sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

QUEM O FAZ MELHOR OU PIOR O LUGAR SOMOS NÓS

Jefferson Magno Costa

     No mundo há muitos lugares, muitas posições profissionais, ministeriais, espirituais, sociais. Porém, em si mesmo, nenhum lugar é bom ou ruim. Ser um bom lugar ou um mal lugar depende da pessoa que o ocupa.
      Por mais elevado ou por mais baixo que seja o lugar ou posição ocupados por você, se você é bom, esse lugar será bom, e se você é excelente, esse lugar será excelente.
      Da mesmo forma, se você for mau, o lugar que você ocupar será mau, e se você for péssimo, esse lugar será péssimo.

      Jesus disse certa vez que sobre a cadeira de Moisés estavam assentados os escribas e fariseus (Mt 23.2). E quem foi Moisés, e quem foram os escribas e fariseus?
      Moisés foi o maior e melhor homem do seu tempo, e os escribas e fariseus foram os mais baixos e piores homens do tempo deles.
        











Pois se os escribas e fariseus estavam assentados na cadeira de Moisés, por que não eram como Moisés?
     Por que são os homens que transmitem a melhoria e a excelência aos lugares, e não os lugares aos homens.
      Se você for bom, ainda que a cadeira seja dos escribas e fariseus, o seu lugar será bom. Mas se você for mau, ainda que a cadeira seja de Moisés, o seu lugar será mau.
      









Será que houve na terra melhor lugar que o Paraíso? Não. Haverá no universo melhor lugar que o Céu? Não.
        









Pois nem o Paraíso manteve bom a Adão, que era inclinado à desobediência, nem o Céu manteve bom a Lúcifer, que era inclinado à soberba. A índole de ambos era má.
Jeremias, mesmo estando preso e atolado na lama dentro de um calabouço (Jr 38.6), continuou sendo aquele mesmo homem sincero, íntegro e temente a Deus que atuara como profeta diante dos reis Josias, Jeoaquim e Zedequias (Jr 1.1-3).
       



 



 

Jó, mesmo assentado sobre a cinza e se coçando com um caco de telha (Jó 2.8), continou sendo o homem a quem o próprio Deus elogiara diante dos filhos de Deus e de Satanás (Jó 1.8).

     









O melhor lugar para se estar no mar durante uma tempestade é em um navio, e não no ventre de uma baleia. Pois Jonas foi melhor no ventre da baleia, onde orou (Jn 2.1), do que no porão do navio, onde só dormiu (Jn 1.5).
       








Portanto, os lugares por si mesmos não são maus nem bons, nem há lugar melhor ou pior. Entre os Doze Apóstolos, o lugar que passou a ser ocupado por Matias não tinha sido antes ocupado por Judas? (At 1.15-26).
      








Se você for como Judas, não se tornará um homem bom só por estar ocupando o lugar que foi de Matias; e se for como Matias, não se tornará um homem mau só por estar ocupando o lugar que foi de Judas.
       Se você quer ocupar o melhor lugar entre todos, esforce-se para ser a melhor pessoa entre todas. Então o seu lugar, seja ele qual for, será também o melhor.

Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

MUITAS VEZES OS NOSSOS OLHOS SEM FÉ NÃO CONSEGUEM VER ALÉM DA REALIDADE APARENTE

Jefferson Magno Costa    
     










Colocaram a túnica de José diante de Jacó, falsamente manchada do sangue do rapaz, quando na verdade o sangue era de um cabrito (Gn 37.31).
       E qual foi a reação de Jacó assim que viu a túnica? Concluiu, sem ter perguntado nada a ninguém, que José havia morrido. Uma fera o matara, pensou o patriarca.
     Como José não aparecera nem vivo nem morto entre os seus irmãos que acabavam de lhe trazer aquela túnica ensanguentada, Jacó concluiu que uma fera despedaçara e comera o seu filho (Gn 37.33).
      Após chegar a essa conclusão, o velho e sofrido homem de Deus caiu em prantos, sem que ninguém conseguisse consolá-lo de sua dor (Gn 37.34,35).
    Aqui entre nós, e falando bem baixinho para que o grande patriarca Jacó não nos escute: Como existem pessoas cegamente crédulas na falsa realidade que os seus olhos sem fé as levam a enxergar!
    Ei, Jacó, com todo o respeito aos seus cabelos brancos e à sua dor: os que trouxeram essa túnica ensanguentada até você, por acaso disseram que o sangue é de José? Não.
      Algum deles afirmou que viu José ser morto? Não. Algum deles assegurou que viu José ser despedaçado? Não. Algum deles garantiu que viu José ser engolido por uma fera? Não. 
     Então, Jacó (e mais uma vez sem querer faltar com o respeito à sua dor de pai), onde está sua fé nas promessas que o Senhor fez ao seu pai Isaque e ao seu avô Abraão, promessas que alcançam frontalmente você, abraçam todos os seus filhos e se estendem aos descendentes dos seus filhos?
     






