terça-feira, 21 de setembro de 2010

O RASTEJANTE PECADO DA BAJULAÇÃO

Jefferson Magno Costa

Na tradução da Bíblia mais usada entre os evangélicos brasileiros, a Almeida Revista e Corrigida, não existem as palavras "adulador" ou "bajulador", e sim "lisonjeador". Lisonjear é dirigir elogios interesseiros a alguém. O Dicionário Houaiss define lisonjear como “enaltecer com exagero, visando à obtenção de favores, privilégios”.
     Quase todo ser humano é vulnerável ao comentário elogioso, e poucos sabem se defender dos bajuladores. O mega teólogo e grande pregador do evangelho, Aurélio Agostinho (354-430), pregando certa vez sobre os bajuladores, disse magistralmente: "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem".
     Todos nós estamos muito mais prontos para ouvir uma palavra de elogio, mesmo sendo mentirosa, do que cem palavras de exortação.      O rei Henrique IV, da França, resumiu essa nossa vulnerabilidade ao dizer: “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte tonéis de vinagre”.
     O livro de Provérbios nos dá uma importante informação sobre adulados e aduladores: “Aos generosos muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes” (ARA, 19.6). E o apóstolo Judas comenta porque os aduladores agem como agem: “...são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Jd v.16).


O BAJULADOR CARREGA O BAJULADO NO COLO OU NAS COSTAS
     Na tradução Almeida Revista e Atualizada, da Bíblia, os lisonjeadores são chamados de "bajuladores" e "aduladores". Bajular vem da palavra latina bajulo, e significa “levar algo ou alguém no colo ou nas costas”. O curioso é que, na verdade, o bajulado é quem leva o bajulador nas costas.
     O fabulista francês La Fontaine dizia que “todo bajulador vive às custas de quem o escuta”. A bajulação é um comércio de mentiras que, pelo lado do bajulador, apóia-se no interesse, e pelo lado do bajulado, apóia-se na vaidade.
     Não devemos confiar em quem elogia tudo quanto dizemos. Essa pessoa geralmente é perniciosa, perigosa, e tem segundas intenções.
     Em 1Tesssalonicenses 2.5, para não ser confundido com os bajuladores, Paulo declarou: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha”.
     O livro de Provérbios avisa que “o homem que lisonjeia a seu próximo arma uma rede aos seus passos” (Pv 29.5), e que “a língua falsa aborrece aquele a quem ela tem maravilhado, e a boca lisonjeira opera a ruína” (Pv 26.28).


O BAJULADOR AGRADA O BAJULADO FESTEJANDO-O COMO CÃES
     Adular é a forma portuguesa do vocábulo latino aduláre, e significa, etimologicamente, “o movimento que o cão faz com a calda ao se aproximar do dono” (Dicionário Houaiss).
     Três séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, o filósofo grego Antístenes advertira: “Nada é tão perigoso como a adulação. O adulado sabe que o adulador mente, mas continua a lhe dar ouvidos”.
     O salmista Davi diz no Salmo 12.2: “Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobrado”. O termo coração dobrado significa, no original hebraico, “pessoa que diz uma coisa, mas sente outra”. No versículo seguinte (v. 3) o salmista diz que “o Senhor cortará todos os lábios lisonjeiros”.
     Davi fala também dos que buscam a Deus com insinceridade de coração: “Todavia, lisonjeiam-no com a boca e com a língua lhe mentiam. Porque o seu coração não era reto para com ele, nem foram fiéis ao seu concerto” Sl 8.36,3.
     Mas qual seria a verdadeira intenção do bajulador? Salomão revela: “Trabalhar para ajuntar tesouro com a língua falsa” (Pv 21.6). E Isaías extrai dos próprios bajuladores uma surpreendente confissão reveladora de suas condutas mentirosas: “...pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos” (Is 28.15). Que Deus nos guarde dos bajuladores.
Jefferson Magno Costa

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A ATITUDE QUE OS PRIMEIROS SERES HUMANOS TINHAM QUANTO À EXISTÊNCIA DE DEUS AO SEPULTAREM OS SEUS MORTOS

