quinta-feira, 1 de novembro de 2012

DEUS CONHECE O FUTURO E O REVELA

 Jefferson Magno Costa

     Em que nos alicerçamos para afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus? Sua narração de fatos históricos é solida e confiável o suficiente para resistir a um exame rigoroso? Ela é digna de total confiança?

Se alguém nos pedir provas de que a Bíblia não é um livro como outro qualquer, e sim o Livro dos livros, verdadeiro, atual, o grande instrumento que Deus usou para revelar os seus desígnios aos seres humanos, como apresentaremos essas provas?
     Se a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm 10.17), como poderemos levar uma pessoa duvidosa da autenticidade da Bíblia a crer que ela é digna da nossa total confiança, e é realmente a Palavra de Deus?

     A onisciência do Senhor, que tudo conhece, tudo vê, inclusive os mais ocultos sentimentos do ser humano, e prevê todos os acontecimentos futuros da história da humanidade, nos fornecerá uma das grandes provas de que a Bíblia é sua Palavra, sua mensagem ao homem. Deus tem falado através dos seus profetas.
     Pregando sempre a justiça, a necessidade do avivamento, e predizendo os juízos e as recompensas de Deus sobre o seu povo e sobre a humanidade, os profetas têm sido os mensageiros de Deus, os portadores de seus recados ao mundo.

TESTES PARA SABER SE UM PROFETA É FALSO OU VERDADEIRO

      A Bíblia fala claramente que a profecia é um recado divino. Mas como poderemos saber se uma profecia é de Deus? Deuteronômio 18.21,22 dá a resposta:
     “Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder como profetizou, esta é a palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele.”

      No capítulo 13 do mesmo livro de Deuteronômio, há outro importante teste para se descobrir se um profeta é falso ou verdadeiro. Se o profeta fizer previsões em nome de alguém que não seja o Senhor, o povo de Deus não lhe deve dar crédito (mesmo que a profecia se cumpra):

      “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti, e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador...” (vv 1-3). Portanto, o desmascaramento dos falsos profetas está vinculado ao não cumprimento de suas profecias, e em nome de quem eles profetizam. É o que Isaías diz (41.22,23):

     “Trazei e anunciai-nos as cousas que hão de acontecer: relatai-nos as profecias anteriores, para que atentemos para elas, e saibamos se se cumpriram; ou fazei-os ouvir as coisas futuras. Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses...”

      Porém, conforme veremos agora, o que Deus anunciou através dos seus profetas, cumpriu-se fielmente, pois: “... a palavra que falei se cumprirá, diz o Senhor Deus” (Ez 12.28b).

      Comprovaremos isto analisando o destino que tiveram duas das grandes capitais da Antiguidade. Veremos que o que Deus anunciou através dos seus profetas com relação a estas duas cidades, cumpriu-se integralmente.

PROFECIAS CONTRA NÍNIVE, CAPITAL DA VIOLÊNCIA

      Nínive e Babilônia foram as duas maiores cidades do mundo antigo. Ambas se destacaram pelo número de seus habitantes, pela grandeza de suas muralhas e pelas riquezas de seus palácios, jardins e torres. Ambas foram centro de impérios extremamente fortes.

      Nínive foi capital do Império Assírio, cujos reis se destacaram como os mais cruéis daquela época. Babilônia foi capital do Império Babilônico, e ficou conhecida na Bíblia como símbolo de abominação contra Deus. Distantes 480 quilômetros uma da outra, Babilônia e Nínive sempre foram rivais.

      Dois profetas dirigiram suas mensagens proféticas aos ninivitas: Jonas (em 780 a.C.), pregando arrependimento, e Naum (mais ou menos em 620 a.C.), anunciando a destruição de Nínive, e de todo o reino da Assíria.
    Quando Naum proferiu suas predições, Nínive era a mais poderosa cidade do mundo. Como o profeta poderia ter descrito, com toda a riqueza de detalhes, a queda de Nínive, se não tivesse sido inspirado por Deus, se não tivesse funcionado como um porta-voz dos juízos do Altíssimo?

      Analisemos sua profecia, e vejamos que o seu cumprimento histórico nos assegura que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus enviada aos homens.

Os pontos essenciais do “recado” de Naum aos ninivitas estão fundamentados nos seguintes versículos: capítulo 1, versículo 8:
     “Mas com inundação transbordante acabará duma vez com o lugar desta cidade”; v.10:
     “Porque ainda que eles se entrelaçam com os espinhos, e se saturam de vinho como bêbados, serão inteiramente consumidos como palha seca”; capítulo 2, v.3:
     “Os escudos dos seus heróis são vermelhos, os homens valentes vestem escarlate, cintila o aço dos carros no dia do seu aparelhamento, e vibram as lanças”; v.6:
     “As comportas dos rios se abrem, e o palácio é destruído”; capítulo 3, v. 13:
     “Eis que tuas tropas no meio de ti são como mulheres; as portas do teu país estão abertas de par em par aos teus inimigos; o fogo consome os teus ferrolhos”; v.19:
     “Não há remédio para a tua ferida; a tua chaga é incurável; todos os que ouvirem a tua fama baterão palmas sobre ti porque, sobre quem não passou continuamente a tua maldade?”

      Segundo o profeta Naum, Nínive seria destruída com inundação, em estado de embriaguez. Seus invasores usariam a cor vermelha em seus equipamentos e vestes. A cidade seria incendiada, destruída totalmente, e não mais rescontruída.

CUMPRIMENTO HISTÓRICO DESTAS PROFECIAS

      No ano 612 a.C., os exércitos da Babilônia, dos Citas e dos Medos cercaram a soberba Nínive, e após três meses de resistência, a cidade caiu e foi invadida. Todas as fontes históricas antigas e modernas que registram a queda da capital dos reis sanguinários, confirmam as palavras proféticas de Naum.
     É impressionante a riqueza de detalhes com que a profecia bíblica se cumpriu. Os soldados medos, por exemplo (pertencentes à Media, antiga região da Ásia) usavam a cor vermelha em suas roupas e armas, cumprindo assim Naum 2.3.

     Na época em que o profeta foi usado por Deus para profetizar contra Nínive, era humanamente impossível atacar e vencer a poderosa, brutal e soberana cidade, cheia de riquezas imensas trazidas de todas as regiões onde os assírios haviam ido guerrear e espalhar o terror, a destruição e a morte.
   O Senhor já havia falado contra as cidades sanguinárias: “...Ai da cidade sanguinária! Também eu farei pilha grande. Amontoa muito lenha, acende o fogo, cozinha a carne, engrossa o caldo, e ardam os ossos” (Ez 24.9,10).

      Assim fazia Nínive com todos os povos a quem ela atacava. Além do mais, vários de seus reis haviam comandado ataques ao Povo de Deus.

     Sobre os sanguinários assírios também pesariam os ais que Habacuque proferiu contra os caldeus: “Ai daquele que acumula o que não é seu (até quando?), e daquele que a si mesmo se carrega de penhores. Não se levantarão de repente os teus credores? E não despertarão os que hão de te abalar? Tu lhes servirás de despojos. Visto como despojaste a muitas nações, todos os mais povos despojarão a ti, por causa do sangue dos homens, e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores” (Hc 2.6-8).

      O historiador romano Diodoro Século afirmou que pelas ruas de Nínive circulava uma antiga profecia, de certa forma responsável pela tranquilidade dos ninivitas, garantindo que a cidade jamais seria conquistada, a menos que as comportas do rio Tigre fossem destruídas.
     Além do mais, em matéria de segurança, de fortificações, só Babilônia poderia, tempos depois, ser comparada à Nínive. A capital do Império Assírio estava protegida por duas muralhas e um profundo fosso de 45 metros de largura.

