terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A BÍBLIA, UM LIVRO INIGUALÁVEL

     A Bíblia é um livro único na história da cultura humana. Um livro inigualável. Ela difere de todos os demais livros existentes sobre a face da terra em quatro aspectos principais:

     1- Na maneira como foi preparada;

     2- Na grandiosidade de seu conteúdo;

     3- Na quantidade de exemplares em circulação, e

     4- Em sua influência impactante sobre a humanidade.


1- A BÍBLIA É ÚNICA EM SUA PREPARAÇÃO


Até o século XV, só existiam exemplares manuscritos da Bíblia. Ela foi escrita inicialmente sobre cerâmica, depois sobre papiro, e séculos depois sobre pergaminho. Atualmente, o seu texto não está só disponível sobre o nosso clássico papel, mas também em várias mídias criadas pela modernidade.
     Antes de Gutemberg inventar a imprensa, uma Bíblia manuscrita completa era algo muito valioso; as mais preciosas só podiam ser compradas por reis e príncipes.
     Em 1309, as religiosas do convento de Wasseler, na Alemanha, venderam a um nobre um exemplar completo da Bíblia, em quatro volumes, pelo preço de 16 marcos de prata. Para termos idéia do que representava esse valor, basta saber que, três anos mais tarde, essas mesmas religiosas compraram, pelo preço de 5 marcos de prata, uma floresta, uma fazenda de 180 alqueires de terra, e 70 cabeças de gado. A Bíblia que venderam valia três vezes essa quantia!
     Ela é o único livro em toda a literatura cujo trabalho de redação levou 1600 anos para ser concluído.
Demorou mais de um milênio e meio para ficar pronta. Começou a ser escrita no tempo de Moisés, que viveu por volta do ano 1250 a.C., e sua última parte foi escrita no final da vida de João, o último dos apóstolos, por volta do ano 100 d.C.
     Vale salientar que as mais sólidas e respeitadas obras da literatura universal são as que levaram mais tempo para ser escritas. Porém, deixando de lado o caso dos poemas de Homero, A Ilíada e A Odisséia, que reuniram relatos épicos que circulavam há mais de 200 anos entre os povos gregos, nenhuma outra obra excedeu mais de 40 anos para ser preparada. A Bíblia levou quase 1400 anos.
     “O tempo só respeita aquilo que é feito com tempo”, já diziam os antigos. Esta é mais uma das grandes lições que Deus nos dá através de sua Palavra, lição ultra-necessária para a época que estamos vivendo, caracterizada pela pressa, pela precipitação, pela publicação de obras imaturas e abortivas, pela correria, pela disputa por recordes de venda, de faturamento, de renome.
     É um livro divino, mas veio até nós através de canais humanos. Portanto, tem o seu autor divino, que é Deus, e mais de 40 autores humanos, que são os reis, pescadores, eruditos, camponeses, filósofos, pastores, estadistas e poetas (e outros) que a escreveram.
A Bíblia é um livro diferente de todos os demais livros que existem sobre a face da terra. Portanto, é única em muitos aspectos. "Em que aspectos?" o não-crente pode perguntar. E a resposta é: A Sagrada Escritura é única na maneira como foi preparada como documento.
     a – Foi escrita em um período de 1600 anos;


     b – Foi escrita ao longo de 60 gerações;

     c – Escrita por mais de 40 autores, de todas as classes sociais. Nela existem páginas ou livros escritos por reis, camponeses, filósofos, pescadores, poetas, políticos, um médico, homens dotados de muitos conhecimentos;
     d – Exemplo de um homem dotado de muitos conhecimentos, alguém que estudou nas universidades do país mais culto do seu tempo: Moisés. Atos 7.22;
     e – Um pescador: Pedro. Mateus 4.18;

     f – Um pastor de ovelhas: Amós. Amós 1.1;

     g – Um primeiro ministro: Daniel (ou presidente segundo ARA, ou príncipe, segundo ARC, Daniel 6.1-2);

     h – Um médico: Lucas. Colossenses 4.14;

     i – Um copeiro: Neemias. Neemias 1.11;



     J – Um mestre da lei judaica: Paulo, Colossenses 3.5,6;

FOI ESCRITA POR HOMENS EM DIFERENTES SITUAÇÕES E LUGARES:


     a – Moisés no deserto;

     b - Jeremias em uma prisão;

     c – Daniel em um palácio;

     d – Lucas enquanto viajava;

     e – João na ilha de Patmos;

     f – Paulo durante atividades missionárias ou numa prisão.

FOI ESCRITA EM TRÊS CONTINENTES:


     Ásia, África e Europa.

