sábado, 28 de agosto de 2010

BÍBLIA: NÓS NÃO DEVERÍAMOS NECESSITAR DAS SAGRADAS ESCRITURAS

Jefferson Magno Costa    
 Bom seria que não tivéssemos necessidade das Letras Sagradas para a nossa conduta moral, e sim que a nossa vida fosse tão pura, que a graça do Espírito Santo ocupasse o lugar da Bíblia em nossas almas. E assim como a Bíblia foi escrita com tinta, da mesma forma nossos corações estivessem escritos com as letras de fogo do Espírito Santo. Mas já que perdemos essa graça, aproveitemos em sua plenitude os ensinamentos das Sagradas Escrituras.
     Com Noé, com Abraão e com seus descendentes, assim como com Jó e com Moisés, Deus não tratava através de letras, e sim falando-lhes pessoalmente, pois encontrava neles uma alma limpa. Porém, uma vez que o povo hebreu afundou no abismo da maldade e do pecado, surgiu a necessidade de letras e de tábuas, para que através delas se mantivesse viva a recordação dos preceitos de Deus.
      Esta situação da não necessidade de letras escritas como regras para a conduta na vida coube tanto para os santos do Antigo Testamento quanto para os do Novo. Porque também aos apóstolos Jesus não deu nada por escrito. Em vez de letras, prometeu-lhes que lhes daria a graça do Espírito Santo: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26).
      E para que entendamos que esta maneira de Deus tratar conosco era muito melhor, lembremo-nos do que o Senhor havia dito através do profeta Jeremias: “Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31.33). 
     O apóstolo Paulo, no intuito de destacar essa excelência, disse que os cristãos receberam os mandamentos de Deus não mais em tábuas de pedra, e sim sobre as tábuas de carne do coração: “Porque já é manifesto que vós sois carta de Cristo, ministrada por nós e escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (2Co 3.3).
      Mas já que também os cristãos, passado algum tempo, também se desviaram, uns em matéria de doutrina, outros em seus costumes, da mesma forma tornou-se necessário fazê-los recordar dos preceitos do Senhor através de palavras escritas. 
     Porém, consideremos ainda a grande diferença que há entre aquilo que éramos com aquilo que somos. Os primeiros homens e as mulheres de Deus viviam em tal pureza, que era suficiente apresentar seus corações ao Espírito Santo para que ele os enchesse com as riquezas da graça de Cristo, porém hoje nós precisamos das orientações de Deus por escrito.
      Ora, já que nossa natureza degenerou-se tanto que tornaram-se necessárias as Escrituras Sagradas escritas com tinta, em virtude de não permitirmos mais que o Espírito Santo seja unicamente aquele que nos guia, imaginemos quão grave pecado será não querermos também nos aproveitar dessa segunda ajuda, que é a Palavra de Deus escrita para nós, e a desprezarmos como se ela fosse coisa vã e inútil, conforme fazem muitos dos que a conhecem.
      (Trecho das Noventa Homilias sobre o Evangelho de Mateus, pregadas na Igreja de Antioquia, entre os anos 390 a 398, por João Crisóstomo, o maior pregador da língua grega, após o apóstolo Paulo. Introdução à Homilia 1ª. Traduzido e adaptado para o leitor do século 21).
Jefferson Magno Costa           
           

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