        As medidas da cidade, fornecidas pelo historiador Diodoro Século, foram confirmadas pelos arqueólogos que desde o final do século 19 realizam escavações nas ruínas de Nínive. A muralha exterior tinha torres de 60 metros de altura, onde se posicionavam destacamentos de soldados veteranos fortemente armados. A muralha interior tinha 30 metros de altura por 15 de espessura, por onde podiam passar, lado a lado, até seis carros de guerra puxados por cavalos.
     O fosso – o primeiro obstáculo com que os exércitos que tentassem conquistar Nínive se deparariam – tinha 11 quilômetros de circunferência.

Humanamente falando, era impossível conquistar uma cidade provida da tantas fortificações. Mas a profecia de Naum se cumpriu. O juízo de Deus caiu sobre os assírios.
     Revoltados diante de tantas atrocidades, os babilônios uniram-se aos medos e aos citas (povos da Ásia) e marcharam contra Nínive em 612 a.C. O rei da Assíria era Sardanápalo, sucessor de Assurbanipal. Festejando as vitórias obtidas em recentes batalhas, Sardanápalo e o seu exército estavam acampados fora das muralhas de Nínive.
     Tinham matado muitos animais e assado sua carne; os vasilhames com vinho corriam de mão em mão, embebendo-os. O versículo 10 do primeiro capítulo de Naum estava se cumprindo.

O RIO QUE DECIDIU A VITÓRIA CONTRA NÍNIVE

      E foi nessas condições que os assírios viram-se surpreendidos pelos babilônios e seus aliados. Percebendo que estavam sendo atacados, o rei e o seu exército fugiram apressadamente para dentro da cidade. Durante a fuga, centenas de soldados assírios foram mortos. Vendo-se novamente dentro das muralhas de Nínive, Sardanápalo voltou a ficar tranquilo, pois sabia que nenhum exército poderia vencer o sistema de defesa da cidade.

      Porém, estava-se em pleno outono, início da temporada das chuvas. Desde a época do rei Senaqueribe (bisavô de Sardanápalo), o rio Tigre representava um perigo para Nínive, e vários de seus palácios tinham sido danificados no período das cheias, necessitando depois ser reconstruídos.
     Por esse motivo o rio tivera o seu curso desviado, mas nenhum ninivita confiava nele quando o inverno começava. Além do Tigre, dois outros rios passavam próximos à cidade: o Khosr e o Tebiltu.

     Os alimentos de que Nínive dispunha armazenados para a sua população eram suficientes para vários anos de cerco. Mas naquele fatídico ano de 612 a.C., as chuvas não pararam, e os exércitos sitiadores não foram embora. Comandava essas tropas o general babilônio Arbazes. Em sua profecia, Naum havia empregado expressões que nenhuma dúvida deixavam quanto à queda de Nínive por inundação: (1.8) “Mas com inundação transbordante acabará de uma vez o lugar desta cidade...”

      Antevendo o perigo, e na tentativa de proteger os seus bens pessoais, Sardanápalo ordenou que o seu tesouro real e suas concubinas fossem transportados para o setor mais seguro do palácio. Nesse espaço de tempo, com grande estrondo, quatro quilômetros e meio de muralhas ruíram. O rio havia invadido a cidade! Babilônios, medos e citas aproveitaram a oportunidade para entrar na poderosa Nínive.

      Trancado com o seu tesouro e suas mulheres, Sardanápalo ordenou que o palácio fosse incendiado, iniciando assim o fogo que consumiria grande parte da cidade. Nínive caiu nas mãos dos seus inimigos como uma fruta madura sacudida da árvore (Na 3.12), e foi saqueada e arrasada, segunda previra o profeta.


PROFECIAS CONTRA A BABILÔNIA, CAPITAL DA ABOMINAÇÃO

      A grande responsável pela queda de Nínive foi Babilônia. Porém hoje, a 86 quilômetros ao sul da moderna cidade de Bagdá (capital do Iraque), vêem-se as ruínas daquela que outrora foi centro do comércio e da cultura do mundo antigo. Apesar das tentativas de recosnstrui-la, até hoje nenhum governante conseguiu concluir essa reconstrução.
     O que aconteceu à antiga Babilônia? Abramos o Livro dos livros, e através dele ficaremos sabendo porque Deus julgou o condenou a “capital da abominação”.

      Dois profetas foram especialmente usados pelo Senhor para predizerem o destino da soberba cidade: Isaías e Jeremias. Os capítulos 13 e 14 do livro de Isaías são dedicados à queda da capital do Império Babilônico. Destacaremos tão-somente cinco versículos destes dois capítulos.

      Isaías, capítulo 13, v.19: “Babilônia, a jóia dos reinos, a glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou”; v.20: “Nunca jamais será habitada, ninguém morará nela de geração em geração; o arábio não armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores farão ali deitar os seus rebanhos”; v. 21: “Porém nela as feras dos deserto repousarão, e as suas casas se encherão de coruja; ali habitarão as avestruzes, e os sátiros pularão ali”; v. 22: “As hienas uivarão nos seus castelos, os chacais nos seus palácios de prazer; está prestes a chegar o seu tempo, e os seus dias não se prolongarão“; capítulo 14, v. 23: “Reduzi-la-ei a possessão de ouriços e a lagoas de águas; varrê-las-ei com a vassoura da destruição, diz o Senhor dos Exércitos.”

      Enquanto o profeta Isaías viveu de 783 a 704 a.C., Jeremias viveu de 626 a 586 a.C., Os capítulos 50 e 51 do livro do profeta Jeremias reúnem suas profecias contra Babilônia, e porque Deus a condenou. Citaremos apenas dois versículos do capítulo 51: v. 26: “De ti não se tirarão pedras, nem para o ângulo nem para fundamentos, porque te tornarás em desolação perpétua, diz o Senhor”; v.43: “Tornaram-se as suas cidades em desolação, terra seca e deserta, terra em que ninguém habita, nem passa por ela homem algum.”

CUMPRIMENTO HISTÓRICO DESTAS PROFECIAS

      A soberba declaração do rei Nabucodonosor em Daniel 4.30 mostra o quanto os soberanos caldeus viviam preocupados em tornar Babilônia a mais imponente cidade do mundo antigo: “...Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder, e para a glória da minha majestade?”

      Suas medidas explicavam o porquê do orgulho de Nabucodonosor. A cidade ocupava uma área de 500 quilômetros quadrados. Além de ser rodeava por um fosso de 10 metros de largura, Babilônia estava protegida por uma muralha de 104 metros de altura e 29 metros de largura. Na parte superior da muralha poderiam transitar, ao mesmo tempo, lado a lado, 11 carros.

      A cidade possuía 100 portas de bronze maciço, e qualquer pessoa que se aproximasse dela seria vista pelos guardas que se revezavam dia e noite em todas as 250 torres de vigia construídas sobre as muralhas, e 30 metros mais altas que estas. O historiador grego Heródoto (484-420 a.C.) e o historiador, filósofo e general grego Xenofonte (430-355 a.C.), descreveram a queda da Babilônia.

      Heródoto, no seu livro História; Xenofonte, no seu livro Ciropedia, contam que os persas, comandados pelo rei Ciro, cercaram a grande cidade, mas logo concluíram que nada poderiam fazer contra suas muralhas e suas portas de bronze. Porém, nesses espaço de tempo, dois desestores babilônios, Gobryas e Gidatas, apareceram no acampamento dos persas.