FOI ESCRITA EM TRÊS IDIOMAS:
Hebraico: Idioma do Antigo Testamento. Em 2 Reis 18.26-28 é chamado de "judaico". Em Isaías 19.8 recebe o nome de “língua franca” do Oriente Próximo até o tempo de Alexandre o Grande (século VI a. C. até o século 4 a. C.)
Grego: Idioma em que foi escrito o Novo Testamento. Era a língua internacional dos tempos de Cristo.
Aramaico: Idioma popular dos judeus da Palestina dos tempos de Jesus.
     As pessoas que participaram de seu registro literário estavam separadas umas das outras por centenas de quilômetros e por centenas de anos, e pertenciam aos mais variados níveis de vida.
     Foi o primeiro livro do mundo a ser traduzido. Os judeus a preservaram em sua forma manuscrita como nenhum outro manuscrito jamais foi preservado. Os escribas, massoretas e monges costumavam contar cada letra, sílaba, palavra ou parágrafo de cada livro da Bíblia.
     Eles mantinham todos esses números sob controle, e após cada dia de trabalho conferiam o número de letras e palavras copiadas, para evitar que faltasse alguma coisa nas cópias que tinham preparado.
     Extremamente zelosos com aquilo que faziam, os massoretas, antes de começarem a cada dia suas atividades de copistas, purificavam-se, vestiam roupas especiais, e todas as vezes que iam escrever o nome de Deus, utilizavam outro instrumento de escrita especialmente reservado para escrever o Nome que está acima de todo nome.
     E para eles havia uma norma interessante: se no momento em que um deles estivesse escrevendo o nome de Deus, o rei chegasse e lhe dirigisse a palavra, esse escriba só deveria levantar a cabeça e dar atenção ao rei quando terminasse de escrever o nome do Deus, mesmo que isso lhe custasse a própria vida.
Durante todo o período em que a Bíblia esteve sendo escrita em pergaminhos, um único exemplar dela exigia o sacrifício de 200 ovelhas, cujo couro era utilizado como material de escrita.
Os monges, herdeiros dos massoretas, dedicavam também todo o seu tempo a reproduzir o texto bíblico. No tempo de Lutero, só uma única ordem de monges, a dos beneditinos, dispunha de 37 mil conventos, espalhados pelo mundo inteiro, onde a Palavra de Deus era reproduzida.
     Grande parte desse trabalho pode ser considerada uma obra impecável. À primeira vista é difícil distinguir se essas cópias foram manuscritas ou impressas, tal a perfeição observada nas proporções dos espaços e das letras. Trabalhavam com grande amor e inesgotável paciência. Um monge ditava o texto, enquanto dez ou mais escreviam.

2 – A BÍBLIA É ÚNICA EM SEU CONTEÚDO
     Os 66 livros que compõem a Bíblia apresentam uma grande variedade de estilos literários: história, poesia religiosa, leis civis, leis penais, leis éticas, leis rituais, leis sanitárias, parábolas, alegorias, memórias, tratados didáticos, poesia lírica, correspondência pessoal, biografia, profecia e escritos apocalípticos.
Diante de uma tão grande variedade de gêneros, alguém poderá pensar que a Bíblia é um aglomerado de livros sem nexo, uma espécie de colcha de retalhos. Pois como pode um livro relacionar-se com os outros, se foram escritos por pessoas diferentes, em épocas distantes, e utilizando-se de gêneros diferentes?
Ela seria uma antologia, uma miscelânea de livros de temática e finalidades distintas? Não! A Bíblia é um livro de um só tema.
     Mesmo apresentando tanta diversidade de aspectos, a Bíblia trata de um único assunto: A história da redenção do ser humano realizada por Deus através de seu Filho Jesus Cristo, que é o centro e a coroação da Bíblia.
Nesta particularidade, ocorre com a Bíblia algo fora do comum. Todos os seus 66 livros estão ligados por um “fio condutor”. Essa espécie de fio condutor faz com que seus 66 livros não percam de vista o seu objetivo maior: a nossa salvação. É por isso que cada livro da Bíblia deve ser entendido como parte de um todo.
Nenhum livro, nenhuma passagem bíblica deve ser lida ou entendida isoladamente, mas sempre dentro do contexto da história da salvação.
    Com relação a essa peculiaridade, o erudito F.F Bruce comentou que “Qualquer parte do corpo humano pode ser devidamente explicada unicamente em relação com o corpo inteiro. E qualquer parte da Bíblia pode ser explicada unicamente em forma adequada em relação com a Bíblia inteira.”
     A Bíblia é o livro mais sincero e confiável do mundo. E isto é mais uma das provas de que ela é a Palavra de Deus. Ela não é o tipo de livro que o homem escreveria se pudesse, ou que poderia escrever, se quisesse fazê-lo.
     Ela fala com muita franqueza sobre os pecados de seus personagens. Leiam as biografias atuais, e vejam como estão tentando encobrir, fazer "vista grossa" ou ignorar as fraquezas das pessoas.
Quase todos os personagens biografados são descritos como santos. Porém,a Bíblia não procede deste modo. Ela conta os fatos simplesmente como eles aconteceram.
     Os pecados do povo foram denunciados – Deuteronômio 9.24;
     Os pecados dos patriarcas foram relatados – Gênesis 12.11-13; 49.5-7;
     O pecado de Davi não ficou encoberto – 2 Samuel 12.7-9;
     Os evangelistas descreveram suas próprias faltas e as faltas dos apóstolos – Mateus 26.31-56; João 10.6; Lucas 8.24;
     Pecados dentro da Igreja foram tratados diante de todos - 1 Coríntios 1.11; 15:1; 2 Coríntios 2.4 etc.
    Por que essas coisas foram relatadas na Bíblia? Porque a Palavra de Deus tem o hábito de contar a verdade, de relatar as coisas como elas ocorreram. Porque ela não é obra de simples homens, sujeitos à hipocrisia, e sim obra de Deus.

