quinta-feira, 17 de novembro de 2011

AS MARCAS DA PERFEIÇÃO DE DEUS ESPALHADAS NO UNIVERSO

Jefferson Magno Costa

     Certa vez um homem que se dizia ateu, durante uma viagem ao Oriente, viu pela manhã o árabe que conduzia a caravana ocupado em suas orações. Intencionando embaraçar o árabe, o ateu aproximou-se e perguntou-lhe em tom de zombaria:
     — Como sabes tu que Deus existe?
     O condutor de caravanas respondeu, sem alterar o tom da voz:
     — Quando observo a areia do deserto, posso facilmente saber pelas pegadas se passou um homem ou um animal. Igualmente, quando observo o mundo, a natureza ao meu redor e o Céu, posso afirmar que por eles passou a mão de Deus.
     Sim. Os Céus, a Terra e a vida que há em nós proclamam a glória e a existência de Deus. Contemplando a vastidão dos mares, a imensidão dos céus e a admirável harmonia reinante no Universo, o homem sabe que não é o criador de tanta grandeza, e conscientiza-se de sua pequenez e da insignificância de suas forças.
     Se estiver entre as pessoas que vivem na incerteza da existência do Criador de tantas maravilhas, exclamará, repetindo as palavras do filósofo francês Blaise Pascal: "O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora!"
     Porém, se estiver entre aqueles que nasceram de novo, não segundo a carne e o sangue, mas da água e do Espírito (João 3.5), reconhecerá a existência do Criador, e exclamará como o autor da Carta aos Hebreus:
     "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de maneira que o visível não foi feito do que se vê" (Hebreus 11.3).
    O justo há de contemplar as belezas da Criação como mostras da formosura de seu Criador, como espelhos de sua glória, como mensageiros que nos trazem notícias dele, como reflexos de suas perfeições, como presentes que o Esposo envia à sua Esposa — a Igreja — para enamorá-la, até o dia em que a tomará pela mão para com ela celebrar aquele eterno casamento no Céu.
     O mundo todo parece-lhe um livro que fala sempre de Deus, uma carta que seu amado lhe envia, um longo documento e testemunho de seu amor. Nenhum cristão, nenhuma pessoa que já tenha sido resgatada do pecado poderá ficar indiferente à grandiosa voz da Natureza, que proclama a existência e a glória de Deus.
     "Ó formosura tão antiga e tão nova — exclamou Agostinho, esse grande cristão do passado, ao contemplar o rastro de Deus impresso na Criação — quão tarde te conheci, e quão tarde te amei! Porventura és tu, Senhor, aquele de quem diz o salmista que és formoso entre os filhos dos homens?...
     "Se nesse desterro não vejo a formosura de tua divina majestade, assim como és formoso no Céu, ao menos pelos efeitos chego ao conhecimento da causa, e pela formosura dos Céus, planetas, árvores, flores e variedade das mui vivas cores das coisas que tuas divinas mãos criaram, entendo, meu Deus e Senhor, ser abismo infinito de formosura a formosura de onde essas formosuras tiveram sua origem." . (Aurélio Agostinho. Confissões. Tradução de Ambrósio de Pina. 2- edição, São Paulo, Abril Cultural, 1980, Livro X, capítulo 27, parágrafo 38.)


VOLTAIRE, O ATEU, RECONHECE: DEUS EXISTE!
     Portanto, a existência do Deus invisível é demonstrável pelos seus efeitos, pelas suas obras. O próprio escritor francês Voltaire (1694-1786), apesar de ter passado para a história como ateu e perseguidor do evangelho, escreveu certa vez em uma de suas cartas ao imperador da Prússia, Frederico II (1712-1786):
     "A razão me diz que Deus existe, mas também me diz que nunca poderemos saber quem é."
     Ora, Voltaire era um homem que não levava em consideração o tesouro de revelação e conhecimento que a fé pode abrir para nós; após rejeitá-la, ele procurou viver à luz da razão, acreditando tão-somente naquilo a que sua capacidade intelectual o conduzia.
     Mas, apesar de sua incredulidade, Voltaire, através do raciocínio, chegou à seguinte conclusão, registrada no capítulo 2 de seu Tratado de Metafísica: 'Vejo-me forçado a confessar que há um Ser que existe necessariamente por si mesmo desde toda a eternidade, e que é origem de todos os demais seres."
     No mesmo livro, algumas páginas adiante, o famoso "ateu" declarou: "Todas as coisas da Natureza, desde a estrela mais distante até um fino talo de grama, devem estar submetidos a uma Força que os movimenta e lhes dá vida." (Voltaire. Tratado de Metafísica. Tradução de Marilena de Souza Chauí, 29 edição, São Paulo, Abril Cultural, 1978, p. 64.)
     Ora, que força é essa senão Deus? Eis aí um homem considerado por todos um terrível ateu, curvando sua cabeça em reconhecimento da existência do Criador, após maravilhar-se diante de tantas e tão sublimes provas da existência de Deus, perfeitamente visíveis na Criação!


