segunda-feira, 13 de setembro de 2010

QUAL FOI A RELIGIÃO DO PRIMEIRO SER HUMANO QUE HABITOU A TERRA?

Jefferson Magno Costa    
Procurar informações sobre o passado religioso da humanidade equivale a nos debruçarmos sobre um poço escuro e profundo, cujas águas só podem ser alcançadas com muita paciência e em pouca quantidade. Quem se debruça sobre esse poço deve estar consciente de que suas águas são escassas, porém suficientemente cristalinas para confirmar o que diz a Bíblia sobre o passado religioso dos primeiros seres humanos.
    Sondemos cautelosamente esse poço à procura de vestígios da crença dos primeiros homens sobre Deus, sobre as formas como o cultuavam, e como reagiam diante da morte. Procuremos também descobrir como a idolatria entrou no mundo. Nessa sondagem devemos ser cautelosos para não perdermos nenhuma gota dessa água que aí está há milhares de anos.
     Se a sombra do nosso corpo (esse barro que nos impede de subir às alturas ou sondar os abismos) não interceptar a passagem da luz que desce até a superfície das águas, que imagem veremos refletida no fundo do poço? O primeiro homem à procura do seu Deus! Posso vê-lo daqui, esse homem de alma pura, caminhando sobre um solo ainda virgem de outras pegadas humanas.
     Solitário e grandioso nos seus pensamentos, e coroa da Criação, esse homem está pronto para a infelicidade e o infortúnio quando lhe surgir, como companheira, a primeira mulher. Posso vê-lo com um semblante semelhante ao meu e ao dos meus irmãos que hoje povoam a terra, e não como um ser meio gente, meio animal, dotado de costumes brutais, caminhando curvado, armado de tacape, comunicando-se através de grunhidos ininteligíveis e comendo carne podre.
     Não, esse não é o meu antepassado, não é o homem que Deus criou para, através dele e da companheira que lhe deu, iniciar a raça humana. Um ser assim, primitivo e animalesco, nada tem da imagem e semelhança  de Deus (Gn 1.26-27), e tampouco seria capaz de ouvir a Sua voz (Gn 3.8).
     Adão deu nome “a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo”, Gn 2.19,20, e isto não poderia ter sido realizado por um homem de cérebro subumano, animalesco. Além do mais, seus filhos Caim e Abel possuíam conhecimentos elementares de agricultura e pastoreio (Gn 4.2). Caim foi o primeiro homem citado na Bíblia a edificar uma cidade (Gn 4.17), e Jubal e Tubal-Caim, representantes da sétima geração desde Adão, foram, respectivamente, “pai de todos os que tocam harpa e flauta”, Gn 4.21, e “mestre de toda obra de cobre e de ferro”, Gn 4.22. Portanto, não podemos aceitar que tais homens tenham descendido de “antepassados de espécie inferior”, conforme afirmaram Darwin e seus discípulos.


O DEUS SUPREMO SE REVELOU AOS NOSSOS PRIMEIROS PAIS
     Quanto à concepção religiosa inicial da humanidade, a grande abundância de fatos histórico-religiosos trazidos do fundo desse poço à luz dos nossos dias por centenas de pesquisadores ao longo de vários séculos, prova que a humanidade creu inicialmente em um único Deus. Os “deuses” vieram depois. Eles entraram no mundo pela porta que o pecado abriu na mente e no coração dos primeiros seres humanos.
     O estudioso alemão Georg Siegmund, no seu livro A Crença do Homem Pré-histórico, informa que “entre a maioria dos grupos circulava a crença de que no princípio o Ser Supremo viveu na Terra juntamente com os homens, a quem ensinou o bem e deu suas leis sociais e morais; isto é já uma prova da estreita união entre Deus e os homens. Em quase todos os povos das culturas primitivas existe o significativo ensino de que o Ser Supremo, após haver abandonado a Terra por alguma culpa dos homens, foi para o Céu, que é agora o lugar de sua residência”.
     O fato é que, após criar o ser humano, Deus incutiu nele o seu selo, a sua marca, plantando no seu coração a necessidade de reconhecê-lo como Criador e adorá-lo como Deus. Isto é o que os teólogos chamam de Primeira Revelação ou Revelação Inicial. Porém, a Bíblia mostra (capítulos três e quatro do livro de Gênesis) e a história confirma que essa revelação foi obscurecida pelo pecado.
     Obscurecida, mas não totalmente apagada. Ao estudarmos a religião dos egípcios, assírios, babilônios, cananeus, hindus, persas, gregos, romanos, chineses, japoneses e outros povos, identificamos imediatamente os vestígios desse obscurecimento gradual da primitiva crença em um único e supremo Deus. O livro Eternity in Their Hearts, escrito por Don Richardson, e traduzido e publicado no Brasil pelas Edições Vida Nova, sob o título O Fator Melquisedeque: O Testemunho de Deus nas Culturas Através do Mundo, apresenta uma vasta documentação sobre a existência de vestígios dessa revelação inicial entre os povos. “Deus não se deixou ficar sem testemunho. Pois esse testemunho penetrou nas trevas da impiedade em quase toda parte, até certo ponto”, é a afirmação com a qual Don Richardson poderia resumir seu livro (Op. Cit. p. 42).
     É importante considerar que, meio século antes de Don Richardson apresentar ao público evangélico o resultado de suas pesquisas, o etnólogo suíço Guilherme Schmidt, uma das maiores autoridades mundiais sobre o passado do ser humano, havia publicado o produto de quase 20 anos dedicados ao estudo desse fascinante tema. No seu gigantesco trabalho de pesquisa, Schmidt dispôs as religiões dos povos primitivos em um esquema de ciclos culturais. O resultado foi uma obra dividida em 12 volumes, sob o título A Origem da Crença em Deus.
     Esse incansável pesquisador conseguiu demonstrar, com abundância de detalhes, o grandioso fato de que houve uma primeira revelação de Deus ao homem no início da formação da humanidade, e essa revelação deixou suas marcas em todos os povos, em todas as regiões do mundo. A obra desse etnólogo suíço foi recebida com entusiasmo, respeito e admiração pelos grandes estudiosos da cultura, e contou com o reconhecimento até dos seus adversários ideológicos.
     Outros estudiosos uniram suas vozes à de Guilherme Schmidt, confirmando que essa crença no Ser Supremo sempre esteve presente nos mais antigos povos. Discursando em 1980 para centenas de cientistas na Universidade de Leiden, Alemanha, o renomado antropólogo holandês A. W. Niewwenhius declarou que “a crença no Ser Supremo nasceu da impressão que o mundo como totalidade produziu no homem primitivo, enquanto que a crença nos outros deuses menores nasceu mais tarde, das impressões que os aspectos particulares da Natureza causaram no homem”.


