sábado, 1 de maio de 2010

A IMPORTÂNCIA DE USARMOS A FÉ E A RAZÃO PARA CHEGARMOS AO CONHECIMENTO DE DEUS

Biblicamente, a fé "é a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem" (Hebreus 11.1). Teologicamente, ela significa a aceitação de algo como verdade, que tem por fundamento o testemunho de Deus manifestado em um fato histórico. A fé gera a confiança. Ela não é produto de um sentimento cego. Não é algo que não tenha nada a ver com provas, ou que a estas se oponha. A fé e a razão são os dois trilhos que nos conduzem à Verdade, a Deus. Cristo deixou bem claro que a nossa fé não pode ser cega: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8.32). Portanto, nós alcançamos o conhecimento de Deus pelo caminho da fé e pelo caminho da razão ao mesmo tempo. Paulo fala em apresentarmos o nosso culto "racional" a Deus (Romanos 12.1). É o que devemos fazer.
O teólogo Anselmo costumava dizer que o modo correto de agirmos no que tange ao relacionamento da nossa inteligência com a fé "é crermos nas coisas profundas da religião cristã antes de nos pormos a discuti-las com a nossa razão". O crente deve conscientizar-se de que a fé não se opõe à razão. Crer é o primeiro passo que se deve dar no caminho em busca do entendimento. Nós cremos para poder compreender. "A fé é o degrau da compreensão, e a compreensão é o prêmio da fé", disse um grande teólogo. "Se não crerdes, não entendereis", é o que está escrito em Isaías 7.9, na tradução Septuaginta da Bíblia (do hebraico para o grego). Portanto, a fé é o caminho para o entendimento, é a condição indispensável para penetrarmos na revelação de Deus. A ausência de fé torna impossível tanto agradarmos a Deus (Hebreus 11.6), como entendermos os seus mistérios.
Além do mais, a Palavra de Deus não pode penetrar em uma criatura irracional. Para que alguém creia, é necessário que seja capaz de pensar. "Pereça a idéia de que devemos acreditar não termos necessidade de buscar uma razão para aquilo que cremos, porque, de fato, já não poderíamos crer se não tivéssemos almas racionais", observou Agostinho, esse grande estudioso das Escrituras.
Quanto à fé, ela não é fruto da simplicidade supersticiosa; não é também uma simples impressão do sentimento religioso. Ela é o ato mais elevado da razão que, reconhecendo sua natureza finita e limitada no caminho da verdade, aceita aquilo que se encontra no terreno da revelação de Deus ao homem. A fé em Jesus Cristo é, portanto, o ponto mais alto a que pode chegar a razão humana. Só nela o imenso desejo de conhecimento que há dentro do ser humano encontra a suprema elevação e a plenitude de sua busca, o espírito humano encontra o almejado descanso, e o coração, a paz.
Em uma de suas cartas, um cristão da Igreja Primitiva declarou que os filósofos platônicos tinham pressentido a invisibilidade, a imutabilidade e a incorporabilidade da natureza divina, mas haviam desprezado o caminho que conduz a ela, porque lhes pareceu uma loucura o Cristo crucificado; por isso, não puderam chegar a Deus, que "é o santuário íntimo do repouso, tendo, porém, descoberto de longe a imensa claridade que ele derrama".

DEUS: O QUE OU QUEM ELE É?
Quando estivermos falando acerca de Deus, ou quando ouvirmos alguém falar sobre ele, é bom sabermos que existem três diferentes maneiras de se imaginar qual é a posição de Deus com relação ao mundo.