Jefferson Magno Costa
    
Todos os vestígios que os primeiros seres humanos deixaram concernentes à maneira como eles enterravam os seus mortos, revelam que eles criam na existência de Deus e na vida após a morte. Esses vestígios também evidenciam que só o ser humano é dotado de recursos intelectivos que o tornam capaz de avaliar o que realmente significa morrer.
     O animal irracional, mesmo sendo levado pelo instinto de sobrevivência a fugir de tudo o que ameace a sua vida, é incapaz de compreender o profundo significado da morte. O filósofo francês Voltaire escreveu em um dos verbetes do seu Dicionário Filosófico, que “de todas as espécies, só a humana sabe que deve morrer, e o sabe por experiência”.
     Estudos realizados com animais em cativeiro provaram a completa incapacidade de esses animais entenderem as profundas implicações ligadas à morte. O renomado antropólogo George Siegmund fez um desses estudos, e eis suas conclusões:
     “Às vezes é possível observar, num jardim zoológico, que as macacas-mães nem percebem a morte de seus filhotes, e continuam carregando-os durante dias, limpando-lhes o pelo e ‘lavando-lhes’ o rosto. Não entendem, evidentemente, que seus filhotes não vivem mais, e que elas passaram a ocupar-se com filhotes mortos. Só quando o pequeno cadáver começa a apodrecer, a cheirar mal, a ficar disforme, é que desaparecem os fatores que liberam o instinto maternal. A ‘fiel’ macaca simplesmente afasta-se de seu filhote morto, e não mais se preocupa com ele. Já que a mãe-animal não tem capacidade intelectiva de perceber o significado da morte do seu filhote, não vive também a experiência tragicamente humana da dor da separação”.