COMO OS “DEUSES” SURGIRAM NA TERRA
     Essa declaração do antropólogo holandês está baseada na seguinte linha de interpretação da conduta religiosa da humanidade: Após a entrada do pecado no mundo, algo de desastroso ocorreu com a crença do primeiro homem no Deus único e soberano. Com exceção de um pequeno grupo, a espécie humana degenerou, ao longo dos séculos, para a crença em vários deuses.
     Impressionados pelos grandes fenômenos da natureza, e sentindo-se pequeninos diante da imensidão do céu, do fulgor do raio, da beleza do pôr-do-sol, da grandiosidade do mar, os descendentes mais afastados de Adão deixaram nascer dentro deles a errônea idéia de que tudo isto não passava de símbolos de Deus, e pensaram: o sol é Deus, o raio é Deus, a tempestade é Deus, o céu é Deus.
     Consequentemente, o céu, o sol, o relâmpago, o trovão, o vento, a água, o fogo, as pedras, a lua, as árvores e os animais passaram a ser cultuados. Surgiu assim o politeísmo, com seus inúmeros deuses representando inicialmente os elementos e os fenômenos da natureza, e depois se estendendo a tudo o que o homem viu dotado de algum poder que ele não tinha. Ao ceder à tentação de fazer para si imagens desses deuses, a humanidade caiu na idolatria.
     Por esse motivo, ao examinarmos atentamente os documentos primitivos das velhas religiões, deparamo-nos com flagrantes idéias contraditórias: junto à crença na existência de um Deus espiritual e elevado, encontramos a crença em deuses materiais e visíveis. Junto à adoração a um Deus único, vemos o culto a inúmeras divindades. Afastando-se do Deus santo e justo, os homens passaram a crer em deuses grosseiros, imorais e cheios de vícios.
     Mas existe outra explicação para esse comportamento dos seres humanos: a multimilenar influência que Satanás e seus anjos têm exercido sobre a humanidade. Além de levar o primeiro casal a cair no pecado, ele aproveitou a natural inclinação que o primeiro homem tinha para admirar e temer os fenômenos e elementos da natureza, e passou a trabalhar na intenção de que o culto que o homem dirigia a esses elementos e fenômenos fosse dirigido a ele e aos demais espíritos que o acompanhavam.
     Portanto, no que diz respeito a mais antiga concepção religiosa do ser humano, a conclusão a que se chega ao examinarmos as afirmações dos historiadores e os testemunhos contidos na Bíblia, é que Adão falou aos seus filhos sobre a existência do Deus supremo e único, e esse conhecimento foi transmitido sucessivamente às novas gerações. A religião da humanidade antes do Dilúvio está fundamentalmente alicerçada nessa crença.
     Todavia, com o passar dos séculos, muitos dos descendentes diretos de Adão saíram em busca de outras regiões onde abundavam a caça, o solo fértil e os frutos silvestres (“Frutificai, multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a”, Gn 1.28), e após peregrinarem durante vários anos, acabaram se isolando completamente das outras famílias estabelecidas nas regiões circunvizinhas ao lugar em que o primeiro casal criara seus filhos, e em cujo meio continuava perdurando o reconhecimento da existência do único Deus Todo-poderoso, como resultado da revelação inicial (a linhagem de Sete foi a que melhore preservou essa revelação, conforme Gênesis 5.1-32).
     Esses grupos humanos isolados, após perderem o contato com as demais famílias, passaram a enfrentar situações dificílimas, lutando com uma natureza sempre hostil. Totalmente afastados de Deus, e esquecidos da primeira revelação, esses grupos caíram na mais bárbara e terrível noite espiritual. Eles se tornaram ao mesmo tempo réus e vítimas da propagação do politeísmo, da idolatria e da superstição: idéias e práticas influenciadas por Satanás.
     Porém, um reduzido número de pessoas continuou guardando o conhecimento do Deus supremo. E antes mesmo de os primeiros povoadores da Terra aprenderem a fazer uso desse poderoso instrumento de registro das ações humanas que é a escrita, já os objetos de pedra, de bronze e de ferro, as paredes lisas do interior das cavernas e a maneira como os mortos eram sepultados continuavam testemunhando a crença dos primeiros homens em um Ser Supremo. E essa crença tem hoje sua existência documentada por escrito.
     Há um livro que nos fala com toda clareza e fidelidade sobre a origem da raça humana, e nos revela que tipo de religião foi inicialmente praticada. Esse livro é a Bíblia. Seus onze primeiros capítulos contêm o que de fundamental e mais confiável podemos conhecer sobre a criação dos céus, da Terra e do ser humano. Em suas páginas nos deparamos com tradições que atravessaram milhares de anos sem corromper-se nem alterar-se, graças à providência do Espírito do Deus, que além de as ter preservado na memória humana, inspirou o homem que lhes deu forma escrita: Moisés.
     Ou aceitamos como verídico o quadro que a Bíblia nos apresenta sobre a origem do ser humano e de sua conduta religiosa inicial, ou rejeitamos a Bíblia e adotamos como correta a teoria de que o ser humano é descendente do macaco, e “cresceu e multiplicou-se” bárbaro, supersticioso, idólatra e desconhecedor do verdadeiro Deus, desde o amanhecer de sua existência. Repudiamos essa teoria, pois ela está em total desacordo com as mais recentes e autorizadas pesquisas antropológicas, e por ser algo que agride frontalmente a Palavra de Deus, precisamente os versículos 26 e 27 do primeiro capítulo do livro de Gênesis.
     À luz das conclusões a que chegaram muitos estudiosos não comprometidos com o darwinismo (o etnólogo alemão cita vários deles no seu livro A Crença do Homem Pré-histórico), a imagem do primeiro homem vem-se tornando cada vez mais humana, mais próxima da Bíblia, e mais afastada da corrente evolucionista.
    Finalizando, não poderíamos deixar de citar as oportunas palavras de um desses autorizados pesquisadores não-darwinistas, o antropólogo J. Kalin: “No lugar do homem primitivo, brutal e animalesco, conforme ele vivia na fantasia de Ernest Haeckel, Charles Darwin e outros, surge a imagem de um homem em cujo rosto desde o princípio sopra o hálito de Deus”.
Jefferson Magno Costa

