terça-feira, 30 de novembro de 2010

"DISSE O NÉSCIO NO SEU CORAÇÃO: NÃO HÁ DEUS"

Jefferson Magno Costa
     O ateísmo está hoje cada vez mais presente no mundo. Nenhum evangélico deve ficar indiferente diante deste fato. Existe um movimento de negação formal da existência de Deus, e é grande o número de pessoas que se tem deixado influenciar pela atitude dos que afirmam não acreditar na existência de um Deus Criador do Universo, cujo Filho deu sua vida para salvar a humanidade.
     Porém, o ateísmo, seja qual for a forma como ele se apresenta, é uma violência que o homem pratica contra sua própria consciência, é uma tentativa de anulação e desconhecimento de todas as provas da existência de Deus produzidas ao longo de toda a história humana.
     Além do mais, sabe-se que até hoje nenhum ateu fez uma demonstração racional que justificasse a "lógica" do seu ateísmo. "O primeiro ateu deve ter sido um delinquente que procurava, negando a Deus, livrar-se da única testemunha da qual ele não podia ocultar seu crime", comentou certa vez, com muita propriedade, o escritor italiano Giovani Papini.
     O ateísmo tem-se constituído também em um princípio de dúvidas para as pessoas que só acreditam que Deus existe baseadas nas clássicas demonstrações de sua existência, mas ainda não foram introduzidas, pelo Sumo Sacerdote e Salvador da humanidade, Jesus Cristo, no "Santo dos Santos, onde Deus habita". Vejamos como e através de quem o movimento ateísta popularizou-se no mundo moderno.

O DEUS QUE OS ATEUS NEGAM NÃO É O DEUS DOS CRISTÃOS
     Se examinarmos o pensamento dos grandes homens da Antiguidade, descobriremos algumas posições isoladas de filósofos que afirmavam não acreditar na existência de Deus. Porém, devemos atentar para um aspecto importante do ateísmo.
     Quando o ateu diz: "Deus não existe", a que Deus ele estará negando? Ao verdadeiro Deus? Ele nega a existência de Deus, seja qual for o modo como imagina-se que Deus seja, ou nega a existência de um deus imaginado de uma certa maneira?
     O escritor francês Jean Claude Barreau conta uma experiência vivida por ele no período em que negar a existência de Deus era moda na França, em decorrência da propagação da filosofia existencialista:
     "Naquela época estavam representando no teatro a peça 'O Diabo e o Bom Deus', de Jean Paul Sartre, peça que causava horror aos meus companheiros de fé. Fui assisti-la e ela não me atingiu. Era Baal, era Moloque que Sartre denunciava. Não era meu Deus. Eu abominava o deus de Goetz (um dos personagens da peça) tanto quanto Sartre. Aquele Deus escarnecido ali não era o verdadeiro Deus, o Deus dos cristãos, Jesus Cristo." (Jean Claude Barreau, in Quem é Deus. Tradução de Almir Ribeiro Guimarães, Petrópolis, Vozes, 1971, p. 59.)
     E é Jean Claude que nos fornece a declaração ideal para ser usada como resposta a esses ateus equivocados:
     "Isto que você recusa eu também não aceito, porque nada tem a ver com o Deus dos Evangelhos. Um dia o semblante do Deus dos Evangelhos me alcançou e me fascinou. Eu cri nele. E este semblante que vi é bem distinto das idéias de Deus que você e muitas outras pessoas têm em mente. Este conhecimento que eu tenho de Deus, meu Salvador, vai muito além das obscuras definições dogmáticas, e das idéias deturpadas dos ateístas."

