sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

JESUS, 100% DEUS E 100% HOMEM

Jefferson Magno Costa
      Um dos mais difíceis problemas com que se deparam hoje os racionalistas e materialistas é o fato de “um pobre carpinteiro de Nazaré”, um “simples aldeão da Galileia”, conforme intitulam Jesus, ter conseguido conquistar o mundo, e ter sido e continuar sendo adorado como Deus!
      Os críticos da Bíblia e negadores da divindade de Jesus não conseguem encontrar explicações para isso. 
     Não conseguem entender por que há quase dois mil anos, a obra de Jesus, sua Mensagem, seu nome e sua adorável pessoa vêm-se erguendo mais e mais diante da humanidade, radiantes de esplendores, imutáveis em meio a todos os movimentos contrários ao Evangelho, indestrutíveis entre as ruínas, impassíveis diante das sangrentas perseguições, sem alterarem-se jamais diante das ciências que nascem e das filosofias que morrem.
     Conforme declarou um grande apologista do cristianismo, “Jesus mostra-se tanto mais vivo quanto mais combatido, sempre vitorioso quando o declaram desterrado e proscrito do mundo." Apresentaremos a seguir algumas provas de sua divindade.

1a. prova: O LEPROSO O ADOROU E JESUS ACEITOU A ADORAÇÃO  

“E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me.” (Mt 8.2). Jesus Cristo realizou o milagre, e não rejeitou a adoração.


2a. prova: OS DISCÍPULOS O ADORARAM COMO DEUS

Após verem Jesus Cristo andando sobre o mar, os discípulos o adoraram: “E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és o Filho de Deus!” Jesus não rejeitou a adoração (Mt 14.33).


3a. prova: UM CEGO DE NASCENÇA O ADOROU

Após haver sido curado por Jesus e submetido a um rigoroso interrogatório, um cego de nascença viu-se novamente na presença de Cristo, e entre os dois travou-se o seguinte diálogo: “...Crês tu no Filho do homem? Ele respondeu, e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia? E Jesus lhes disse: Já o tens visto e é o que fala contigo. Então afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou”. Jesus aceitou a adoração (Jo 9.35-38).


4a. prova: TOMÉ, O DISCÍPULO INCRÉDULO, O RECONHECEU COMO DEUS

“E logo disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vês as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.27,28).


CONFIRMAÇÃO DA DIVINDADE DE JESUS PELO TESTEMUNHO DOS APÓSTOLOS


1o. O TESTEMUNHO DE PEDRO

Em sua pregação no Dia de Pentecoste, Pedro proclamou diante de todos a divindade de Jesus, quando disse: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36). Ele também denomina Cristo de “o Autor da Vida” (At 3.15). 
     Perante o Sinédrio, Pedro torna a afirmar que Jesus Cristo é o único que pode salvar os seres humanos (At 4.12). E em sua pregação na casa de Cornélio, Pedro fez a seguinte afirmação sobre Jesus Cristo: “...Este é o Senhor de todos” (At 10.37), e “...por meio do seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados” (At 10.43). 
     Grande confissão saiu dos lábios de Pedro: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”! (Mt 16.16b). Ele abre a sua Segunda Epístola reconhecendo Cristo como Deus (1.1): “...nosso Deus e Salvador Jesus Cristo como Deus”, “...nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (1.11), e também 2.20 e 3.2,18.

2o. O TESTEMUNHO DE ESTÊVÃO

Enquanto as pedras eram lançadas sobre Estevão, ele clamava: “...Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (At 7.59b). Havia um motivo para aquela oração ter sido dirigida daquela maneira a Jesus: Momentos antes, Estevão vira Jesus no Céu, em pé, à direita de Deus! (At 7.55,56).


3o. O TESTEMUNHO DE PAULO

Nas suas epístolas, são frequentes as afirmações de Paulo sobre a divindade de Jesus Cristo. Diz o apóstolo em Colossenses 1.15-17: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois nele foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. 
     Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste”. Ora, quem, a não ser Deus, é detentor e digno desses atributos? Paulo os empregou com relação a Cristo, pois sabia que ele é Deus, e único Senhor (1 Co 8.6). É em Jesus Cristo que “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3). 
     Isto não seria possível se Jesus fosse simplesmente um homem.
Paulo mostra que Deus tornou possível a nossa salvação “enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa...” (Rm 8.3); portanto, a origem de Cristo é divina. Esta convicção do apóstolo fica bem clara em Gálatas 4.4: “...vindo, porém, a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho...” 
      Paulo reconheceu Jesus Cristo como Deus encarnado (Fp 2.5-11), e proclamou-o expressamente como Deus: “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13), afirmando que Ele está acima de todo nome: “deles são os patriarcas e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo sempre” (Rm 9.5).

4o. O TESTEMUNHO DO AUTOR DA CARTA AOS HEBREUS

Na Carta aos Hebreus, vemos que Jesus Cristo é a plenitude da revelação de Deus ao homem: “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1.1,2). Aliás, todo o capítulo primeiro dessa carta foi escrito em tom apologético, com o propósito maior de provar que Jesus Cristo é Deus.


O DEUS-JEOVÁ É O MESMO JESUS


“EU E O PAI SOMOS UM” (Jo 10.30)

Afirme e prove isto diante de uma Testemunha de Jeová: O pai é igual ao Filho e o Filho é igual ao Pai. Vejamos que o que um fez no Antigo Testamento, o outro também fez no Novo Testamento. Isaías diz que Jeová é Criador (Is 40.28), João também diz a mesma coisa de Jesus (Jo 1.3). Veremos, portanto, que os atributos são os mesmos. Ambos, Jeová e Jesus, são:


Salvador (Is 43.11; 45.22; e Jo 4.42).