3 – A BÍBLIA É ÚNICA EM SUA CIRCULAÇÃO
     A Bíblia tem sido lida por mais gente e publicada em mais idiomas do que qualquer outro livro no mundo. Tem-se produzido mais cópias dela em sua totalidade e mais porções e seleções do que qualquer outro livro na história.
     O escritor que mais vendeu livros no mundo foi a inglesa Agatha Cristie. Ela precisou escrever 78 romances policiais para ser traduzida em 44 línguas e vender aproximadamente 2 bilhões de exemplares. São 78 títulos. A Bíblia tem um só título.
      Só entre 1815 e 1975 foram vendidos aproximadamente 2,5 bilhões de exemplares da Bíblia. Em de 1993, a Bíblia inteira já havia sido traduzida para 337 línguas. (Consulte dados mais atuais nos sites das Sociedades Bíblicas do Brasil ou Trinitariana). O alcance da Palavra de Deus é inigualável.
      Em todo o mundo, 2662 línguas já possuem a tradução de, pelo menos, um dos livros que compõem a Bíblia.
      Importante também é saber que o livro que alcançou o preço mais alto em toda a história da literatura até o presente momento foi um exemplar dos evangelhos, de 226 folhas manuscritas, intitulado Livro de Evangelho. Ele pertenceu a Henrique de Leão, Duque da Saxônia. Mede 34 por 25 centímetros. Tem 41 ilustrações de página inteira, realizadas pelo monge Heriman, em uma abadia na Alemanha, em 1170. Foi comprado pelo milionário Hans Kraus em dezembro de 1983, por 13 milhões de dólares.
     No Brasil, o ultra-louvável esforço de levar a mensagem de Deus a todos os povos tem alcançado os nossos índios. Das 237 tribos existentes em nosso país, mais de 150 já têm o Novo Testamento traduzido para suas respectivas línguas.
     Porém, um número considerável delas (cerca de 87 tribos) ainda continuam sem a Palavra de Deus.
Esse trabalho de traduzir a Bíblia para as línguas ágrafas (ou seja, as línguas que não têm ainda forma escrita) nos faz lembrar do esforço pioneiro dos jesuítas nas selvas brasileiras, por volta de 1670. Há um texto do maior pregador da língua portuguesa, o padre Antônio Vieira, que descreve as dificuldades que os missionários jesuítas enfrentavam, as mesmas dificuldades que os missonários evangélicos enfrentam hoje.
     Conta o padre Antônio Vieira:
     “Por vezes me aconteceu estar com o ouvido aplicado à boca do bárbaro, e ainda do intérprete, sem poder distinguir as sílabas, nem perceber as vogais ou consoantes... mais afogadas na garganta que pronunciadas na língua... De José, ou do povo de Israel no Egito, diz Davi, por grande esforço de trabalho, que ouvia a língua que não entendia. Se é trabalho ouvir a língua que não entendeis, imaginem quanto maior trabalho será entender a língua que não ouvis! O primeiro trabalho é ouvi-la; o segundo percebê-la; o terceiro reduzi-la a gramática e a preceitos; o quarto estudá-la; o quinto (e não o menor, pois obrigou S. Jerônimo a limar os dentes) é o pronunciá-la. E depois de todos esses trabalhos, ainda não começaste a trabalhar, porque são apenas preparações para o trabalho.”
Louvemos a Deus pelo atual esforço dos missionários do Instituto Wyckiffe de Tradutores da Bíblia para as línguas indígenas!




4- A BÍBLIA É ÚNICA EM SUA INFLUÊNCIA IMPACTANTE SOBRE A HUMANIDADE

Ela é o único livro do mundo que poderia ser reescrito só com as citações que já fizeram dela. Se todas as Bíblias que existem sobre a face da terra fossem destruídas, seu texto poderia ser facilmente recuperado e reescrito só com as citações que foram feitas de seus versículos em milhões de livros escritos sobre ela.
     Das páginas da Bíblia John Milton, o maior poeta épico da língua inglesa, tirou inspiração para escrever O Paraíso Perdido, a história da rebelião de Lúcifer, a criação do primeiro casal e as consequencias, a desventura e a tristeza da queda no pecado e expulsão do Paraíso.
     Dela Dante Alighiere bebeu a inspiração para descrever sua visita imaginária ao Inferno e ao Céu, em seu magistral poema épico A Divina Comédia.
     Existem obras, provenientes de milhares de grandes escritores literários, dedicadas especialmente a mostrar a grande influência que a Bíblia tem tido sobre eles.
      O estadista inglês W.E. Gladstone confessou que “Dos grandes homens do mundo, meus contemporâneos, tenho conhecido noventa e cinco, e desses, oitenta e sete foram ou são seguidores desse livro, a Bíblia.”
     A Rainha Vitória reconheceu certa vez que a Bíblia era a razão da supremacia da Inglaterra.
     John Ruskin, grande escritor inglês, reconhecido mundialmente pelas belíssimas páginas que soube escreve, confessou que “qualquer que seja o mérito de alguma coisa escrita por mim, deve-se tão-somente ao fato de que, quando eu era menino, minha mãe lia para mim todos os dias um trecho da Bíblia, e cada dia fazia-me decorar uma parte dessa leitura.”
A Bíblia tem atravessado as fogueiras da perseguição, o desprezo gelado do ateísmo, as investidas furiosas da legião de detradores da chamada alta crítica, as explicações materialistas que os cientistas apresentam para a origem do universo, o sorriso de desprezo e ceticismo dos filósofos ateus, inabalável, vitoriosa, invencível. Quanto mais a atacam, mais a Bíblia continua sendo amada por milhões, lida por milhões, estudada por milhões de pessoas.
     Você tem problema de falta de hábito de leitura frequente da Bíblia, e deseja superar essa dificuldade? Esforce-se para começar a lê-la diariamente, e surpreenda-se com a mudança que o correrá em sua vida. O apetite pela Palavra de Deus aumenta naqueles que se alimentam dela todos os dias.
 Acima de tudo, devemos ler a Bíblia conhecendo o seu Autor. Se você não o conhece ainda, saiba que ele está ansioso para conhecer você. Conhecê-lo é a melhor maneira de entender Seu Livro. Não existe pessoa mais indicada para explicar um livro do que seu próprio autor.
Jefferson Magno Costa