DEÍSMO
Certas pessoas afirmam que Deus está no mundo e é o seu Criador, mas não exerce domínio completo sobre ele. São os chamados deístas. Eles estão divididos entre os que acham que Deus não pode intervir no mundo, pois quebraria as leis naturais (e produziria, assim, o milagre), e os que afirmam que ele não quer intervir no mundo: Deus criou tudo e em seguida abandonou a Criação à sua própria sorte, é o que dizem. Segundo essas pessoas, Deus, ou não se importa com o mundo e os seres humanos, ou suas mãos estariam amarradas pelas leis que ele próprio criou.
Porém, a vida sobre a face da Terra e no Universo não é um jogo de forças que se sucedem sem ponto de partida ou de chegada. Não é uma viagem na incerteza, sem finalidade. Não. A vida é produto da vontade divina, projetada desde a eternidade, estabelecida e dirigida por Deus, mas executada livremente. Não é o cego acaso que reina sobre o destino dos seres humanos, e sim a mão de Deus. O nosso Deus não é um ídolo surdo e insensível, que habita em regiões inacessíveis. e entregou o universo ao acaso. Jesus Cristo, no capítulo seis do Evangelho de Mateus, descreve com expressão lírica o cuidado paternal dessa Providência divina que alimenta os pássaros e veste de esplendor os lírios do campo, que se preocupa com as coisas mais pequeninas, e muito mais com os homens, criados à sua imagem e semelhança.
Os deístas se esquecem da fidelidade do Senhor em socorrer aqueles que nele confiam, conforme fala o salmista (Salmos
69.13; 121.2). "Eis que eu sou o Senhor, o Deus de todos os viventes; acaso haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?" (Jeremias 32.27).

PANTEÍSMO
Existe outra idéia errada acerca de Deus. É o panteísmo. Os panteístas dizem que tudo é Deus, todas as coisas são como pedaços dele: o sol, uma formiga, o homem, uma pedra, uma flor. "Deus é como uma imensa folha de papel, rasgada em inúmeros pedacinhos" , seria o conceito panteísta, em sua forma mais simples. Os panteístas se esquecem de que Deus criou o Universo, mas é superior a toda a Criação. "Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória" (Salmo 57.11). O evangelista João, vislumbrando na Ilha de Patmos essa superioridade do Deus Criador, escreveu: "Tu és digno, Senhor Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir, e foram criadas" (Apocalipse 4.11).

TEÍSMO
A afirmação da existência de um Deus pessoal e superior ao mundo chama-se teísmo. Os teístas afirmam não só que Deus existe, mas também que nos é possível conhecê-lo e demonstrar sua existência. Deus está em todo o universo como causa sustentadora dele, mas não é sujeito às suas forças, e sim superior. "Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, a terra e tudo o que nela há" (Deuteronômio 10.14).
Deus é Espírito, e todo aquele que o adora deve adorá-lo em espírito e em verdade (João 4.24). Tudo quanto existe, só por ele subsiste: "Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos..." (Atos 17.28). Ele a tudo conduz, e exerce domínio sobre tudo, e não está sujeito a mudanças (Tiago 1.17). Deus é a verdadeira luz: vê tudo e conhece tudo. Sonda os arcanos mais profundos dos corações, nada lhe pode escapar. O passado e o futuro, tudo lhe é presente. Ele é a luz que "...ilumina a todo o homem" (João 1.9). "Deus é o Sol do mundo espiritual; se ele se esconder aos nossos olhos, tudo para nós será trevas. Se faz brilhar a sua luz em nosso espírito, a verdade se nos mostra em todo o seu esplendor, porque ele mesmo é a verdade por excelência", declarou certa vez Charles Spurgeon em uma de suas pregações.
Graças à sua luz é que alcançamos todos os conhecimentos que podemos adquirir; é nele que os encontramos. Ele é o padrão eterno dos nossos pensamentos, dos nossos julgamentos, e das nossas ações.

ONDE DEUS ESTÁ?
Os que têm procurado sedentamente a Deus estão divididos em quatro grupos, de acordo com o que pensam acerca do lugar onde Deus está.

DEUS "NO PRINCÍPIO"
As mais antigas religiões da terra sempre consideraram Deus como o ser que deve ser procurado "para trás", ou seja, na origem de tudo, no Princípio, no ponto onde Ele começou a manifestar o seu poder sobre o mundo. Nas origens da Criação e no mistério do aparecimento do homem sobre a face da terra é onde Deus se revela, dizem essas antigas religiões.

DEUS "LÁ EM CIMA"
Outras pessoas, como o filósofo grego Plotino, passaram a pensar em Deus como aquele que está "lá em cima", na mais alta de todas as regiões do Universo. Plotino dizia que o mundo desliza sempre para baixo, para o lado oposto onde Deus está, e o homem, só através da purificação avançará de volta para Deus e unir-se-á a ele.

DEUS "LÁ FORA"
Outro grupo de pensadores tem admitido que Deus está sempre além dos nossos limites, está "lá fora". Ele é o Além sem fronteiras, fora do alcance de nossa compreensão.