Juiz de vivos e de mortos (1 Sm 2.6; e Jo 5.27).

Redentor (Os 13.14; e Ap 5.9).

Pastor (Sl 23.1; e Jo 10.11).

Luz (Is 60.19,20; e Jo 8.12).

“Eu Sou” (Êx 3.14; e Jo 8.58; 18.5,6).

Primeiro e Último (Is 41.4; 44.6; e Ap 1.17; 2.8).

Rocha (Sl 18.2; e 1 Co 10.4).

Glória de Deus (Is 42.8; 48.11; e Jo 17.1,5).

Perdoador de Pecados (Jr 31.34; e Mc 2.7,10).


QUAL FOI A CAUSA DA CONDENAÇAO DE JESUS? ELE FOI CONDENADO À MORTE POR TER-SE PROCLAMADO DEUS


      Estando Jesus perante o Sinédrio, Caifaz, o Sumo Sacerdote, dirigiu-lhe esta intimação solene: “Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Mt 6.63). 
     Eram, na verdade, duas perguntas em uma: Caifaz queria saber se Jesus era o Messias (o Cristo, “o Ungido”), e se Ele era Deus. E a resposta de Jesus foi: “Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que desde agora vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26.64). 
     A expressão “tu o disseste” é equivalente, na linguagem coloquial da época, a “sim, eu o sou”. No texto paralelo de Marcos, Jesus respondeu a Caifaz: “Eu sou” (Mc 14.62a). 
     Ora, era exatamente o que os inimigos de Jesus estavam buscando há quase três anos para o condenar: Um motivo. E o Sumo Sacerdote expressou a sua indignação:
      “Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia; que nos parece? E todos o julgaram réu de morte” (Mc 14.63,64).
      Jesus Cristo acabara de afirmar perante o Supremo Tribunal de sua nação que Ele, carpinteiro e filho de um carpinteiro, era verdadeiramente o Filho de Deus, Deus conforme o seu Pai celestial, portanto. 
     Um grande apologista observou que “nem a afirmação de uma filiação meramente moral e adotiva, nem mesmo a de ser o Messias, mas tão-somente a afirmação da própria divindade, por parecer opor-se ao estrito monoteísmo judaico, podia ser taxada de blasfêmia pelos judeus”. 
      No Evangelho de João, temos o porquê desse posicionamento dos judeus: “Responderam-lhes os judeus: Temos uma lei e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus” (Jo 19.7). 
     Jesus não protesta contra esta interpretação, nem tenta negar o que afirmara momentos antes. Não! Ele é o Filho de Deus, é Deus: Aceitou a morte e selou com o seu sangue a confissão de sua divindade!

JESUS CRISTO É DEUS!

      Sim, mais do que um simples ou eminente homem da história, Jesus Cristo é Deus! Charles Spurgeon (834-1892), o gigante do púlpito inglês, assim concluiu um dos seus sermões sobre a divindade de Jesus: 
     “Rolaram convertidos em pó os cetros da terra; a mão do tempo eclipsou o brilho dos reis, derrubando seus tronos e coroas; todos os gênios caíram do seu pedestal; todos os heróis viram fenecer sua glória: só Jesus Cristo sobrevive na história, amado e adorado no mundo! Diante do seu excelso Trono vêm prostrar-se as gerações todas para beijar seus pés ensanguentados, e milhões e milhões de almas o cultuam ardentemente, e o amam com um amor que não desfalece.”
      O nosso Senhor Jesus Cristo é homem e Deus!

Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

JESUS: ELE FOI SUBMETIDO AO MAIS IMPORTANTE JULGAMENTO DA HISTÓRIA

Jefferson Magno Costa      
     Há mais de mil e novecentos anos, dois homens estiveram frente a frente durante um julgamento. Um deles, cidadão romano, prepotente e conhecido por sua habitual brutalidade, tinha em suas mãos o governo da Judéia, subjugada há quase um século pelo poderio dos Césares, que de Roma dominavam quase todo o mundo conhecido.      
      O outro homem era um simples galileu, de semblante sereno e atitudes pacíficas, silencioso diante dos seus acusadores. E parecia não ser nada mais do que isto. Sim, parecia.
      Porém, aquele homem não era outro senão o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo! Ele ali estava diante de Pilatos e dos descendentes de Abraão para dar testemunho da Verdade: 
     “...Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade...” ( João 18.37) foi o que disse ao governador da Judéia a mais alta personalidade que os homens já conseguiram levar a julgamento em toda a história do mundo: Jesus.      Aquela afirmação despertou a curiosidade de Pilatos. 
   Há muitos anos andava ele desesperançado de encontrar a Verdade. Nem os deuses gregos nem os deuses romanos lhe ofereciam qualquer certeza.
     Aliás, como mais tarde comentaria o orador francês Jaques- Benigne Bossuet, sob aqueles céus do paganismo tudo era deus, menos o próprio Deus. Um povo culto e rico como os egípcios, por exemplo, era tão cego e supersticioso em matéria de religião, que adorava até a cebola.      Em tom de zombaria, deles havia comentado o poeta romano Juvenal:
    “Povo feliz, cujos deuses – as cebolas – nascem em suas próprias hortas!”      Tampouco os contraditórios sistemas filosóficos tinham podido satisfazer a fome espiritual que corroia a alma do homem em cuja presença se encontrava Jesus. Já naquela época, Cícero, o maior orador romano, e um dos maiores em toda a história, após dedicar parte da sua vida ao estudo da filosofia, afirmara, com decepção e amargura: 
     “Não há nenhum absurdo, por maior que seja, que não tenha sido justificado por algum filósofo.”
      O próprio Aristóteles, o mais culto, científico e sistemático entre os filósofos gregos (só não conseguiu superar Platão em espiritualidade e poesia), confessou, no final da vida: “Vivi na dúvida, e morro na incerteza”.
     Tanto Pilatos como os mais eminentes homens do seu tempo, e também todos os povos gentios daquela época, andavam às escuras, como cegos, apalpando as desgastadas muralhas erguidas de um lado e do outro do caminho que os conduzia ao abismo...
      Filósofos, poetas, estadistas, oradores, militares, cidadãos comuns e escravos – todos viviam tristemente convencidos de que, após a morte tudo se acabava... ou, se havia alguma esperança, essa era muito incerta, e estava apoiada na insustentável doutrina reencarnacionista.

