sábado, 24 de dezembro de 2011

É NATAL!

Jefferson Magno Costa

O FILHO DE DEUS ENTRE OS HOMENS

Marcos Barbosa MG (1915-    )


Das tuas mãos tombaram como orvalho

nossas almas que os corpos iluminam,

e um encontro de amor somente humano

logo se abriu em dimensões divinas.


Pois não quiseste apenas vislumbrada

de longe a tua glória imarcessível,

mas derramaste em nós os teus segredos,

as ânforas sem fim dos teus mistérios.


Não bastaram, porém, aos teus anseios,

palavras proferidas por profetas

de lábio impuro e língua vacilante.


Baixou do Céu teu Verbo onipotente,

e começou, então, num seio virgem,

a comovida história de um Deus homem!


A CAMINHO DE BELÉM

Renato Travassos MG (1897-1960)


A noite se tornara mais agreste,

Quando Maria se sentiu cansada:

Quem lhe daria, santo Deus, pousada

E, contra o frio, confortante veste?


Soprava mais intenso o vento leste,

E mais difícil se fazia a estrada:

Para salvá-los na infeliz jornada,

Só mesmo alguma inspiração celeste.


Teve-a, afinal, José naquele instante:

Um pouso, à espera havia, não distante.

Embora fosse imunda estrebaria...


Uns passos mais, e eles penetram nela,

Que, então, ficou mais iluminada,

E ali, pouco depois, Jesus nascia!


SEGUNDA DOR

Alphonsus de Guimaraens MG (1870-1921)


Eram pastores rudes e pastoras

Que o sol do Oriente em beijos enrubesce,

E transforma em visões encantadoras

Na suavidade da alma que amanhece:


Eram bandos de velhos, e de louras

Crianças gentis, as mãos postas em prece,

Frontes humildes, almas sonhadoras,

Por onde a bênção do Senhor floresce:


Era a sublime adoração do povo,

À luz daquele celestial Presepe,

Diante do leito de um menino novo:


Diante do leito em que Ele adormecia,

Hoje de flores, amanhã de crepe,

Berço de Deus, Santo Sepulcro um dia.


NATAL

Luiz Edmundo RJ (1878-1961)


Cale-se o mundo, há um luar de místicos palores;

O vento lembra uma harpa a tocar em surdina.

Brilha pela extensão do céu da Palestina,

Num prenúncio feliz, a estrela dos pastores.


A vida acorda e vem do cálice das flores

À alma do homem que sente um fulgor que o fascina.

A ovelha bale, o boi muge, o pastor se inclina,

Há um bálsamo por tudo a amenizar as dores.


Jesus nasceu: a fé e os corações ampara.

Desce às almas buscando os íntimos refolhos,

Como os raios do sol numa lagoa clara.


Maria, porque vê Jesus, pequeno e langue,

Põe um riso feliz na doçura dos olhos,

Que hão de chorar, depois, lágrimas de sangue.


NATAL E CALVÁRIO

Flávio de Paula BA (1900-1967)


Belém. Nasceu Jesus. Estranha claridade

Circunda a noite em meio, a abóbada infinita.

Era a bênção do céu, era a visão bendita

Da aliança de Deus, por sobre a humanidade.


Era a paz, era o amor, era a fraternidade,

A mensagem - de luz por estrelas escrita...

Esperança - a sorrir para a criatura aflita,

Fanal - feito perdão, na treva da maldade...


Em verdade, porém, humanizado lírio

Entreabriu-se, aromal, para o horto do martírio,

Em chagas transmudando as pétalas de luz...


Lírio, um dia, a pender sob o ódio tumultuário,

No holocausto do amor, perfumando o Calvário,

Abrindo-nos o Céu, aos braços de uma cruz!...


NO PRESÉPIO

Gustavo Teixeira SP (1881-1937) 


Em Belém de Judá, na meia escuridade

Da noite que vai alta, em pobre manjedoura,

Exposta sobre palha à gélida umidade,

lirialmente sorri uma criança loura.


É o Menino Jesus. Estranha claridade

Toda a gruta ilumina e os seus cabelos doura.

Maria o beija, e José, com humildade,

Para adorá-lo, curva a fronte cismadora.


Jerusalém exulta! É nascido o Messias!

Rondas de anjos, tangendo as liras nas alturas,

Fazem na terra ouvir celestes melodias!