 

Você se esqueceu daqueles dois sonhos proféticos de José? Em um deles os feixes de feno que os irmãos de José atavam curvavam-se diante do feixe de José, e no outro José era reverenciado pelo sol, pela lua e pelas estrelas, significando que você, a mãe de José (ou sua tia ou madrasta) e os irmãos de José um dia se inclinariam diante dele? (Gn 37.5-10).
     







 


Não foi você mesmo, Jacó, quem interpretou esse sonho? E não foi você mesmo quem guardou esse sonho profético no coração? (Gn 37.11).
     Homem de Deus, abra os seus olhos para essa realidade: esse sonho ainda não se cumpriu! Então, como é que você permite que seus olhos o levem a esquecer tudo isso ao verem uma túnica ensanguentada?
     Como justo, você não sabe que devemos crer muito mais naquilo que a nossa fé consegue enxergar do que naquilo com que os nossos olhos conseguem nos enganar? “Porque andamos por fé, e não por vista” (2Co 5.7).
      Você, Jacó, homem justo e grande servo de Deus, ao longo de todos os seus anos de vida, tem descoberto “a justiça de Deus de fé em fé”, e sabe que “o justo viverá da fé” (Rm 1.17).
     E por que agora está duvidando das promessas de Deus, e deixando de ser fortificado na fé, dando glória a Deus? (Rm 4.20).
      “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Portanto, Jacó, não é muito melhor você crer nos sonhos proféticos do seu filho do que na túnica supostamente manchada com o sangue dele?
     É verdade que você tem nas mãos uma túnica ensanguentada. Porém, a aparência nem sempre corresponde à realidade. O que parece ser a mortalha de um José morto, continua sendo a túnica de um José vivo. As manchas que parecem ser do sangue do seu filho, na verdade são manchas do sangue de um cordeiro.
     Isto tudo é e será assim se você pode crer, Jacó, “porque tudo é possível ao que crer” (Mc 9.23).
    










Jacó, lembre-se de algo que pode aumentar a sua fé. Considere o que aconteceu com o seu avô e o seu pai. Deus mandou que Abraão sacrificasse Isaque.
     





Abraão subiu o monte Moriá levando consigo o fogo e o cutelo (facão), enquanto Isaque transportava a lenha para o sacrifício.
    No alto do monte, Abraão edificou o altar, atou a vítima, que era o seu próprio filho Isaque, e levantou a mão com o cutelo para desfechar o golpe fatal.
    Se nesse exato momento alguém que por acaso estivesse acompanhando de longe o desenrolar daquela cena, e por não querer ver Isaque ser morto pelo próprio pai, fechasse os olhos e abaixasse a cabeça, e só abrisse os olhos e erguesse a cabeça quando o cordeiro que Deus providenciara para substituir Isaque estivesse terminando de arder no altar, e já se transformando em cinzas, o que pensaria aquela pessoa?
        Que aquelas cinzas eram de Isaque. Essa seria a impressão daquela pessoa, mas não seria a realidade. Porque perto dali estaria Isaque, livre, vivo, alegre, e com as esperanças confirmadas de que nele se cumpririam as promessas que Deus fizera ao seu pai e a todos os seus descendentes, inclusive a você, Jacó, e ao seu filho José.
     Pois se desta maneira as aparências podem enganar o olhar dos seres humanos; se desta maneira, num abrir e fechar de olhos, a morte pode ser confundida com a vida; se as cinzas que pareciam ser de Isaque eram de um cordeiro, por que você também não exercita a sua fé, Jacó, e crê que o que aconteceu ao seu pai Isaque foi o mesmo que aconteceu ao seu filho José?
     Se as cinzas de um cordeiro não se distinguem das cinzas de Isaque, quem lhe garante que esse sangue que você pensa ser do seu filho não é também de outro cordeiro?
      Ora, na verdade Jacó tinha diante de si todos esses motivos fortíssimos, eloquentes, impactantes para não crer que José tivesse morrido.
      Porém, nenhum desses argumentos, nem os sonhos proféticos eram suficientes para aliviar a dor do patriarca, e acender no seu coração qualquer esperança de que o seu filho ainda estivesse vivo. Esta era sua opinião, mas não a realidade.
       Enquanto tudo isto acontecia em Canaã, José estava no Egito, não só vivo, mas muito bem disposto, no centro da execução do plano que Deus traçara para a sua vida, caminhando para se tornar a segunda pessoa mais poderosa do país dos Faraós (Gn 41.40-44).
    Em Canaã estava a opinião sobre José: que ele fora morto e devorado por uma fera; mas no Egito estava a realidade: que ele fora conduzido por Deus para ser enaltecido pelo Faraó e tornar-se futuramente o salvador de sua família e de inúmeros outros povos.
    