"QUE É A VERDADE?"

     Por isso, ao ouvir a palavra “verdade” docemente pronunciada pelos lábios daquele galileu, Pilatos sentiu em sua alma o despertar das recordações do tempo em que andara à procura de um caminho seguro, verdadeiro. E dentro do seu coração corrompido e amargurado brotou novamente a esperança.
        Mas isso foi só por alguns instantes, porque antes mesmo de formular a mais importante pergunta que ele fizera em toda a sua vida, e ouvir a grande resposta que Cristo lhe daria, seu coração endurecido estremeceu, ferido pela dúvida, e no mais profundo de sua alma soberba Pilatos rejeitou a verdade que inesperadamente lhe surgira na pessoa daquele homem misterioso e sublime que ali estava para ser julgado por ele.
       – Que é a verdade? – perguntou distraidamente o orgulhoso governador, e em seguida, sem esperar a resposta de Jesus, dirigiu-se aos judeus para dizer-lhes que não havia achado no réu crime algum. Sim. Não encontrara Pilatos em Jesus qualquer motivo pelo qual pudesse condená-lo, e muito menos esperaria encontrar nele aquilo que tanto procurara em toda sua vida.
     Não. Ele ali era juiz, aquele homem era réu. Nada mais havia a ser tratado ou esclarecido entre os dois, pensou.      E lavando as mãos, o fraco governador obedeceu covardemente aos rugidos e uivos dos judeus enfurecidos que pediam que ele soltasse Barrabás. Ele o fez, e condenou Jesus Cristo ao suplício da cruz.
        Todavia, jamais o governador da Judéia poderia imaginar que um dia os papéis estarão trocados, e ele se dobrará diante daquele simples galileu, que retornará do Céu com poder e grande glória, constituído Juiz dos juízes e Senhor dos senhores sobre todos os povos pelo Deus Eterno!
      Com um gesto de indiferença, Pilatos fechou para sempre a única porta por onde poderia ter sido resgatado da situação torpe e desesperançada em que se encontrava.      Porém, desde aquele dia eternamente memorável, Jesus Cristo, o Salvador da humanidade, tem permanecido inabalável diante do mundo e de todos os Pilatos, repetindo sempre na voz dos seus inumeráveis seguidores: “Eu vim para dar testemunho da verdade.”
      Jesus Cristo é a verdade, Sua Palavra é a Verdade, Ele veio revelar a verdadeira face do pai das luzes, “em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1.17). E nós somos suas testemunhas:
      "E sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1.8).

NECESSIDADE DE UMA DEFESA

     Hoje, mais do que nunca, é necessário santificarmos a Cristo em nossos corações, e sobretudo estarmos “sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que nos pedir a razão da esperança que há em nós” (1 Pedro 3.15).
     Diante dos corações sem fé e das mentes duvidosas; diante do ateísmo, do descrédito em que muitos querem lançar a Bíblia, do tempestuoso oceano de falsas doutrinas que ameaça afogar milhões de seres humanos, e da atitude de irreverência e rejeição à mensagem do nosso Salvador, faz-se necessária uma defesa do Cristianismo, uma sólida, clara e eficiente demonstração de que a nossa fé está fundamentada na verdade.

O VALOR DA PREGAÇÃO APOLOGÉTICA

      Aliás, é necessário lembrarmos que em toda a pregação cristã existe um elemento de defesa. Quando Pedro ergueu sua voz diante da multidão que se havia formado atraída pelo rumor do Pentecostes (Atos 2.14-41), realizou uma das mais brilhantes defesas do Cristianismo em toda a sua história. As quase 3000 conversões resultantes mostraram o quanto as pregações apologéticas são eficientes.
        Denomina-se apologética a ciência que estuda os meios de fazer uma defesa. Essa defesa é conhecida como apologia. Pregar o evangelho, ou seja, dar testemunho da verdade, não é outra coisa senão apresentar uma defesa da nossa fé. Mas essa defesa engloba ao mesmo tempo, um ataque contra o pecado e uma proposta de salvação ao pecador. E ele só poderá alcançar a salvação crendo em Jesus Cristo.      Portanto, devemos seguir o conselho do profeta Oséias: “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor...” (Oséias 6.3), para que dia a dia possamos ser melhores testemunhas do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
 Jefferson Magno Costa