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ALGUNS PERSONAGENS DA BÍBLIA EM POESIA

     O acervo da poesia religiosa brasileira é rico em poemas sobre personagens da Bíblia. Em 1987, eu trabalhava como jornalista e era responsável pela coluna Poesia, da revista A Seara, um dos periódicos da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD, Rio de Janeiro), coluna esta criada pelo grande e saudoso poeta evangélico Joanyr de Oliveira, que ao mudar-se para Brasília deixou essa coluna sob minha responsabilidade.
     Naquele ano, entre dezenas de poemas de grandes poetas que publiquei em A Seara, reuni seis sonetos sobre alguns homens e algumas mulheres da Bíblia. Minha coragem juvenil levava-me a escrever poemas, cometendo flagrantes atentados contra a poesia. Entre os poemas publicados naquele página, cometi, mais uma vez, esse atentado.


A MORTE DO PATRIARCA
Augusto Frederico Schmidt


Uma noite de paz se estendeu sobre os campos
E as estrelas de Deus aos grandes céus antigos
Vieram chegando aos poucos e floriram o noturno
Mundo, onde o sono virá compensar-me as fadigas.


A água mansa de um rio, onde os rebanhos dormem,
Vai murmurando a sua doce e tranquila canção.
O vento leve agita as folhagens e afaga
Minhas longas barbas brancas e proféticas.


As mulheres e servas a quem dei tantos filhos
Dormem há muito na paz desta noite perdida,
E o tempo foge e cai como um fruto.


Dentre em pouco virá a hora calma da morte;
E sinto a mão de Deus que se estende a colher-me
Para que eu seja uma espiga a mais na seara eterna.


JOSÉ
Affonso Celso
Eras da tribo de Judá! Provinhas
Da régia estirpe de Davi. No entanto,
Singelamente ias vivendo a um canto,
Nas de operário condições mesquinhas.


Mas tão egrégio o espírito mantinhas,
Que mereceste o encargo sacrossanto
De resguardar o virginal encanto
Da inefável rainha das rainhas.


Salvaste o Salvador, quando proscrito,
Foste um refúgio lhe buscar, no Egito,
Contra os de Herodes infernais ardis.


Tens uma glória singular, divina:
Moderno carpinteiro, na oficina
Serviu-te o próprio Deus, como  aprendiz!


A SAMARITANA
Paulo Silva Araújo
Da estrada regressando, a cujo poço antigo
Para a água buscar, na lida costumeira,
Ainda traz dentro em si esse perfil amigo,
Em que a bondade luz, simples, verdadeira...


Ainda canta-lhe ao ouvido a frase derradeira
De Jesus, a falar-lhe: “Em verdade te digo...”
E ainda guarda, perfeita, essa expressão inteira,
Suave frase imortal, em que o amor tem abrigo.


E à serena beleza, que lhe vai no rosto,
Vem casar-se um fulgor, que é de perdão composto.
Vem-lhe nalma a esplender toda uma fé que a encanta


E, recordando o porte e a tristeza e a candura
Do Nazareno e a dor, que as faces lhe emoldura,
Sente os olhos deixar-lhe uma lágrima santa.


CRISTO E A ADÚLTERA
Mário Accioly
Num enorme rumor o povo irado segue
Uma mulher que foge aos ditos ofensivos;
Demonstra cada olhar raivoso que a persegue
A sentença de morte escrita em traços vivos.


E cobrindo-a de insulto a multidão prossegue,
Nos seus intentos vis, perversos e agressivos;
E a mísera fugindo aos fariseus, consegue
Junto aos pés de Jesus reter os vingativos.


“Condenai-a!”, diz a turba enquanto a fúria medra.
“É adúltera, Senhor! Moisés tem ordenado
Que sempre nós a tais corrêssemos à pedra!”


Mas Cristo, levantando a nívea mão, responde:
“Quem dentre vós julgar-se isento de pecado
Lance a primeira pedra.” A multidão se esconde!


