domingo, 17 de outubro de 2010

OS EVANGÉLICOS E AS SUPERSTIÇÕES. VOCÊ ACREDITA NESTAS COISAS?

Jefferson Magno Costa
     A lista de crendices que existem espalhadas no meio do povo brasileiro é imensa. E não podemos negar que muitos evangélicos também vivem presos a crenças e práticas superticiosas, infantis e até ridículas, fruto das crendices do antigo paganismo, catolicismo e espiritismo africano que se alastraram pelo Brasil.
     O mais lamentável de tudo isso é que certos grupos que se dizem evangélicos arrastaram para dentro de suas igrejas, como "ferramenta de marketing", toda essa parafernália de crendices e práticas supersticiosas, e estão ressuscitando e fazendo uso, entre os seus fiéis, de muitas práticas já abandonadas pelo próprio catolicismo e espiritismo.
     Não estamos colocando aqui em dúvida o poder de Jesus realizar milagres. Jesus, e unicamente Jesus, tem o poder de libertar as pessoas e realizar qualquer milagre, e não igreja i, m ou u, pastor rv ou m. Superstição a, b ou c.
     Alguns ingênuos costumam testemunhar: "Eu estava sofrendo disso ou daquilo. Então fui convidado para participar de tal trabalho em tal igreja, e fui liberto, graças ao fato de ter vindo para essa igreja." O mérito da libertação é dado à igreja, à grife famosa. Isso é atitude corporativa, é procedimento empresarial. Jesus não recebe glória nenhum. Ele raramente é mencionado, ou simplesmente não é mencionado.  
    Estão se esquecendo da declaração do apóstolo Pedro diante de Jesus: "Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna" (João 6.68).
      Igreja a, u, i ou m não tem poder nenhum de libertar ninguém. Nem aos seus próprios líderes. Só Jesus tem poder de libertar o ser humano de qualquer coisa. Desde que ele realmente procure Jesus.
     Segundo a definição de um dos mais consultados dicionários da língua portuguesa (Aurélio), superstição é o “sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes”.
     Poucos solos existem no mundo tão propícios ao florescimento de crenças em coisas ineficazes como o do Brasil. Antes que o primeiro ser civilizado pisasse pela primeira vez em terras brasileiras, a superstição dos índios animistas dominava de ponta a ponta o nosso país.
     Por sua vez, os portugueses que aqui chegaram para iniciar a colonização trouxeram para cá uma imensa carga de crendices e práticas supersticiosas, fruto do antigo catolicismo português, um catolicismo cheio de novenas, breves, bentinhos, ramos bentos, sal bento, água benta, medalhas bentas, escapulários, Agnus Dei, rezas fortes.
     Depois vieram os negros com suas entidades da África, e sua contribuição para o conjunto de crendices foi tão grande, que colocou o Brasil entre os países mais supersticiosos do mundo.
     Tivemos um presidente que não vestia roupa de cor marrom e não entrava em casa que tivesse pinguim de louça ou de plástico como ornamento sobre a geladeira. Segundo ele, dava azar.
     Alguns brasileiros, ilustres e não ilustres, quando veem, ouvem ou pressentem a presença de algo que "dá azar", correm para a primeira árvore ou objeto de madeira e batem nela, para "isolar". Há um escritor e um cantor brasileiros, ambos muito famosos, que fazem isso todo os dias. 
     Para muitos dos nossos compatriotas, o número 13 – sexta-feira 13, 13 pessoas à mesa – é algarismo que deve ser evitado, é número que atrai o mal. Outros veem no espelho quebrado o prenúncio de alguma desgraça.    
     Há os que acreditam que apontar estrelas cria verrugas, assobiar à noite chama cobras, passar por debaixo de uma escada dá azar, olhar um enterro até que ele desapareça na esquina faz com que a pessoa que olha seja brevemente enterrada também.
     Descer da cama com o pé esquerdo atrapalha o dia, pisar no rabo de gato ou matá-lo atrasa a vida por sete anos, mulher grávida que comer frutas gêmeas terá filhos gêmeos, comer coração de galinha torna a pessoa medrosa, deixar a vassoura virada atrás da porta faz a visita demorada sair depressa, criança que passar por baixo dos braços de duas pessoas que se dão as mãos deixará de crescer.
     Padre que passa entre duas moças faz com que elas não encontrem marido, andar de costas atrasa a vida, deixar sapato ou chinelo virados com o solado para cima atrai a morte para o seu dono, espetar um alfinete na roupa do marido garante a felicidade, duas pessoas lavarem as mãos na mesma bacia e enxugarem na mesma toalha, brigarão na certa.
     Mulher que varre casa à noite morrerá inchada, dar nome de filho falecido a outros filhos, eles morrerão ainda na infância, cortar cabelo numa sexta-feira leva a pessoa à loucura, entrar por uma porta e sair por outra leva a sorte do ambiente, dormir com os pés virados para a porta atrai a morte para quem dorme assim, passar vassouro sobre os pés de moça solteira fará com que ela custe a casar, e dezenas de outras crendices semelhantes.
     Existem também superstições ligadas a avisos, como as que se seguem: borboleta negra entrou em casa é sinal de morte; sentir coceira na sola dos pés é sinal de viagem próxima; vestir casualmente a roupa pelo avesso, a pessoa vai receber dinheiro; caiu um talher, haverá visitas; sentir coceira na palma da mão, é dinheiro que está chegando; sentir a orelha quente, alguém está falando mal da pessoa; cachorro uivando perto da casa do doente, é morte na certa; galo cantando fora de hora é sinal de desgraça; criança que nasce com a mão fechada será sovina, mesquinha; morto de olho aberto, haverá em breve outro morto na casa; viajar com padre é desastre certo; mostrar ao bebê sua imagem no espelho, ele custará a falar; mulher grávida que traz no seio uma chave, o filho terá o lábio rachado (lábio leporino), e muitas outras.

