terça-feira, 26 de abril de 2022

OS PRIMEIROS GRANDES TEÓLOGOS DO CRISTIANISMO DÃO SEU TESTEMUNHO SOBRE SUA FÉ NA EXISTÊNCIA DE DEUS

 


Jefferson Magno Costa

Se quiséssemos enumerar todos os teólogos que dedicaram seu tempo e sua vida na busca de um conhecimento maior acerca de Deus, seria necessário escrevermos vários livros. Na verdade, cada teólogo tem sido um filósofo a serviço do pensa­mento cristão. Imaginemos uma reunião desses homens, onde cada um deles expusesse suas descobertas acerca de Deus. O que ouviríamos? Para reproduzirmos a voz de alguns desses mais antigos teólogos, cujas palavras acerca do Criador foram proferidas dezenas e centenas de anos após a morte do apóstolo Paulo, tomaremos como base alguns dos livros escritos por eles, especialmente a excelente História da Filosofia Cristã, escrita por Philotheus Boehner e Etienne Gilson, que reúne excelentes estudos sobre esses teólogos.

CLEMENTE DE ALEXANDRIA

O mais antigo desses teólogos é Clemente de Alexandria (150-217 d.C), nascido em Atenas, filho de pais gentios, e conver­tido ao cristianismo ainda jovem. Ele ensinava que "é impossível qualquer conhecimento sem a fé. Esta é o fundamento da verda­de". Clemente insistia muito com os cristãos de sua época para que eles se empenhassem, através da busca constante do conhecimen­to, em fortalecer cada vez mais a fé. "A medida em que vamos crescendo na graça, devemos empenhar-nos em obter um conhe­cimento sempre mais perfeito de Deus". Sua contribuição a esse conhecimento está resumida nestas palavras:
"Não sabemos o que Deus é; podemos saber, contudo, o que ele não é. É impossível conhecê-lo por meio de argu­mentos baseados em princípios inferiores a ele; pois Deus não tem causa, senão que, ao contrário, ele próprio é a razão e a causa de todas as outras coisas. Não foi sem razão que Paulo pregou, em Atenas, o 'Deus desconhecido', pois a sua essência permanece incognoscível (não pode ser conhecida) à razão natural". (Philoteus Boehner e Etienne Gilson: História da Filosofia Cristã. Tradução de Raimundo Viera. 3a. edição. Petrópolis, Vozes, 1985, p. 44)
ORÍGENES
Filho de Leônidas, que morreu como um dos mártires do Cristianismo, Orígenes nasceu no Egito no ano 185. Foi um dos maiores teólogos da Igreja Primitiva, tão apaixonado pelo estudo e divulgação da teologia, que chegou a castrar-se, num excesso de zelo pela utilização de todo o seu tempo nesses estudos.
Para Orígenes era impossível existir vários deuses, pois a harmonia do universo é a grande prova de que só um Arquiteto todo-poderoso poderia criá-la e mantê-la. "E impossível que a unidade e a ordem cósmicas se originem de uma multidão de espíritos, ou dos supostos deuses das esferas". Ele insistia também em mostrar que "Deus é inacessível a todo entendi­mento humano", havendo, porém, um meio de o homem natural obter provas de sua existência: através da observação do uni­verso e das criaturas. Eis como, resumidamente, Orígenes conceitua Deus:
"Deus é Espírito, mas está ainda mais além do espírito; é o Pai da Verdade, mas é mais que a verdade, e maior do que ela; é o Pai da sabedoria, mas é melhor que a sabedo­ria. Deus é Vida, mas é maior que a vida. Deus é ser, mas está além do ser."
GREGÓRIO NAZIANZENO
Nasceu no ano 330, próximo à cidade de Nazianzo. Assim como Orígenes, Gregório também afirmou que a Criação é a maior testemunha da existência de um Criador. Seu pensa­mento pode ser resumido nos seguintes termos:
"Um simples olhar para a Criação nos convencerá de que não é nela mesma, e sim em algo transcendente que devemos buscar-lhe a razão de ser. Quem é o autor desta ordem determinada e concreta que reina nos corpos celes­tes e terrestres, bem como em todos os seres que povoam os ares e as águas? O acaso? Não. E Deus!"
AGOSTINHO E SUA GRANDIOSA BUSCA DE DEUS
Enfoquemos agora o pensamento do maior teólogo da Igreja Primitiva. Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, na Numídia, país da África, em 354. Foi um dos maiores gênios da teologia e filosofia cristãs de todos os tempos. Sua herança literária compõe-se de 1.030 obras, entre tratados, sermões e cartas. O conceito fundamental da existência de Deus pareceu a Agosti­nho tão fácil e evidente, que o ateísmo deveria ser considerado loucura de poucas pessoas, devido mais à corrupção do coração do que a uma verdadeira convicção do espírito.