COMO OS PRIMEIROS SERES HUMANOS SEPULTAVAM OS SEUS MORTOS
     Todavia, quanto ao comportamento, nesse particular, dos primeiros seres humanos que habitaram a terra, todos os indícios revelam que eles sepultavam os seus mortos sentido a dor da separação e crendo na vida após a morte. Para eles, morrer seria uma espécie de adormecimento. Daí a razão de sepultarem seus mortos na posição de quem dorme (o corpo deitado de lado, os joelhos dobrados à altura do queixo.) Cuidavam de maneira humana de seus entes falecidos, não os deixando abandonados ao relento, à mercê das intempéries e dos animais ferozes. A determinação divina registrada na Bíblia: “Pois és pó, e ao pó te tornarás” (Gn 3.19) produziu profunda impressão no coração dos primeiros povoadores da terra. Johanes Maringer (Os Deuses do Homem Pré-Histórico, p. 118) afirma que “no solo das grutas faziam-se covas com muito esforço e muito cuidado; e os cadáveres depositados, ora na ‘posição do sono’, ora estendidos de costas, ora em posição sentada, eram rodeados por um protetor acúmulo de pedras”.
     Junto com os mortos eram sepultados objetos variados, como machados de pedra, flechas, enfeites e alimentos, pois, segundo observação de outro grande estudioso do passado da humanidade, Lois Figuier, quem depositou aquele corpo ali “quer que aquele que adormeceu na morte possa, ao despertar, caçar ainda o mamute e o grande urso. Deixa-lhe, portanto, armamentos e até provisões de carne, membros despedaçados de urso e de cavalo, para lhe servirem de alimento durante a grande viagem às terras ignotas.
“Como este último fato faz-nos admirar o nosso mais antigo antepassado! Os primeiros homens criam na imortalidade da alma, esperavam uma vida futura melhor do que a existência de lutas e misérias, que era o quinhão deles aqui na terra. O primeiro homem cria na existência de Deus!
     “Eu te saúdo, ó meu irmão, e estendo-te a mão através da imensidade dos tempos desaparecidos! O teu conhecimento é limitado, e tua inteligência ainda não foi suficientemente treinada. Mas o tempo e a revelação e Deus saberão aperfeiçoá-las e alargá-las. Essa pequenina luz crescerá e brilhará mais e mais no decorrer dos tempos” (O Homem Primitivo, pp. 134,135).
     Os primeiros seres humanos também lançavam ocre (espécie de barro vermelho, quase uma tinta) sobre os cadáveres, antes de eneterrá-los, querendo com isto simbolizar a continuação da vida, do “sangue sobrenatural que desafia o tempo”, segundo a curiosa expressão de Paul Chalus. Costumvam também deixar pequenas fendas nas sepulturas por onde a água da chuva pudesse penetrar e aliviar a sede do morto.
     Foram encontrados também esqueletos de mortos com o rosto voltado para o fundo da sepultura, e isto provavelmente representava a crença de que a saída para o outro mundo estava naquela direção, pois o Além, conforme acreditavam centenas de povo antigos, estaria localizado em uma região sob a terra.
     Portanto, a sepultura não era tida como uma prisão em que o morto ficava encerrado, preso para sempre sob um monte de areia e pedras, mas uma porta aberta para uma nova vida, que começava para além daquele estreito lugar.
     Esta foi a pálida concepção que a humanidade conseguiu formular, antes do Dilúvio, sobre Deus e a eternidade. Portanto, nesses tempos antiguíssimos, podemos vislumbrar a forma como os primeiros seres humanos cultuavam o "Ser Supremo", e que atitude assumiam diante da morte. No decorrer dos séculos, o distanciamento que os primeiros seres humanos tiveram de Deus, a impiedade, a crueldade, a imoralidade e o satanismo se alastraram tanto entre os descendentes de Adão, que foi necessário o Senhor exterminá-los de sobre a face da terra através do Dilúvio, tendo Deus antes escolhido uma família em cujo seio a Revelação Inicial seria preservada.
     A história das religiões após o Dilúvio não é outra coisa senão a história da decadência religiosa da humanidade cada vez mais afastada de Deus. Se Jesus Cristo não tivesse descido das celestiais alturas para inaugurar o mais sublime capítulo da grande trajetória do homem sobre a face da terra, hoje só nos restaria historiar a evolução do engano, a evolução da lepra do pecado e os resultados do seu contágio entre os seres humanos, sem nenhuma esperança, sem nenhuma remédio, sem nenhum resgate.
     Porém, “o Sol nascente das alturas” – Jesus Cristo – nos visitou e está entre nós, “para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir nossos pés pelo caminho da paz!”, Lucas 1.78-79.
Jefferson Magno Costa

sábado, 18 de setembro de 2010

A PEDRA FERIDA PELA INGRATIDÃO NÃO PRODUZIU FAÍSCAS: JORROU ÁGUA

Jefferson Magno Costa
    Jesus foi o maior alvo de ingratidão em toda a Bíblia e em toda a história da humanidade. Deus entregou seu Filho para resgatar o escravo; condenou o inocente para perdoar o culpado; quebrou o diamante para consertar o barro; fez o Criador sofrer para que a vil criatura não padecesse eternamente.
     E como o homem agradeceu a Deus essa demonstração de amor? Rejeitando o seu Filho, traindo-o, vendendo-o, pregando-o numa cruz. Maior ingratidão não poderia haver. Porém, a ingratidão não interferiu ou enfraqueceu a intensidade do amor de Jesus para conosco.