É verdade que antes de galgar aquela altíssima posição no Egito, José foi colocado por seus irmãos dentro de uma cisterna, foi vendido aos midianitas, vendido a Putifar, caluniado e encarcerado.
    










 



Porém, como Deus havia determinado que o honraria diante de sua família e diante de todo o Egito e dos povos que se relacionavam com o Egito naquela época, não foram suficientes irmãos invejosos, cisterna, midianitas, Putifar, mulher adúltera de Putifar ou cárcere do Egito para impedir.
    E finalmente o Senhor usou Faraó para erguer José a uma posição de honra e amplos poderes. O Senhor resgatou José sobretudo da suposta morte para a qual Jacó achava que o havia perdido.
   








 

Eis, portanto, qual era a opinião que Jacó e os demais parentes de José faziam dele, considerando-o morto em Canaã; e qual era a realidade que Deus estabelecera para aquele moço fiel, mantendo-o vivo e imensamente honrado no Egito.
      Portanto, o que os nossos olhos carnais e incrédulos veem, levando-nos, inclusive, a esquecer das promessas de Deus para a nossa vida, muitas vezes está muito aquém do que os nossos olhos da fé conseguem enxergar.
     "Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele" (Hb 10.38); "Porque andamos por fé, e não por vista" (2 Co 5.7).

Jefferson Magno Costa

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

DEUS PEDIRÁ CONTA DE COMO USAMOS OS NOSSOS TALENTOS









Jefferson Magno Costa

      










Na parábola dos talentos, os servos do rei eram três. Ao primeiro o rei entregou cinco talentos, o qual conseguiu outros cinco. Ao segundo entregou dois talentos, o qual conseguiu outros dois. E ambos foram louvados. Mas ao terceiro entregou um só talento, o qual ele enterrou.
      Na prestação de contas, esse último servo restituiu ao rei o mesmo talento que lhe havia sido confiado, pois não tinha negociado com ele, nem adquirido coisa alguma.
     Por isso o seu senhor não só o lançou fora de sua casa, e mandou que lhe tomassem o talento, como também o classificou de criado mau, e esta foi sua sentença de condenação (Mt 25.14-30).
      E se quem, na prestação de contas sobre o talento que Deus lhe deu, devolve o talento inteiro, e assim mesmo é condenado, o que será daqueles que o desperdiçam ou perdem, ou o usam contra si, contra o próximo, ou mesmo contra o próprio Deus?