NATUREZA: MISTÉRIO DE DEUS
      Portanto, Deus tem-se revelado tanto na Natureza como na consciência de todos os povos (a chamada consciência coletiva), e também na consciência de cada ser humano (consciência individual). Ele infundiu em nossa alma a luz interior (essa voz interior que dá, dentro de nós, testemunho de sua existência), e em seguida ofereceu aos nossos olhos os sinais exteriores de sua existência, sabedoria e glória: as obras de suas mãos.
     Tudo quanto vemos nas criaturas de beleza, verdade, bondade e perfeição existe em Deus em um grau muito mais alto, puro e completo, pois tudo quanto se manifesta no efeito, deve existir necessariamente, e nos mais alto grau, na causa produtora: Deus.
     Enquanto a formosura das criaturas é particular e limitada, a formosura de Deus é universal e infinita, porque nele está contida toda a formosura de tudo o que ele criou... Por mais belo que o imaginemos, Deus é mais belo ainda. Todas as perfeições se encontram nele. Sua força é infinita, sua beleza inigualável, sua existência é desde toda a eternidade e jamais terá fim. Ele é invisível a toda criatura mortal, mas visível através de suas obras.
     "Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória", disse o salmista Davi (Salmo 108.5. ARA), e o profeta Isaías, erguendo sua voz na mesma tonalidade de adoração, disse: "Ó Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, que habitas entre os querubins, só tu és o Deus de todos os reinos da terra. Tu fizeste os céus e a terra" (Isaías 37.16).


É IMPOSSÍVEL DEFINI-LO OU DESCREVÊ-LO
     Portanto, é absolutamente impossível apresentarmos uma completa e essencial definição de Deus, pois ele, sendo perfeito e infinito, jamais poderia ser colocado dentro dos limites de uma definição. Definir não passa de uma tentativa de limitar aquilo que definimos, separando-o e distinguindo-o das demais coisas.
     Diante disto, Deus fica sempre infinitamente além de qualquer palavra ou conjunto de palavras empregadas com o intuito de defini-lo.
     Pertence a um inspiradíssimo cristão do XV século a afirmação de que "as perfeições de Deus são tão grandes e tão admiráveis que, se o mundo estivesse cheio de papel que pudesse ser usado na preparação de livros; se todas as pessoas existentes fossem escritores, e se toda a água dos mares se transformasse em tinta, tornar-se-iam repletos de palavras todos os livros, se cansariam todos os escritores e se esgotariam toda a água dos mares, e ainda assim não teria sido explicada uma só de suas perfeições." (Luís de Granada. Introdución del Símbolo de la Fé. 2a. edição. Argentina, Espasa-Calpe, 1947, p. 263)
     "Assim como o mar é grande — declarou certa vez um admirador dos mistérios de Deus —, não só porque todas as águas dos rios entram nele, senão também por suas próprias águas, que são incomparavelmente muito mais abundantes, assim dizemos que vós, Senhor, sois mar de infinita formosura, porque não só tendes em vós as perfeições e formosuras de todas as coisas, mas também outras infinitas, que são próprias de vossa grandeza...
     "Só o fato de ver e gozar de tua formosura basta para fazer bem-aventurados aqueles seres que moram junto a ti no Céu." (Citado por Martin Ortuza Arriaga, in Los Prenotandos del Conocimiento Natural de Dios. Madri. Edição da "Revista Estúdios", 1963, p. 117.)
     "Eu fiz a terra, e criei nela o homem. As minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos, dei as minhas ordens", disse o Senhor através do profeta Isaías (45.12).


