tom da voz:
     — Quando observo a areia do deserto, posso facilmente saber pelas pegadas se passou um homem ou um animal. Igualmente, quando observo o mundo, a natureza ao meu redor e o Céu, posso afirmar que por eles passou a mão de Deus.
     Sim. Os Céus, a Terra e a vida que há em nós proclamam a glória e a existência de Deus. Contemplando a vastidão dos mares, a imensidão dos céus e a admirável harmonia reinante no Universo, o homem sabe que não é o criador de tanta grandeza, e conscientiza-se de sua pequenez e da insignificância de suas forças.
     Se estiver entre as pessoas que vivem na incerteza da existência do Criador de tantas maravilhas, exclamará, repetindo as palavras do filósofo francês Blaise Pascal: "O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora!"
     Porém, se estiver entre aqueles que nasceram de novo, não segundo a carne e o sangue, mas da água e do Espírito (João 3.5), reconhecerá a existência do Criador, e exclamará como o autor da Carta aos Hebreus:
     "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de maneira que o visível não foi feito do que se vê" (Hebreus 11.3).
    O justo há de contemplar as belezas da Criação como mostras da formosura de seu Criador, como espelhos de sua glória, como mensageiros que nos trazem notícias dele, como reflexos de suas perfeições, como presentes que o Esposo envia à sua Esposa — a Igreja — para enamorá-la, até o dia em que a tomará pela mão para com ela celebrar aquele eterno casamento no Céu.
     O mundo todo parece-lhe um livro que fala sempre de Deus, uma carta que seu amado lhe envia, um longo documento e testemunho de seu amor. Nenhum cristão, nenhuma pessoa que já tenha sido resgatada do pecado poderá ficar indiferente à grandiosa voz da Natureza, que proclama a existência e a glória de Deus.
     "Ó formosura tão antiga e tão nova — exclamou Agostinho, esse grande cristão do passado, ao contemplar o rastro de Deus impresso na Criação — quão tarde te conheci, e quão tarde te amei! Porventura és tu, Senhor, aquele de quem diz o salmista que és formoso entre os filhos dos homens?...
     "Se nesse desterro não vejo a formosura de tua divina majestade, assim como és formoso no Céu, ao menos pelos efeitos chego ao conhecimento da causa, e pela formosura dos Céus, planetas, árvores, flores e variedade das mui vivas cores das coisas que tuas divinas mãos criaram, entendo, meu Deus e Senhor, ser abismo infinito de formosura a formosura de onde essas formosuras tiveram sua origem." . (Aurélio Agostinho. Confissões. Tradução de Ambrósio de Pina. 2- edição, São Paulo, Abril Cultural, 1980, Livro X, capítulo 27, parágrafo 38.)


VOLTAIRE, O ATEU, RECONHECE: DEUS EXISTE!
     Portanto, a existência do Deus invisível é demonstrável pelos seus efeitos, pelas suas obras. O próprio escritor francês Voltaire (1694-1786), apesar de ter passado para a história como ateu e perseguidor do evangelho, escreveu certa vez em uma de suas cartas ao imperador da Prússia, Frederico II (1712-1786):
     "A razão me diz que Deus existe, mas também me diz que nunca poderemos saber quem é."
     Ora, Voltaire era um homem que não levava em consideração o tesouro de revelação e conhecimento que a fé pode abrir para nós; após rejeitá-la, ele procurou viver à luz da razão, acreditando tão-somente naquilo a que sua capacidade intelectual o conduzia.
     Mas, apesar de sua incredulidade, Voltaire, através do raciocínio, chegou à seguinte conclusão, registrada no capítulo 2 de seu Tratado de Metafísica: 'Vejo-me forçado a confessar que há um Ser que existe necessariamente por si mesmo desde toda a eternidade, e que é origem de todos os demais seres."
     No mesmo livro, algumas páginas adiante, o famoso "ateu" declarou: "Todas as coisas da Natureza, desde a estrela mais distante até um fino talo de grama, devem estar submetidos a uma Força que os movimenta e lhes dá vida." (Voltaire. Tratado de Metafísica. Tradução de Marilena de Souza Chauí, 29 edição, São Paulo, Abril Cultural, 1978, p. 64.)
     Ora, que força é essa senão Deus? Eis aí um homem considerado por todos um terrível ateu, curvando sua cabeça em reconhecimento da existência do Criador, após maravilhar-se diante de tantas e tão sublimes provas da existência de Deus, perfeitamente visíveis na Criação!