DEUS "DENTRO DE NÓS"
Devido ao avanço da ciência moderna, muitos pensadores passaram a afirmar que esse progresso científico tornou impossíveis e superadas as idéias de Deus "lá em cima" ou "lá fora". Ele está é "dentro de nós", na profundeza do nosso ser, é o nosso próprio fundamento. Não podendo ir "além", ou "para baixo", ou "para cima", o homem certamente poderá ir "para dentro", ou seja: para a profundidade do seu ser, onde Deus está à sua espera.
Para o estudioso dos assuntos relativos a Deus, estas opiniões históricas sobre sua posição com relação à humanidade são úteis. Porém, segundo observou o teólogo suíço Karl Barth, talvez o maior valor dessas idéias seja mostrar que tudo quanto o homem pode dizer a respeito de Deus é confessar sua incapacidade de conhecê-lo através de seus próprios esforços. Deus é insondável. "Ele é o abismo secreto, mas também a pátria escolhida que está no início e no fim de todos os nossos caminhos. (Giuseppe Riccioti. Con Diosy Contra Dios. -Este livro reúne estudos de vários autores-. Versão e prólogo de Adolfo Munoz Alonso. Barcelona, Liv. Miracle, 1956, p. 536.)
Jesus Cristo é o mediador não só da nossa salvação, mas também de todo o nosso conhecimento de Deus. O pecado prejudicou grandemente no homem sua antiga semelhança com o Criador. Portanto, para que essa semelhança possa ser restaurada, é necessário um novo nascimento (João 3.3-6). Só Jesus Cristo é capaz de recuperar para o homem sua antiga condição perante Deus, perdida no Éden.

O HOMEM DEVE UNIR-SE A DEUS
Diante de tudo o que possamos vir a sabe sobre Deus, não devemos esquecer que por mais amplos e mais profundos que sejam os nossos conhecimentos, teremos apenas nos aproximado racionalmente do insondável abismo de luz que é Deus; nós o temos contemplado tão-somente de fora, da superfície. O mistério jaz à nossa frente, como um desafio.
Todavia, temos certeza de que tudo o que nos foi revelado sobre Ele tem servido para nos conscientizar de que a grande finalidade da vida humana é buscar a Deus, é temer o seu nome e guardar os seus mandamentos (Eclesiastes 12.3). Essa busca deve transportar nos transportar para além do conhecimento estéril, e nos conduzir à fé. O crente sincero deve buscar a face de Deus, instruindo-se a respeito do Senhor e de suas perfeições (Salmo 105.4), sabendo, porém, que nenhum mortal terá de Deus um conhecimento direto, imediato e pessoal. Só a alma glorificada nos altos céus o verá face a face. Unamos a nossa voz à do filósof e teólogo francês Blaise Pascal, e façamos também nossa esta sua belíssima súplica:
"Entra, Senhor, em nossos corações, e com o resplendor do teu santo fogo ilumina qualquer escuridão que haja em nós. Como excelente guia que és, mostra-nos o teu caminho nesse escuro labirinto, corrige as imperfeições de nossos sentidos... Mergulha-nos naquela fonte perenal de contentamento que sempre deleita e nunca farta, e a quem bebe de suas vivas e frescas águas proporciona o sabor da verdadeira bem-aventurança.
"Tira de nossos olhos, com os raios de tua luz, a névoa da nossa ignorância, a fim de que não apreciemos mais formosura mortal alguma, e saibamos que as coisas que pensamos ser não são, e aquelas que não vemos, verdadeiramente são. Recolhe e recebe nossas almas, que a ti se oferecem; abrasa-as naquela viva chama que consome toda material baixeza, de maneira que, em tudo separadas do corpo, com um perpétuo e doce enlace juntem-se e se atem com a formosura divina; e nós, de nós mesmos separados, no Amado possamos nos transformar, e, sendo levantados dessa baixa Terra, possamos ser admitidos no convívio dos anjos, e sobretudo em tua presença..." (Blaise Pascal. Pensamentos. Tradução de Sérgio Milliet. 2a edição, São Paulo, Abril Cultural, 1979, Artigo III, questão 194.)
Jefferson Magno Costa

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