segunda-feira, 30 de agosto de 2010

MATEUS: O PRIMEIRO EVANGELISTA A ESCREVER SOBRE A “BOA NOVA”

Jefferson Magno Costa 
 Mateus, com muita propriedade, chamou sua obra de evangelho ou “boa nova”, pois escreveu para anunciar a todos a anulação da sentença de morte que pesava sobre todos nós; o perdão dos nossos pecados trazido por Jesus Cristo, a justiça, a santidade, a redenção, a filiação divina, a herança dos céus, nosso parentesco com o Filho de Deus.
     Todas essas notícias estavam sendo dadas a inimigos, a ingratos, a quem ainda vivia assentado nas trevas da morte. Que notícias podem ser comparadas a estas? Deus sobre a terra, para que o homem possa subir para o Céu! E tudo misturou-se: os anjos faziam coro com os homens, e os homens comunicavam-se com os anjos.
     A antiga inimizade foi desfeita, nossa natureza foi reconciliada com Deus, o diabo ficou confuso, os demônios fugiram em debandada, o paraíso foi reaberto, a morte sofreu grande derrota, a maldição foi desfeita, a “boa nova” da redenção passou a ser semeada, e a vida futura no céu começou a ser plantada na terra. Os anjos passaram a frequentar a terra continuamente, e nós pudemos olhar para a vida eterna com total confiança.
     Por isso Mateus chamou de “boa nova” o seu relato, como se tudo o mais não passasse de meras palavras desprovidas de sentido. Tudo o mais: a abundância de riquezas humanas, a grandeza de poder segundo a ótica dos homens, suas dignidades, suas honras e tudo o que os seres humanos consideram bens.
     Isto que os pescadores anunciaram, pode ser chamado autêntica e propriamente de boa notícia, boa nova, não só porque são bens firmes e inabaláveis, que estão acima dos nossos méritos, mas também porque nos foram dados gratuitamente. Não recebemos o que recebemos porque tenhamos antes trabalho e suado para merecê-lo. Não o recebemos por nos termos cansado e sofrido para alcançá-lo, mas unicamente porque Deus nos amou.
(Trecho das Noventa Homilias sobre o Evangelho de Mateus, pregadas na Igreja de Antioquia, entre os anos 390 a 398, por João Crisóstomo, o maior pregador da língua grega após o apóstolo Paulo. Tópico 2 da 1ª Homilia. Traduzido e adaptado para o leitor do século 21).




Jefferson Magno Costa

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