MARIA, UMA MULHER
Jefferson Magno Costa
Teu nome rescende
a alabastro, unguentos,
longos cabelos,
olhos, lágrimas, mãos.


Cálida sombra
sobre o Calvário adormecido,
leve alvorecer
na madrugada


do túmulo vazio,
a anunciar o ressurgir
daquele que rabiscou


mistérios esquecidos
nas longínquas
areias da Galileia.


O DISCÍPULO MEDROSO
Jônathas Braga
Segundo lhe dissera o Nazareno,
Pedro ficara perto do fogão,
e ali, sentado, contra o Mestre ameno,
ouvia a mais iníqua acusação.


Três vezes inquirido, foi pequeno
para ao gentio impor uma lição,
e, diante do seu Mestre sereno,
Três vezes respondera com um “não”.


Então, lá fora, em plena madrugada,
Já anunciando a próxima alvorada,
Um galo bateu asas e cantou...


E Pedro, retirando-se, humilhado,
Foi procurar um canto sossegado,
Onde seu pranto anônimo chorou.


Jefferson Magno Costa

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"DISSE O NÉSCIO NO SEU CORAÇÃO: NÃO HÁ DEUS"

Jefferson Magno Costa
     O ateísmo está hoje cada vez mais presente no mundo. Nenhum evangélico deve ficar indiferente diante deste fato. Existe um movimento de negação formal da existência de Deus, e é grande o número de pessoas que se tem deixado influenciar pela atitude dos que afirmam não acreditar na existência de um Deus Criador do Universo, cujo Filho deu sua vida para salvar a humanidade.
     Porém, o ateísmo, seja qual for a forma como ele se apresenta, é uma violência que o homem pratica contra sua própria consciência, é uma tentativa de anulação e desconhecimento de todas as provas da existência de Deus produzidas ao longo de toda a história humana.
     Além do mais, sabe-se que até hoje nenhum ateu fez uma demonstração racional que justificasse a "lógica" do seu ateísmo. "O primeiro ateu deve ter sido um delinquente que procurava, negando a Deus, livrar-se da única testemunha da qual ele não podia ocultar seu crime", comentou certa vez, com muita propriedade, o escritor italiano Giovani Papini.
     O ateísmo tem-se constituído também em um princípio de dúvidas para as pessoas que só acreditam que Deus existe baseadas nas clássicas demonstrações de sua existência, mas ainda não foram introduzidas, pelo Sumo Sacerdote e Salvador da humanidade, Jesus Cristo, no "Santo dos Santos, onde Deus habita". Vejamos como e através de quem o movimento ateísta popularizou-se no mundo moderno.

O DEUS QUE OS ATEUS NEGAM NÃO É O DEUS DOS CRISTÃOS
     Se examinarmos o pensamento dos grandes homens da Antiguidade, descobriremos algumas posições isoladas de filósofos que afirmavam não acreditar na existência de Deus. Porém, devemos atentar para um aspecto importante do ateísmo.
     Quando o ateu diz: "Deus não existe", a que Deus ele estará negando? Ao verdadeiro Deus? Ele nega a existência de Deus, seja qual for o modo como imagina-se que Deus seja, ou nega a existência de um deus imaginado de uma certa maneira?
     O escritor francês Jean Claude Barreau conta uma experiência vivida por ele no período em que negar a existência de Deus era moda na França, em decorrência da propagação da filosofia existencialista:
     "Naquela época estavam representando no teatro a peça 'O Diabo e o Bom Deus', de Jean Paul Sartre, peça que causava horror aos meus companheiros de fé. Fui assisti-la e ela não me atingiu. Era Baal, era Moloque que Sartre denunciava. Não era meu Deus. Eu abominava o deus de Goetz (um dos personagens da peça) tanto quanto Sartre. Aquele Deus escarnecido ali não era o verdadeiro Deus, o Deus dos cristãos, Jesus Cristo." (Jean Claude Barreau, in Quem é Deus. Tradução de Almir Ribeiro Guimarães, Petrópolis, Vozes, 1971, p. 59.)
     E é Jean Claude que nos fornece a declaração ideal para ser usada como resposta a esses ateus equivocados:
     "Isto que você recusa eu também não aceito, porque nada tem a ver com o Deus dos Evangelhos. Um dia o semblante do Deus dos Evangelhos me alcançou e me fascinou. Eu cri nele. E este semblante que vi é bem distinto das idéias de Deus que você e muitas outras pessoas têm em mente. Este conhecimento que eu tenho de Deus, meu Salvador, vai muito além das obscuras definições dogmáticas, e das idéias deturpadas dos ateístas."