Logo após sua conversão ao cristianismo, Agostinho decla­rou que estava decidido a pesquisar com todo o empenho os mistérios de Deus: "Estou decidido a possuir a Verdade não só pela fé, senão também pela inteligência." Lendo e meditando profundamente as Escrituras Sagradas, Agostinho teceu ri­quíssimos comentários sobre as dificuldades que o espírito humano encontra em sua marcha até Deus.
Comentou o grande teólogo que em nosso estado presente, nossos olhos físicos não estão organizados para contemplar o sol visível, porém só para olhar o mundo sob a luz desse sol. Os olhos não suportarão olhar a fonte da luz e sim os objetos iluminados pelos raios dessa fonte. Este fato está cheio de uma profunda significação. Ocorre o mesmo com a nossa alma.
No estado natural do homem, nesse estado em que nascemos, nossa alma não é capaz de ver a Deus tal qual ele é pessoal­mente, mas é capaz de contemplar a luz que ele lança sobre a alma e sobre o Universo. Para ver a Deus é necessário, portan­to, uma mudança de natureza. Baseando seus argumentos no capítulo três do Evangelho de João, Agostinho mostra que esse nascer de novo — condição indispensável para se ver a Deus — o homem não pode dar-se a si mesmo; só Deus que o criou.
"Como conhecer a Deus?" — pergunta Agostinho. "Qual é o itinerário da razão desde a cegueira e a ignorância em que nascemos, até a visão de Deus? Embora caído, o ser humano não está definitivamente separado da fonte eterna. Deus abriu-lhe uma porta de regresso a ele mesmo: Jesus Cristo. Todos, consciente ou inconscientemente, buscam esse reencontro com Deus."
No seu livro Confissões, Agostinho relata sua própria expe­riência, quando ele ardentemente buscava ter um encontro com o seu Criador: "Será possível, Senhor meu Deus, que se oculte em mim alguma coisa que vos possa conter?", — perguntava ele, tateando nas trevas. Para Agostinho, o mundo visível era um degrau, um ponto de apoio que o ajudava a elevar-se mais:
"Subirei mais alto ainda que essa força existente em mim, e a tomarei como um degrau para subir Àquele que me criou. Vejamos até onde pode ir a razão elevando-se do visível ao invisível, do passageiro ao eterno. Não contemplarei em vão toda essa beleza do céu, o curso regular dos astros... Não os contemplarei para excitar uma inútil curiosidade, senão que me servirei deles como de degraus para elevar-me ao Imortal, ao Imutável."
Para Agostinho, as maravilhas na terra e nos céus realmen­te testemunhavam a glória e a existência de Deus, e eram como uma escada que o fazia subir ao reconhecimento da existência do Criador.
As palavras com que esse grande pesquisador dos mistérios de Deus registrou o esforço de sua busca são dignas de ser integralmente reproduzidas aqui:
"Quando eu busco a meu Deus, não busco forma de corpo, nem formosura transitória, nem brancura de luz, nem melodia de canto, nem perfume de flores, nem unguentos aromáticos, nem mel, nem maná deleitável ao paladar, nem outra coisa que possa ser tocada ou abraçada; nada disso busco, quando busco a meu Deus. Porém, acima de tudo isto, quando busco a meu Deus, busco uma luz sobre toda luz, que os olhos não veem, e uma voz sobre toda voz, que os ouvidos não ouvem, e um perfume sobre todo perfume, que o nariz não sente, e uma doçura sobre toda doçura, que o paladar não conhece, e um abraço sobre todos os abraços, que o tato não alcança, porque esta luz resplandece onde não há lugar, e esta voz soa onde o ar não a leva, e este perfume é sentido onde o vento não derrama, e este sabor deleita onde não há paladar, e este abraço é recebido onde nunca será desfeito."
ANSELMO: É IMPOSSIVEL PENSARMOS EM ALGUÉM MAIOR QUE DEUS