EM VEZ DE PRODUZIR FAÍSCAS, A INGRATIDÃO PRODUZIU ÁGUA
     Quando os filhos de Israel caminhavam pelo deserto rumo à Terra Prometida, e a sede daquela imensa multidão apertava, sempre surgia no lugar onde eles estavam uma rocha da qual brotavam ribeiros de água. Falando sobre esse milagre, o apóstolo Paulo diz: "E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo", 1Co 10.4.
     Ora, se fôssemos considerar o número de ingratidões que o povo cometia a todo instante contra Deus, não era de se admirar que Cristo se apresentasse como pedra diante daqueles ingratos, pois não há nada que petrifique e endureça tanto o coração de alguém como a ingratidão. Porém, Jesus nunca respondeu à ingratidão com ingratidão. O que teria levado então o apóstolo Paulo a compará-lo com a rocha da qual brotava água?
     O próprio texto bíblico nos dá a resposta. Estando Israel no deserto de Zim, a multidão teve sede e o Senhor disse a Moisés que falasse à rocha, e dela sairia água para o povo beber. Porém, irado diante das muitas ingratidões do povo, Moisés levantou o cajado e bateu na rocha duas vezes, e, assim mesmo, dela jorrou muita água, Nm 20.11.
     Essa pedra, no original hebraico, é a mesma que na língua portuguesa os dicionários chamam de "pedra-de-fogo", "pedra-de-raio", "pedra capaz de produzir centelha quando percutida ou atritada, muito usada em antigas peças de artilharia, espingardas e isqueiros" (Dicionário Houaiss).
     O normal desse tipo de pedra é produzir faíscas quando recebe pancadas. Mas uma pedra que, ao receber pancadas, responde com água e não com faíscas, essa pedra não é pedra, é Cristo. Ele é o único que responde às pancadas da ingratidão com rios de águas misericordiosas que matam a sede até dos ingratos.

OUTRA VEZ A ROCHA DE DEUS DIANTE DA INGRATIDÃO
     Aquelas duas pancadas que Jesus, a Rocha de Deus, recebeu do cajado de Moisés repetiram-se no Novo Testamento. Desta vez os dois golpes atingiram o coração de Jesus, e foram dados por Judas que o traiu, e por Pedro que o negou. E outra vez, em lugar de sair fogo daquela rocha, saiu água. Em vez de liberar de si labaredas de fogo para consumir aqueles dois discípulos ingratos, Jesus curvou-se diante deles com uma bacia de água nas mãos, e lavou-lhes os pés (Jo 13.5).
     Jesus lavou os pés de todos os discípulos, mas o evangelista João só menciona o nome de dois deles, Judas e Pedro (Jo 13.2,5,7,8). Por quê? Porque foram Judas e Pedro que cometeram os dois maiores atos de ingratidão contra o Senhor, e eram os que mais necessitavam de sua misericórdia.
     Aqueles mesmos pés de Pedro que Jesus lavou, levaram o discípulo a seguir covardemente o Salvador de longe, e o conduziram até o pátio do palácio, onde por três vezes Pedro negou a Cristo. Aqueles mesmos pés de Judas que Jesus lavou, conduziram o discípulo infiel até o local onde ele vendeu o Mestre, e em seguida guiou os homens que o prenderam no Getsêmani.
     Porém, diante daqueles dois ingratos, Jesus não mudou sua natureza misericordiosa e amiga. Quem recebeu maior destaque durante a Ceia? Foi Judas. E quem recebeu maior destaque após a Ressurreição de Jesus Cristo? Foi Pedro.
     Durante a Ceia, Jesus molhou o pão e o deu a Judas (Jo 13.21-30). Apesar de ter sido usado para assinalar quem o trairia, molhar o pão no vinho e entregá-lo na mão de alguém durante uma refeição judaica era sinônimo de extrema consideração e muito amor pela pessoa que fosse alvo daquele gesto.
     Após a Ressurreição, o anjo falou às mulheres: "Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro...", Mc 16.7. Aos ingratos e traidores, Jesus respondeu com distinção e amor. Grande lição para nós. Quem de nós será capaz de imitar esse exemplo?
Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