GRANDES FILÓSOFOS RECONHECERAM A EXISTÊNCIA DE DEUS
     Alguns homens da Antiguidade, ao se posicionarem como ateus, nem sempre estavam negando a existência do verdadeiro Deus, e sim dos "deuses", por não concordarem com o politeísmo existente em seus países. Foi o caso dos filósofos gregos Anaxágoras e Sócrates.
     Este último foi, inclusive, julgado e condenado à morte sob a acusação de estar corrompendo a juventude com ideias ímpias. Sócrates estava levando os jovens a não acreditarem na existência dos deuses em que o povo grego acreditava, os mesmos deuses aos quais o apóstolo Paulo se referiu no seu discurso no Areópago (Atos 17.22-25).
Já naquela época, o célebre filósofo grego Platão (427-348 a.C.), discípulo de Sócrates, havia criticado a posição ateística dirigindo energicamente suas sábias palavras a um ateu:
     "Nem tu, nem teus companheiros sois os primeiros nem os únicos que tendes semelhante opinião da Divindade, mas em todos os tempos, ou mais, ou menos, sempre houve quem estivesse afetado dessa enfermidade. Travei conhecimento com muitos deles, e por isso vos digo que nenhum dos que na sua mocidade negou a existência de Deus manteve semelhante opinião até a velhice.
     "Aconselho-te, pois, agora, a não ousares cometer algum ato impiedoso contra a Divindade. Antes de proferires uma palavra contra Deus, medita três e dez vezes; porque chegará o dia (e chegará breve) em que o escárnio expirará em teus lábios trêmulos; virá o dia em que precisarás de Deus e da sua eterna verdade para a tua alma aflita, vazia e trespassada pela dor." (Citado por J. Pantaleão dos Santos em Deus: As Mais Belas Afirmações em Prosa e Verso. Petrópolis, Vozes, 1963, p. 127.)
     Porém, o filósofo grego Epicuro e o poeta latino Lucrécio (c. 99-55 a.C.) continuaram o trabalho de propagação das idéias ateístas: afirmaram que tudo o que existe se origina da matéria existente no Universo. Para eles o Universo sempre existiu; em momento algum foi criado.
     No seu famoso poema materialista De Rerum Natura (Da Natureza), o poeta romano Lucrécio diz que nem Deus nem os deuses existem. O mundo surgiu da união dos átomos. Mas se alguém lhe perguntasse quem ou o que teria levado esses átomos a se unirem para formar o mundo, Lucrécio responderia: "Foi o acaso". (Tito Lucrécio Caro. Da Natureza. Tradução e notas de Agostinho da Silva. São Paulo, Abril Cultural, 1980, Livro II, parágrafos 645-650, e 1090-1095.)
     O interessante é que o próprio escritor comunista francês Anatole France, após concluir ser absurdo tentar explicar a existência do mundo como produto do acaso, comentou certa vez: "Acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus quando não desejava assinar o próprio nome".

OS JOVENS SOB O PERIGO DO ATEÍSMO
     As ideias dos filósofos ateus da Antiguidade influenciaram a maioria dos pensadores franceses do século XVIII, e na segunda metade do século XIX uma perigosa onda de materialismo avançou pelas praias da filosofia e da ciência, e afogou muitos no mar do ateísmo, alcançando seus efeitos mais destrutivos no meio da mocidade estudiosa.
     Dois escritores alemães, Buchner e Ernesto Haeckel, foram especialmente usados pelas forças invisíveis das trevas que atuam no mundo, para semear a dúvida no coração dos estudantes europeus, e levá-los a desacreditar na Bíblia. Buchner escreveu o livro Força e Matéria, publicado em 1855.
     Traduzido em dezenas de idiomas, essa obra chegou a ser lida por quase todos os jovens estudantes americanos e europeus daquela época. (Ludwig Büchner. Force et Matiére. Etudes populaires d'histoire et de Philosophie naturelles... 5ê edition, Paris, C. Reinwlad, 1876).
     Os Enigmas do Universo foi o título que Ernesto Haeckel deu ao seu livro, lançado na Alemanha em 1863. Só em alemão essa obra alcançou mais de 200 edições, sendo traduzida em todos os idiomas cultos da época. (Ernest Henrich Haeckel. Les Enigmes de Universe. Trad. do alemão por Camille Bos. Paris. Schleicher fréres, 1902).
     Esses dois livros foram a grande preparação para o ateísmo que surgiria como base do regime político adotado na Rússia no início do século seguinte. Procurando dar para todos os fenômenos da Natureza uma explicação materialista, apresentando soluções enganosas em nome da ciência (da falsa ciência), Haeckel conquistou a simpatia ingênua da mocidade, proporcionando-lhe a ilusória satisfação de estar explicando os segredos do universo sem necessitar de, em nenhum momento, recorrer a Deus.
     Porém, décadas depois, as afirmações desse escritor foram desmentidas pela própria ciência, e Haeckel ficou conhecido nos meios científicos como um falsário. Ele ele foi muito lido e admirado também pelos estudantes do Brasil.