GRANDES FILÓSOFOS RECONHECERAM A EXISTÊNCIA DE DEUS
     Alguns homens da Antiguidade, ao se posicionarem como ateus, nem sempre estavam negando a existência do verdadeiro Deus, e sim dos "deuses", por não concordarem com o politeísmo existente em seus países. Foi o caso dos filósofos gregos Anaxágoras e Sócrates.
     Este último foi, inclusive, julgado e condenado à morte sob a acusação de estar corrompendo a juventude com ideias ímpias. Sócrates estava levando os jovens a não acreditarem na existência dos deuses em que o povo grego acreditava, os mesmos deuses aos quais o apóstolo Paulo se referiu no seu discurso no Areópago (Atos 17.22-25).
Já naquela época, o célebre filósofo grego Platão (427-348 a.C.), discípulo de Sócrates, havia criticado a posição ateística dirigindo energicamente suas sábias palavras a um ateu:
     "Nem tu, nem teus companheiros sois os primeiros nem os únicos que tendes semelhante opinião da Divindade, mas em todos os tempos, ou mais, ou menos, sempre houve quem estivesse afetado dessa enfermidade. Travei conhecimento com muitos deles, e por isso vos digo que nenhum dos que na sua mocidade negou a existência de Deus manteve semelhante opinião até a velhice.
     "Aconselho-te, pois, agora, a não ousares cometer algum ato impiedoso contra a Divindade. Antes de proferires uma palavra contra Deus, medita três e dez vezes; porque chegará o dia (e chegará breve) em que o escárnio expirará em teus lábios trêmulos; virá o dia em que precisarás de Deus e da sua eterna verdade para a tua alma aflita, vazia e trespassada pela dor." (Citado por J. Pantaleão dos Santos em Deus: As Mais Belas Afirmações em Prosa e Verso. Petrópolis, Vozes, 1963, p. 127.)
     Porém, o filósofo grego Epicuro e o poeta latino Lucrécio (c. 99-55 a.C.) continuaram o trabalho de propagação das idéias ateístas: afirmaram que tudo o que existe se origina da matéria existente no Universo. Para eles o Universo sempre existiu; em momento algum foi criado.
     No seu famoso poema materialista De Rerum Natura (Da Natureza), o poeta romano Lucrécio diz que nem Deus nem os deuses existem. O mundo surgiu da união dos átomos. Mas se alguém lhe perguntasse quem ou o que teria levado esses átomos a se unirem para formar o mundo, Lucrécio responderia: "Foi o acaso". (Tito Lucrécio Caro. Da Natureza. Tradução e notas de Agostinho da Silva. São Paulo, Abril Cultural, 1980, Livro II, parágrafos 645-650, e 1090-1095.)
     O interessante é que o próprio escritor comunista francês Anatole France, após concluir ser absurdo tentar explicar a existência do mundo como produto do acaso, comentou certa vez: "Acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus quando não desejava assinar o próprio nome".

OS JOVENS SOB O PERIGO DO ATEÍSMO
     As ideias dos filósofos ateus da Antiguidade influenciaram a maioria dos pensadores franceses do século XVIII, e na segunda metade do século XIX uma perigosa onda de materialismo avançou pelas praias da filosofia e da ciência, e afogou muitos no mar do ateísmo, alcançando seus efeitos mais destrutivos no meio da mocidade estudiosa.
     Dois escritores alemães, Buchner e Ernesto Haeckel, foram especialmente usados pelas forças invisíveis das trevas que atuam no mundo, para semear a dúvida no coração dos estudantes europeus, e levá-los a desacreditar na Bíblia. Buchner escreveu o livro Força e Matéria, publicado em 1855.
     Traduzido em dezenas de idiomas, essa obra chegou a ser lida por quase todos os jovens estudantes americanos e europeus daquela época. (Ludwig Büchner. Force et Matiére. Etudes populaires d'histoire et de Philosophie naturelles... 5ê edition, Paris, C. Reinwlad, 1876).
     Os Enigmas do Universo foi o título que Ernesto Haeckel deu ao seu livro, lançado na Alemanha em 1863. Só em alemão essa obra alcançou mais de 200 edições, sendo traduzida em todos os idiomas cultos da época. (Ernest Henrich Haeckel. Les Enigmes de Universe. Trad. do alemão por Camille Bos. Paris. Schleicher fréres, 1902).
     Esses dois livros foram a grande preparação para o ateísmo que surgiria como base do regime político adotado na Rússia no início do século seguinte. Procurando dar para todos os fenômenos da Natureza uma explicação materialista, apresentando soluções enganosas em nome da ciência (da falsa ciência), Haeckel conquistou a simpatia ingênua da mocidade, proporcionando-lhe a ilusória satisfação de estar explicando os segredos do universo sem necessitar de, em nenhum momento, recorrer a Deus.
     Porém, décadas depois, as afirmações desse escritor foram desmentidas pela própria ciência, e Haeckel ficou conhecido nos meios científicos como um falsário. Ele ele foi muito lido e admirado também pelos estudantes do Brasil.