NOSSAS FRAQUEZAS E LIMITAÇÕES TAMBÉM SÃO TALENTOS
 
      Não só são talentos os dotes da natureza, os bens provenientes da riqueza, os dons pessoais que recebemos de Deus, mas também o contrário e a falta de tudo isto. Não é só talento dado por Deus a formosura, mas também a feiura; não só a grande força, mas também a fraqueza; não só o agudo entendimento, mas também a dificuldade de entender; não só a visão perfeita, mas também a cegueira; não só a saúde, mas também a enfermidade; não só a longa vida, mas também a vida breve. Tudo deve ser usado para honra e glória do Senhor.
      O mesmo acontece com os bens que chamam da fortuna. Não é só considerado um bem, um talento dado por Deus, o nascimento ilustre, mas também a origem humilde; não só os altos cargos e posições de dignidade, mas também as posições simples e não-reconhecidas; não só a riqueza, mas também a pobreza; não só a vida ganha despreocupadamente, mas também a que é ganha com muito trabalho; não só os negócios prósperos, mas também os que estão em crise; não só a posição de mando, mas também a de ser mandado; não só as vitórias, mas também as derrotas. Tudo dever ser usado para honra e glória do Senhor.
      Desta forma, tanto podia se aproveitar Raquel de sua formosura, como Lia de sua feiura (Gn 29.17); tanto Aitofel do seu entendimento (2Sm 16.23), como Nabal de sua rudeza (1Sm 25.3); tanto Matusalém dos seus novecentos e sessenta e nove anos (Gn 5.27), como o moço de Naim dos seus vinte (Lc 7.11-17); tanto Arão da destreza e eloquência de sua língua (Ex 4.14), como Moisés do peso da sua (Ex 4.10).
      Disto tudo, concluímos que Deus há de pedir conta tanto ao rico da sua riqueza quanto ao pobre da sua pobreza; tanto ao sadio da sua saúde, quanto ao doente da sua enfermidade; tanto ao honrado do seu prestígio, quanto ao afrontado da sua injúria; e tanto do que deu a uns, como do que negou a outros. Porque se o rico pode conseguir galardão com sua liberalidade, o pobre também pode consegui-lo com sua paciência.
      Está provado que entre as coisas que se chamam prósperas ou adversas, mais eficazes são para o crescimento espiritual as que mortificam a natureza, do que as que aguçam a carnalidade; e mais seguras para nos ajudar no caminho da salvação as que pesam e nos conduzem à humildade, do que as que elevam e nos conduzem à soberba.
      Só souberam manejar uns e outros meios, e tirar com igualdade proveito de ambos um Paulo, que dizia: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância...” (Fp 4.12); e um Jó, que ao perder tudo o que tinha, e muito antes de ser novamente abençoado por Deus, perguntou: “Receberíamos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2.10).
      Portanto, desta maneira devemos aceitar (pois veio da mão de Deus) e contentar-nos com o talento ou os talentos que Deus nos deu, sejam cinco, sejam dois, seja um somente. E se puder ser nenhum, ainda será mais seguro.
      Quando o rei distribuiu os talentos aos criados, não lemos que algum deles tenha ficado descontente da distribuição. 
     Se os talentos que Deus deu a outros são mais numerosos ou maiores que os nossos, não deixemos que o dente da inveja nos morda. Esses ultra-talentosos terão que prestar rigorosamente contas a Deus, terão que apresentar muito mais resultados do uso dos talentos que receberam, do que nós, que não recebemos tantos talentos assim, mas que soubemos usar, com responsabilidade, temor e tremor, o único talento que Deus nos deu.

Jefferson Magno Costa

terça-feira, 30 de novembro de 2021

JESUS MENDIGOU ALGUMA VEZ?