Anselmo de Cantuária (1033-1109) é, depois de Agostinho, o teólogo que mais conseguiu acrescentar algo de considerável ao conhecimento que os demais teólogos, através de suas me­ditações, tinham conseguido sobre Deus. Anselmo era italiano. Como teólogo e filósofo cristão, ele tornou-se famoso ao escrever dois livros: o Monológio e o Proslógio, onde tenta demonstrar a existência de Deus sem recorrer à autoridade das Sagradas Escrituras, com o intuito de provar que existem também evi­dências extra-bíblicas da existência do Criador.
E no Proslógio que Anselmo chega à seguinte conclusão:
"Tenho dentro de mim a idéia de um Ser tal que não se pode imaginar nada maior, isto é, um Ser infinito; logo, esse Ser existe, pois eu o vejo em certo sentido, desde o momento em que penso nele. O que está na realidade, além de estar no pensamento, é mais perfeito que o que só está no pensamento: portanto, Deus é real, porque se não existisse, não seria tal que não se pode pensar em outro maior."
Esta famosa prova da existência de Deus passou a ser conhecida como argumento ontológico.
TOMÁS DE AQUINO: A FÉ E A RAZÃO  — DOIS CAMINHOS PARA DEUS
Neste admirável concerto de vozes ilustres que nos ensinam que é possível obterem-se provas da existência de Deus através da razão, destaca-se Tomás de Aquino. O que disse sobre a existência de Deus esse teólogo italiano, nascido em 1225, é digno de ser conhecido por todos nós, apologistas do cristianis­mo.
Aquino afirmou que os meios de se conhecer a Deus são dados aos seres humanos em todos os lugares e sempre, em nós e fora de nós. Em nós, o próprio Deus nos ilumina através da fé; fora de nós, ele nos ilumina também, dando-nos um livro que é sua obra, o mundo. Por que os homens não lêem esse livro? Seus pecados os impedem; este é o obstáculo real, diz Aquino. O homem é um ser pensante; através de sua capacidade de raciocinar (que nos distingue dos animais irracionais), através da simples observação da natureza, ele se depara com provas da existência de Deus. Portanto, tanto a fé como a razão conduzem o homem ao reconhecimento da existência do Cria­dor. Porém, "os olhos da alma, enfermos pelo pecado, não podem fixar essa Luz sublime se não forem purificados pela justiça da fé".
Usando a luz como ilustração para exemplificar como a razão e a fé conduzem o ser humano ao conhecimento da existência de Deus, Aquino diz que durante nossa viagem terrestre, a luz do sol brilha sobre nós de duas maneiras: Algumas vezes, como uma débil claridade: é a luz da nossa inteligência natural; é uma partícula da luz eterna, porém distanciada, defeituosa, comparável a uma sombra com um pouco de luz. Outras vezes a luz brilha em um grau mais alto, com uma claridade mais abundante, e nos põe como que em presença do próprio sol. Nessa ocasião nosso olhar estará deslumbrado, porque contempla o que está acima de nós, acima dos sentidos humanos — essa é a luz da fé.
Comentando 1 Coríntios 13.12: "Porque agora vemos em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conhe­ço em parte, então conhecerei como sou conhecido" (ARA), Aquino diz que para o homem natural, a criação inteira é um espelho. "A ordem, a beleza, a grandeza que Deus espalhou sobre suas obras nos fazem conhecer sua sabedoria, sua verda­de e sua divina infinitude. Esse é o conhecimento que se tem chamado visão em um espelho." O que é, portanto, a visão face a face? Aquino responde:
"Quando vemos em um espelho, não vemos a própria coisa, senão sua imagem. Mas quando vemos face a face, vemos a própria coisa tal como ela é. Quando o apóstolo diz que na Pátria veremos a Deus face a face, quer dizer que veremos a essência de Deus. Do mesmo modo como Deus conhece a minha essência, conhecerei também a Deus em sua essência."
Poderíamos citar aqui a frase de Platão a respeito da seme­lhança de conclusões a que chegaram os maiores filósofos sobre Deus: "Todos eles têm a mesma linguagem". O mesmo ocorre com os teólogos antigos e modernos: eles depositaram suas vidas e inteligências aos pés daquele a quem deviam tudo — Deus. Veremos, a seguir, que não só filósofos e teólogos fazem parte desse coral de vozes ilustres que proclamam a existência de Deus: os cientistas também deixaram os seus testemunhos.
Jefferson Magno Costa