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

JESUS: ELE É O ÚNICO QUE, ANTES MESMO DE SAIR PARA A BATALHA, JÁ VENCEU A GUERRA

Jefferson Magno Costa



     O eruditíssimo teólogo e apologista grego Clemente de Alexandria (150-215) teve o privilégio de estudar na célebre Escola Teológica da mesma cidade onde nasceu Apolo, um dos grandes companheiros de viagem e ministério do apóstolo Paulo: "E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloquente e poderoso nas Escrituras” (Atos 18.24).
      Nosso irmão Clemente, pregando certa vez sobre a soberania e a invencibilidade de Jesus Cristo, disse que o nosso Salvador “é o único general, o único Rei que, antes mesmo de sair para a batalha, já venceu a guerra.”
     No desenvolvimento de sua mensagem, Clemente comenta que o evangelista João, ao ser arrebatado em uma de suas visões descritas no livro de Apocalipse (Ap 6.1,2), ouviu uma voz, que lhe dizia: “Vem, e vê.” Quando o evangelista abriu os olhos e os fixou no horizonte, viu surgir um cavalo branco. Assentado sobre ele estava um cavaleiro de majestosa presença, cavalgando e empunhando um arco.
     O evangelista João ainda estava sob o impacto da admiração que aquele cavaleiro celestial lhe causara, quando viu uma coroa ser colocada sobre a cabeça do majestoso combatente. “Uma coroa foi colocada sobre sua cabeça?”, pergunta Clemente de Alexandria. 
     “Coroa, além de realeza, significa vitória. Então aquele cavaleiro já vencera a batalha, já saíra para a guerra como vencedor. Porém, como tinha vencido a batalha, se ainda empunhava tranquilamente o arco, e ainda não disparara nenhuma seta?
     Porque aquele majestoso varão de guerra era o Verbo Eterno, o Filho de Deus, que saíra do Céu para conquistar o mundo. E nas conquistas e batalhas do nosso Senhor Jesus Cristo, primeiro vem o vencer, e depois o pelejar. Primeiro vem a vitória, e depois a batalha. O texto bíblico é claro ao se referir a Jesus: ‘...e saiu vitorioso, e para vencer’ (Ap 6.2).
     Eis como Clemente de Alexandria concluiu essa magnífica prova de que, em todas as batalhas, Jesus já é vitorioso por antecipação: “Se saiu vitorioso, é porque já havia vencido; se saiu para vencer, é porque a batalha ainda não ocorrera. Mas isso é próprio de Jesus Cristo, pois só Ele, e unicamente Ele, antes mesmo de lutar, já venceu; antes de entrar na batalha, já é Senhor da vitória.”

     Portanto, se você está enfrentando alguma luta, seja ela de que natureza for, peça que esse Jesus que antes de sair para a batalha já é viotorioso, segure firmente na sua mão e marche com você rumo à vitória. Nele você pode confiar. 

Jefferson Magno Costa

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SE JESUS FOSSE SIMPLESMENTE UM HOMEM

Jefferson Magno Costa
     Se Jesus não fosse Aquele que nós cremos que Ele é – o Filho de Deus, o Salvador da humanidade, Aquele que desceu do Céu e se humilhou na forma humana para nos salvar; se Jesus fosse um homem como outro qualquer, o que teria acontecido logo após sua crucificação, quando os seus discípulos o abandonaram e fugiram, e Ele, sob o peso dos nossos pecados e dores, expirou na Cruz?
     Passada a primeira impressão do momento, serenados os ânimos da população de Jerusalém após o corpo de Jesus ter sido colocado no túmulo, o seu nome e os acontecimentos em torno de sua pessoa iriam pouco a pouco se apagando na memória do povo, até desaparecerem totalmente das conversações entre os judeus, cuja curiosidade se voltaria para outros assuntos, discutidos em suas casas, no Templo, nos lugares públicos, nas ruas de Jerusalém.
     Na condição de simples homem, o corpo de Jesus permaneceria no túmulo, decompondo-se pouco a pouco, até transformar-se em pó e cinzas. E nada mais. Ele não ressuscitaria, caso fosse simplesmente um homem.
     Com o passar dos anos, seria varrido da lembrança do povo o impacto de suas obras, não mais repetidas, e sua mensagem e doutrinas, não escritas, cairiam no esquecimento. Porém, Ele continuaria a viver na doce recordação de seus parentes e amigos, mas seria para os outros como uma sombra que passou.
Forçados pelas necessidades que a vida nos impõe, os seus discípulos retornariam ao trabalho. Pedro e os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João, retornariam à pescaria. Mateus dar-se-ia por feliz se conseguisse voltar a ser cobrador de impostos. Cada um seguiria o seu caminho, o seu destino. Se não chegassem a esquecer-se totalmente do seu Mestre, alimentariam, nas horas de descanso, uma recordação saudosa do tempo em que viveram na suave e feliz companhia de Jesus.
     Passados alguns anos, porém, quando já não houvesse nenhum daqueles que presenciaram suas obras, ouviram suas pregações e gozaram do privilégio de sua companhia; quando seus parentes e amigos tivessem desaparecido, levados pela morte, o que restaria do filho do carpinteiro que tinha sido julgado como réu e crucificado com malfeitor sob o governo de Pôncio Pilatos? O esquecimento!
     Nada saberíamos sobre o seu nascimento. Talvez viéssemos a saber que o que Ele pregou causou admiração em todos, e as obras que realizou maravilharam o povo, e que ele havia reunido em volta de si alguns discípulos. Porém, fora acusado perante o governo romano na Judéia como falso Messias, agitador do povo e revolucionário que trazia perigo aos interesses do Império Romano na Palestina, e por isso o Governador o havia condenado ao suplício da Cruz. Nada mais.
     Sim, nada mais restaria sobre o nome, a obra e a pessoa de Jesus Cristo, se Ele fosse simplesmente um homem. Mas Deus estava nele, e Ele é Deus! Em sua própria morte está a razão da nossa esperança. Ele ressurgiu dentre os mortos. Antes de ser levado ao Calvário, Ele havia predito que, ao ser pregado na cruz, atrairia todos os povos a si! (João 12.32,33).
     Nunca outra profecia se cumpriu tão gloriosamente como esta! Após a confirmação de que o Salvador da humanidade ressurgira dentre os mortos; após o Dia de Pentecoste, quando o Consolador desceu dos altos céus como “um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados” (Atos 2.2), os discípulos saíram pelo mundo a proclamar as Boa-novas de salvação.
     Jamais antes nem depois deles, homens em condições semelhantes às em que eles se encontravam empreenderam uma obra tão gigantesca. Simples, pobres, sem apoio humano, sem armas ou exército, como poderiam eles realizá-la? Mas eles causaram o maior impacto que um grupo tão pequeno, de tão-somente 12 homens, já causou na história da humanidade. Eles viraram o mundo de cabeça para baixo! Propagaram a mensagem de salvação que ouviram do seu Mestre, e essa mensagem atravessou países, atravessou séculos, alcançou a mim e a você, e mudou a história da sua e da minha vida.
     Tudo isto aconteceu por que Jesus não foi simplesmente um homem. Ele é Deus, é o Salvador da humanidade. Nele a gente pode confiar!
Jefferson Magno Costa

