segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

TENTAÇÃO: O QUE OS AMIGOS DE JÓ FIZERAM CONTRA ELE SEUS AMIGOS TAMBÉM PODEM FAZER CONTRA VOCÊ

Jefferson Magno Costa
      Seus amigos são seres humanos? Caso sejam, tenha muito cuidado com eles. Porque alguns dos nossos amigos também podem agir como tentadores. Não estou generalizando. Estou falando de alguns. E esses, quando tentam, têm mais poder para derrubar do que o próprio diabo. O que os amigos de Jó fizeram com ele prova isto.
      Proibido unicamente de tirar a vida de Jó, em nenhuma outra ocasião o diabo teve mais ampla liberdade para tentar um ser humano com toda a sua artimanha e fúria do que quando tentou o patriarca de Uz. Seu objetivo era levar Jó a blasfemar contra Deus.
       O demônio atacou o patriarca na área dos seus bens materiais, arrebatando-os todos de uma só vez. Tentou na área de sua família, matando todos os seus filhos na mesma ocasião. E tentou-o na área da saúde, cobrindo o corpo do patriarca de lepra, tornando-o uma verdadeira chaga viva.
       E o que fez ou disse Jó após sofrer todos esses terríveis ataques? “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jo 1.21).
       Para surpresa do diabo, Jó demonstrou que seu coração continuava cheio de amor, de humildade, de reverência e de resignação diante da vontade de Deus para com ele. Jó coroou sua atitude adorando ao Senhor com o rosto no pó (v. 20).
       A Bíblia registra o grandioso testemunho de que o demônio, mesmo desabando toda a sua fúria sobre o que Jó possuía de mais precioso, não conseguiu levá-lo a blasfemar contra Deus: “Em tudo isto Jó não pecou nem atribuiu a Deus falta alguma” (v. 22)
       Estava Jó naquele estado de indescritível dor e miséria extrema, quando chegaram três amigos para visitá-lo e consolá-lo. Segundo comentários de antigos rabinos, aqueles três homens eram príncipes, e considerados sábios ilustres em seus países.
       Os três amigos de Jó ficaram sete dias e sete noites sentados diante dele, sem dizerem palavra, em respeito ao seu imenso sofrimento. Mas depois falaram, e falaram muito.
       E o que as palavras desses amigos conseguiram produzir no ânimo de Jó? Produziram o que o diabo não tinha conseguido produzir com todas as suas tentações e fúria.
       Conseguiram levar Jó a perder a paciência, a perder a resignação, a perder o autocontrole. Tiraram Jó do sério. Tiveram mais sucesso em infernizar a vida do grande patriarca de Uz do que o príncipe dos infernos tinha conseguido com todos os seus ataques. Como tentadores, mostraram-se mais capazes que o Tentador.
        Puseram-se a argumentar contra o patriarca, acusaram-no, caluniaram-no, levaram-no a uma situação de tanta aflição e aperto, que quase Jó deixou de ser Jó; quase sua firmeza diante das adversidades e sua reverência a Deus naufragaram embaixo do tsunami de palavras provocativas, injustas e insensatas daqueles três amigos.
       Levaram Jó a dizer coisas tão indignas de sua santidade e de sua sabedoria, a fazer questionamentos tão atrevidos sobre aspectos da Providência e da Justiça divinas, que levou Deus a repreendê-lo asperamente.
        O próprio Jó reconheceu depois essa fraqueza, e declarou ter-se arrependido (Jo 42.3,6). E quase que o Senhor libera um severo castigo sobre aqueles três homens loucos. Só não o fez por ser Deus misericordioso (Jó 42.7,8).
        O versículo 8 do capítulo 42 revela como Jó e os seus amigos ficaram nessa história toda diante da justiça de Deus:
      "... e oferecei holocausto por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu vos não trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó".
      Aquilo que o diabo havia tentado com todos os seus mais eficazes meios e não conseguira (usou, inclusive, a boca da mulher de Jó como última tentativa de levar o patriarca a blasfemar contra Deus, Jó 2.9), os três amigos, sentados tranquilamente diante do patriarca, quase conseguiram.
        Jó, que saíra vencedor, glorioso, triunfante de dentro da nuvem de poeira dos ataques do diabo, quase foi transformado em um monte de pó e cinzas debaixo do ataque daqueles três amigos.
        O demônio era demônio e inimigo; os homens eram amigos, mas homens. E só o fato de serem homens foi suficiente para tentarem a Jó com mais eficácia do que o próprio demônio.
      As tentações do demônio foram para Jó triunfo, exemplo e coroa; e as "consolações" dos amigos quase foram para o patriarca derrota, mau-exemplo e caixão.
        E se isto fizeram a Jó amigos tão sábios e preocupados com a situação financeira, a família, a saúde, a alma e a salvação do amigo, o que não poderão fazer amigos néscios, que só pensam em si mesmos, no próprio sucesso, na própria riqueza, na própria felicidade, que não se importam com a alma, a honra e a salvação do amigo tanto quanto não se importam com a alma, a honra e a salvação deles mesmos?
       Que Deus nos guarde de tais amigos tanto quanto nos guarda do diabo.
Jefferson Magno Costa

2 comentários:

  1. Pastor Jefferson,
    Infelizmente em nossos círculos cristãos existem muitos “amigos” que se assemelham aos de Jó. Na verdade esse comportamento é demonstrado em nossos dias pelo julgamento cruel que tais “amigos” fazem àqueles que são afligidos pelas atrocidades da vida. (Veja que nem mesmo Jó, tampouco os seus pseudo-amigos, sabiam o que havia ocorrido entre Deus e o diabo nos dois primeiros capítulos do livro.)

    O conteúdo do livro de Jó, na verdade, rechaça toda a presunção daqueles “amigos” que nos apontam o dedo dizendo que, se estamos sendo afligidos por sofrimentos e por dificuldades, é porque cometemos algum “pecado” e não o confessamos, e que, por tal motivo, Deus não retirará o seu castigo sobre nós enquanto não demonstrarmos o nosso “arrependimento”.

    Se os defensores do movimento da boa vida e da saúde de ferro - que são os sucessores dos amigos de Jó - tivessem a liberdade de publicar a sua própria Bíblia, eu até posso imaginar que o primeiro livro que seria eliminado de seu novo “Cânon” seria o livro do patriarca Jó.

    Se por um lado entendemos a perplexidade dos amigos de Jó diante do sofrimento de um justo, por outro, sabemos que Deus trata os seus filhos não de maneira coletiva e sim pessoal; de modo que somos como se fôssemos o único ser humano existente, e que imerecidamente fomos acolhidos por sua graça sublime.

    Oseias

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  2. Excelente comentário, irmão Oséias. E parabéns pela dica que o irmão acaba de dar à "Sociedade dos Amigos Infernizadores de Jó". Eu acho que eles vão preparar e lançar essa Bíblia no mercado evangélico, e ela tem tudo para ser um sucesso, pois o nosso meio está assim de "amigos de Jó", que são aqueles antigos "amigos da onça";conhece o termo?
    Um abraço, e obrigado pelo comentário enriquecedor.

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