A POPULARIZAÇÃO DAS DOUTRINAS ATEÍSTAS
    Recapitulemos: para os materialistas, tudo é matéria (não existe um mundo espiritual, não existe Deus), e tudo volta para a matéria eterna. Viemos do nada e entraremos no nada pela morte. Não há outra vida além desta, dizem eles.
     Soberbos, e achando que os conhecimentos científicos que possuem os tornam donos da verdade, os materialistas afirmam que os "homens cultos" já não acreditam hoje "nessas tolices de Céu e de Inferno". A única coisa em que creem é na religião da ciência. Para eles o mundo surgiu sem a participação de Deus, desenvolveu-se sem Deus e há de chegar à sua perfeição sem Deus.
     Antigamente, os intelectuais que negavam a existência de Deus eram olhados como alguém à parte da sociedade. O ateísmo era visto como uma atitude hiperintelectual, aristocrática, e por isso desprezada pelo povo. Porém, nos séculos XX e XXI essa situação mudou. Foi a grande estratégia de Satanás.
     O ateísmo deixou de ser aristocrático para se tornar popular. Saiu do domínio intelectual e passou a influenciar a existência de milhões de pessoas. Diante de problemas como a fome, a guerra e as injustiças sociais, muita gente tem rejeitado Deus como alguém necessário para a solução desses problemas, e até mesmo se negado a crer que ele exista.

O ATEÍSMO NA UNIÃO SOVIÉTICA
     Apoderando-se, em outubro de 1917, do governo da antiga Rússia dos tzares, o Partido Comunista liderado por Vladimir Ilitch Ulianov (1870-1924), conhecido como Lênin, colocou em prática as ideias dos filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), e passou a controlar o regime e a situação no país pelo uso da violência, caracterizando-se também pela intolerância religiosa.
     Conta-se que o pai de Lênin, Ilia Nikolaievitsch Oulianof, acreditava na existência de Deus e se comprazia em recitar as seguintes palavras do escritor Nekrassof: "Apareceu-me sobre a colina a casa de Deus, e senti, de repente, uma pureza de fé destilar-se sobre minha alma como um perfume."
Mas Lênin confessava-se ateu desde a sua juventude. O escritor Dostoievski reconhecera tempos atrás o quanto era fácil os seus compatriotas russos tornarem-se ateus:
     "É mais fácil que a qualquer outro habitante do globo. E os nossos irmãos não se tornam apenas ateus: creem no ateísmo como se fosse uma nova religião, sem notarem que é crer no nada."
     Vários anos antes da implantação do regime socialista na Rússia, Ivan Fedorovitch (um dos personagens do romance Os Irmãos Karamazov, escrito por Dostoievski), criado por Dostoievski para caracterizar o comportamento e o pensamneto de seus compatriotas ateus, comentara:
     "Segundo o meu parecer, não se deve destruir nada, senão a ideia de Deus no espírito do homem: é por aí que se tem de começar. Logo que toda a humanidade tiver chegado a negar a Deus (e creio que a época do ateísmo universal chegará, como uma época geológica), desaparecerão os antigos sistemas e sobretudo a antiga moral. Os homens reunir-se-ão para pedir à vida tudo o que ela pode dar, mas somente e absolutamente a esta vida presente e terrestre. O espírito humano crescerá, elevar-se-á a um orgulho satânico, e serão os tempos do deus-humanidade." . (Fiódor Dostoievski. Os Irmãos Karamazov. Tradução de Natália Nunes e Oscar Mendes. São Paulo, Abril Cultural, 1970, Livro V, capítulo 5.)

ATEUS RECONHECEM A EXISTÊNCIA DE DEUS
     Porém, apesar de todas as posições radicais, conta-se que durante a revolução russa, quando a cidade de Petersburgo foi rodeada pelo general Kornilov e suas tropas anti-comunistas, Lenin repetiu várias vezes, durante um discurso, a expressão: "Dai Boje", que significa: "Permita Deus escaparmos."
     Vários outros episódios envolvendo autoridades comunistas da Rússia revelam que o povo russo é tão desejoso de Deus quanto qualquer outro povo sobre a face da Terra. Antes da invasão russa do Norte da África, o próprio Stalin disse várias vezes: "Que Deus nos dê êxito na operação Torch." Costumava dizer também que "o futuro pertence a Deus".
     Naquela época, o Ministro do Interior dos Negócios Soviéticos, Iagoda, ao saber que fora condenado à morte por Stalin, disse:
     "Deve existir um Deus, porque meus pecados me alcançaram." No seu leito de morte, o presidente da Liga dos Ateus na Rússia, Iaroslavski, pediu insistentemente a Stalin: "Queima todos os meus livros! Veja, ele está aqui! Ele esperou-me. Queima todos os meus livros!"
     Atacando inicialmente o catolicismo soviético, o Partido Comunista concentrou depois sua campanha ateísta contra toda e qualquer manifestação religiosa dentro do território russo. O objetivo principal era esmagar de uma vez por todas a idéia da existência de Deus, arrancar a fé em Deus do coração do povo como quem extirpa um tumor maligno, e bani-la para sempre da Rússia e dos demais países comunistas.
     As seguintes palavras, escritas em 1923 por um membro do partido dos ateus militantes, mostram bem a que grau havia chegado a perseguição religiosa naquele país:
     "Devemos agir de maneira que cada golpe vibrado contra o clero ataque a religião em geral... Ainda os mais cegos veem até que ponto se torna indispensável a luta decisiva contra o eclesiástico, quer se chame pastor, abade, rabino, patriarca, mulah ou papa; essa luta deve desenvolver-se também e inelutavelmente contra Deus, quer se chame Jeová, Jesus, Buda ou Alá." (Jacques Bivort de Ia Saudée. Ensaio de Suma Católica Contra os Sem-Deus. Tradução de P. Lacroix. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1939, p. 468.)