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

JESUS: ANTES DE ELE VIR AO MUNDO, NOS ENVIOU VÁRIOS DE SEUS RETRATOS

Jefferson Magno Costa 
      Antes de Jesus vir a este mundo para nos salvar, mandou vários retratos dele, para que os homens o conhecessem e o amassem.
     Esses retratos de Jesus tinham também como propósito revelar as múltiplas qualidades pelas quais ele seria conhecido entre os seres humanos. 
     Cada uma dessas qualidades seria representada por uma pessoa especial na história da salvação. Portanto, o retrato de Jesus foi composto por muitas figuras.
    Uma figura de Cristo foi Abel; outra figura de Cristo foi Noé. Uma figura de Cristo foi Abraão; outra figura foi Isaque. Uma figura de Cristo foi José; outra figura foi Moisés. Outra figura foi Sansão, outra figura foi Jó, outra figura foi Samuel, outra figura foi Davi, outra figura foi Salomão. E ouve muitas outras figuras.
    Ora, se Jesus, o retratado, era um só, e o retrato também um, por que ele foi representado em tantas e tão diferentes figuras? 
     Porque não era possível encontrar as qualidade de Cristo juntas em uma só pessoa; nenhum ser humano era tão excepcional e sublime a ponto de as possuir todas em si. 
     Portanto, foi necessário que as qualidades de Jesus fossem distribuídas em vários personagens da Bíblia, e ele fosse retratado em vários desses personagens.
     Cristo era a própria inocência, por isso foi retratado em Abel. Cristo era a própria pureza, por isso foi retratado em José. Cristo era a própria mansidão, por isso foi retratado em Moisés. 
    Era a própria fortaleza, por isso foi retratado em Sansão. Era a própria amizade, por isso foi retratado em Abraão. Era a própria obediência, por isso foi retratado em Isaque. Era a própria paciência, a própria constância, a própria justiça, a própria piedade, a própria sabedoria. 
     Por isso foi retratado em Noé, em Jó, em Samuel, em Davi, em Salomão, respectivamente. 
     Portanto, sendo o retrato um só, estava dividido em muitas figuras, porque só em muitas figuras podiam caber as muitas qualidades do retratado
(Serm S. I. 1669. A. V.).

Jefferson Magno Costa

JESUS: SE ENTRE O SEU JULGAMENTO E A SUA CRUCIFICAÇÃO, A BUROCRACIA JUDAICA E ROMANA TIVESSEM USADO PAPEL E TINTA PARA REGISTRAR TODAS AS AÇÕES DE SUA ESTRUTURA INEFICIENTE, MOROSA E INOPERANTE, TALVEZ ATÉ HOJE A HUMANIDADE AINDA ESTIVESSE AGUARDANDO PARA SER REDIMIDA