Eleva-se de tudo um hino de vitória

Ao que veio trazer ás suas criaturas

A Escada de Jacó que leva à Eterna Glória!


O MESSIAS

Jônathas Braga PE(1908-1978)


Da raiz de Jessé subiu a vara

Que havia de dar sombra ao mundo inteiro,

E desfraldar o lábaro altaneiro

Da verdade que o mundo rejeitara.


Em igualdade numa vida rara,

O lobo andará junto do cordeiro

E, em fraternal convívio verdadeiro,

A ursa e a vaca estarão na mesma seara.


Pois o renovo que subiu da terra

Todo o poder nas suas mãos encerra

E há de mudar as coisas de uma vez.


Porque ele há de ser grande entre os maiores,

Sendo o Senhor de todos os senhores,

E entre os reis do universo, o Rei dos reis.


NASCIMENTO

Heli Menegale MG(1903-1969)


Os humildes zagais sobre a montanha

Dormem. Na calma noite constelada,

A lua de alva luz a terra banha.

Nem um rumor, nem um cicio, nada.


O armento que de dia os acompanha,

Manso, repousa à espera da alvorada.

Mas, a uma luz, a uma harmonia estranha,

Ergue-se a pobre gente alvoroçada.


São anjos, são arcanjos clarinando,

São serafins e querubins cantando,

Cercados de divina claridade,


Horda que aos pegureiros anuncia

Ter, na simpleza de uma estrebaria,

Nascido o Redentor da Humanidade!


JESUS

Anderson Braga Horta  MG(1934- )



Noite clara em Belém. Canta em surdina

o luar no firmamento constelado.

Natal – noite de luz, noite divina.

Cristo – um lírio na treva do pecado.


Brilha agora, no céu da Palestina,

meigo, intenso clarão abençoado:

do espaço, a estrela aos simples ilumina

o berço do Senhor recém-chegado.


Os reis magos e os cândidos pastores

dão-lhe incenso, ouro e mirra, hinos e flores...

e o Menino, alegrando-se, sorria...


José fitava o céu, todo ventura.

E as estrelas, chorando de ternura,

cintilavam nos olhos de Maria.


AO NASCIMENTO DE CRISTO

Manuel Botelho de Oliveira BA(1636 – 1711)


Nasce o Verbo em Belém, pobre, humilhado,

Sendo supremo rei de toda a Terra,

E no corpo pequeno e breve encerra

Do seu divino ser, o imenso estado.


Naquela idade se prepara armado

Contra o inferno imortal que almas encerra;

E ao soberbo Lusbel movendo guerra

Por humildade o vê mais alentado.


Os demônios cruéis todos se espantam;

Chora e treme de frio o Verbo eterno;

Os anjos com voz doce nos encantam.


De sorte que o menino e Deus superno

Chora, porém de gosto os anjos cantam;

Treme, porém de medo treme o inferno.


NATAL

Olavo Bilac RJ(1865 – 1918)


No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino

De esperança pressaga enchia o céu, com o vento...

As árvores: “Serás o sol e o orvalho!” E o armento:

“Terás a glória!” E o luar: “Vencerás o destino!”


E o pão: “Darás o pão da terra e o pão divino!”

E a água: “Trarás alívio ao mártir e ao sedento!”

E a palha: “Dobrarás a cerviz do opulento!”

E o teto: “Elevarás do opróbrio o pequenino!”


E os reis: “Rei, no teu reino, entrarás entre Palmas!”

E os pastores: “Pastor, chamarás os eleitos!”

E a estrela: “Brilharás, como Deus, sobre as almas!”


Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,

Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos:

Sendo pobre, temia; e, sendo mãe, chorava.


JESUS ENTRE AS CRIANÇAS

Antônio Tomás (1868–1941)


Amo-Te, ó Cristo, ao ver as Madalenas

humildes, curvas aos teus pés, chorosas;

louvo-te ao ver as vagas procelosas

te obedecerem, calmas e serenas.


Eu admiro-te, pasmo, quando ordenas

às legiões satânicas, raivosas;

das turbas que a ti correm pressurosas,

eu te bendigo, consolando as penas.


Venero-te fazendo tantas curas,
e arrebatando a presa às sepulturas
com simples gesto destas mãos divinas.

Enfim te adoro ao ver-te agasalhando,
Sobre os joelhos, o formoso bando
destas cabeças louras, pequeninas!

 

Jefferson Magno Costa

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