quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

TALENTOS: DEUS NOS PEDIRÁ CONTA DE COMO NÓS OS USAMOS

Jefferson Magno Costa

      Na parábola dos talentos, os servos do rei eram três. Ao primeiro o rei entregou cinco talentos, o qual conseguiu outros cinco. Ao segundo entregou dois talentos, o qual conseguiu outros dois. E ambos foram louvados. Mas ao terceiro entregou um só talento, o qual ele enterrou.
      Na prestação de contas, esse último servo restituiu ao rei o mesmo talento que lhe havia sido confiado, pois não tinha negociado com ele, nem adquirido coisa alguma.
     Por isso o seu senhor não só o lançou fora de sua casa, e mandou que lhe tomassem o talento, como também o classificou de criado mau, e esta foi sua sentença de condenação (Mt 25.14-30).
      E se quem, na prestação de contas sobre o talento que Deus lhe deu, devolve o talento inteiro, e assim mesmo é condenado, o que será daqueles que o desperdiçam ou perdem, ou o usam contra si, contra o próximo, ou mesmo contra o próprio Deus?

NOSSAS FRAQUEZAS E LIMITAÇÕES TAMBÉM SÃO TALENTOS
 
      Não só são talentos os dotes da natureza, os bens provenientes da riqueza, os dons pessoais que recebemos de Deus, mas também o contrário e a falta de tudo isto. Não é só talento dado por Deus a formosura, mas também a feiura; não só a grande força, mas também a fraqueza; não só o agudo entendimento, mas também a dificuldade de entender; não só a visão perfeita, mas também a cegueira; não só a saúde, mas também a enfermidade; não só a longa vida, mas também a vida breve. Tudo deve ser usado para honra e glória do Senhor.
      O mesmo acontece com os bens que chamam da fortuna. Não é só considerado um bem, um talento dado por Deus, o nascimento ilustre, mas também a origem humilde; não só os altos cargos e posições de dignidade, mas também as posições simples e não-reconhecidas; não só a riqueza, mas também a pobreza; não só a vida ganha despreocupadamente, mas também a que é ganha com muito trabalho; não só os negócios prósperos, mas também os que estão em crise; não só a posição de mando, mas também a de ser mandado; não só as vitórias, mas também as derrotas. Tudo dever ser usado para honra e glória do Senhor.
      Desta forma, tanto podia se aproveitar Raquel de sua formosura, como Lia de sua feiura (Gn 29.17); tanto Aitofel do seu entendimento (2Sm 16.23), como Nabal de sua rudeza (1Sm 25.3); tanto Matusalém dos seus novecentos e sessenta e nove anos (Gn 5.27), como o moço de Naim dos seus vinte (Lc 7.11-17); tanto Arão da destreza e eloquência de sua língua (Ex 4.14), como Moisés do peso da sua (Ex 4.10).
      Disto tudo, concluímos que Deus há de pedir conta tanto ao rico da sua riqueza quanto ao pobre da sua pobreza; tanto ao sadio da sua saúde, quanto ao doente da sua enfermidade; tanto ao honrado do seu prestígio, quanto ao afrontado da sua injúria; e tanto do que deu a uns, como do que negou a outros. Porque se o rico pode conseguir galardão com sua liberalidade, o pobre também pode consegui-lo com sua paciência.
      Está provado que entre as coisas que se chamam prósperas ou adversas, mais eficazes são para o crescimento espiritual as que mortificam a natureza, do que as que aguçam a carnalidade; e mais seguras para nos ajudar no caminho da salvação as que pesam e nos conduzem à humildade, do que as que elevam e nos conduzem à soberba.
      Só souberam manejar uns e outros meios, e tirar com igualdade proveito de ambos um Paulo, que dizia: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância...” (Fp 4.12); e um Jó, que ao perder tudo o que tinha, e muito antes de ser novamente abençoado por Deus, perguntou: “Receberíamos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2.10).
      Portanto, desta maneira devemos aceitar (pois veio da mão de Deus) e contentar-nos com o talento ou os talentos que Deus nos deu, sejam cinco, sejam dois, seja um somente. E se puder ser nenhum, ainda será mais seguro.
      Quando o rei distribuiu os talentos aos criados, não lemos que algum deles tenha ficado descontente da distribuição. 
     Se os talentos que Deus deu a outros são mais numerosos ou maiores que os nossos, não deixemos que o dente da inveja nos morda. Esses ultra-talentosos terão que prestar rigorosamente contas a Deus, terão que apresentar muito mais resultados do uso dos talentos que receberam, do que nós, que não recebemos tantos talentos assim, mas que soubemos usar, com responsabilidade, temor e tremor, o único talento que Deus nos deu.

Jefferson Magno Costa

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