NATUREZA: MISTÉRIO DE DEUS
      Portanto, Deus tem-se revelado tanto na Natureza como na consciência de todos os povos (a chamada consciência coletiva), e também na consciência de cada ser humano (consciência individual). Ele infundiu em nossa alma a luz interior (essa voz interior que dá, dentro de nós, testemunho de sua existência), e em seguida ofereceu aos nossos olhos os sinais exteriores de sua existência, sabedoria e glória: as obras de suas mãos.
     Tudo quanto vemos nas criaturas de beleza, verdade, bondade e perfeição existe em Deus em um grau muito mais alto, puro e completo, pois tudo quanto se manifesta no efeito, deve existir necessariamente, e nos mais alto grau, na causa produtora: Deus.
     Enquanto a formosura das criaturas é particular e limitada, a formosura de Deus é universal e infinita, porque nele está contida toda a formosura de tudo o que ele criou... Por mais belo que o imaginemos, Deus é mais belo ainda. Todas as perfeições se encontram nele. Sua força é infinita, sua beleza inigualável, sua existência é desde toda a eternidade e jamais terá fim. Ele é invisível a toda criatura mortal, mas visível através de suas obras.
     "Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória", disse o salmista Davi (Salmo 108.5. ARA), e o profeta Isaías, erguendo sua voz na mesma tonalidade de adoração, disse: "Ó Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, que habitas entre os querubins, só tu és o Deus de todos os reinos da terra. Tu fizeste os céus e a terra" (Isaías 37.16).


É IMPOSSÍVEL DEFINI-LO OU DESCREVÊ-LO
     Portanto, é absolutamente impossível apresentarmos uma completa e essencial definição de Deus, pois ele, sendo perfeito e infinito, jamais poderia ser colocado dentro dos limites de uma definição. Definir não passa de uma tentativa de limitar aquilo que definimos, separando-o e distinguindo-o das demais coisas.
     Diante disto, Deus fica sempre infinitamente além de qualquer palavra ou conjunto de palavras empregadas com o intuito de defini-lo.
     Pertence a um inspiradíssimo cristão do XV século a afirmação de que "as perfeições de Deus são tão grandes e tão admiráveis que, se o mundo estivesse cheio de papel que pudesse ser usado na preparação de livros; se todas as pessoas existentes fossem escritores, e se toda a água dos mares se transformasse em tinta, tornar-se-iam repletos de palavras todos os livros, se cansariam todos os escritores e se esgotariam toda a água dos mares, e ainda assim não teria sido explicada uma só de suas perfeições." (Luís de Granada. Introdución del Símbolo de la Fé. 2a. edição. Argentina, Espasa-Calpe, 1947, p. 263)
     "Assim como o mar é grande — declarou certa vez um admirador dos mistérios de Deus —, não só porque todas as águas dos rios entram nele, senão também por suas próprias águas, que são incomparavelmente muito mais abundantes, assim dizemos que vós, Senhor, sois mar de infinita formosura, porque não só tendes em vós as perfeições e formosuras de todas as coisas, mas também outras infinitas, que são próprias de vossa grandeza...
     "Só o fato de ver e gozar de tua formosura basta para fazer bem-aventurados aqueles seres que moram junto a ti no Céu." (Citado por Martin Ortuza Arriaga, in Los Prenotandos del Conocimiento Natural de Dios. Madri. Edição da "Revista Estúdios", 1963, p. 117.)
     "Eu fiz a terra, e criei nela o homem. As minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos, dei as minhas ordens", disse o Senhor através do profeta Isaías (45.12).


O ASTRÔNOMO E SEU AMIGO
     Conta-se que o grande astrônomo Kirchner no seu tempo de estudante tinha um amigo que dizia não acreditar na existência de Deus. Porém, Kirchner sabia o quanto o seu amigo costumava apelar para a lógica dos fatos. Ambos moravam juntos. Aproveitando-se certa vez da prolongada ausência do companheiro de estudos, Kirchner fabricou um globo representando a Terra e o colocou em cima da mesa. Ao retornar, o amigo do astrônomo perguntou:
     — Quem fez este globo?
    — Ninguém — respondeu Kirchner. — Havia pedaços de madeira, esquadros, papel, uma esfera, cola e pregos sobre a mesa. Eu estava distraído, procurando um livro na estante, quando de repente vi que no lugar onde estava aquele material apareceu este globo.
     — Ah! ah! ah! ah! — gargalhou o rapaz que se dizia ateu. — Deixe de brincadeira e diga logo quem foi que fabricou isto, ou você acha que eu vou acreditar que o globo criou a si mesmo?
     — Pois é, você está rindo da explicação que eu estou lhe dando, mas eu lhe digo que é mil vezes mais fácil aceitar que esse pequeno globo tenha se criado por vontade própria, do que acreditar que a Terra e todo o Universo criaram-se a si mesmos e são obra do acaso. Vamos, por que você não ri também disto? (Jesus Garcia Lopes, Nuestra Sabedoria Racional de Dios. Tall Graf, Madrid, 1950, p. 129.)


APAGUEM AS ESTRELAS!
     E impossível não reconhecer as marcas de Deus impressas em tudo aquilo que Ele criou. E é impossível também apagar essas marcas.
Isto ficou provado durante um interessante episódio ocorrido em 1789, em plena Revolução Francesa.
     Esse acontecimento histórico de repercussão mundial tinha sido intelectualmente preparado por políticos e filósofos inimigos do cristianismo. Durante a revolução, pilhas de Bíblias foram queimadas, igrejas fechadas e muitos cristãos lançados em úmidos cárceres, na tentativa de que a certeza da existência de Deus fosse apagada da mente e do coração do povo.
     Em uma aldeia francesa, um dos responsáveis pela perseguição religiosa disse a um camponês que a igreja da aldeia e tudo o que fizesse lembrar Deus seriam destruídos.
     - Assim — disse o perseguidor — conseguiremos apagar os meios que levam o povo a crer na existência de Deus.
     - Então o senhor terá que mandar apagar também as estrelas — respondeu o camponês.