      O rei Ciro estava há muitos dias sem qualquer alternativa de ataque. Mas Chrysantas, um dos conselheiros do rei, estudando a topografia da região, fez uma grande descoberta: o rio Eufrates corria por debaixo das imponentes muralhas, e era largo e profundo o suficiente para deixar passar um exército! Se as suas águas parassem de correr, o leito seco do rio funcionaria como um grande buraco no alicerce da invencível muralha de Babilônia!

      Ciro não perdeu tempo. Ordenou que os soldados cavassem imensas valas para desviar o curso das águas, e bloqueassem o leito original do rio alguns quilômetros acima do local onde ele penetrava sob as muralhas. Os dois desertores deram a Ciro todas as informações sobre a cidade e seu exército, e ajudaram na preparação de um plano de ataque à cidade, quando o exército já estivesse dentro de suas muralhas.
     Enquanto tudo isto se passava entre os persas, os babilônios estavam mergulhados em um verdadeiro bacanal, comemorando suas antigas vitórias. Era o célebre festim de Belsazar, descrito em Daniel 5.

      Em 13 de outubro de 539 a.C., Ciro entrou com os seus exércitos sob os muros de Babilônia, pelo leito seco do rio, e surpreendeu os embriagados soldados babilônios e seu rei Belsazar, matando-o. Daquela data em diante, aquela que era o orgulho dos caldeus nunca mais conseguiu se restabelecer. Foi outra vez atacada por Xerxes, rei da Pérsia, em 478 a.C., e por Alexandre, o grande, da Macedônia, em 324 a.C.

      No tempo de César Augusto, o imperador romano sob cujo reinado Jesus nasceu, o geógrafo grego Estrabão visitou o lugar onde Babilônia havia sido construída, e disse que a cidade “tinha se transformado em um deserto”. Era o cumprimento de Jeremias 51.43.

      O arqueólogo Austem Layard, no livro Descobertas Entre as Ruínas de Nínive e Babilônia, estabelece um paralelo entre a destruição desta última com o rigor com o qual Deus fez desaparecer Sodoma e Gomorra. Sua descrição das ruínas da "capital mundial da soberba" é impressionante: “... o lugar onde a cidade foi construída é hoje um horrível deserto. As aves noturnas saem voando dos escassos matagais, e o vil chacal caminha ocultando-se nas fendas do terreno.

      Certamente ‘a glória dos reinos e a formosura dos caldeus’ perdeu sua excelência e está como quando Deus castigou Sodoma e Gomorra. Os animais selvagens do deserto moram naquele lugar; o que restou de suas casas está infestado de lúgubres criaturas; as corujas vivem ali...”

       Outro arqueólogo de renome, Kerman Kilprect, diz que as ruínas de Babilônia têm servido de abrigo aos “animais selvagens, javalis, hienas, chacais e lobos”, cumprindo-se assim o que o profeta Isaías havia profetizado (Is 13.21,22).

      Desde os mais remotos tempos, os viajantes têm evitado passar a noite próximos às ruínas de Babilônia, e os beduínos (árabes do deserto) procuram evitar o lugar, pois além da região não possuir solo favorável ao crescimento de vegetação para o pasto de ovelhas, antigas superstições sobre a velha cidade fazem com que eles se afastem das ruínas, amedrontados.
      Além do mais, Babilônia é uma das poucas cidades que não está incluída nas grandes rotas turísticas, e poucos são os que a visitam.

       O escritor Peter Stone afirma que enquanto ladrilhos e outros materiais de construção foram aproveitados em outras cidades vizinhas, as pedras, grandes e imensamente custosas àqueles que as levaram para Babilônia, têm permanecido lá, e até hoje nunca foram removidas dali (veja Jeremias 51.26).
     O homem que modernamente tentou reconstruir Babilônia, Saddam Hussein, foi executado por enforcamento em 2006.
     A Bíblia é a Palavra de Deus, e suas profecias têm-se cumprido fielmente – assim confirma a História!

Jefferson Magno Costa

2 comentários:

  1. Vim visitar seu blog, desejar de todo o coração que continue a ser uma benção, e que se deixe usar pelo Grande Mestre.E ao mesmo tempo desejar um natal feliz, também convidar você a fazer parte de meus amigos no blog, "A Verdade Que Liberta", unidos em Cristo somos uma verdadeira muralha contra qualquer calamidade, espero por sua visita. Um abraço.
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  2. Vim fazer-lhe uma visita, e recomendo vivamente que esta Palavra da Verdade nunca se aparte de sua boca, e que os rios do Grande Deus fluam através de seu ser, a graça do Glorioso Jesus brote como um nascente vivo de aguas cristalinas de sua vida para inundar aqueles que sedentos procuram saciar sua sede nos lamaçais deste mundo. Votos de um Feliz Natal e um Ano Novo cheio da graça bendita de Deus. Um abraço.

terça-feira, 17 de abril de 2012

PREGAR: POR QUE É NECESSÁRIO MUITAS VEZES O PREGADOR TORNAR-SE UM TROVÃO NO PÚLPITO

Jefferson Magno Costa

      Perguntaram certa vez a João Batista quem ele era. João respondeu: "Eu sou a voz do que clama no deserto" (Jo 1.23). Assim se definiu João Batista. Eu achava que a definição ideal do pregador seria: "aquele que argumenta" e não "voz do que clama". Por que João Batista se definiu fundamentando-se no clamor e não no argumento? Por que não se definiu apoiando sua atividade de pregador na argumentação, e sim nos brados? Porque sobre muitas pessoas neste mundo, o falar alto tem muito mais poder do que os argumentos.
    Vejamos uma prova disto em um exemplo envolvendo o Senhor Jesus.
    Assim que Ele concluiu a exposição da parábola do semeador, começou a clamar (bradar): "Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Lc 8.8). Jesus passou a clamar, e não se deteve mais em argumentar sobre a parábola, conforme fizera até ali, porque sobre aquele auditório os brados tinham mais poder do que os argumentos.   
    Vejamos outro exemplo bíblico.
    Quando Pilatos examinou as acusações que os escribas e fariseus apresentavam contra Jesus, lavou as mãos e disse: "...nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem" (Lc 23.14). Enquanto Pilatos, na sua polidez e serenidade de governador, declarava isto tranquilamente, a atitude dos escribas e fariseus, acompanhados do povo, era outra: "Mas eles instavam [insistiam] com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principais sacerdotes, redobravam" (Lc 23.23).
    Portanto, Cristo tinha a seu favor os argumentos e o parecer consciencioso de Pilatos, e contra si os gritos da multidão. E qual deles prevaleceu? Os gritos da multidão. O parecer sereno e racional de Pilatos não foi suficiente para o livrar, mas os gritos tiveram poder suficiente para o colocar na cruz.
    Tendo os gritos tanto poder sobre a humanidade, é necessário que em algumas ocasiões os pregadores clamem, bradem, gritem. 
     Certamente, foi por reconhecer que os pregadores muitas vezes terão a necessidade de gritar, que o profeta Isaías os chamou de nuvens: "Quem são esses que vêm voando como nuvens?..." (Is 60.8).
     A nuvem tem relâmpago, tem trovão e tem raio. Relâmpago para os olhos, trovão para os ouvidos, raio para o coração. Com o relâmpago ilumina, com o trovão assombra, com o raio mata. Mas o raio alcança a um, o relâmpago a muitos, o trovão a todos. Assim deve ser a voz do pregador: um trovão do céu que assombre e faça tremer o mundo. (Trecho do Sermão da Sexagéssima, pregado em 1655 na Capela Real, em Lisboa, pelo maior pregador da língua portuguesa, Antônio Vieira. Adaptado e atualizado para o leitor do século 21).