domingo, 24 de abril de 2022

GRANDIOSIDADE E RIQUEZA DA BÍBLIA

 SEGUNDO TRÊS PAIS DA IGREJA: CRISÓSTOMO, AGOSTINHO E JERÔNIMO


João Crisóstomo (349-407; seu nome significa “boca de ouro”, devido à sua vulcânica eloquência), foi pastor da Igreja do Senhor em Antioquia, a mesma Antioquia citada 17 vezes em Atos dos Apóstolos, e onde “foram os discípulos, pela primeria vez, chamados cristãos” (At 11.26). Esse inspiradíssimo pastor disse que nas Sagradas Escrituras, mesmo em uma pequenina sílaba, há uma grande riqueza de significados, pois na Palavra de Deus estão ocultos tesouros divinos.
Crisóstomo comentou também que a Bíblia é semelhante a uma caudalosa fonte de águas cristalinas, que está sempre jorrando riquezas e mais riquezas. É tanta a sua abundância, que aqueles que nos antecederam tiraram muitíssima água dela, e os que vierem depois de nós, também tirarão muito proveito dessa fonte inesgotável.
     Eis como o grande pregador concluiu o seu comentário: “É conveniente que os que lerem as Sagradas Escrituras não passem por suas páginas apressadamente, porque nelas está escondida muita riqueza de significados. E a razão disso é por que elas foram ditadas pelo Espírito Santo. Consequentemente, não há nelas nem uma sílaba nem um ponto sequer nos quais não esteja oculto um grande tesouro”.
     O inspiradíssimo pregador e magistral teólogo Aurélio Agostinho (354-430), que pastoreou um privilegiado rebanho em Hipona (atual Annaba, na Argélia) também fez inúmeros comentários acerca das riquezas contidas nas Sagradas Escrituras. Disse Agostinho que a Palavra de Deus é o terreno sólido e fértil que Deus nos deu para cultivarmos, e sobre o qual devemos edificar o edifício da nossa pregação. Porém, é necessário cavarmos muito fundo até encontrarmos a rocha, que é Cristo.
Agostinho afirmou também que em tudo quanto há de rico, edificante e eloquente nas Escrituras ressoa o nome de Jesus Cristo. Porém, é necessário que haja olhos e orelhas ungidos para ver e ouvir esse eco maravilhoso do Nome que está sobre todo nome. Ele costumava dizer que lera a Bíblia dezenas de vezes, e em todas as suas páginas só encontrava Jesus.
     Jerônimo (347-420), grande comentarista e tradutor da Bíblia, tinha uma reverência tão grande pelas Sagradas Escrituras, que dizia que todo tradutor ou comentarista deveria respeitar até a ordem, a sequência na qual os escritores da Palavra de Deus haviam colado as palavras do texto sagrado, “porque até na ordem segundo a qual as palavras da Bíblia foram colocadas para formar as frases, há mistérios”.)
Jerônimo ensinava que as Sagradas Escrituras não podiam ser entendidas sem que o intérprete manifestasse a Jesus Cristo, que nelas está oculto. Segundo ele, os judeus não entendiam as Escrituras porque não conseguiam ver nelas a Jesus Cristo, que é a cabeça e a coluna vertebral da Palavra de Deus. Na visão de Jerônimo, as Escrituras sagradas estão grávidas de altos e soberanos mistérios de Deus.
Jefferson Magno Costa

sexta-feira, 22 de abril de 2022

POR QUE O NOVO TESTAMENTO É DIGNO DE CONFIANÇA

 


Jefferson Magno Costa

O fato que mencionaremos a seguir não ocorre com relação a nenhum livro secular antigo; só com os livros que compõem o Novo Testamento.

Graças à quantidade de cópias manuscritas, escritas a partir do II século da Era Cristã (existem quase 5.000 manuscritos gregos do NT, aproximadamente 8.000 da Vulgata Latina – tradução do NT do grego para o latim -, e uns 1.000 manuscritos compondo a coleção das versões primitivas, perfazendo assim cerca de 14.000 cópias manuscritas do Novo Testamento); graças às citações que os mais antigos escritores da Igreja Primitiva fizeram dos 27 livros neotestamentarios, seria possível reconstruirmos hoje integralmente o texto do Novo Testamento a partir dos versículos e passagens inteiras citados pelos primeiros escritores da Igreja Primitiva. Diante desses dois fatores - existem muitos outros – podemos ter absoluta certeza de que os livros do Novo Testamento lidos por nós hoje correspondem fielmente àqueles que foram escritos pelos apóstolos e discípulos de Jesus.

A SUPERIORIDADE DOS MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO COM RELAÇÃO AOS MANUSCRITOS DOS LIVROS DE AUTORES CLÁSSICOS
Se compararmos hoje o grau de confiabilidade que os manuscritos do Novo Testamento oferecem em relação aos manuscritos da chamada Literatura Clássica da Antiguidade, veremos o quanto o Novo Testamento é superior. Os eruditos e críticos literários aceitam como verdadeiros os textos de obras de autores gregos e romanos, como Heródoto, Demóstenes, Sófocles (escritores gregos), Virgílio, Tácito e Suetônio (escritores romanos), e muitos outros. Ora, o fato é que hoje muitos desses eruditos e críticos são capazes de colocar em dúvida a autenticidade do Novo Testamento, mas eles ficariam envergonhados se soubessem que nenhuma obra da literatura clássica greco-romana tem a mínima condição de competir em número de provas de sua autenticidade interna (ou externa) com o Novo Testamento!
Enquanto existem cerca de 14 mil cópias manuscritas, reproduzindo fielmente o texto original do Novo Testamento, dos livros seculares da Antiguidade só existem 10, 20, 100 e no máximo 200 cópias, como ocorre com os discursos do maior de todos os oradores gregos, Demóstenes (384-322 a.C.).
Além do mais, temos de considerar as datas em que essas cópias foram feitas. No caso de Demóstenes, por exemplo, seus discursos foram escritos entre os anos 350 a 322 antes de Cristo. A cópia mais antiga que temos hoje de um desses discursos data do ano 1.100 d.C. Portanto, entre o manuscrito original e a cópia mais próxima que temos dele, hoje existe um espaço de tempo de 1.400 anos – um verdadeiro abismo! Mas nenhum crítico põe em dúvida a autenticidade de Demóstenes. Vejamos ainda a situação das obras de outros escritores.