2 comentários:

  1. Com relação ao surgimento das religiões longe de Deus, o que eu tenho para acrescentar é o seguinte, seguindo uma linha de raciocínio.

    Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, mas o homem transgrediu a Lei de Deus e separou-se de seu Criador, morrendo espiritualmente. Cessou-se o contato direto homem x Deus.

    Porém, ficou dentro do coração dos homens um instinto, o qual podemos chamar de instinto da Fé, que nada mais é do que a existência de uma sensação comum entre os homens:
    Existência de :

    - Uma consciência imortal;
    - Uma consciência moral que acusa o homem de suas culpas diante de "Algum Ser Superior" que possui o poder de definir o destino dos seres humanos.

    Este sentimento é uniforme em toda a humanidade, mas devido ao pecado enraizado na natureza humana, o homem separado de Deus, não pode enxergar a Deus para serví-lo, mas possui somente uma pista da existência deste Ser ao olhar a grandeza das coisas criadas. De modo que ao longo dos anos, o homem foi associando a criação com aquele Deus que sua consciência o acusa.

    Isto pode ser provado seguindo o seguinte raciocínio:

    Na totalidade dos casos, todas as deidades pagãs são regionais e sempre são identificadas com a região em que vive seus seguidores.

    Na Índia servem o deus do Rio Ganges, no Japão servem a Buda, os Egipcios antigos serviam ao deus do rio Nilo.

    A crença no Deus bíblico é tão racional quanto necessária para a resolução do problema existencial dos seres humanos, pois compartilham todos de uma mesma natureza, logo poderiam ser salvos pelo único Deus que os criou.


    Espero ter ajudado para edificação.



    deus os abençoe.

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  2. Maycon, você fala com segurança e propriedade. Percebe-se de imediato que você sabe o que está dizendo, e o diz com firmeza. Obrigado por ter agregado outros valores ao assunto de minha matéria. Comentários como o seu têm a substância e a autoridade de um segundo artigo.

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