Jefferson Magno Costa

domingo, 15 de abril de 2012

JERÔNIMO SAVONAROLA, O PADRE QUE MORREU QUEIMADO POR TER DESOBEDECIDO AO PAPA E SE TORNADO UM PROTESTANTE




Jefferson Magno Costa
     Florença (cidade da Itália), novembro de 1491. O grande sino da Catedral de Duomo acaba de bater meia-noite. Após distender pela décima segunda vez a corda para produzir a última badalada, do alto da torre um homem põe-se a observar as sombras que chegam de várias direções e se reúnem no centro da praça ou sobre os degraus da catedral.
     São pessoas que vêm dormir ali para, no dia seguinte, garantirem um lugar no interior da grande Duomo. Celebrar-se-á casamento de nobres? Algum rei será coroado? O Papa visitará a Duomo? Não. Jerônimo Savonarola vai pregar.
     O homem que observa do alto da torre sabe que o quadro social e espiritual da Florença do tempo de Savonarola é quase o mesmo em toda a Itália: a corrupção, o luxo e a ostentação dos ricos em contraste com a miséria dos pobres, a sodomia entre os homens, as violações dos direitos humanos, os adultérios, a idolatria, as blasfêmias e a decadência da dominante Igreja Romana, cheia de vícios e pecados.
     Por este motivo, já há algum tempo Savonarola tornou-se no púlpito uma tocha ardente e cheia de indignação, um João Batista precursor de uma reforma religiosa que se avizinha. Alicerçado no Evangelho, prega com tanto fervor e tão cheio do Espírito, que suas palavras são como espadas nuas, destramente manejadas contra o pecado, setas de fogo lançadas ao centro dos corações corrompidos.
     E toda a Florença acorre para escutar, deslumbrada e temerosa, os sermões de Jerônimo, que em seus juízos corajosos e ferinos não livra nem mesmo os nomes do regente da cidade e do Papa, principais responsáveis pela devassidão do povo e da Igreja Romana.
 
UM JOVEM APAIXONADO POR ASSUNTOS CELESTIAIS
     Jerônimo Savonarola nasceu na cidade italiana de Ferrara, no ano de 1452. Seus pais queriam que ele ocupasse o lugar de seu avô paterno, que era médico na corte do Duque de Ferrara. Porém, o estudo das obras de alguns teólogos e sobretudo a contínua leitura das Escrituras desviaram-no da Medicina e inclinaram o seu coração para os caminhos de Deus.
     Quando tinha 22 anos de idade, o desprezo dos Strozzi - uma orgulhosa família italiana que não o achou digno de desposar uma de suas filhas -, e a decadência espiritual da cidade de Ferrara levaram-no a fugir para Bolonha, a pé. Nessa época seu entendimento já fora dilatado pelas verdades divinas, e ele aprendera a orar.
     Essa conversação espiritual com Deus abrandou a amargura e a desilusão de sua alma. E o Senhor suavemente se foi apossando do seu coração.
     Em Bolonha erguiam-se os altos muros do Convento de São Domingos. Ali Savonarola se apresentou, impelido pelo desejo de abraçar a vida monástica. Porém não se achava digno de ser monge, e por isso pediu que o aceitassem como um dos encarregados da limpeza do convento. Mas logo suas grandes virtudes pessoais o distinguiram.
     Como uma fonte que mansamente nasce, o desejo de continuamente estar na presença de Deus brotara no seu coração, e agora era como um grandioso e indomável rio, que livremente corre para o mar.


A FORMAÇÃO INTELECTUAL E ESPIRITUAL DO FUTURO GRANDE REFORMADOR
     Savonarola era humilde, obediente e sincero. O tempo que lhe sobrava, após as várias ocupações, empregava-o no estudo, na oração e na contemplação da sublimidade do amor de Deus. Ao acordar pela manhã, elevava o seu coração em súplicas, ofertando ao Senhor as primícias do dia, e pedindo-lhe que estivesse sempre com ele.
     Os superiores do convento passaram a ver naquele rapaz um futuro grande homem da Igreja. Porém jamais imaginaram que ele entraria em luta com o próprio Papa no intuito de reformar a Igreja. Sua inteligência e sobretudo seu fervor religioso levaram esses homens a não medirem esforços para completar sua formação intelectual e religiosa.
     O moço tinha sempre o coração cheio de fé, a alma livre das paixões humanas, e o pensamento continuamente ocupado com o amor de Deus. "Senhor, não reine em minha alma outro além de ti!" - pedia ele em suas orações. O lugar onde se prostrava horas a fio em oração ficava frequentemente molhado de suas lágrimas.
     Seu admirável progresso nos estudos valeu-lhe a nomeação de professor de Filosofia, função que exerceu até a data de sua transferência para o convento de Ferrara.
     Ao chegar ali, dentro dos silenciosos muros do mosteiro de sua cidade natal, entregou-se com mais assiduidade ao jejum, à oração e ao estudo da Palavra de Deus, pois desejava alcançar o que sempre fora a mais ardente aspiração de sua mocidade: tornar-se um inflamado pregador, um arauto do Céu a anunciar, face à impiedade do povo, que se não hovesse arrependimento, o dia do castigo do Senhor estava próximo.
     Porém, suas primeiras tentativas de pregar em Ferrara resultaram em fracasso. Não acostumado a ouvir pregações que denunciassem e reprovassem abertamente os seus pecados, o povo de Ferrara não deu a menor atenção às palavras daquele moço que se propunha a ser "o chicote do Senhor". Jerônimo foi obrigado a dedicar-se inteiramente à instrução dos noviciados, repetindo para si mesmo as palavras de Jesus:
     "Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa" (Mateus 13.57).
     Todavia, os sete anos que passara no convento de Bolonha e as pregações que fizera ali haviam confirmado que Deus o usaria nos púlpitos das maiores catedrais da Itália, e seus ataques corajosos contra a corrupção do povo e da Igreja Romana preparariam em toda a Europa o caminho para a futura Reforma Protestante.


A MUDANÇA PARA FLORENÇA E SEU ÊXITO COMO PREGADOR
     Insatisfeito com a pequena repercussão que suas pregações haviam obtido entre os ouvintes que frequentavam a igreja do convento de Ferrara, Savonarola desejou ardentemente mudar-se para a mais destacada cidade do Renascimento: Florença. Ali foi muito bem recebido pelos religiosos do Convento de São Marcos.
     Naquela época, Florença cultuava a beleza da pintura, da escultura, da poesia e da oratória. Os oradores discursavam preocupados em tornar a frase pomposa, rica e elegantemente floreada.
     Além do mais, para se triunfar no púlpito ou na tribuna, era necessário possuir boa estatura física, além de bela aparência, e fazer uso de atitudes elegantes. Savonarola era a antítese de tudo isto: alto, magro, nariz grande, lábios grossos, boca imensa, atitudes desgraciosas e enérgicas.
     Porém, estas desvantagens físicas não impediram que ele se tornasse o maior pregador de sua época. O intenso brilho dos seus olhos azuis impressionava a todos os que o contemplavam. Parecia que ele estava sempre a querer olhar dentro das almas, ou a contemplar os longos rumos ocultos, os largos itinerários dos corações.
     Savonarola começou a pregar em Florença seguindo um estilo diametralmente oposto ao dos oradores da época, despertando assim a curiosidade de muitos, inicialmente para a sua maneira de usar da palavra, depois para a significação do que dizia.
     Rejeitando as burilações retóricas, numa linguagem espontânea e enérgica, pregava diante de uma assistência cada vez mais admirada do seu modo direto de ir ao assunto. Impressionava a todos o fervor de suas palavras.
     Através das pregações, Savonarola foi conquistando a cidade de Florença. No tempo em que os rijos ventos do pecado sopravam sobre as vidas conturbadas e escuras dos florentinos, sua voz fez com que a Palavra de Deus brilhasse, cada vez mais clara e resplandescente, nos corações.
     Oskar von Wertheimer observou que "suas pregações produziam um efeito indescritível, acontecendo frequentemente aos que as copiavam declararem, à margem dos manuscritos, haver-lhes o entusiasmo ou as lágrimas impedido de continuarem a escrever". 