ARISTÓTELES (384–322 A.C.)
Não sabemos exatamente quando o filósofo grego Aristóteles começou a escrever suas obras. Portanto, os pontos de referência a que nos reportamos são as datas do seu nascimento e de sua morte. Hoje, são conhecidas cinco cópias manuscritas, em grego, de algumas obras daquele que teve, entre os seus discípulos, Alexandre, o Grande. Elas datam do ano 1.100 depois de Cristo, existindo, portanto, o mesmo abismo de separação de 1.400 anos entre as cópias e o manuscrito original, conforme ocorre com Demóstenes. E também no caso de Aristóteles, os eruditos e críticos não vêem nenhuma dificuldade em aceitar suas obras como autênticas.

TÁCITO (55–120 D.C.)
O famoso livro de história de autoria do escritor romano Cornélio Tácito, intitulado Anais, foi escrito por volta do ano 100 d.C. A mais antiga cópia que temos do manuscrito original desse livro (ao todo existem 20 cópias manuscritas) é do ano 1.000 d.C. Portanto, 1.000 anos a separa do manuscrito sobre o qual Tácito deslizou suas mãos. E todos os historiadores hoje leem confiadamente os Anais de Tácito.

 SUETÔNIO (69–141 d.C.)
A cópia mais antiga que temos hoje da Vida dos Doze Césares foi escrita no ano 950 d.C. Entre essa cópia e a época em que a obra foi escrita, há um espaço de 800 anos. Mas ninguém põe dúvida sobre a autenticidade do livro de Suetônio.

TEMPO QUE SEPARA OS MANUSCRITOS ORIGINAIS DO NT DE SUAS PRIMEIRAS CÓPIAS
E quanto ao Novo Testamento, que espaço de tempo separa os manuscritos originais de suas cópias mais antigas? Para respondermos a esta pergunta, e demonstrarmos o quanto as cópias manuscritas neotestamentárias superam em número e antiguidade as cópias dos livros de literatura clássica greco-romana, é necessário tecermos um breve comentário sobre os mais famosos documentos do Novo Testamento, guardados atualmente nos grandes museus e bibliotecas do mundo.

UM FRAGMENTO DO EVANGELHO DE JOÃO
A mais antiga cópia manuscrita do Novo Testamento data do ano 130 d.C. Incompleta, ela contém parte do Evangelho de João, e sua descoberta no início deste século foi de importância capital para se desmentir a teoria do professor de Tubingen, na Alemanha, Ferdinand Cristian Baur, que dizia que o Quarto Evangelho tinha sido composto por volta do ano 200 d.C. Porém, está confirmado hoje que João concluiu seu Evangelho antes do ano 1000 d.C. Esse fragmento do Quarto Evangelho é conhecido como Manuscrito John Ryland, por se encontrar guardado na Biblioteca John Ryland, em Manchester, Inglaterra. A partir desse documento é possível verificar o quanto o Novo Testamento lido hoje por nós é fiel.

O PAPIRO CHESTER BEATTY
A autenticidade e confiabilidade do Novo Testamento pode ser também confirmadas comparando-se o texto que lemos hoje em nossas Bíblias, com o Papiro Chester Beatty – uma cópia incompleta do NT, datada do ano 200 d.C. Nenhum livro secular dispõe de cópias escritas em cima da época tão próxima a do ano em que foi escrito o seu manuscrito original. O erudito cristão Sir Frederic Kenyon afirmou que “nenhum outro livro antigo dispõe do testemunho da autenticidade do seu texto, tão abundante e tão próximo ao original, conforme dispõe o Novo Testamento. Nenhum estudioso honesto negará que o texto do NT chegou até nós substancialmente íntegro e fiel aos manuscritos originais”.
O Papiro Chester encontra-se hoje guardado na Universidade Chester Beatty, em Dublin, capital da Irlanda.

DIATESARÃO, OU HARMONIA DOS QUATRO EVANGELHOS
Por volta do ano 160 d.C., o escritor Taciano, um assírio convertido ao Cristianismo, escreveu uma obra intitulada Diatesarão, que em grego significa “uma harmonia de quatro partes”. Hoje, essa obra é conhecida como “harmonia dos Quatro Evangelhos”. Através dela também podemos comprovar a fidelidade dos Evangelhos.

 O CÓDICE SINAÍTICO
Em 1844, o pesquisador alemão Tischendorf estava manuseando alguns velhos papéis que ele encontrara junto com outros destinados ao lixo, no Mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai, quando de repente deparou-se com uma relíquia: ele encontrara o Códice Sinaítico! Esse manuscrito contém quase todo o Novo Testamento (falta apenas Mc 16.9-20 e Jo 7.53-8.11), e foi escrito por volta do ano 350 d.C. O responsável pelo Mosteiro doou esse documento ao Czar da Rússia em 1859, mas no Natal de 1953, a Inglaterra o comprou por 100.000 libras. Atualmente, ele se encontra guardado no Museu Britânico. O Códice Sinaítico constitui-se em mais um instrumento através do qual é possível hoje verificar-se a fidelidade do texto do Novo Testamento.