A POPULARIZAÇÃO DAS DOUTRINAS ATEÍSTAS
    Recapitulemos: para os materialistas, tudo é matéria (não existe um mundo espiritual, não existe Deus), e tudo volta para a matéria eterna. Viemos do nada e entraremos no nada pela morte. Não há outra vida além desta, dizem eles.
     Soberbos, e achando que os conhecimentos científicos que possuem os tornam donos da verdade, os materialistas afirmam que os "homens cultos" já não acreditam hoje "nessas tolices de Céu e de Inferno". A única coisa em que creem é na religião da ciência. Para eles o mundo surgiu sem a participação de Deus, desenvolveu-se sem Deus e há de chegar à sua perfeição sem Deus.
     Antigamente, os intelectuais que negavam a existência de Deus eram olhados como alguém à parte da sociedade. O ateísmo era visto como uma atitude hiperintelectual, aristocrática, e por isso desprezada pelo povo. Porém, nos séculos XX e XXI essa situação mudou. Foi a grande estratégia de Satanás.
     O ateísmo deixou de ser aristocrático para se tornar popular. Saiu do domínio intelectual e passou a influenciar a existência de milhões de pessoas. Diante de problemas como a fome, a guerra e as injustiças sociais, muita gente tem rejeitado Deus como alguém necessário para a solução desses problemas, e até mesmo se negado a crer que ele exista.

O ATEÍSMO NA UNIÃO SOVIÉTICA
     Apoderando-se, em outubro de 1917, do governo da antiga Rússia dos tzares, o Partido Comunista liderado por Vladimir Ilitch Ulianov (1870-1924), conhecido como Lênin, colocou em prática as ideias dos filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), e passou a controlar o regime e a situação no país pelo uso da violência, caracterizando-se também pela intolerância religiosa.
     Conta-se que o pai de Lênin, Ilia Nikolaievitsch Oulianof, acreditava na existência de Deus e se comprazia em recitar as seguintes palavras do escritor Nekrassof: "Apareceu-me sobre a colina a casa de Deus, e senti, de repente, uma pureza de fé destilar-se sobre minha alma como um perfume."
Mas Lênin confessava-se ateu desde a sua juventude. O escritor Dostoievski reconhecera tempos atrás o quanto era fácil os seus compatriotas russos tornarem-se ateus:
     "É mais fácil que a qualquer outro habitante do globo. E os nossos irmãos não se tornam apenas ateus: creem no ateísmo como se fosse uma nova religião, sem notarem que é crer no nada."
     Vários anos antes da implantação do regime socialista na Rússia, Ivan Fedorovitch (um dos personagens do romance Os Irmãos Karamazov, escrito por Dostoievski), criado por Dostoievski para caracterizar o comportamento e o pensamneto de seus compatriotas ateus, comentara:
     "Segundo o meu parecer, não se deve destruir nada, senão a ideia de Deus no espírito do homem: é por aí que se tem de começar. Logo que toda a humanidade tiver chegado a negar a Deus (e creio que a época do ateísmo universal chegará, como uma época geológica), desaparecerão os antigos sistemas e sobretudo a antiga moral. Os homens reunir-se-ão para pedir à vida tudo o que ela pode dar, mas somente e absolutamente a esta vida presente e terrestre. O espírito humano crescerá, elevar-se-á a um orgulho satânico, e serão os tempos do deus-humanidade." . (Fiódor Dostoievski. Os Irmãos Karamazov. Tradução de Natália Nunes e Oscar Mendes. São Paulo, Abril Cultural, 1970, Livro V, capítulo 5.)

