quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CAPACIDADE: DEVEMOS REALIZAR O MELHOR E O MAIOR QUE PUDERMOS, MAS SEMPRE RESPEITANDO OS LIMITES QUE DEUS ESTABELECEU PARA NÓS


Jefferson Magno Costa
     Deus reparte aos seres humanos uma porção maior ou menor da capacidade que Ele resolve dar a cada um, conforme a reta disposição da sua sabedoria, da sua justiça, da sua providência, da sua liberalidade.
     Sãos néscios os que, contra esta deliberação divina, pretendem ter mais capacidade do que Deus quis que tivessem.
     A estas pessoas, Deus poderia dizer: “Dei-lhes pouco; contentem-se, portanto, com o pouco, pois esta é a porção que eu sei que lhes convém, e não queiram mais”. Ou: “Deis-lhes muito; contentem-se, portanto, com esse muito, e não queiram mais, porque nesse mais que desejam, pode estar escondida a perdição de vocês”.
     Os homens doentiamente ambiciosos devem observar na natureza algumas criaturas que não fazem uso da razão. Não queiram ser ingratos e soberbos contra Deus, quando todas essas criaturas, grandes e pequenas, o louvam e dão-lhe graças pelo que dele receberam.
     Se o rato não quer ser leão, nem o pardal quer ser águia, nem a formiga quer ser elefante, nem a rã quer ser baleia, por que não se contentará o homem com a medida do que Deus lhe quis dar?
     E o que aconteceria se nem os leões, nem as águias, nem os elefantes, nem as baleias se contentassem com a sua grandeza, e quisessem comer uns aos outros para ter mais poder e ser maiores?
     Isto é o que querem e fazem continuamente os homens. É por isso que, entre eles, muitos que ocupam altas posições caem, muitos grandes se arrebentam, e todos se arruínam.
     Os instrumentos que a natureza criou ou que a arte fabricou para o serviço do homem, todos têm certos termos de proporção dentro dos quais podem ser conservados, e fora dos quais não conseguem.
     Sob o peso de uma carga demasiada o jumento cai,
     o canhão explode,
     o navio naufraga. Por isso são vistas tantas quedas, tantos desastres, tantos naufrágios no mundo.
     Mas se a carga for proporcionada ao calibre da peça de artilharia, ao bojo do navio, e à força ou fraqueza do animal, no ar será lançado o projétil, no mar será feita a viagem, na terra será trilhado o caminho. No ar, na terra e no mar, tudo resultará em harmonia.
     Porém, muita coisa entra em desconcerto e perdição por que a ambição humana quer sempre exceder os limites do seu próprio poder e capacidade.
     Entendo que algumas pessoas devem achar que essas minhas colocações podem desmotivar os empreendedores ou acovardar os fracos de ânimo, para que não empreendam nem façam coisas grandes.
    Mas não é este o efeito que desejo que esta reflexão bíblica cause. Nosso incentivo é para que todos realizem, e que realizem coisas grandes, as maiores e mais admiráveis. Mas dentro da esfera e proporcionalmente à capacidade que cada um tem.
     Quem empreendeu e realizou maiores coisas que Davi na dispensação da Lei, e maiores coisas que Paulo na dispensação da graça? Porém ambos confessaram que sempre respeitaram os limites que Deus havia estabelecido para eles.
     Vejam a confissão de Davi: “Senhor, o meu coração não se elevou nem os meus olhos se levantaram: não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas muito elevadas para mim” (Sl 131.1).
     Ora, todos nós sabemos quão grandes e admiráveis foram as obras e realizações de Davi. E por que ele diz que não se exercitou em grandes assuntos, nem em coisas muito grandes para ele?
     Na última frase “muito elevadas para mim” está a resposta. É como se Davi tivesse dito: “Realizei muitas coisas diante de Deus. Minhas obras foram grandes e admiráveis, reconheço, mas não superiores a mim, porque nunca excederam a medida do poder e da capacidade que Deus me deu”.
    Do mesmo modo Paulo, ao avaliar suas suas peregrinações, suas aflições, suas prisões, e todos os sofrimentos padecidos na propagação do evangelho, não pôde negar que foram maiores que os de todos os apóstolos:
     “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15.10).
     Paulo confessou que nunca ultrapassou os limites do poder e da capacidade que Deus lhe tinha dado:
      “Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento. Porém não nos gloriamos fora da medida, mas conforme a reta medida que Deus nos deu, para chegarmos até vós” (2 Co 10.12,13).
     Que cada um procure ajustar as suas ações conforme a sua habilidade e forças. Por que só aquele que se mantém dentro do limite da capacidade que Deus estabeleceu para ele, não deixará pela metade as obras iniciadas, não cairá no pecado da soberba de tentar realizar obras faraônicas, e será sempre considerado capaz e poderoso.
     (A. V. Trecho do Serm. Terc. Dom. Epif. Lisb. s/d).
Jefferson Magno Costa

2 comentários:

  1. Meu caro pastor Jefferson, estou de volta a comentar em seu blog. Pela terceira vez faço uso de mais um pensamento de acordo com a esclarecedora matéria postada, que diz:

    A intensidade do vazio do ser é proporcional ao que se consegue sem a participação de Deus. Pois sem Deus o homem nunca será completo, ainda que conquiste tudo nesta vida.

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  2. Maravilha, prezado irmão e amigo, Pr. Levi Costa. Pensamento oportuníssimo e apropriadíssimo ao assunto de nossa matéria. Muito obrigado por tê-lo citado. O ser humano sem Deus é realmente oco por dentro, é vazio.
    E por falar em vazio, relembro aqui aquele pensamento, que já citei algumas vezes, escrito por um dos gênios da literatura russa, Fiódor Dostoiévsky: "Há no homem um vazio do tamanho de Deus."

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