sábado, 19 de junho de 2010

TRAFICANTE E ASSALTANTE É LIBERTO POR JESUS DAS VEREDAS DO CRIME

Jefferson Magno Costa


    Sua infância em Belo Horizonte foi marcada pelas cenas de alcoolismo do seu pai. Anos mais tarde, seguindo o mau exemplo paterno, alguns dos seus irmãos tornaram-se alcoólatras. Paulo Roberto ia para a escola carregando em seu coração de menino de 12 anos a tristeza de não viver em um lar feliz. Foi em uma dessas ocasiões que um de seus colegas de escola quis saber porque ele andava tão triste. Após ouvir o motivo, o colega disse-lhe que também enfrentara esse mesmo problema em sua casa, mas descobrira um “mundo melhor” que o ajudara a superar tudo aquilo. Quando a situação tornava-se ruim, ele se “ligava” nesse mundo, fazia um “viagem” e tudo acabava bem.


COMO SE FABRICA UM VICIADO
    Paulo Roberto quis saber como era aquilo. Então o garoto tirou do bolso um pacotinho contendo uma erva que Paulo nunca vira antes, fez com ela um cigarro, acendeu-o e deu para que ele fumasse. Foi a primeira experiência de Paulo com a maconha. Em seguida, o “bondoso menino” presenteou o “menino triste” com um pacotinho daquela erva, dizendo-lhe: “É de graça.” Paulo levou-a para casa, e quando se sentia deprimido, preparava um cigarro e fumava.
    Quando a erva acabou, Paulo procurou o seu “amigo” para pedir-lhe mais, porém este lhe disse: “Olha, Paulinho, eu não tenho, mas sei quem tem. Custa 100 cruzeiros.” Naquela época seu pai pagava 200 cruzeiros de aluguel da casa onde moravam. Portanto, para manter o vício, Paulo precisava gastar 100 cruzeiros por dia! A única solução era roubar, pensou ele.
    De sua própria casa e da casa de parentes começaram a “desaparecer” alianças e relógios que Paulo vendia para comprar a droga. Alguns meses depois estava ele praticando os primeiros furtos no comércio da cidade e em residências. Tornou-se intermediário de traficantes, antes de se tornar um deles. E seus pais de nada suspeitavam.


ADOLESCENTE E CHEFE DE TRÁFICO
    Aos 14 anos de idade, Paulo conheceu os membros de uma das maiores quadrilhas de traficantes de drogas de Minas Gerais. Quando a polícia prendeu o líder dessa quadrilha, Paulo, por ser ainda um menino, passou a visitar o presídio em companhia dos familiares dos detentos, levando ocultamente drogas para o uso pessoal do traficante-chefe. Com isto, passou a ser admirado a respeitado por todos os bandidos antigos. Naquela época, Paulo já se tornara um traficante, vendendo drogas em colégios, praças e ambientes de prostituição.
    Passou a fazer uso de drogas mais fortes. A maconha servira-lhe tão-somente de porta para o aparentemente colorido, mas na verdade tenebroso mundo dos tóxicos. Quando a imprensa noticiava que um ou vários adolescentes tinham sido presos portando drogas, o nome de um tal Paulinho Bonfim era apontado como o fornecedor e chefe do tráfico.
    A polícia passou a saber que havia um certo Paulinho traficando em grande escala, e imaginava-o um bandidão portando revólveres e metralhadora, mas jamais suspeitava que ele fosse um simples adolescente. Esse Paulinho Bonfim era Paulo Roberto.