Jefferson Magno Costa
     Jesus foi preso à meia-noite, e crucificado ao meio-dia. E o que aconteceu nessas 12 horas?
     O Senhor foi conduzido a quatro tribunais muito distantes uns dos outros. A um deles foi conduzido duas vezes (o de Pilatos: Lc 23.1; 11).
     Jesus foi levado primeiramente à casa do sumo sacerdote, para ser julgado pelo tribunal judaico, que era composto pelos membros do Sinédrio (Mt 26.57).
     Naquele momento, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos formaram o primeiro concílio para achar motivos que incriminassem Jesus. 
     Esse concílio teve como líder o sumo sacerdote Anás, que foi quem primeiro interrogou Jesus naquela madrugada (Jo 18.2,19).
     Em seguida, Anás levou Jesus, de mãos amarradas, à presença do seu genro, o sumo sacerdote Caifás (João 18.23). Muitas testemunhas falsas foram ouvidas, mas suas mentiras contra Jesus eram tão absurdas e contraditórias, que foram desprezadas (Mc 14.56).
     Finalmente duas testemunhas falaram algo que foi considerado consistente o suficiente para ser usado como prova e transformado em acusação formal contra Jesus (Mt 26.60,61). Porém, Caifás queria algo mais forte, e astutamente provocou Jesus para arrancar dele alguma declaração que pudesse ser usada como uma segunda acusação, a de blasfêmia, pois só assim podia tornar Jesus réu de morte (Mt 26.63-66).
     Após conseguir o que queria, Caifás permitiu que a corja que o acompanhava cuspisse no rosto do Senhor, e lhe desse socos e tapas (Mt 26.67). Cobriram o seu rosto, esbofetearam-no e pediram que Jesus profetizasse dizendo quem lhe batera (Mc 14.65; Mt 26.68).
    Isto durou a noite toda. Quando amanheceu, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo juntaram-se outra vez em concílio para planejarem uma maneira de incriminar Jesus também no tribunal da autoridade romana que representava o César em Jerusalém, o governador Pôncios Pilatos. 
     Resolveram conduzir Jesus até o Pretório, a residência oficial do governador (Jo 18.28).
     Na condição de representante das leis do império romano, Pilatos era a autoridade máxima na cidade. Jesus foi interrogado por ele (Mt 27.11,19).
     Como político perspicaz treinado em seu país entre os assassinos, manipuladores exímios, abutres e lobos da corte romana, Pilatos logo percebeu que estava diante de um inocente (Lc 23.4), e que aquele bando de hipócritas de longas cabeleiras e barbas piolhentas haviam trazido o Filho de Deus para ser julgado por ele tão-somente por inveja de tudo o que Jesus ensinara e realizara entre o povo.
     Em um determinado momento do interrogatório, o governador ouviu um judeu mencionar a palavra “Galileia”, e concluiu que o homem que aquelas raposas enfurecidas lhe haviam trazido como réu de um crime que Pilatos não conseguia encontrar, era galileu (Lc 22.6,7).
    Sabendo que a Galileia pertencia à jurisdição do rei Herodes, e que este estava naqueles dias em Jerusalém, o governador enviou Jesus para ser também julgado por Herodes (Lc 23.7-9). 
     Acostumado a julgar e condenar assassinos perigosos, mas vendo que Jesus era inocente e inofensivo, e entendendo que não conseguiria levar aquele estranho galileu a realizar para ele um showzinho particular com direito a milagres, Herodes desprezou o Senhor, e junto com seus soldados escarneceu dele. 
     Em seguida, vestindo-lhe uma roupa resplandecente, o enviou de volta a Pilatos (Lc 23.8-11).
     E finalmente Pilatos o entregou ao quarto tribunal, o da zombaria, formado pelos soldados e toda a corte de Herodes (Mt 27.27). Jesus tornou-se para eles naquele momento um grande motivo de chacota, risos e diversão. 
     Despiram-no e o cobriram com uma capa escarlate; puseram em sua cabeça uma coroa de espinhos; colocaram em sua mão direita uma cana como cetro real; ajoelharam-se diante dele, e escarnecendo, diziam: Salve, Rei dos judeus!
     Em seguida cuspiram nele, tiraram-lhe a cana da mão, e batiam com ela em sua cabeça coroada de espinhos. 

     Depois de o escarnecerem, tiraram-lhe o manto de púrpura, açoitaram-no, vestiram-lhe suas roupas e o levaram para crucificar. Tudo isto aconteceu em um período de 12 horas.
     Resumindo os fatos que ocorreram nesse curto período, de acordo com a linguagem técnica da jurisprudência da época do nosso Salvador:
     As acusações contra Jesus foram apresentadas em duas partes; ouviram-se as testemunhas; foi escolhida a acusação incidente contra ele: blasfêmia; o perdão e a soltura de Barrabás foram solicitados em troca da condenação de Cristo; foram alegadas leis; deram-se vistas; houve réplicas e tréplicas; representaram duas comédias, uma de Cristo profeta com os olhos vendados, e outra de Cristo rei com cetro e coroa.
     Jesus foi três vezes despido, e três vezes vestido; cinco vezes interrogado; duas vezes sentenciado; duas vezes mostrado ao povo; ferido e afrontado muitas vezes com a mão, outras vezes com a cana, centenas de vezes com o açoite. Nessas 12 horas mobilizaram contra Jesus lanças, espadas, fachos, lanternas, cordas, colunas, chicotes, varas, correntes; uma roupa branca, outra de púrpura; canas, espinhos, cruz, cravos, fel, vinagre, mirra, esponja, título com letras em hebraico, grego e latim, não escritas, mas entalhadas, conforme vemos em títulos semelhantes daquele época guardados hoje em museus; também estiveram envolvidos dois ladrões que ficaram de um lado e do outro do Senhor; cruzes para os dois ladrões; Cirineu que ajudou o Senhor a levar a cruz.
     Jesus pregou três vezes: uma a Caifás, outra a Pilatos, e outra às filhas de Jerusalém. Finalmente, caindo e levantando-se, foi levado ao Calvário e crucificado nele. 
     E como foi possível que todas essas coisas, tantas e tão diversas, puderam acontecer no curto período de 12 horas, tendo, além do mais, a metade delas acontecido durante a madrugada e de manhã cedo?
     Tudo isso só aconteceu, tudo isso só foi possível porque em todos esses tribunais, em todos esses conselhos, em todas essas resoluções e execuções, não entrou os dois principais instrumentos da burocracia de ontem e de hoje: o papel e a tinta.
     Se tudo o que aconteceu nessas 12 horas da vida de Jesus tivesse que ser feito com todas os atrasos, adiamentos, prorrogações, vagares, tardanças e delongas que envolvem a burocracia do papel e da tinta em vigor ontem e atualmente, ainda hoje a humanidade estaria esperando para ser redimida pelo sangue que Jesus derramou na cruz do Calvário.
     Só quatro palavras foram escritas durante esse período de 12 horas: as do título colocado no alto da cruz de Jesus (Jo 19.19), e imediatamente houve protestos, embargos, requerimentos, altercações, descontentamentos e teimas. E se Pilatos não tivesse se posicionado com firmeza diante da reação dos judeus, e dito: “O que escrevi, escrevi” (Jo 19.22), o caso se transformaria em apelação para César, que estava em Roma, a 2.322 quilômetros de distância de Jerusalém, e haveria, só para resolver a questão criada por essas quatro palavras, disputas religiosas, políticas e jurídicas que durariam vários anos.
     Portanto, não burocratizemos a nossa vida, e muito menos os assuntos relativos ao Reino de Deus, ou a tudo o que fazemos para Deus na casa de Deus, conforme muitos fazem hoje.
     (Adapt. do Serm. da Sext. Fer. da Quar. Lisb. 1662. A.V.)
Jefferson Magno Costa