AS SIMPATIAS CURATIVAS
     As práticas supersticiosas com fins medicinais são inúmeras. Através delas, o diabo está se prevalecendo da ignorância do povo, e ridicularizando-o através de práticas humilhantes.  Uma breve enumeração de crendices medicinais vigentes neste Brasil das “simpatias” curativas, revela atitudes perigosas, imundas e ridículas.
     Para curar úlceras de perna, aconselha-se o doente a usar areia de cemitério; para curar conjuntivite, deve-se banhar os olhos em urina de recém-nascido do sexo masculino; para curar sarampo, o doente deve tomar chá de excremento de cachorro; para evitar aborto, a mulher deve beber um copo de água em que o marido tenha banhado o rosto; para curar inflamação na garganta, o doente deve passar no pescoço o sangue de galinha preta, ou fazer gargarejo com caldo de lagartixa; para curar dor de dente, deve-se colocar na encruzilhada três sabugos de milho: a primeira pessoa que passar e chutar os sabugos, ficará com a dor; para se conservar a visão deve-se comer formigas; dor de ouvido deve ser curada com óleo de rato, e a lista prossegue.

OS EVANGÉLICOS E AS SUPERSTIÇÕES
     Vivendo em um país potencialmente voltado para tantas práticas supersticiosas, o evangélico brasileiro, para manter-se isento de qualquer influência crendeira, para não sofrer nenhuma daquelas deficiências de fé às quais se refere o apóstolo Paulo em 1 Tessalonicenses 3.10, para aprender a edificar-se e caminhar tão-somente no temor do Senhor (Atos 9.31), terá de crescer na graça e no conhecimento da Palavra de Deus (Provérbios 2.1-10).
     Porém, muitos têm-se entregue a comportamentos supersticiosos, a determinadas correntes, à crença no poder e na eficácia de objetos adquiridos em troca de ofertas. Outros depositam sua crendice mais na eficácia protetora de certos versículos do que no restante da Bíblia como regra de fé, orientação e prática. Exemplo disto é o Salmo 91.
     Deus pode fazer uso de infinitas maneiras para atuar na vida de seus servos, e não têm sido poucas as vezes em que o Salmo 91 tem servido de meio para a manifestação do seu poder. Porém, isso não significa que o conhecidíssimo Salmo de Davi tenha mais valor ou mais eficácia do que Gênesis 1.1 ou Apocalipse 22.21 – o primeiro e o último versículos da Bíblia.
     Há pessoas que, antes de dormir, abrem a Bíblia no Salmo 91 por acreditarem que os bandidos ou o Diabo correrão com medo dele. Esquecem, porém, que não é o Salmo 91 que os livrará do mal, e sim o Deus que inspirou o salmista Davi a escrevê-lo. (E não devemos esquecer que o Diabo conhece o Salmo 91 melhor do que muito crente por aí). 
     As próprias palavras do Salmo são bastante claras a respeito de quem é realmente a "fonte de poder" desse Salmo: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” Observe-se que o salmista não escreveu: “Aquele que habita no esconderijo do salmo 91”, ou “Direi ao salmo 91: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.” Pois é Deus que nos livrará do “laço do passarinheiro e da peste perniciosa.” É tão-somente nele que depositamos a nossa confiança.
     Ele pode nos falar através de um versículo tirado de uma caixinha de promessas, porém jamais aprovará a atitude daqueles que fazem uso dessa coleção de versículos de modo supersticioso, deixando muitas vezes de orar e ler a Bíblia para viver espiritualmente de pequeninas leituras feitas às pressas antes de sair de casa, conforme faz quem consulta horóscopos.
    