O SOL É UM DOS SEUS EMBAIXADORES
     — Onde esta o seu Deus? Você pode mostrá-lo? — perguntou a vez o terrível imperador romano Trajano, ao rabino Josué.
    — Meu Deus não pode ser visto, Majestade — respondeu-lhe o rabino. — Nenhum olho humano suportaria o fulgor de sua glória. Posso, porém, mostrar à Vossa Majestade um de seus embaixadores.
    — Onde? Onde posso vê-lo?
— Aí fora, em vossos jardins, Majestade.
O imperador dirigiu-se para fora do seu palácio seguido pelo rabino. O sol brilhava esplendorosamente no céu, na força total do meio-dia.
     — Levantai os vossos olhos para o céu e vede, Majestade. Eis aí um dos embaixadores do meu Deus.
    — Ora, você está brincando... não posso fitá-lo. Sua luz me deixaria cego!
    — Senhor, não podeis olhar face a face uma das criações de Deus, e pretendeis ver o próprio Criador? (Luiz Waldvogel. Vencedor em Todas as Batalhas, 2a edição, São Paulo, CPB, s/d., pp. 13, 14.)


CÍCERO E O HOMEM DA CAVERNA
     O testemunho da Criação é por demais eloquente, claro e visível a todos; homem algum poderá ficar indiferente a esta voz, a este grandioso espetáculo produzido pelas mãos do Criador.
     Por mais destituído de cultura ou por mais materialista que seja o ambiente onde o ser humano vive, as provas da existência de Deus, essas vozes que proclamam a majestade e a glória do Criador, estarão sempre ressoando dentro do seu espírito, lá no interior de sua consciência, e fora dela, em seus ouvidos e diante dos seus olhos.
      O célebre orador romano Marco Túlio Cícero (106-43 a.C), para demonstrar ser quase impossível admitir que haja pessoas descrentes na existência de Deus, fez uso da seguinte ilustração:
      "Suponhamos haja um homem que sempre tenha vivido afastado da convivência social, preso em um lugar subterrâneo, de modo que nunca tenha podido ver nada; suponhamos que um dia esse homem saia de sua morada subterrânea, olhe a paisagem que se estende ao seu redor, e veja o céu pontilhado de estrelas que brilham maravilhosamente, numa noite tranquila de verão, enquanto a Lua difunde a sua luz suave.
     "Suponhamos que alguém explique a esse homem que o número de astros contemplados pelos seus olhos nada representa diante do infinito número que seus olhos não conseguem contemplar. Horas depois, o sol ergue-se no horizonte, inundando de luz o firmamento...
      "Pois bem, dizei-me: diante do espetáculo do Céu estrelado e da harmonia que reina entre os astros; ao contemplar o esplendor da luz e do Sol, e as maravilhas da natureza, que pensamento nasceria na mente desse homem? Que pergunta brotaria dos seus lábios?
      "Tomado de espanto, esse homem não faria senão exclamar: 'Ó maravilha, ó grandeza! Quem criou este Céu? Quem lhe pôs estes astros, e harmonizou os seus movimentos? Quem criou este Sol e o pôs lá em cima? E restaria a nós responder-lhe tão-somente: 'Quem fez tudo isto não foi certamente um homem; não foram muito menos todos os homens juntos, mas sim Deus! Só Deus poderia criar essas maravilhas de poder e sabedoria." (Marco Túlio Cícero. A Natureza dos Deuses, segundo citação de Alfredo Maria Mazzei, no seu livro Existe Deus? Rio de Janeiro. Editora A Noite, 1948, pp. 179, 180)


NECESSIDADE DE UMA COMPLETA REVELAÇÃO DE DEUS
      Diante do exposto, é necessário, porém, que isto fique bem claro: A crença coletiva demonstrada por todos os povos quanto à existência de um Deus soberano, e o testemunho de sua existência proclamado em suas obras não se constituem numa completa revelação de Deus ao homem.
     Apesar de ver as "pegadas do Criador" impressas na Criação, não são essas maravilhas da natureza que conduzem o ser humano aos pés do verdadeiro Deus; não são elas que o levam a aceitar e a se incluir no plano traçado pelo Criador para salvar suas criaturas. Por isso, além de ter-se revelado na voz da natureza e na consciência do homem, Deus se revelou também na Bíblia, através dos profetas, e sobretudo no seu Filho, Jesus Cristo.
     O caminho para Deus não está, portanto, nas estrelas (apesar de elas proclamarem, em todo o Universo, sua existência), e sim no interior do homem, na fé que nasce dentro dele e se projeta na pessoa de Jesus Cristo — autor e consumador dessa fé. O universo fala a todos da existência de Deus, mas quem reconduz o homem ao seu Criador é Jesus Cristo, a mais completa e perfeita revelação de Deus à humanidade.
Jefferson Magno Costa

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