PRESO PELA PRIMEIRA VEZ
    Durante uma “blitz” da polícia em uma área de prostituição, Paulo foi preso com o bolso cheio de drogas. Diante do inspetor e do comissário de polícia ele mentiu, afirmando ser mais uma vítima da perseguição dos policiais, que estavam tentando fabricar um bandido, e haviam colocado a droga dentro do seu bolso. Ninguém ali suspeitava que ele fosse o tão procurado Paulinho Bonfim. Foi solto algumas horas depois. Tinha 16 anos. Naquele mesmo dia, juntou-se a dois delinquentes menores e saiu para assaltar. Nas proximidades de uma indústria, cercaram um homem que trazia um pequeno envelope na mão. Estava escuro. Um dos companheiros de Paulo deu um soco no estômago do homem, o outro deu-lhe uma “gravata” e Paulo encostou-lhe uma arma no peito. O homem segurou firmemente o envelope e suplicou, chorando: “Por favor, não me roubem. Este dinheiro é o leite dos meus filhos.”
    Os três rapazes insistiram, e o homem gritou: “Pelo amor de Deus, socorram-me. Estão me assaltando!” Imediatamente as luzes da frente do prédio se acenderam, e os ladrões fugiram, sem conseguir levar o envelope.
Muitas vezes, após haver sido reconhecido por alguma de suas vítimas na rua ou dentro de um ônibus, Paulo tinha de fugir para não ser preso ou linchado. Quando parava para refletir, chorava, perguntando a si mesmo: “Como é que eu entrei nisso? Tenho de sair dessa situação.” O “mundo colorido” transformara-se em um túnel escuro e sem saída.
    “Muitas vezes as pessoas caem no abismo das drogas e do crime como quem entra em um poço; impulsionadas pela curiosidade, aventura ou influência de ‘amigos’. Elas descem a escada do poço, e de repente o diabo tira o escada, deixando-as presas ali”, afirmou o irmão Paulo.


“MEU FILHO, EU NUNCA ESPERAVA ISTO DE VOCÊ
    Poucos meses após completar 18 anos (nasceu no dia 31 de dezembro de 1943), Paulo e mais três companheiros realizaram um assalto e fugiram, mas quando estavam dividindo o produto do roubo, viram-se cercados pela polícia. Diante das armas pesadas, renderam-se e foram levados para o depósito de presos. No dia seguinte, 13 de maio (dia das mães), a notícia e as fotos de Paulo e dos outros assaltantes saíram na primeira página do principal jornal mineiro.
    Após responder ao interrogatório e assinar seu depoimento, Paulo foi jogado em uma cela com capacidade para 20 presos, mas ali havia 80, sem água, sem as mínimas condições de higiene, agredindo-se e matando-se uns aos outros. Ao receber a visita de sua mãe, ele chorou muito, abraçado a ela. “Meu filho, eu nunca esperava isto de você.” Esta frase o acompanhou durante os quatro anos e oito meses de prisão a que foi condenado.
    Durante esse período, fugiu e foi recapturado quatro vezes. Esteve 11 vezes na cela escura, a “solitária”. Na sua quarta fuga ele entendeu que o mal de sua vida não estava nem dentro da cadeia nem fora de suas paredes, e sim dentro dele mesmo. Foi espancado duramente.


DEUS TAMBÉM AMA OS CRIMINOSOS?
    Com o corpo dolorido e coberto de hematomas roxos causados pelos socos e pontapés que levara, com os dentes quebrados e curativos no rosto, nas costelas e nos braços, deitado em sua cela, Paulo se viu de repente pensando em Deus. Ele existiria mesmo? “Se Deus existe, porque Ele permitiu que eu descesse tão baixo? Se Deus existe, por que Ele permite que eu viva enjaulado como um animal? Se Deus existe, por que Ele não me dá uma prova de sua existência?” Estas foram suas reflexões. Adormeceu em seguida.
    Quando acordou era domingo, dia de visitas no presídio. Sua mãe não viera. Um grupo de moças e rapazes, com acordeom e violão, aproximou-se de onde ele estava. Segurando firmemente nas grades da cela, Paulo os observava. Eles pararam diante da cela ao lado e começaram a cantar: “Ó quão cego andei e perdido vaguei, longe, longe do meu Salvador.” Paulo estremeceu. Seus olhos foram-se enchendo de lágrimas à medida que os jovens cantavam o hino. Até aquela data, ninguém se aproximara dele para falar-lhe de Jesus.
    Naquele momento um rapazinho (deveria ter uns 13 a 14 anos) destacou-se do grupo, aproximou-se da cela onde Paulo estava e perguntou-lhe: “Você crê em Deus?” Paulo respondeu: “Creio.” “Você crê em Jesus Cristo como Salvador?” “Creio”, tornou a responder Paulo. O rapaz disse: “Eu acho que você não me entendeu. Vou repetir tudo de novo. Eu não estou perguntando se crê em um Jesus de 25 de dezembro, que nunca cresceu na manjedoura, nem estou lhe perguntando se você crê no Cristo da Sexta-feira da Paixão, que os homens carregam ano após ano. Estou lhe perguntando se você crê no Cristo que foi crucificado, sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia, e o Espírito Santo dele entra no coração do homem que o aceita como Salvador, transformando-o e dando-lhe uma nova natureza. É neste Cristo que eu estou perguntando se você crê.” Paulo disse: “Creio.” O rapaz tornou a perguntar: “Então, você quer entregar sua vida a este Jesus?” “Não posso”, respondeu Paulo. Ouvindo isto, o rapazinho começou a chorar.