sábado, 24 de dezembro de 2011

É NATAL!

Jefferson Magno Costa

O FILHO DE DEUS ENTRE OS HOMENS

Marcos Barbosa MG (1915-    )


Das tuas mãos tombaram como orvalho

nossas almas que os corpos iluminam,

e um encontro de amor somente humano

logo se abriu em dimensões divinas.


Pois não quiseste apenas vislumbrada

de longe a tua glória imarcessível,

mas derramaste em nós os teus segredos,

as ânforas sem fim dos teus mistérios.


Não bastaram, porém, aos teus anseios,

palavras proferidas por profetas

de lábio impuro e língua vacilante.


Baixou do Céu teu Verbo onipotente,

e começou, então, num seio virgem,

a comovida história de um Deus homem!


A CAMINHO DE BELÉM

Renato Travassos MG (1897-1960)


A noite se tornara mais agreste,

Quando Maria se sentiu cansada:

Quem lhe daria, santo Deus, pousada

E, contra o frio, confortante veste?


Soprava mais intenso o vento leste,

E mais difícil se fazia a estrada:

Para salvá-los na infeliz jornada,

Só mesmo alguma inspiração celeste.


Teve-a, afinal, José naquele instante:

Um pouso, à espera havia, não distante.

Embora fosse imunda estrebaria...


Uns passos mais, e eles penetram nela,

Que, então, ficou mais iluminada,

E ali, pouco depois, Jesus nascia!


SEGUNDA DOR

Alphonsus de Guimaraens MG (1870-1921)


Eram pastores rudes e pastoras

Que o sol do Oriente em beijos enrubesce,

E transforma em visões encantadoras

Na suavidade da alma que amanhece:


Eram bandos de velhos, e de louras

Crianças gentis, as mãos postas em prece,

Frontes humildes, almas sonhadoras,

Por onde a bênção do Senhor floresce:


Era a sublime adoração do povo,

À luz daquele celestial Presepe,

Diante do leito de um menino novo:


Diante do leito em que Ele adormecia,

Hoje de flores, amanhã de crepe,

Berço de Deus, Santo Sepulcro um dia.


NATAL

Luiz Edmundo RJ (1878-1961)


Cale-se o mundo, há um luar de místicos palores;

O vento lembra uma harpa a tocar em surdina.

Brilha pela extensão do céu da Palestina,

Num prenúncio feliz, a estrela dos pastores.


A vida acorda e vem do cálice das flores

À alma do homem que sente um fulgor que o fascina.

A ovelha bale, o boi muge, o pastor se inclina,

Há um bálsamo por tudo a amenizar as dores.


Jesus nasceu: a fé e os corações ampara.

Desce às almas buscando os íntimos refolhos,

Como os raios do sol numa lagoa clara.


Maria, porque vê Jesus, pequeno e langue,

Põe um riso feliz na doçura dos olhos,

Que hão de chorar, depois, lágrimas de sangue.


NATAL E CALVÁRIO

Flávio de Paula BA (1900-1967)


Belém. Nasceu Jesus. Estranha claridade

Circunda a noite em meio, a abóbada infinita.

Era a bênção do céu, era a visão bendita

Da aliança de Deus, por sobre a humanidade.


Era a paz, era o amor, era a fraternidade,

A mensagem - de luz por estrelas escrita...

Esperança - a sorrir para a criatura aflita,

Fanal - feito perdão, na treva da maldade...


Em verdade, porém, humanizado lírio

Entreabriu-se, aromal, para o horto do martírio,

Em chagas transmudando as pétalas de luz...


Lírio, um dia, a pender sob o ódio tumultuário,

No holocausto do amor, perfumando o Calvário,

Abrindo-nos o Céu, aos braços de uma cruz!...


NO PRESÉPIO

Gustavo Teixeira SP (1881-1937) 


Em Belém de Judá, na meia escuridade

Da noite que vai alta, em pobre manjedoura,

Exposta sobre palha à gélida umidade,

lirialmente sorri uma criança loura.


É o Menino Jesus. Estranha claridade

Toda a gruta ilumina e os seus cabelos doura.

Maria o beija, e José, com humildade,

Para adorá-lo, curva a fronte cismadora.


Jerusalém exulta! É nascido o Messias!

Rondas de anjos, tangendo as liras nas alturas,

Fazem na terra ouvir celestes melodias!


Eleva-se de tudo um hino de vitória

Ao que veio trazer ás suas criaturas

A Escada de Jacó que leva à Eterna Glória!


