sábado, 18 de setembro de 2010

A PEDRA FERIDA PELA INGRATIDÃO NÃO PRODUZIU FAÍSCAS: JORROU ÁGUA

Jefferson Magno Costa
    Jesus foi o maior alvo de ingratidão em toda a Bíblia e em toda a história da humanidade. Deus entregou seu Filho para resgatar o escravo; condenou o inocente para perdoar o culpado; quebrou o diamante para consertar o barro; fez o Criador sofrer para que a vil criatura não padecesse eternamente.
     E como o homem agradeceu a Deus essa demonstração de amor? Rejeitando o seu Filho, traindo-o, vendendo-o, pregando-o numa cruz. Maior ingratidão não poderia haver. Porém, a ingratidão não interferiu ou enfraqueceu a intensidade do amor de Jesus para conosco.

EM VEZ DE PRODUZIR FAÍSCAS, A INGRATIDÃO PRODUZIU ÁGUA
     Quando os filhos de Israel caminhavam pelo deserto rumo à Terra Prometida, e a sede daquela imensa multidão apertava, sempre surgia no lugar onde eles estavam uma rocha da qual brotavam ribeiros de água. Falando sobre esse milagre, o apóstolo Paulo diz: "E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo", 1Co 10.4.
     Ora, se fôssemos considerar o número de ingratidões que o povo cometia a todo instante contra Deus, não era de se admirar que Cristo se apresentasse como pedra diante daqueles ingratos, pois não há nada que petrifique e endureça tanto o coração de alguém como a ingratidão. Porém, Jesus nunca respondeu à ingratidão com ingratidão. O que teria levado então o apóstolo Paulo a compará-lo com a rocha da qual brotava água?
     O próprio texto bíblico nos dá a resposta. Estando Israel no deserto de Zim, a multidão teve sede e o Senhor disse a Moisés que falasse à rocha, e dela sairia água para o povo beber. Porém, irado diante das muitas ingratidões do povo, Moisés levantou o cajado e bateu na rocha duas vezes, e, assim mesmo, dela jorrou muita água, Nm 20.11.
     Essa pedra, no original hebraico, é a mesma que na língua portuguesa os dicionários chamam de "pedra-de-fogo", "pedra-de-raio", "pedra capaz de produzir centelha quando percutida ou atritada, muito usada em antigas peças de artilharia, espingardas e isqueiros" (Dicionário Houaiss).
     O normal desse tipo de pedra é produzir faíscas quando recebe pancadas. Mas uma pedra que, ao receber pancadas, responde com água e não com faíscas, essa pedra não é pedra, é Cristo. Ele é o único que responde às pancadas da ingratidão com rios de águas misericordiosas que matam a sede até dos ingratos.

OUTRA VEZ A ROCHA DE DEUS DIANTE DA INGRATIDÃO
     Aquelas duas pancadas que Jesus, a Rocha de Deus, recebeu do cajado de Moisés repetiram-se no Novo Testamento. Desta vez os dois golpes atingiram o coração de Jesus, e foram dados por Judas que o traiu, e por Pedro que o negou. E outra vez, em lugar de sair fogo daquela rocha, saiu água. Em vez de liberar de si labaredas de fogo para consumir aqueles dois discípulos ingratos, Jesus curvou-se diante deles com uma bacia de água nas mãos, e lavou-lhes os pés (Jo 13.5).
     Jesus lavou os pés de todos os discípulos, mas o evangelista João só menciona o nome de dois deles, Judas e Pedro (Jo 13.2,5,7,8). Por quê? Porque foram Judas e Pedro que cometeram os dois maiores atos de ingratidão contra o Senhor, e eram os que mais necessitavam de sua misericórdia.
     Aqueles mesmos pés de Pedro que Jesus lavou, levaram o discípulo a seguir covardemente o Salvador de longe, e o conduziram até o pátio do palácio, onde por três vezes Pedro negou a Cristo. Aqueles mesmos pés de Judas que Jesus lavou, conduziram o discípulo infiel até o local onde ele vendeu o Mestre, e em seguida guiou os homens que o prenderam no Getsêmani.
     Porém, diante daqueles dois ingratos, Jesus não mudou sua natureza misericordiosa e amiga. Quem recebeu maior destaque durante a Ceia? Foi Judas. E quem recebeu maior destaque após a Ressurreição de Jesus Cristo? Foi Pedro.
     Durante a Ceia, Jesus molhou o pão e o deu a Judas (Jo 13.21-30). Apesar de ter sido usado para assinalar quem o trairia, molhar o pão no vinho e entregá-lo na mão de alguém durante uma refeição judaica era sinônimo de extrema consideração e muito amor pela pessoa que fosse alvo daquele gesto.
     Após a Ressurreição, o anjo falou às mulheres: "Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro...", Mc 16.7. Aos ingratos e traidores, Jesus respondeu com distinção e amor. Grande lição para nós. Quem de nós será capaz de imitar esse exemplo?
Jefferson Magno Costa

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Marcelo disse...

A Paz de CRISTO,

Pr Jefferson,desculpe-me usar esse sublime espaço para perguntas,mas:

O LIVRO QUE APARECE NO SEU BLOG SOBRE UM MÉDICO QUE RELATA À CRUCIFICAÇÃO DE CRISTO É POSTADO PELO IRMÃO OU...É BOMMM?!

31 de janeiro de 2011 21:25

Jefferson Magno Costa disse...

Não, não é bom, prezado irmão e amigo Marcelo Pires: é fantástico, é excelente, é único no mundo em seu gênero. É iniqualavelmente esclarecedor, e capaz de levar um rochedo às lágrimas. Recomendo-o a toda e qualquer pessoa que tenha algum interesse por Jesus Cristo.

1 de fevereiro de 2011 11:01