OS MAIS ANTIGOS VESTÍGIOS DE CULTO RELIGIOSO A UM ÚNICO DEUS

Jefferson Magno Costa
  
      As mais antigas provas que confirmam a existência de um culto religioso a um único Deus por parte dos primeiro seres humanos foram encontradas no interior de algumas cavernas.    Entre elas destacam-se a caverna de Chu-Tien, na China, e a que é conhecida como Cova do Dragão, localizada em Saint Gallen, na Suíça.
     Foi no interior dessa última que o antropólogo Emil Bächelar descobriu ossos longos e crânios de ursos enterrados. A forma curiosa como aqueles ossos haviam sido depositados ali levou Bächelar a enunciar prudentemente a hipótese de que se tratavam de vestígios de um culto religioso.
     Os caçadores de urso do paleolítico tinham sepultado, nessas e em outras cavernas, com os focinhos sempre voltados para a direção onde nasce o Sol, os crânios dos ursos sacrificados. Isso indicava, conforme a conclusão de Bächelar, que o homem daquela época cria na existência de Deus, e o Sol era um de seus símbolos. “Trata-se aqui de um lugar de culto e de sacrifícios que os primeiros homens ofereceram a Deus”, concluiu o antropólogo.
     Mas que motivo teria levado muitos dos mais antigos habitantes da terra a se utilizarem de cavernas como locais de culto, e a depositarem nelas ossos de animais de caça? O motivo é curioso e simples, segundo comentário do antropólogo Paul Chalus: “Esses lugares subterrâneos, cheios de formas estranhas, de fontes e de reflexos, de sussurros e de ecos desusados e desconhecidos na superfície da terra, ‘sobrenaturais’, transformavam-se, na imaginação dos primeiros seres humanos, em portas para o outro mundo, em lugares nos quais eles podiam tentar algum contato com Deus” (El Hombre y la Religion: Del Paleolítico al Primer Milenio Anterior a Nuestra Era. p. 45).
     O atento e minucioso estudo do interior dessas cavernas confirma o comentário de Paul Challus. Vários indícios mostram que os primeiros homens as consideravam com símbolos naturais do “Grande Mistério”, como uma espécie de santuário. Falando do local onde descobriu esses vestígios de culto realizado pelos primeiros homens, Emil Bächelar diz que “partes dificilmente acessíveis, que estavam na escuridão completa ou apenas debilmente iluminadas por uma luz bruxuleante, causam ainda hoje às pessoas que entram nelas uma impressão misteriosa”.

SACRIFÍCIOS DE PRIMÍCIAS
    Após essa importante descoberta realizada por Emil Bächelar, outro antropólogo, Osvald Menghin, apresentou um estudo afirmando que os crânios e os ossos longos de ursos encontrados nas cavernas representavam a mais antiga forma de culto de agradecimento do homem pré-histórico ao Ser Supremo.
     Em seguida, o renomado Guilherme Schmidt concluiu, após longos estudos, que aqueles ossos simbolizavam “sacrifícios de primícias”, e esclareceu: “Já a mais antiga religião comum da humanidade conhecia e praticava o sacrifício de primícias, e só este sacrifício, como elemento geral na prática de sua cultura religiosa.”
     Tais sacrifícios, segundo a conclusão a que o grande estudioso austríaco chegou na sua magistral obra A origem da Ideia de Deus, eram oferecidos ao Ser Supremo. Diante destas descobertas (tão importantes para os estudiosos da Bíblia), Georg Siegmund fez estas profundas reflexões:
     “O sacrifício de primícias representa um reconhecimento do dever de homenagem ao Dono e Proprietário Supremo da Vida, que mandou o animal que foi caçado. Ao agradecimento pela presa de caça conseguida, une-se o pedido de o Ser Supremo proporcioná-la outra vez no futuro. As ofertas de sacrifício provêm sempre do mundo dos seres vivos; são plantas ou animais de que o explorador da vida selvagem se apropriou como alimentos para viver a sua própria vida” (A Crença do Homem Primitivo, p. 75).
     O fato de esses sacrifícos ser "de primícias", e nesses sacrifícios ter havido participação de elementos do reino vegetal e componentes do reino animal nos faz lembrar o episódio que envolveu Caim e Abel (Gn 4.2-11), quando, apresentando a Deus como oferta seus "sacrifícios de primícias", fizeram uso das “primícias do campo” (componente vegetal) e das “primícias do rebanho” (componente animal). Isto se constinuem em mais uma prova da admirável fidelidade da Bíblia quanto ao registro das primeiras práticas religiosas do ser humano!
Jefferson Magno Costa

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