O MONGE FIEL A DEUS QUE NÃO TEMIA NEM O GOVERNADOR NEM O PAPA
     Falando, certa vez, no púlpito da Catedral de Florença, Savonarola disse que em breve morreriam o Papa Inocêncio VIII e Lourenço de Médicis, e que a Itália seria invadida por Carlos VIII, da França. Essas profecias iriam ser confirmadas posteriormente, aumentando consideravelmente o seu prestígio diante do povo.
     Ao saber dessas previsões, o Governador Lourenço de Médicis, furioso, ordenou a alguns nobres de Florença que procurassem mostrar a Savonarola que suas profecias punham sua vida em perigo. O pregador escutou-os friamente, e em seguida mandou dizer a Lourenço que ele devia se arrepender dos seus pecados.
     Lourenço concluiu que não conseguiria impressionar o monge através de ameaças, e tratou de conquistar-lhe a simpatia. Savonarola era então Prior do Convento de São Marcos, e não se impressionou diante dos muitos favores que o governador subitamente passou a fazer àquela comunidade religiosa.
     Apercebendo-se da inutilidade de seus métodos, e vendo que Savonarola continuava a atacar sua vida tortuosa e desregrada, Lourenço resolveu fazer calar o grande pregador utilizando-se de sua própria arma: a oratória.
     Encarregou Frei Mariano de Gennazano, um dos maiores pegadores florentinos, de pregar alguns sermões contra o Prior do Convento de São Marcos. Foi a grande vitória da oratória sem artifícios sobre a oratória artificiosa. Savonarola impressionou o povo e venceu Frei Mariano fazendo uso de uma eloquência espontânea e simples. Tempos depois, Lourenço de Médicis mandou chamá-lo. Estava à morte. Ao vê-lo, disse o governador:
     "Mandei chamá-lo por ser o senhor o único monge honrado que conheço." Na conversa que tiveram sobre salvação, discordaram em alguns pontos, e Savonarola, depois de muito insistir, retirou-se, deixando o moribundo "a sós com Deus e com sua consciência".
     Após a morte de Lourenço, o não menos corrupto Pedro de Médicis ocupou o seu lugar. Savonarola redobrou sua campanha em prol da regeneração dos costumes. Sob os efeitos produzidos por suas pregações, ladrões e usuários procuravam regenerar-se, mulheres abandonavam o luxo exorbiante, e muitos fugiam à devassidão, almejando viver segundo os preceitos bíblicos.

ATAQUES CONTRA O CLERO E O PAPADO
     Sempre com a Santa Palavra nos lábios, o grande homem de Deus ia pregando com simplicidade, e mudando, espantosa e radicalmente, os costumes do povo italiano. Às vezes, quando queria demonstrar que também sabia pregar de maneira rebuscada como os demais pregadores, surgiam em suas pregações metáforas como esta:
     "Deixam o ouro pelo cobre, o cristal pelo vidro, as pérolas pelo barro, os que pelo barro do mundo, pelo vidro da vaidade e pelo cobre destes bens profanos e transitórios, desprezam o ouro maciço, o cristal puro e as pérolas do amor de Deus e dos bens eternos."
      Nem mesmo o clero escapou de sua sinceridade e coragem, que não conheciam limites. Savonarola atacou frontalmente os vícios dos religiosos de sua época: "Se vós soubésseis as coisas repugnantes que eu sei! - dizia ele diante da multidão que o ouvia, surpresa. E então, corajosamente, sentava a igreja dominante no banco dos réus e a julgava:
     "Vem cá, igreja infamada! Ouve o que te diz o Senhor. Dei-te formosas vestimentas, e tu exercestes com elas a idolatria. Com os vasos preciosos tens alimentado o teu orgulho, tens profanado o que antes era sagrado; a sensualidade te precipitou na vergonha. És pior que uma besta; és um monstro repugnante...Ergueste uma casa de imoralidade e te converteste, em toda parte, numa casa de perdição.
     "Tomaste assento no trono de Salomão e passaste a atrair o mundo às tuas portas. Quem tem dinheiro entra, e pode fazer tudo o que quer, porém quem não tem dinheiro mas deseja o bem, é desconsiderado e expulso."
     Esse julgamento chegou ao conhecimento do papa Alexandre VI, sucessor de Inocêncio VIII, e um dos maiores responsáveis pelas desordens e a vida pecaminosa dos padres. Já há algum tempo os sermões de Savonarola vinham incomodando o Papa, que procurou lançar mão de todos os meios possíveis para fazer o monge calar.
     Travou-se então uma luta ferrenha, que culminou na excomunhão, prisão, tortura e morte de Savonarola.
     Antes, sua sinceridade e guerra declarada à devassidão, desonestidade e hipocrisia já o haviam indisposto seriamente com alguns dos grandes senhores da Itália. Um dos casos mais sérios ocorreu durante uma de suas pregações em Bolonha, quando a mulher de Bentivoglio, um dos homens mais importantes dessa cidade, entrou na igreja provocadoramente, com o intuito de perturbar o pregador e fazê-lo perder o controle do sermão.
     Imediatamente, e sem medir consequências, Savonarola bradou do alto do púlpito:
     - Vejam aí, irmãos, eis o demônio que vem perturbar a Palavra de Deus.
     A frase ecoou por todo o recinto como uma chicotada. Imediatamente os guardas de João Bentivoglio empunharam as espadas e investiram contra o pregador, mas foram interceptados pela maioria dos que ouviam a pregação.
     Savonarola escapou milagrosamente de morrer naquele instante. Porém, apesar dos conselhos que lhe deram para que fugisse imediatamente de Bolonha, ele permaneceu na cidade até pronunciar ali o seu último sermão, quando, no mesmo lugar onde o haviam ameaçado de morte, falou desafiadoramente:
     "Partirei esta tarde para Florença, sem outra companhia além do meu bordão de peregrino. Alojar-me-ei em Pianora. Se alguém quer ajustar contas comigo, que venha antes de minha partida. Entretanto, eu não morrerei em Bolonha, mas em outro lugar".


PASSEATA EM FAVOR DO ARREPENDIMENTO E DA PURIFICAÇÃO DO POVO
     Ele sabia que os poderosos não o deixariam viver por muito tempo. Após sua morte, a Itália seguiria o seu caminho de corrupção e infâmias internas, mostrando, porém, ao mundo, uma face hipócrita de pureza e religiosidade. 