O MESSIAS

Jônathas Braga PE(1908-1978)


Da raiz de Jessé subiu a vara

Que havia de dar sombra ao mundo inteiro,

E desfraldar o lábaro altaneiro

Da verdade que o mundo rejeitara.


Em igualdade numa vida rara,

O lobo andará junto do cordeiro

E, em fraternal convívio verdadeiro,

A ursa e a vaca estarão na mesma seara.


Pois o renovo que subiu da terra

Todo o poder nas suas mãos encerra

E há de mudar as coisas de uma vez.


Porque ele há de ser grande entre os maiores,

Sendo o Senhor de todos os senhores,

E entre os reis do universo, o Rei dos reis.


NASCIMENTO

Heli Menegale MG(1903-1969)


Os humildes zagais sobre a montanha

Dormem. Na calma noite constelada,

A lua de alva luz a terra banha.

Nem um rumor, nem um cicio, nada.


O armento que de dia os acompanha,

Manso, repousa à espera da alvorada.

Mas, a uma luz, a uma harmonia estranha,

Ergue-se a pobre gente alvoroçada.


São anjos, são arcanjos clarinando,

São serafins e querubins cantando,

Cercados de divina claridade,


Horda que aos pegureiros anuncia

Ter, na simpleza de uma estrebaria,

Nascido o Redentor da Humanidade!


JESUS

Anderson Braga Horta  MG(1934- )



Noite clara em Belém. Canta em surdina

o luar no firmamento constelado.

Natal – noite de luz, noite divina.

Cristo – um lírio na treva do pecado.


Brilha agora, no céu da Palestina,

meigo, intenso clarão abençoado:

do espaço, a estrela aos simples ilumina

o berço do Senhor recém-chegado.


Os reis magos e os cândidos pastores

dão-lhe incenso, ouro e mirra, hinos e flores...

e o Menino, alegrando-se, sorria...


José fitava o céu, todo ventura.

E as estrelas, chorando de ternura,

cintilavam nos olhos de Maria.


AO NASCIMENTO DE CRISTO

Manuel Botelho de Oliveira BA(1636 – 1711)


Nasce o Verbo em Belém, pobre, humilhado,

Sendo supremo rei de toda a Terra,

E no corpo pequeno e breve encerra

Do seu divino ser, o imenso estado.


Naquela idade se prepara armado

Contra o inferno imortal que almas encerra;

E ao soberbo Lusbel movendo guerra

Por humildade o vê mais alentado.


Os demônios cruéis todos se espantam;

Chora e treme de frio o Verbo eterno;

Os anjos com voz doce nos encantam.


De sorte que o menino e Deus superno

Chora, porém de gosto os anjos cantam;

Treme, porém de medo treme o inferno.


NATAL

Olavo Bilac RJ(1865 – 1918)


No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino

De esperança pressaga enchia o céu, com o vento...

As árvores: “Serás o sol e o orvalho!” E o armento:

“Terás a glória!” E o luar: “Vencerás o destino!”


E o pão: “Darás o pão da terra e o pão divino!”

E a água: “Trarás alívio ao mártir e ao sedento!”

E a palha: “Dobrarás a cerviz do opulento!”

E o teto: “Elevarás do opróbrio o pequenino!”


E os reis: “Rei, no teu reino, entrarás entre Palmas!”

E os pastores: “Pastor, chamarás os eleitos!”

E a estrela: “Brilharás, como Deus, sobre as almas!”


Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,

Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos:

Sendo pobre, temia; e, sendo mãe, chorava.


JESUS ENTRE AS CRIANÇAS

Antônio Tomás (1868–1941)


Amo-Te, ó Cristo, ao ver as Madalenas

humildes, curvas aos teus pés, chorosas;

louvo-te ao ver as vagas procelosas

te obedecerem, calmas e serenas.


Eu admiro-te, pasmo, quando ordenas

às legiões satânicas, raivosas;

das turbas que a ti correm pressurosas,

eu te bendigo, consolando as penas.


Venero-te fazendo tantas curas,
e arrebatando a presa às sepulturas
com simples gesto destas mãos divinas.

Enfim te adoro ao ver-te agasalhando,
Sobre os joelhos, o formoso bando
destas cabeças louras, pequeninas!

 

Jefferson Magno Costa

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

JESUS: A ESTRELA DE BELÉM ERA TAMBÉM UMA FIGURA DOS PREGADORES

Jefferson Magno Costa    

         Aquela estrela que condu-
ziu os magos a Cristo era uma figura celestial e muito ilustre dos pregadores do Evangelho.

     Qual foi a missão daquela estrela? Iluminar, guiar e trazer homens a adorar e aceitar a Cristo, e não outros homens, senão homens infiéis e idólatras, nascidos e criados nas trevas da gentilidade. 

     Pois essa é a mesma missão e trabalho dos  pregadores, especialmente daqueles que saem em busca das almas que vivem totalmente afastadas e distantes de Cristo, e por isso eles também podem ser chamados de estrelas de Cristo.

     É muito curioso que essa estrela que guiou os magos a Cristo seja chamada particularmente de estrela de Cristo (Mt 2.2).

     Ora, todas as demais estrelas são também estrelas de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo que, como Deus, as criou.


      Então, por que motivo esta estrela, mais do que as outras, é chamada especialmente de estrela Sua? 
     Porque as outras estrelas foram geralmente criadas para ser tochas do Céu e do Mundo; esta foi criada especialmente para ser pregadora e exaltadora de Jesus Cristo.
     (A. V. Serm. da Ep. na Cap. Real. Lisboa, 1662)   
Jefferson Magno Costa

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