“SALVAÇÃO E LIBERTAÇÃO, SÓ EM JESUS”
    Naquele momento a sirene tocou, encerrando o horário de visitas. Segurando firmemente nas mãos de Paulo estendidas através das grades, o rapaz falou: “Moço, não se esqueça: Salvação e libertação, só em Jesus Cristo.” A frase ficou ecoando por alguns instantes no corredor ladeado de celas, e muitos detentos a ouviram.
    Um ano depois, Paulo foi posto em liberdade. Cumprira sua pena. A família o recebeu, e todos choraram. No dia seguinte, saiu de casa à procura de emprego. Bateu em muitas portas. Ninguém quis dar uma chance a um ex-encarcerado. Caiu novamente no mundo do tráfico. Botou uma “boca de fumo” apoiado pelos amigos marginais. Arrasado fisicamente devido ao constante uso de drogas nas veias, recebendo intimação policial para abandonar o Estado dentro de 48 horas, Paulo recebeu um convite de seu irmão para ver um “bíblia tocando guitarra que era uma beleza”, em um culto que estava sendo realizado nas proximidades da “boca de fumo”.
    Ele foi. Lá, ouviu o testemunho de uma velhinha. Sua filha tinha sido prostituta e viciada, mas pelo poder da oração e da fé em Jesus Cristo, fora salva e liberta, e agora era uma missionária no Amazonas. “Ora, se Deus salvou uma mulher assim, Ele vai me salvar também, hoje”, disse Paulo para si mesmo. Mas quando tentou atender ao apelo, algo estranho não lhe permitiu levantar o braço nem dar um passo à frente.
    Enquanto isto lhe acontecia, seu irmão e mais seis colegas atendiam ao apelo, aceitando Jesus Cristo como Salvador. Usado pelo Espírito Santo, o pregador disse: “Se alguém não tem forças para levantar o braço e vir à frente, pelo poder do sangue de Jesus, seja liberto agora.” As lágrimas começam a rolar dos olhos de Paulo, ele conseguiu mover-se de onde estava, aproximou-se dos colegas e ajoelhou-se.
    Os irmãos oraram por aqueles oito rapazes, sem saber que estavam diante de viciados, assaltantes e traficantes. O poder daquela oração foi tão grande que cortou o efeito da droga na mente de Paulo. Ao chegar em casa, ele jogou todo o estoque de drogas fora, e disse para os seus pais: “De hoje em diante, nunca mais roubo nem uso drogas.”
    Passou a frequentar assiduamente a igreja, os irmãos deram-lhe uma Bíblia de presente, e 14 dias após sua conversão, Jesus o batizou com o Espírito Santo. Casado e pai de quatro filhos, hoje o pastor Paulo Roberto conta suas experiências como missionário no Amazonas, na Itália e em outros lugares do mundo.
Jefferson Magno Costa

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