O "CAMBALACHO" DA FÉ
     É aproveitando-se da ingenuidade de muitos evangélicos que certas pessoas tem-se tornado verdadeiras camelôs da fé, comercializando o que dizem ser azeite “ungido” de Jerusalém, areia da “Palestina”, ramos de oliveira do Getsêmani, e outros “artigos” adquiridos pelo povo de tal forma que fazem lembrar os amuletos do paganismo. Jesus não precisa do incentivo do copo d'água ou da "fogueira santa" para agir. Pois ele mesmo é a Água da Vida para quem tem sede (João 6.35), e também Fogo Consumidor para quem está precisando (Hebreus 11.29).
     Só faltam comercializar às pessoas ingênuas e supersticiosas, dentro de frasquinho cuidadosamente tapado e visivelmente vazio, o "último suspiro de Jesus no Calvário".
     Existem muitas pessoas por aí brincando com coisas sérias, prevalecendo-se da credulidade do povo, escandalizando o Evangelho, vivendo regaladamente dos cambalachos da fé.
     A esses nós denunciamos e repudiamos suas práticas. A esses nós lembramos as palavras de Jesus: “Muitos naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim os que praticais a iniquidade” (Mateus 7.22,23). Não tardará o dia em que esses "camelôs da fé" terão de ajustar contas com Deus.
     Quanto aos evangélicos supersticiosos, lembramos-lhes que “para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes, e não vos submetais de novo a jugo de escravidão” (Gálatas 5.1). O apóstolo Paulo, escrevendo aos Colossenses (1.13), lembra que Jesus Cristo “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do filho do seu amor.”
     E é João, na sua primeira epístola (4.18), que nos mostra o quanto esse amor é importante no processo de libertação de todos os temores supersticiosos: “No amor não existe medo: antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2 Timóteo 1.7)
Jefferson Magno Costa

3 comentários:

  1. Pastor Jefferson,

    Este artigo é pertinente e bastante esclarecedor, pois estamos vivendo um tempo em que tais práticas e crendices são erroneamente confundidas como elementos cristãos genuínos, o que não é verdade, absolutamente.

    O movimento neopentecostal influenciou a igreja brasileira e trouxe consigo muitas práticas antibíblicas confundindo a mente das pessoas e transformando a mensagem do Evangelho em religiosidade fetichista; aliás, não há Evangelho em ambientes religiosos e supersticiosos pois desprezam a Palavra, a qual os chama de "outro evangelho", isto é, um falso evangelho.

    Pastor, meu desejo é que Deus continue lhe abençoando e iluminando a sua mente, cujo labor intelectual muito esclarece e nos enriquece.

    Oséias

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  2. Obrigado, prezado irmão e amigo Oséias. E que o Senhor continue usando-o como um homem de Deus culto, atento e perspicaz.

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  3. Parabéns irmão, que Cristo continue te dando oportunidade de falar do evangelho puro e simples, sem crendices ou qualquer invenção humana.

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