sábado, 7 de agosto de 2010

ESCOLHA: O QUE DEUS É CAPAZ DE FAZER QUANDO QUER CONVOCAR ALGUÉM PARA REALIZAR A SUA OBRA

Jefferson Magno Costa
    
     No deserto de Midiã apareceu uma sarça entre chamas de fogo; o fogo queimava, mas a sarça não se consumia. E por trás dessa cortina de fogo, quem estava? O próprio Deus, que havia descido do Céu à Terra. E para quê? Para convocar como operário de Sua Obra um homem que estava apascentando o rebanho de seu sogro naquele deserto, um homem chamado Moisés, que se havia retirado da corte de Faraó há 40 anos. 
    Para rogar àquele homem que aceitasse servi-Lo no imenso empreendimento de tirar o Seu povo do cativeiro do Egito, Deus havia descido do Céu à Terra. E como demonstração do quanto ajudaria aquele obreiro na missão para a qual o estava convocando, o Senhor lhe emprestaria até o Seu título de Deus (Ex 4.15,16).
    Ó quão grande lição de humildade está dando o Senhor aqui à vaidade e à inchação humanas! Para buscar um pastor em um deserto, não por que não pudesse agir sem ele, mas para resgatar a sua auto-estima e dignidade, e usá-lo em Sua Obra, desceu do Céu à Terra o próprio Deus que criou os homens, o Céu e a Terra! E muitos homens, que esquecem que não são deuses, negam-se a descer do seu pedestal de orgulho para convocar ao serviço de Deus homens que o próprio Deus desceria do Céu para convocar.
    E se porventura alguém pensar que Deus agiu assim com Moisés por ser Deus, mas não agiria desta forma se fosse homem, consideremos um caso em que Ele, sendo homem, empenhou-se grandiosamente na convocação de outro obreiro para sua Seara.
    Jesus Cristo, Deus e homem, já cumprira o seu ministério salvífico entre nós e, em corpo glorioso, já estava assentado à dextra do Pai, quando nas proximidades de Damasco um homem chamado Saulo   foi subitamente cercado por um imenso clarão de luz do Céu, tão intenso que o derrubou por terra. Imediatamente, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4). Os homens que o acompanhavam ouviram, espantados, a voz, mas não viram ninguém. A visão e a convocação naquele momento era para um homem só, e o seu nome era Saulo.
    Mas de quem seria aquela voz? Era do próprio Jesus, conforme Paulo declararia mais tarde. Cristo em pessoa havia descido até às portas de Damasco para converter a Saulo.
     Ora, por que, para converter um homem, e um homem que naquele momento era Seu inimigo e perseguidor, o Filho de Deus deixou o trono de Sua Majestade e veio à Terra com poder e grande glória, e falou com ele, chamando-o duas vezes por seu próprio nome? A razão disto o próprio Jesus deu a Ananias, ao dizer-lhe que Paulo era para Ele um vaso de eleição; fora escolhido para levar o Seu nome aos gentios, aos reis, e aos filhos de Israel (At 9.15).
    Cristo, que é Deus e homem, deixou o Trono de Sua Majestade e desceu do Céu à Terra para convocar para Sua Obra um homem cujo talento para O servir Jesus reconheceu durante a própria guerra que Saulo fazia contra Ele.
     Se Cristo agiu assim, por que será que os homens que estão em posição de mando, mas que não são deuses, acham que é diminuição de sua grandeza descer do pedestal de poder em que estão a fim de convocarem homens de talento para servirem a Deus na obra que Deus confiou a todos eles e a nós? Será que a majestade desses homens é maior que a Majestade do Filho de Deus?
    (Trecho do Sermão da Terceira Dominga do Advento, pregado em 1644, na Capela Real em Lisboa, pelo maior pregador da língua portuguesa, Antonio Vieira. O pregador tinha na ocasião 36 anos de idade. Adaptado e atualizado para o leitor do século 21).
Jefferson Magno Costa

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