OUTROS DOCUMENTOS PRECIOSOS
Além dos documentos citados até aqui, existem outros que fazem parte dos pontos de referência de que lançamos mão como evidências internas da confiabilidade do Novo Testamento. Eles são o Códice Vaticano, escrito por volta do ano 350 d.C., e que contem quase toda a Bíblia em grego (está guardado na Biblioteca do Vaticano); o Códice Alexandrino (escrito em 400 d.C.), guardado no Museu Britânico, contendo também quase toda a Bíblia; e outros.
O que se conclui diante de tudo isso, é que nenhum outro livro está tão bem respaldado bibliograficamente como o Novo Testamento. Isto se deve ao zelo e à reverência com que os antigos copistas (ou escribas) trabalhavam na preparação das cópias, e principalmente à providência de Deus em reservar para a sua Igreja um texto fiel e exato das Escrituras. A abundância de testemunhos dessa fidelidade chegados até nós colocam o Novo Testamento acima de qualquer outro livro no mundo.
Os eruditos e críticos aceitam como dignos de confiança os livros da literatura clássica, mesmo sabendo que as cópias manuscritas mais antigas desses livros estão mais de mil anos distantes da época em que foram escritos originalmente por seus autores. E em muitos casos, o número de manuscritos existentes é muito pequeno. Diante disto, podemos ver o quanto o Novo Testamento, com suas quase 14.000 cópias manuscritas, muitas delas escritas em épocas bem próximas aos manuscritos originais, é digno de confiança!
Jefferson Magno Costa

quarta-feira, 20 de abril de 2022

GRANDES NATURALISTAS, FÍSICOS E MATEMÁTICOS RECONHECEM A EXISTÊNCIA DE DEUS

 


"O Deus eterno, o Deus imenso, sapientíssimo e onipotente passou diante de mim. Eu não vi o seu rosto, mas o resplendor de sua luz encheu de assombro e admiração a minha alma. Tenho estudado aqui e ali as marcas de sua passagem entre as criaturas, e em todas as suas obras, inclusive nas mais pequeninas, nas mais imperceptíveis, que poder, que sabedo­ria, que imensa perfeição!" Estas palavras foram escritas pelo cientista sueco Carlos Lineu (1707-1778), grande naturalista, criador da sistemática dos animais e das plantas, considerado mundialmente o fundador da Botânica moderna.
O testemunho de cientistas do porte de Carlos Lineu depõe contra a opinião de milhões de pessoas que afirmam haver inimizade entre a ciência e a fé. Hoje, muitos estudantes, influenciados pelos seus professores, confessam-se ateus por julgarem que isto os colocará em pé de igualdade com os grandes cientistas — que, segundo pensam, eram ateus. Mas esses jovens estão enganados. Os grandes cientistas reconhe­ceram a existência de Deus.
Em 1903, o doutor Dennert (filho de uma família protestante da Alemanha), publicou em Berlim um livro sobre a vida de 300 cientistas famosos. Vinte daqueles homens confessavam-se ateus, 38 não quiseram revelar suas opiniões religiosas, e 242 afirmaram crer na existência de Deus. Vários anos depois, outro escritor realizou na França uma pesquisa entre 432 cientistas, e descobriu, surpreso, que apenas 16 deles confes­savam-se ateus. Os demais, de um modo ou de outro, apresen­tavam motivos para crer na existência do Criador. Vemos que só os espíritos rasos, superficiais, negam a existência de Deus.
São oportunas aqui as palavras de um moderno apologista da fé cristã:
"O ateísmo encontra-se mais frequentemente na meia-ciência, isto é, nesta turbamulta de inteligências medío­cres que, por haverem galgado uma cátedra universitária, já se julgam com autoridade para falar em nome da Ciência, com o C maiúsculo. Em torno do seu nome, o ruído do escândalo poderá levantar uma notoriedade fugaz, pois mais barulho fazem dez homens que gritam que dez mil que silenciam. Mas são vozes passageiras; delas a história da ciência não conservará sequer a sobrevivência de um eco atenuado. Os príncipes do saber, os que enriqueceram a ciência com a profundidade do seu pensamento e a originalidade das suas descobertas, esses que sobrevivem a pontear, como astros de primeira grandeza, o Armamen­to da ciência, continuam a cantar a glória de Deus.