     Savonarola sabia que não poderia parar de pregar. Combateria o pecado até momentos antes de ser enforcado e queimado. E seu exemplo floresceria e geraria muitos frutos na Europa e no mundo.
      Não acreditando que seus auxiliares pudessem ajudá-lo a mudar os costumes do povo, Savonarola apelou para a sinceridade das crianças, que saíam com o sacerdote pelas ruas da cidade fazendo batidas sistemáticas, repreendendo os adultos em suas práticas pecaminosas, e levando para ser queimado tudo o que conseguissem achar em matéria de enfeites, cabelos postiços, livros e quadros indecentes.
      Conta-se que as crianças abordavam as senhoras nas ruas e diziam, cheios de convicção: "Da parte de Jesus Cristo, Rei de nossa cidade, nós te ordenamos a abandonar todas essas vaidades." Savonarola as incentivava a prosseguirem com a "Reforma dos costumes".
     Sobre imensas fogueiras - as fogueiras da vaidade, como costumavam chamá-las -, obras de arte pagã, jóias reproduzindo ídolos, espelhos com figuras indecorosas, livros e toda sorte de objetos considerados pecaminosos eram amontoados e queimados.
     Quando as tropas de Carlos VIII, rei da França, invadiram a Itália, mais uma de suas profecias se cumpriu. Isso contribuiu para que a inveja e o ódio do Papa Alexandre VI se acendesse contra Savonarola de maneira mais violenta que o fogo ateado sobre as "fogueiras da vaidade". Além do mais, as palavras chamejantes do grande pregador haviam continuamente atacado Roma e o "Sumo Pontífice", com a mesma energia que sempre combateram a devassidão da época:
     "O escândalo começa por Roma e corre por todo o continente. São piores que os turcos e os mouros... Os sacerdotes vão por dinheiro ao coro, às festividades e ao ofício; vendem as prebendas, vendem os sacramentos, negociam com as missas; em uma palavra: tudo fazem pelo dinheiro... Este veneno acumulou-se de tal maneira em Roma, que a França, a Alemanha e todo o mundo se contagiou; e chegou a tal ponto que é necessário prevenir-se contra Roma. Entre o povo circula uma frase que diz: '
'Se queres perder teu filho, faze dele um sacerdote!'"

 DECLARADO HEREGE PELO PAPA, E EXCOMUNGADO
     O Papa resolveu tomar providências enérgicas contra Savonarola. Primeiramente dirigiu-se ao governador de Florença, e solicitou que lhe fosse enviado a Roma o monge revolucionário.
     O governador florentino declarou que não lhe era possível atender semelhante pedido, "não só porque faríamos algo indigno de nossa República, como também estaríamos sendo injustos contra um homem que tem trazido tantos benefícios à Pátria. Além do mais, ainda que quiséssemos, não poderíamos fazê-lo sem que houvesse uma revolta popular com grave perigo para muitos, tal e tão grande é o prestígio que esse frade ganhou com sua integridade".
     Mas o Papa estava disposto a lutar e fazer calar, de uma vez por todas, o "chicote do Senhor". Do púlpito, Savonarola comentou o incidente:
     "Chegou de Roma um breve (decisão papal), é verdade. Nele, chamam-me de filho da perdição. Aos que me acusarem diante de vós, queridos irmãos, respondei assim: 'Aquele a quem tu chamas deste modo diz que não possui mancebos nem concubinas, mas apenas prega o Evangelho de Jesus Cristo.
     "Digam também que seus irmãos e irmãs espirituais, e todos os que escutavam a sua doutrina, não andam buscando esses tristes deleites, mas temem a Deus e vivem honestamente'".
     Ao tomar conhecimento desse comentário, o Papa anunciou que Jerônimo Savonarola estava excomungado da Igreja Romana, e em seguida utilizou-se de um meio que se mostraria eficaz para arrancá-lo das mãos protetoras do governo florentino: ameaçou confiscar os bens de todos os florentinos residentes em Roma, e boicotar as mercadorias destinadas a Florença. Nas palavras do historiador Alexandre Vicunã:
     "O efeito foi mágico. Tanto o embaixador florentino, junto à corte papal, como os comerciantes de Florença, residentes nos Estados Pontifícios, exigiram do Governo de seu país que concordasse com a exigência do Papa e entregasse, de uma vez por todas, o monge rebelde. Por um frade não valeria a pena sacrificar o comércio da República!"
     Savonarola foi preso e entregue ao Papa juntamente com seus dois fiéis companheiros, frei Silvestre e frei Domingos, também excomungados. No dia em que o prenderam, esta foi a sua oração:
     "Senhor, eu não peço tranquilidade, nem que cesse a tribulação; peço-te coragem, peço-te amor. Dá-me forças e graça para resistir à adversidade. Eu queria que teu amor triunfasse sobre a Terra. Vês que os malvados se fazem cada dia piores e mais incorrigíveis. É necessário que estendas agora a tua mão poderosa. Quanto a mim, só me restam as lágrimas."


 UM GIGANTE DE DEUS EXECUTADO NA FORCA E NA FOGUEIRA
     Na maior praça da cidade de Florença, uma grande multidão aguarda um espetáculo. É noite. O povo florentino está eufórico e impaciente. Sobre uma imensa fogueira levantada no centro da praça ergue-se uma gigantesca forca. Há três laços preparados.
     Naquele local de execução, dentro de alguns instantes, o grande pregador Jerônimo Savonarola e seus dois companheiros de sonhos e lutas serão enforcados e queimados. Homens, mulheres e crianças comprimem-se para assistir à morte de um dos maiores pregadores e reformadores da história da Igreja.
     Alguns meses antes, aquela mesma multidão vibrava sob o domínio da palavra veemente e cheia de autoridade daquele homem alto e magro, que acabara de chegar ali. Sim. O grande pregador acaba de chegar ao centro da praça.
     Nos seus braços e rosto distinguem-se visíveis marcas de tortura. A multidão silencia por alguns instantes para melhor contemplar sua figura trôpega e sofrida. Após quarenta e cinco dias de tortura e julgamento, ele está quase irreconhecível. Haviam-no maltratado brutalmente. O seu corpo emagrecido fora queimado com ferros em brasa. Esticaram seus braços, desconjuntaram suas pernas, dilataram-lhe seus músculos, partiram-lhe as veias, distenderam o seu corpo no alucinante suplício da roda.
     Os carrascos que conseguem contemplar de perto sua face pálida e arroxeada, coberta de cicatrizes que ainda sangram, sentem-se perturbados com o intenso brilho dos seus olhos. Sua serenidade impressiona. Só o fogo conseguirá apagar, de uma vez por todas, esse penetrante e sereno brilho.
     Subitamente a multidão começa a uivar e a aplaudir. Ouvem-se gritos estridentes, insultos. O povo delira! Os dois companheiros de Savonarola, frei Silvestre e frei Domingos, são obrigados a subir para o alto da fogueira. Ambos também sofreram dolorosos suplícios.
     Com movimentos enérgicos, o carrasco faz suas cabeças passarem por dentro dos laços da forca. A multidão grita furiosamente. Cercado pelos guardas, emocionado, Jerônimo Savonarola contempla seus companheiros de martírio e de jornada heróica, cujos corpos agora balançam no espaço!
     Brilhando serenamente no céu, a lua ilumina seus rostos pálidos e transfigurados. Em poucos instantes, frei Silvestre e frei Domingos estão mortos.
     Um sacerdote aproxima-se do grande pregador e diz: "Vês agora qual será o resultado de tua rebeldia?" Alongando demoradamente o olhar pela vastidão e altura do céu estrelado, Savonarola responde:
     "Muito mais sofreu Jesus por mim." E não diz mais nada. Instantes depois seu corpo é projetado no espaço. Finalmente haviam conseguido calar aquela voz que, poderosa e indignadamente, combatera o pecado.
     A grande fogueira começa a arder, envolvendo os três corpos. Seus vultos de labareda rompem-se sob o brilho da lua que erra no céu, sonâmbula, coroada de auréolas rubras. Naquela noite, aqueles três homens alcançaram a altíssima paz!


Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 12 de abril de 2012

MARIA SLESSOR, A MISSIONÁRIA QUE ARRANCOU TRIBOS AFRICANAS DAS MÃOS DE SATANÁS

Jefferson Magno Costa
     É madrugada. A alguns quilômetros da orla marítima, uma mulher e seis crianças negras caminham para a margem de um rio. Chove. Homens e mulheres africanos perguntam:
     - Por que nos abandonas, mãe?
     Maria Slessor pára junto à canoa, volta-se, contempla aqueles semblantes escuros e fala docemente:
     - Não fiquem tristes. Sei que vou para o meio de povos ferozes e adoradores do Maligno, mas eles também precisam ouvir falar de Jesus. Alegrem-se. Eu voltarei. Mas se não voltar, nós nos encontraremos nas margens do Grande Rio, diante do Grande Pai. E ali seremos todos de uma só cor, alvos como o marfim.
     Em companhia das seis crianças, Maria entra na canoa, e parte, sob o olhar silencioso da tribo de Creek Town.
     Maria Slessor nasceu na Escócia, em 1848. Era loura, de cabelos lisos e olhos azuis. Aos onze anos de idade foi obrigada a trabalhar na tecelagem para ajudar financeiramente sua mãe, pois seu pai, alcoólatra inveterado, após a morte de Roberto, o filho mais velho, abandonou a senhora Slessor e os quatro filhos restantes.
      Aos 14 anos Maria já era considerada uma hábil tecelã. Não sabia ela que futuramente Cristo a incumbiria de tecer as vestes brancas da salvação no coração dos negros africanos.
     Sua mãe era evangélica, membro da igreja de Aberdenn, e costumava contar aos filhos alguns incidentes da Missão Africana, viasando despertar-lhes o interesse pela obra missionária.
     Atentos, eles ouviam a senhora Slessor falar-lhes de um rei africano e dos seus chefes de cor; das terras e das boas-vindas que costumavam oferecer aos missionários enviados; dos pretos de Calabar; de como Hope Waddell fora morar corajosamente no meio dos pântanos, e ali brilhar como uma luz, pregando aos selvagens o Evangelho de Cristo, e o quanto a Missão necessitava de obreiros e de manutenção.
     Às cinco da manhã, Maria se levantava e ia para a fábrica, onde permanecia até às dezoito horas. Levava sempre a Bíblia consigo, lendo-a no caminho, quando ia e quando voltava, e durante os intervalos do seu trabalho.
     Nessa época tornara-se membro da igreja de Wishart. Ali, pouco tempo depois, começou a dirigir uma classe bíblica para meninos rebeldes. Para atrair aqueles que se recusavam terminantemente a frequentar a classe, ela promovia reuniões ao ar livre.
     Certa vez um grupo de rapazes perversos resolveu acabar com uma dessas reuniões. O líder do grupo aproximou-se de Maria, sob o olhar dos demais, inclusive das crianças, e começou a girar uma corrente em cuja ponta estava presa uma bola de ferro. E a girava velozmente, avizinhando-a da cabeça de Maria, mas esta, encarando-o firmemente, não denunciava nenhum sinal de medo. 
     "Ela tem coragem" disse o rapaz, desistindo e abaixando o braço com que segurava a corrente. Em seguida sentaram-se todos, e juntamente com as crianças assistiram à reunião.
     Esse incidente contribuiu para mudar a vida daqueles moços, salientando também a coragem daquela que, não temendo lidar com garotos rebeldes nem enfrentar rapazes insubordinados, desafiaria, em plena selva, a agressividade e as lanças dos negros africanos.
     A missão de Calabar, na África Ocidental, tinha sido fundada no ano de 1846. Kurumã estava sendo evangelizado por Robertt Moffat, enquanto David Livingstone, "o fogo das mil aldeias", abria caminho através de todo o restante do Continente.
     O sonho da senhora Slessor era que Roberto, seu filho mais velho, fosse à África auxiliar o trabalho desses missionários. Mas a morte prematura do rapaz fê-la pensar que nunca teria um filho missionário.
     Quando, em 1874, Maria Slessor completou 26 anos, foi pedida em casamento. Mas neste mesmo ano o Império Britânico foi abalado com a notícia da morte de David Livingstone. Fizeram então apelo a voluntários para o continente africano, e Maria, decidindo entre a obra missionária e o casamento, optou pelo primeiro e ofereceu-se como missionária para Calabar.
     Nessa época, ela era aluna da Escola Normal de Edimburgo, e a coragem em seguir para um lugar conhecido como "sepultura dos brancos" deixou forte impressão em todos.
     Em agosto de 1876, no cais de Liverpool, Maria embarcava em um navio que a levaria a um continente que em nada se assemelhava à sua bela Escócia. Tornava-se então realidade o sonho da senhora Slessor.
     Pelas areias brancas de Cabo Verde, pelo Desembocadouro dos Escravos, pela Costa do Marfim e pela Costa do Ouro, a bordo do navio "Etiópia", dois olhos azuis deslizavam sua curiosidade pela misteriosa paisagem que delineia a navegação costeira.
     Maria Slessor, recebendo brandamente no rosto a aragem fresca das praias africanas, contemplava interessadamente aquelas florestas que se erguiam, hostis e impenetráveis, margeando toda a costa.
     Chegando a Calabar, desembarcou e foi conduzida a Duke Town, uma vila litorânea onde residiam alguns missionários. Ali ela viveu durante quatro anos, ajudando nos cultos e estudando a língua local e alguns dialetos nativos.
     Era madrugada ainda quando Maria se levantava para tocar o sino, convocando os crentes à oração. O seu espírito, entretanto, ansiava por um trabalho de maior alcance, a liberdade pioneira, o desbrava-mento daquele solo enegrecido pelo pecado.
     Muitas vezes ela caminhava para a mata fechada e contemplava demoradamente as árvores que se erguiam ao longe, indecifráveis, sumindo no horizonte além. Era ali que se travavam, entre tribos que praticavam a feitiçaria e o canibalismo, os choques mais horrendos e cruéis já contemplados pela natureza humana.
     E era ali que ela deveria estar, entre eles, modificando-lhes as práticas da ignorância e falando-lhes do amor de Jesus.
     Foi de um vilarejo chamado Cidade Velha que lhe veio o primeiro convite para ir evangelizar e morar entre os negros. Ela aceitou, agradecendo a Deus. Agora poderia expandir plenamente a sua vocação missionária.
     Seguiu para lá acompanhada de um guia e alguns carregadores. Quando a vereda por onde caminhavam se dividiu em duas, eles se depararam com um crânio humano enfiado em uma estaca. Ali estava designada a entrada da Cidade Velha.
     Durante mais de dois anos, Maria Slessor viveu naquele povoado como a única mulher branca entre negros, alegre por estar no meio deles, comendo na mesma mesa e falando-lhes da obra salvadora de Jesus.
     As paredes de sua casa eram de taipa e o teto de palha, e havia sempre várias crianças dormindo ali - órfãos e desprezados que Maria abrigava. Pensando nestas e nas outras crianças, fundou uma escola onde lhes ensinava não só o idioma deles, mas também a darem os primeiros passos nos caminhos eternos.
     Aos domingos pela manhã, dois meninos carregando um sino em um pau de bambu, percorriam toda a vila até o local da reunião, trazendo atrás de si um número sempre crescente de negros curiosos que se achegavam para ouvir a "Mãe Branca".
     E quando a noite se declinava sobre o povoado, recebia sempre em sua fronte escura a claridade do cântico daqueles nativos que cultuavam a Deus à luz das tochas vermelhas.
     Certa vez uma canoa pintada de vivas cores e conduzida por quatro negros de pele oleosa e rostos pintados de vermelho aproximou-se das margens do rio que banhava o vilarejo.
     Era a canoa do rei Ocon, chefe da tribo Ibaca, que a enviara juntamente com o convite para que Maria fosse morar em sua tribo. Ela aceitou. Esta seria uma grande oportunidade de evangelizar um povo que desconhecia Cristo.
     Logo, toda a Cidade Velha ficou alvoroçada e entristecida. Mas às três horas da madrugada, despedindo-se de todos, Maria era conduzida rio acima, sob a cobertura de uma esteira improvisada para protegê-la da chuva e da água levantada pelos remos.
     Por um longo espaço de tempo aqueles homens remaram, e quando a madrugada enrubescia as primeiras horas do dia, sob o latido de cães e o cantar dos galos, chegaram a Ibaca.
     Deram-lhe uma casa semelhante à outra onde morava anteriormente. Multidões vieram das vilas vizinhas para ver sua pele branca. Pela manhã e à noite realizava cultos; durante o dia dava remédios aos doentes, fazia curativos em suas feridas ou lhes aconselhava o que deviam fazer.
     Homens, ao natural ferozes e barulhentos, ficavam em completo silêncio ao verem Maria aproximar-se para lhes contar histórias. Ali, ela falou o Evangelho de Cristo a todos os que se achegaram para vê-la.
     Pelos fins de 1882, um tufão passou com extrema rapidez sobre a vila e derrubou a casa de Maria. Ela foi levada a Duke Town, mas o seu estado de saúde se agravou, fazendo-se necessária a sua volta à Escócia.
     Depois de três anos, recuperada e novamente pronta para enfrentar as dificuldades, voltou à África, desta vez dirigindo-se para a tribo de Creek Town.
     Viveu durante seis meses nesse povoado, até quando soube que o rei Eio, chefe da tribo Coiong, praticante da magia negra, a convidara para evangelizar sua tribo.
     Todos se opuseram à sua ida, alegando que aquela tribo não merecia confiança e que o convite era uma cilada. Mas ela não se impressionou, e, acompanhada de seis crianças e alguns carregadores, embarcou na canoa enviada pelo rei.
     Quando alcançaram a desembocadura de Equenque, a canoa foi abandonada, e, sob uma pesada chuva e o choro das crianças, iniciaram a jornada a pé, através de mais de uma légua de mata fechada.
     Sentindo no corpo as roupas encharcarem-se e os pés atolarem-se na lama, Maria avançava cantando trechos de hinos, a fim de encorajar as crianças. Mas em certos momentos era tão grande o seu cansaço que ela só conseguia pronunciar: "Pai, tem misericórda de mim!"
    Chegaram finalmente à tribo. Reinava ali um silêncio profundo. Maria gritou e dois escravos apareceram. Um deles acendeu o fogo e trouxe-lhe água, enquanto o outro correu com a notícia de que a "Mãe Branca" era chegada.
    É noite. Em uma área larga, no centro da tribo, há uma multidão de negros sentados, formando um grande círculo. As casas, distribuídas de modo a formar uma larga circunferência, erguem-se em volta dos ombros escuros. No centro da reunião há uma mesa coberta com uma toalha branca, e, em cima desta, acha-se aberta uma Bíblia.
     Quatro tochas presas a estacas se erguem de um lado e do outro da mesa. As chamas brilham nos rostos atentos. Junto à mesa há vários chefes sentados. E de pé, com os cabelos adquirindo tonalidade de ouro sob a vermelhidão das tochas, Maria Slessor prega ao maior ajuntamento de tribos negras já conseguido de uma só vez.
     O olhar azul contempla a multidão silenciosa e atenta. "Para alumiar os que estão no assento das trevas e na sombra da morte, para corrigir os nossos pés no caminho da paz" (Lucas 1.79), é o trecho lido naquela noite pelos lábios que ainda se abririam inúmeras vezes para pregar a Palavra da Vida.
     Maria Slessor viveu ainda muitos anos entre as tribos africanas. Através de sua voz, milhares de negros tomaram conhecimento de Jesus Cristo e milhares o aceitaram como o Salvador. Ela foi, depois de David Livingstone, a missionária que mais conduziu negros aos alvos caminhos da salvação.
     Em janeiro de 1915, cansada e ainda em plena África, ela foi ao encontro dAquele que, na grandiosidade do seu sacrifício, foi erguido no madeiro para constituir-se na esperança de todos os povos.