Jefferson Magno Costa

     Na história da exegese bíblica (explicação ou interpretação minuciosa e esclarecedora de uma palavra, de um versículo ou de um longo trecho da Bíblia), há um versículo, entre milhares de versículos estudados pela exegese, que esconde uma sutil diferença de siginificado entre a forma como ele foi traduzido e é entendido nos dias atuais, e o siginificado teologicamente mais profundo que ele esconde desde o dia em que foi escrito.
      É o versículo 9 do capítulo 8 da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios: “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis”.
      A curiosa diferença exegética recai sobre a expressão se fez pobre.
     Quem chamou pela primeira vez a atenção dos estudiosos da Bíblia para o siginificado mais profundo que a apóstolo Paulo quis dar a essa expressão, foram os dois maiores pregadores e intérpretes bíblicos da língua grega, mundialmente respeitados e aclamados como doutores nas ciências bíblicas, João Crisóstomo (349-407) e Gregório Nazianzeno (329-389).
      Eles afirmaram que o mais entranhado e profundo significado da expressão que em português foi traduzida como se fez pobre, é mendigou.
      Esses dois pregadores das Sagradas Escrituras, que conheciam profundamente a língua materna deles, o grego, e a grande riqueza do contexto bíblico neotestamentário no qual o apóstolo Paulo tinha vivido, e sob cuja influência escreveu as suas cartas, esclareceram que afirmar teologicamente que Jesus mendigou não é o mesmo que dizer que Ele pediu esmolas para ter com que se manter.
     Se bem que, se de fato pedir esmolas fosse uma das condições estabelecidas por Deus para nossa redenção, Jesus o teria feito tranquilamente.
      O fato é que Jesus jamais mendigou no sentido em que todos nós entendemos o que é mendigar, pois os evangelhos deixam bem claro que o nosso Salvador, até a idade de 30 anos, viveu da profissão que aprendera com José, a de carpinteiro, conseguindo o seu sustento com o trabalho de suas mãos.
      E quando iniciou seu ministério de pregação, passou a receber ajuda financeira de várias pessoas, especialmente das mulheres. Elas sustentavam o ministério do Senhor Jesus, conforme registra o evangelista Lucas (Lc 1.26-30).
     Portanto, Jesus não precisou mendigar, conforme o significado comum dessa palavra.
      Ora, se Jesus não necessitou pedir esmolas para se sustentar, o que Ele teria "mendigado"? Eis aí um altíssimo mistério relacionado à nossa salvação.
     E foram esses mesmos dois maiores luminares da teologia grega, Gregório Nazianzeno e João Crisóstomo, que nos deram a melhor resposta e esclarecimento sobre a questão. Por serem gregos, puderam penetrar a força e a riqueza de significado do texto escrito em sua própria língua.
     A explicação que esses dois intérpretes da Bíblia apresentaram pode ser resumida da seguinte forma:
      O Filho de Deus não só se fez pobre para nos tornar ricos, mas humilhou-se a ponto de mendigar.
     Mendigar o quê? Mendigar, ou pedir emprestado à natureza humana, nossa carne e nosso sangue, para tornar-se um de nós, e só assim poder nos redimir.
     A Carta aos Hebreus tem um sublime e profundo versículo sobre esse assunto: "Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste" (Hb 10.5).
     Antes de tornar-se um de nós, Jesus era Espírito. Para nos resgatar, era necessário que Ele sofresse na carne as consequências dos pecados que nós havíamos cometido na carne. Nosso resgate exigia preço de sangue. Jesus não tinha sangue,  e muito menos corpo, por ser Espírito (Jo 4.24). 
      Portanto, por não ter carne e por não ter sangue, Ele "mendigou", ou, no sentido do vocábulo grego, "pediu emprestado à nossa natureza", a carne e o sangue que não tinha, para nos resgatar na cruz do Calvário e nos enriquecer com Suas infinitas riquezas divinas e celestiais que não tínhamos.
      Devido ao pecado de Adão, a humanidade estava prisioneira do pecado e pobre.
     Como cativa, gemia no cativeiro; como pobre, não tinha recursos para pagar seu próprio resgate. E qual seria o preço desse resgate? O sangue do Unigênito Filho de Deus, conforme estabelecera a Justiça Divina. Mas Jesus, como Deus, não tinha sangue. E é aqui que entra o significado do termo mendigar.
     Não dispondo, nem podendo dispor, enquanto Deus, do valor decretado para realizar nosso resgate, Jesus mendigou (pediu, pegou emprestado) à natureza humana, a carne e o sangue, que uniu à sua Pessoa divina. E nasceu como um de nós, seres humanos.
      Com isto, conforme comentou altissimamente o apóstolo Paulo, nós, que éramos cativos e pobres, com a pobreza e mendicância de Jesus, tornamo-nos livres e ricos. Jesus, mendigando como pobre, obteve o necessário para realizar a nossa redenção. Com o que adquiriu com sua "mendicância", nos remiu e nos enriqueceu infinitamente.
      Portanto, na obra de Redenção da humanidade, que foi a maior demonstração do amor divino (João 3.16), Deus não se contentou só em dar o que tinha, mas também "mendigou" o que não tinha, para também os dar. Deu a Sua Pessoa divina, que era o que tinha, e "mendigou" nossa carne e nosso sangue, que era o que não tinha, para os apresentar ao Pai como preço de nossa Redenção.
      Ninguém é mais rico que o nosso Deus: "Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude", 1Coríntios 10.26. Tudo lhe pertence, porque tudo foi criado por Ele: "Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez", João 1.3.
      No entanto, em Jesus, na essência de sua natureza espiritual e divina, a carne e o sangue não faziam parte. São dois elementos da natureza humana.
     Por isso, o Filho de Deus desceu até a sua criaturinha, e pediu emprestado (no grego, "mendigou", segundo Gregório e Crisóstomo) nossa carne e nosso sangue, e vestido da natureza humana, remiu essa natureza decaída e apresentou-a outra vez ao Pai, dando condições de os que O reconhecerem como Salvador e aceitarem o Seu sacrifício na cruz do Calvário, habitarem eternamente com Ele no Céu.  
 Jefferson Magno Costa

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