"EU NUNCA FUI ATEU!" DISSE DARWIN
Quando o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) faleceu, seu filho Francis Darwin publicou o livro A Vida e a Correspondência de Charles Darwin. Em uma de suas cartas, datada de 2 de abril de 1873, Darwin escreveu:
"Posso dizer-vos que a impossibilidade de considerar este magnífico universo, que contém o nosso 'eu' consciente, como obra do acaso, é para mim o principal argumento em favor da existência de Deus."
Em outra carta, datada de 3 de julho de 1881, Darwin confessou ao seu amigo W. Graham:
"Devo dizer-vos que em vosso livro Pretensões da Ciência expressastes a minha profunda convicção, e mesmo mais eloqüentemente do que eu saberia fazê-lo, isto é, que o universo não é e nem pode ser obra do acaso."
Porém, a frase que se destaca neste livro sobre Darwin é esta sua declaração:
"Por piores que fossem as crises que atravessei, nunca desci até ao ateísmo, nunca neguei a existência de Deus."
O verdadeiro homem da ciência prefere repetir as palavras do salmista, que há muitos séculos disse: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de suas mãos" (Salmo 19.1). Leiamos o testemunho dos cientistas, desses homens cujas cabeças se embranqueceram no estudo da ciência. Quase todos eles confessaram ter visto as pegadas de Deus impressas nos caminhos por onde passaram. Ouçamos suas vozes, registradas no mesmo tom de adoração e reconhe­cimento da existência do Criador de todas as coisas.
FÍSICOS E MATEMÁTICOS
Abramos este tópico citando as palavras do grande físico e matemático inglês Sir Isaac Newton (1642-1727), descobridor da Lei da Gravitação, e um dos grandes estudiosos da mecânica celeste. Deslumbrado diante da harmonia reinante entre os planetas, Newton escreveu:
"Esta elegantíssima coordenação do sol, das estrelas, dos planetas e dos cometas não pode ter outra origem que o plano e o império do Ser dotado de inteligência e de poder, que tudo domina, não como alma do mundo, mas como o Senhor de todas as coisas, eterno, infinito, onipotente, onisciente."

Outro grande físico inglês, William Thompson, confessou que "provas brilhantes de uma ação inteligente multiplicam-se em torno de nós e, se por vezes, dúvidas metafísicas nos afastam temporariamente destas idéias, elas voltam com uma força irresistível. Elas nos ensinam que todas as coisas vivas dependem de um Criador e de um Senhor Eterno."
O genial matemático francês Luís Cauchy (1789-1857), con­siderado o primeiro geômetra do século 15, afirmou não temer os estudos que muitos dos seus contemporâneos faziam para tentar provar a inexistência de Deus ou lançar dúvidas sobre a autenticidade da Bíblia:
"Cultivai com ardor as ciências abstratas e naturais; estudai a matéria; desvendai ante nossos olhares admira­dos as maravilhas da natureza; explorai, se puderdes, todas as partes deste universo; pesquisai depois nos anais das nações, nas histórias dos povos antigos; consultai em toda a superfície do globo os velhos monumentos dos séculos passados. Muito longe de me assustarem estas pesquisas, eu sempre mais as provocarei, anima-las-ei com meus esforços e votos. Nunca temerei que a verdade se possa achar em contradição consigo mesma, ou que os fatos e documentos por vós acumulados possam jamais achar-se em desacordo com as Sagradas Escrituras."

O MAIOR INVENTOR NORTE-AMERICANO DECLARA A SUA FÉ NA EXISTÊNCIA DE DEUS
Em uma de suas viagens a Paris, o cientista norte-america­no Thomas Alva Edison (1847-1931), um dos maiores invento­res de todos os tempos, visitou a Torre Eiffel. Após haver percorrido toda a torre, trouxeram-lhe um livro no qual os visitantes ilustres registravam suas impressões. Eis o que Edison escreveu:
"Ao senhor Eiffel, arquiteto desta torre: Sou um homem que admira todos os engenheiros do Universo; mas que profunda admiração tenho pelo maior de todos eles, que é Deus!"
O físico francês André-Maria Ampére (1775-1836), que pas­sou para a história como o grande cientista da eletricidade dinâmica, escreveu em 1804 no seu Diário a seguinte medita­ção, dirigida à sua própria alma:
"Passa a figura deste mundo; se te nutrires de suas vaidades, passarás como ele. A verdade de Deus para sempre permanece. Deus meu! que são todas estas ciên­cias, todos estes raciocínios, todas estas geniais descober­tas, todos estes vastos pensamentos que o mundo admira e de que tão avidamente lhe sacia a curiosidade? Na verdade, não são mais que coisas vãs. Estuda, sem preci­pitação. Estuda as coisas deste mundo, pois é dever de tua condição, mas conservando os olhos fixos na Luz eterna. Escuta os sábios, prestando porém sempre ouvidos aos doces acentos da voz do teu celestial Amigo. Escreve só com uma mão. Com a outra segura na mão de Deus, como o menino se agarra na vestimenta de seu pai... Assim perma­neça, minha alma, de hoje em diante, sempre unida a Deus e a Jesus Cristo!"
Professor da Universidade de Copenhague, Oersted (1777-1851) tornou-se mundialmente famoso ao descobrir a ação da eletricidade sobre o fluído magnético, vindo esta descoberta a resultar na invenção da telegrafia elétrica. Eis o testemunho desse grande cientista dinamarquês:
"Todo estudo aprofundado da Natureza leva a Deus. Tudo o que existe é obra incessante de Deus, obra em que a infinita perfeição de sua sabedoria imutável imprimiu seu selo. É esta ação perpétua da divina sabedoria e sua eterna identidade consigo mesma que a observação cien­tífica batiza com o nome de leis da Natureza... A contem­plação do mundo estrelado nos deve ensinar que nada somos diante de Deus, mas que somos alguma coisa por sua bondade."
Também fazendo parte do grupo de cientistas voltados para os estudos sobre a eletricidade, o físico escocês James Maxwell (1831-1879) costumava concluir suas comunicações científicas à Sociedade Real de Londres fazendo verdadeiras orações a Deus. Eis as palavras que Maxwell leu diante de dezenas de cientistas que ouviam uma de suas comunicações científicas:
"Deus Todo-poderoso, que criaste o homem à tua imagem e lhe deste uma alma que pudesse te procurar e reinar sobre as criaturas, ensina-nos a perscrutar as obras de tuas mãos de tal modo que saibamos submeter a terra para nossas necessidades e ao mesmo tempo fortalecer nosso espírito para teu serviço. Concede-nos que recebamos tua santa Palavra com fé naquele que mandaste para nos ensinar a ciência da salvação e a remissão de nossos pecados. Nós o pedimos em nome do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor."