O EVANGELHO ULTRAPASSOU AS RASGADAS CORTINAS DE FERRO E DE BAMBU
     Tendo sido definida pelo filósofo Karl Marx como "o ópio do povo", a religião teve entre os comunistas os seus dias contados. O escritor evangélico russo Richard Wurmbrand, no seu livro A Resposta à Bíblia de Moscou, fez sobre isso o seguinte comentário:
     "Em setembro de 1932, uma revista de Moscou, Molodaia Guardiã (Vanguarda Jovem) anunciou que, de acordo com o plano ateístico de cinco anos, até 1937 toda manifestação religiosa deveria ser definitivamente destruída, e a Bíblia silenciada para sempre."
     É evidente que isto não aconteceu. O cristianismo está prosperando em praticamente todos os países do antigo regime comunista, mesmo sob interdição, ameaça de perseguição, e morte dos que professam a fé em Jesus Cristo.
     Para a alegria da comunidade evangélica mundial, o problema do ateísmo na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e nos países aliados ao regime sofreu impactantes mudanças após a queda do muro de Berlim, resultando na fragmentação da antiga União Soviética.
     Fortíssimos ventos anunciadores da verdade bíblica e proclamadores da existência de Deus têm penetrado pelos rasgões existentes nas chamadas (e extintas) Cortinas de Ferro e de Bambu. Agora, a existência de Deus passou a ser assunto do dia-a-dia em milhões de lares russos, chineses e de outras nacionalidades.
Jefferson Magno Costa

domingo, 28 de novembro de 2010

UM POUCO DE POESIA À SOMBRA DO GÓLGOTA

Jefferson Magno Costa



O nascimento, o ministério, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo constituem o alicerce do cristianismo. Cristo não foi um líder a mais a fundar uma religião, mas o único que, com o seu sangue derramado na cruz do Calvário, abriu para a humanidade o único caminho que conduz ao Céu.
     No decorrer de quase dois mil anos, o cristianismo tem inspirado inumeráveis obras literárias. Por não querer cometer o pecado da prolixidade, reuni aqui tão-somente quatro poemas sobre o significado da morte de Jesus.
     Dois deles foram escritos por poetas com quem eu tive o privilégio de conviver (Joanyr de Oliveira e Gióia Junior), servos de Deus que já partiram para encontrar-se com o Senhor Jesus, que lhes havia inspirado os mais belos poemas. Foram convocados para participar do encontro de poetas que já tem data marcada para acontecer no Céu, sob a liderança do sublime e inspiradíssimo salmista Davi, quando todos contemplaremos o mais belo Poema do Universo, Jesus Cristo. Esse encontro eu jamais quero perder. 
     Entre esses poemas, inclui um soneto que escrevi em 1986 (naquela época, com vinte e poucos anos, eu era ingênuo o suficiente para cometer este e outros atentados contra a poesia).


SENHOR, EU VEJO
Joanyr de Oliveira

Com alguns pregos
trêmulos e um madeiro
pesado de angústias
e remorsos futuros
feriram-te, Cristo.
Hoje, Senhor, eu vejo.

Todo o peso do inferno
e a humana culpa
sobre ti desabaram
na extrema hora
da amarga colheita.
(Mas de plena vitória
sobre os braços da morte.)
Hoje, Senhor, eu vejo.

E eu lá estava, Jesus,
nessa carga de fel
e de agudo silêncio.
Teus olhos em sangue
sobre mim pousaram.
As gotas da fronte
apagaram abismos
de minhas trevas.
Hoje, Senhor eu vejo.

Vera vida brotou
de tua morte, Cristo.
E as colunas da noite
mergulhadas em pânico
gotejaram seu medo.
Mesmo os céus rasgaram
as cortinas do azul.

Em teu corpo moído
as máguas e as dores
deste mundo insano,
deste mundo em pântanos,
deste mundo infame.
Hoje, Senhor, eu vejo.

RECONQUISTA UNIVERSAL NO GÓLGOTA
Jefferson Magno Costa
Prego e carne,
têmpora e espinho,
lábios, sede
e sangue

soerguidos em cruz:
por entre pedras,
trapos de véu,
tremores

e túmulos iluminados,
rasgam um caminho,
vertical e límpido.

Equilibram, pesam
e compram
horizontes reencontrados.

A GRANDEZA DO AMOR DIVINO
José de Abreu Albano
Amar é desejar o sofrimento,
E contentar-se só de ter sofrido,
Sem um suspiro vão, sem um gemido,
No mal mais doloroso e mais cruento.

É viver desta vida tão isento
E neste mundo enfim tão esquecido,
É por o seu cuidar num só sentido,
E todo o seu sentir num só tormento.

É viver qual humilde carpinteiro,
De rudes pescadores rodeado,
Caminhando ao suplício derradeiro.

É viver sem carinho nem agrado,
E ser enfim vendido por dinheiro,
E entre ladrões, morrer crucificado.

ENCONTRO
Gióia Júnior

No espaço
sem luz
um traço
seduz.

Reduz
cansaço,
conduz
meus passos.

E avisto
o espaço
em luz.

– É Cristo
nos braços
da cruz!

Jefferson Magno Costa

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