ATEUS RECONHECEM A EXISTÊNCIA DE DEUS
     Porém, apesar de todas as posições radicais, conta-se que durante a revolução russa, quando a cidade de Petersburgo foi rodeada pelo general Kornilov e suas tropas anti-comunistas, Lenin repetiu várias vezes, durante um discurso, a expressão: "Dai Boje", que significa: "Permita Deus escaparmos."
     Vários outros episódios envolvendo autoridades comunistas da Rússia revelam que o povo russo é tão desejoso de Deus quanto qualquer outro povo sobre a face da Terra. Antes da invasão russa do Norte da África, o próprio Stalin disse várias vezes: "Que Deus nos dê êxito na operação Torch." Costumava dizer também que "o futuro pertence a Deus".
     Naquela época, o Ministro do Interior dos Negócios Soviéticos, Iagoda, ao saber que fora condenado à morte por Stalin, disse:
     "Deve existir um Deus, porque meus pecados me alcançaram." No seu leito de morte, o presidente da Liga dos Ateus na Rússia, Iaroslavski, pediu insistentemente a Stalin: "Queima todos os meus livros! Veja, ele está aqui! Ele esperou-me. Queima todos os meus livros!"
     Atacando inicialmente o catolicismo soviético, o Partido Comunista concentrou depois sua campanha ateísta contra toda e qualquer manifestação religiosa dentro do território russo. O objetivo principal era esmagar de uma vez por todas a idéia da existência de Deus, arrancar a fé em Deus do coração do povo como quem extirpa um tumor maligno, e bani-la para sempre da Rússia e dos demais países comunistas.
     As seguintes palavras, escritas em 1923 por um membro do partido dos ateus militantes, mostram bem a que grau havia chegado a perseguição religiosa naquele país:
     "Devemos agir de maneira que cada golpe vibrado contra o clero ataque a religião em geral... Ainda os mais cegos veem até que ponto se torna indispensável a luta decisiva contra o eclesiástico, quer se chame pastor, abade, rabino, patriarca, mulah ou papa; essa luta deve desenvolver-se também e inelutavelmente contra Deus, quer se chame Jeová, Jesus, Buda ou Alá." (Jacques Bivort de Ia Saudée. Ensaio de Suma Católica Contra os Sem-Deus. Tradução de P. Lacroix. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1939, p. 468.)

O EVANGELHO ULTRAPASSOU AS RASGADAS CORTINAS DE FERRO E DE BAMBU
     Tendo sido definida pelo filósofo Karl Marx como "o ópio do povo", a religião teve entre os comunistas os seus dias contados. O escritor evangélico russo Richard Wurmbrand, no seu livro A Resposta à Bíblia de Moscou, fez sobre isso o seguinte comentário:
     "Em setembro de 1932, uma revista de Moscou, Molodaia Guardiã (Vanguarda Jovem) anunciou que, de acordo com o plano ateístico de cinco anos, até 1937 toda manifestação religiosa deveria ser definitivamente destruída, e a Bíblia silenciada para sempre."
     É evidente que isto não aconteceu. O cristianismo está prosperando em praticamente todos os países do antigo regime comunista, mesmo sob interdição, ameaça de perseguição, e morte dos que professam a fé em Jesus Cristo.
     Para a alegria da comunidade evangélica mundial, o problema do ateísmo na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e nos países aliados ao regime sofreu impactantes mudanças após a queda do muro de Berlim, resultando na fragmentação da antiga União Soviética.
     Fortíssimos ventos anunciadores da verdade bíblica e proclamadores da existência de Deus têm penetrado pelos rasgões existentes nas chamadas (e extintas) Cortinas de Ferro e de Bambu. Agora, a existência de Deus passou a ser assunto do dia-a-dia em milhões de lares russos, chineses e de outras nacionalidades.
Jefferson Magno Costa

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