O TESTEMUNHO DO INVENTOR DA TELEGRAFIA SUBMARINA
Que belas palavras pronunciadas por alguém cuja vida foi empregada no estudo da Ciência! Quanto mais lemos o teste­munho desses homens, mais e mais constatamos estar certís­sima a afirmação de Francis Bacon: "Pouca ciência afasta o homem de Deus; muita ciência a Deus o conduz."    Eis um testemunho deixado por um grande pesquisador a Física, o alemão Ernesto Siemens (1816-1892), durante um congresso científico em 1886. Siemens foi o inventor da telegrafia submarina, de dínamos e do pirômetro elétrico:
"Quanto mais profundamente penetramos neste domínio das forças da Natureza, tão harmonioso e regulado por leis imutáveis, e ao mesmo tempo tão longe de ser por nós plenamente compreendido, tanto mais nos sentimos leva­dos a nos refugiar na modéstia e humildade, tanto mais acanhado nos parece o círculo de nossos conhecimentos, tanto mais vivamente aspiramos a sempre mais haurir nesta fonte inesgotável do saber e do poder, tanto mais, finalmente, cresce nossa admiração e sobe nossa gratidão para com a infinita Sabedoria reguladora que dirige todo o Universo."
Outro físico que deixou um garande testemunho sobre sua fé na existência de Deus foi o francês Augusto De La Rive (1801-1873), que tornou-se célebre pelas suas experiências com a capacidade calorífica dos gases. Em 1860, ao concluir suas lições de física, De La Rive escreveu:
"Se alguma coisa aprendi nos longos anos de estudo, que foram um dos maiores encantos de minha vida, é que Deus continuamente opera, é que sua mão que tudo criou vela sobre todo o universo. A Providência, que mantém em equilíbrio as forças da natureza, que dirige os astros em suas órbitas, olha também sobre cada um de nós. Nada nos acontece sem especial licença daquele que nos guarda; nesta convicção profunda descansa em paz a minha alma."
A esse coro de vozes vem se juntar o testemunho do físico britânico A.S. Eddington (1882-1946): "A Física moderna leva-nos necessariamente para Deus."

UM PRÊMIO NOBEL DE FÍSICA RECONHECE A EXISTÊNCIA DE DEUS
E da Alemanha, o físico Max Plank (1858-1947), criador da teoria dos quanta, Prêmio Nobel de 1928, surge para enrique­cer essa galeria de cientistas que afirmaram crer na existência de Deus:
"Para onde quer que se dilate o nosso olhar, em parte alguma vemos contradição entre Ciências Naturais e Reli­gião; antes, encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências Naturais e Religião não se excluem na­turalmente, como hoje em dia muitos crêem e receiam, mas completam-se e apelam uma para outra. Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão.
Pascual Jordan (1902-1980), outro físico alemão, um dos fun­dadores da Mecânica dos quanta, também une sua voz à de Max Plank: "O progresso moderno removeu os empecilhos que se opunham à harmonia entre ciências naturais e cosmovisão reli­giosa. Os atuais conhecimentos de ciências naturais já não fazem objeção à noção de um Deus Criador."
Werner Von Braun (1912-1977), alemão radicado nos Estados Unidos, um dos maiores físicos nucleares de todos os tempos, também deixou o seu testemunho:
"Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que já não precisamos crer em Deus. Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salvará o nosso mundo da catástrofe. Ciência e religião são, pois, irmãs e não pólos antitéticos."
E finalmente, encerrando os testemunhos dos físicos, a palavra de Albert Einstein (1879-1955), físico judeu alemão, criador da Teoria da Relatividade e Prêmio Nobel de 1921:
"Todo profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimento religioso, pois ele não pode admitir que seja o primeiro a perceber os extraordinaria­mente belos conjuntos de seres que ele contempla. No Uni­verso, incompreensível como é, manifesta-se uma Inteligên­cia superior e ilimitada."
Jefferson Magno Costa

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