segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ALMA ANSEIA PELO SEU CRIADOR

Jefferson Magno Costa
     
     Mesmo que o ser humano consiga reunir para si a maior quantidade possível de bens materiais, essas riquezas não garantirão a sua felicidade, pois ele é um ser espiritual, e seus mais profundos anseios estão voltados para o espiritual, para o eterno, para o infinito.
     Com muita sabedoria comentou certo teólogo que o grão de trigo, prisioneiro na pequena abertura cavada na terra, nutrido de água e de sol, produz a espiga para alimento da humanidade.
     Da mesma forma, o desejo de felicidade existente no coração dos seres humanos é uma força impulsionadora; ela os leva a procurar o Sol que ilumina o Universo — Deus.
     Semelhantemente, o fenômeno que determina nos oceanos a maré alta indica a existência, além das nuvens, de um satélite que arrasta as águas, elevando-as e abaixando-as — a Lua.
     Da mesma forma, a incansável maré das almas, impulsionando-as para o Infinito, fazendo-as desejar o Eterno, é a maior prova de que além desses espaços vastíssimos, um Ser Supremo as atrai para si — Deus!

     Antes de o politeísmo perverter o coração humano e arrastar grande parte da humanidade para a idolatria, para o abismo da indiferença, da descrença e da dúvida sobre a existência após a morte, a fé em um só Deus dominava os corações dos seres humanos, e os levava a suspirar por Deus.
     Esses hinos sublimes, escritos em épocas muito antigas, falam da alma imortal. Esse anseio da alma pelo seu Criador é uma das primeiras provas da existência de Deus dadas por Ele mesmo às suas criaturas. 

     Pois quem teria colocado dentro do ser humano, do homem mortal e limitado, esse desejo imenso de horizontes mais altos, mais vastos e eternos, essa dolorosa saudade do Infinito, essa fome de eternidade e de Céu, senão o próprio Deus?
     Sim, pois só nele a alma encontrará a plena satisfação dos seus anseios, pois toda felicidade exige forçosamente "eternidade, profunda, profundíssima eternidade!", segundo a expressiva frase do teólogo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855), e o homem só será eternamente feliz após encontrar-se com o seu Criador, após recebê-lo como Salvador e Deus, e após sua alma adentrar as sublimes regiões do Céu.
     A magistral frase de Agostinho em suas Confissões: "Criaste-nos para vós, e a nossa alma vive inquieta enquanto não repousa em vós" está em consonância de pensamento com Eclesiastes 3:11:
     "Tudo fez [Deus] formoso em seu tempo. Também pôs a eternidade no coração dos homens; contudo, não podem descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim".
     Percorramos a terra em todas as direções, onde quer que ela seja habitada; atravessemos as imensas planícies da Ásia; voltemos no tempo e caminhemos até os lugares onde viviam os primitivos habitantes do mundo; entremos nas humildes moradias dos primeiros descendentes de Adão; subamos até as regiões polares, ou penetremos nos escaldantes desertos da África: em qualquer lugar onde houver um ser humano respirando, por mais selvagem que ele seja, os seus olhos não deixarão de se elevar para o Céu, em reconhecimento daquele que tudo criou!
      Em qualquer lugar onde se fale uma língua humana, por mais inculta e pobre que seja, nela sempre aparecerá um nome: Deus. Ora, essa idéia da existência do Criador espalhada na consciência de todos os povos nos leva a concluir que um sentimento comum a todos os seres humanos não pode ser falso.
     Aristóteles dizia que "o que é inerente à essência, é universal: tudo quanto o homem tem instintivamente por verdadeiro, é uma verdade natural".
     E por esse motivo que o ateísmo, a negação da existência de Deus resultante de uma convicção clara e deliberada, é um fenômeno isolado, uma degeneração da consciência do homem, mas nunca a expressão geral da humanidade.

ORAÇÕES DOS POVOS PRIMITIVOS
     Citaremos, a seguir, duas das orações deixadas por alguns grupos humanos primitivos. Elas são numerosas, e provam que a fé na existência de um Ser único e superior sempre existiu em todas as regiões da Terra.
    Essas orações foram recolhidas por missionários e antropólogos, que fizeram uso de métodos científicos de pesquisa sociológica moderna, e provaram exatamente o contrário do que muitos ateus afirmavam, ou seja: provaram que a idéia da existência de Deus sempre esteve presente no coração humanidade.
     Eis a oração dos algonquino
s, um grupo muito antigo que viveu em algumas regiões da atual América do Norte:

Pai, homem de cima,
nós te agradecemos
por nos permitires
viver nesta terra.
Que nossos pensamentos e orações
possam chegar até tua morada, no céu.
Ó Senhor, que reinas
acima das montanhas,
das árvores e das águas,
nós te agradecemos
por todas as coisas que nos deste:
os frutos,
a caça,
o peixe,
a gordura do urso.
Foste bom para nós,
estamos contentes contigo.
Nós te agradecemos por sermos numerosos
e podermos nos reunir
para te invocar.

     Eis a oração deixada pelo antiquíssimo povo kasti-mumito, os primeiros habitantes da Polinésia (grupo de ilhas do oceano Pacífico):

Ó Grande Espírito,
que te achas no azul central,
que moras acima das estrelas
que nunca morres,
que tens tua casa no sol,
nós te invocamos;
dá-nos a vida,
nós te invocamos;
dá-nos a água de que necessitamos.

     Diante destas e de outras antigas orações, ainda haverá dúvida de que os povos primitivos tinham dentro de si a idéia da existência do Criador e Pai, superior a todos os deuses?
     Apesar de não terem recebido a revelação da existência e natureza de Deus como os judeus grandiosamente receberam, os antigos povos não ficaram totalmente privados dos testemunhos da existência daquele que tudo criou, cujo poder e glória estão manifestos visivelmente nas obras da criação, no coração e na consciência dos seres humanos.
     Fica, portanto, demonstrado existir desde os mais remotos tempos no coração dos povos, uma certeza espontânea da existência de Deus, uma fé natural, que, apesar de não ser capaz de justificar-se cientificamente ou segundo a revelação que nos foi dada através das Sagradas Escrituras, descansa com segurança em motivos sólidos e simples, colocados pelo próprio Deus no coração de todos os seres humanos.

Jefferson Magno Costa

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