Jefferson Magno Costa

terça-feira, 10 de abril de 2012

O QUE SUSTENTA A TERRA NO ESPAÇO?


Jefferson Magno Costa
      Além de crerem em muitas tolices e infantilidades, as nações antigas, que tiveram o povo hebreu como peregrino, escravo e vizinho, faziam uso de diversas fantasias para explicar como a Terra permanece suspensa no espaço. 
     Os egípcios não a imaginavam de forma redonda (apesar de acreditarem que ela havia surgido de um ovo), e sim de forma plana e quadrada, com cinco gigantescos pilares sustentando-a, um em cada canto, e o quinto no meio. Uma nação, cuja arquitetura produziu as imensas e admiráveis pirâmides, jamais poderia admitir que a Terra não tivesse embaixo de si um alicerce sólido.
      Da mesma forma os gregos, com toda a sua evolução científica, artística e filosófica, não conseguiram explicar de maneira menos fantasiosa o modo como a Terra mantém-se suspensa no espaço.
       Diziam eles que um gigante chamado Atlas fora condenado por Zeus (o deus supremo dos gregos) a sustentar a Terra eternamente sobre os seus ombros, conforme os padeiros carregam cestos de pão – com a cabeça sempre curvada para frente. Porém, se alguém lembrasse de perguntar em que o gigante Atlas apoiava os seus pés, os gregos não sabiam responder, e mudavam de assunto.
      Os antigos hindus também faziam uso de uma explicação interessante, quando a conversa caía sobre esse tema. Diziam eles que a Terra estava apoiada sobre as costas de um imenso elefante. O elefante, por sua vez, estava apoiado no casco de uma grande tartaruga, e esta nadava nas águas de um imenso oceano cósmico, espacial.
      Diante de tantas explicações tolas, era de se esperar que a Bíblia tivesse sido afetada por tais crendices, pois os judeus viveram entre esses povos. Porém, quão grandiosamente acima dessas infantilidades estiveram os homens a quem Deus usou como escritores da Bíblia!
     Quão grandiosamente acima de todas essas fantasias estava o patriarca Jó quando escreveu, por volta do XVI Séculos a.C., sob a inspiração do Espírito Santo: “Ele (Deus) estende o norte sobre o vazio, e faz pairar a terra sobre o nada” (Jó 26.7).
      Nenhum cientista teria definição melhor para a invisível força da gravidade do que esta empregada por Jó. Mas como o velho patriarca veio a saber isto? Ele aprendeu com o maior físico do Universo: Deus!

Jefferson Magno Costa
Marcelo disse...

A Paz de CRISTO,

Pr Jefferson,desculpe-me usar esse sublime espaço para perguntas,mas:

O LIVRO QUE APARECE NO SEU BLOG SOBRE UM MÉDICO QUE RELATA À CRUCIFICAÇÃO DE CRISTO É POSTADO PELO IRMÃO OU...É BOMMM?!

31 de janeiro de 2011 21:25

Jefferson Magno Costa disse...

Não, não é bom, prezado irmão e amigo Marcelo Pires: é fantástico, é excelente, é único no mundo em seu gênero. É iniqualavelmente esclarecedor, e capaz de levar um rochedo às lágrimas. Recomendo-o a toda e qualquer pessoa que tenha algum interesse por Jesus Cristo.

1 de fevereiro de 2011 11:01