O ASTRÔNOMO E SEU AMIGO
     Conta-se que o grande astrônomo Kirchner no seu tempo de estudante tinha um amigo que dizia não acreditar na existência de Deus. Porém, Kirchner sabia o quanto o seu amigo costumava apelar para a lógica dos fatos. Ambos moravam juntos. Aproveitando-se certa vez da prolongada ausência do companheiro de estudos, Kirchner fabricou um globo representando a Terra e o colocou em cima da mesa. Ao retornar, o amigo do astrônomo perguntou:
     — Quem fez este globo?
    — Ninguém — respondeu Kirchner. — Havia pedaços de madeira, esquadros, papel, uma esfera, cola e pregos sobre a mesa. Eu estava distraído, procurando um livro na estante, quando de repente vi que no lugar onde estava aquele material apareceu este globo.
     — Ah! ah! ah! ah! — gargalhou o rapaz que se dizia ateu. — Deixe de brincadeira e diga logo quem foi que fabricou isto, ou você acha que eu vou acreditar que o globo criou a si mesmo?
     — Pois é, você está rindo da explicação que eu estou lhe dando, mas eu lhe digo que é mil vezes mais fácil aceitar que esse pequeno globo tenha se criado por vontade própria, do que acreditar que a Terra e todo o Universo criaram-se a si mesmos e são obra do acaso. Vamos, por que você não ri também disto? (Jesus Garcia Lopes, Nuestra Sabedoria Racional de Dios. Tall Graf, Madrid, 1950, p. 129.)


APAGUEM AS ESTRELAS!
     E impossível não reconhecer as marcas de Deus impressas em tudo aquilo que Ele criou. E é impossível também apagar essas marcas.
Isto ficou provado durante um interessante episódio ocorrido em 1789, em plena Revolução Francesa.
     Esse acontecimento histórico de repercussão mundial tinha sido intelectualmente preparado por políticos e filósofos inimigos do cristianismo. Durante a revolução, pilhas de Bíblias foram queimadas, igrejas fechadas e muitos cristãos lançados em úmidos cárceres, na tentativa de que a certeza da existência de Deus fosse apagada da mente e do coração do povo.
     Em uma aldeia francesa, um dos responsáveis pela perseguição religiosa disse a um camponês que a igreja da aldeia e tudo o que fizesse lembrar Deus seriam destruídos.
     - Assim — disse o perseguidor — conseguiremos apagar os meios que levam o povo a crer na existência de Deus.
     - Então o senhor terá que mandar apagar também as estrelas — respondeu o camponês.


O SOL É UM DOS SEUS EMBAIXADORES
     — Onde esta o seu Deus? Você pode mostrá-lo? — perguntou a vez o terrível imperador romano Trajano, ao rabino Josué.
    — Meu Deus não pode ser visto, Majestade — respondeu-lhe o rabino. — Nenhum olho humano suportaria o fulgor de sua glória. Posso, porém, mostrar à Vossa Majestade um de seus embaixadores.
    — Onde? Onde posso vê-lo?
— Aí fora, em vossos jardins, Majestade.
O imperador dirigiu-se para fora do seu palácio seguido pelo rabino. O sol brilhava esplendorosamente no céu, na força total do meio-dia.
     — Levantai os vossos olhos para o céu e vede, Majestade. Eis aí um dos embaixadores do meu Deus.
    — Ora, você está brincando... não posso fitá-lo. Sua luz me deixaria cego!
    — Senhor, não podeis olhar face a face uma das criações de Deus, e pretendeis ver o próprio Criador? (Luiz Waldvogel. Vencedor em Todas as Batalhas, 2a edição, São Paulo, CPB, s/d., pp. 13, 14.)


CÍCERO E O HOMEM DA CAVERNA
     O testemunho da Criação é por demais eloquente, claro e visível a todos; homem algum poderá ficar indiferente a esta voz, a este grandioso espetáculo produzido pelas mãos do Criador.
     Por mais destituído de cultura ou por mais materialista que seja o ambiente onde o ser humano vive, as provas da existência de Deus, essas vozes que proclamam a majestade e a glória do Criador, estarão sempre ressoando dentro do seu espírito, lá no interior de sua consciência, e fora dela, em seus ouvidos e diante dos seus olhos.
      O célebre orador romano Marco Túlio Cícero (106-43 a.C), para demonstrar ser quase impossível admitir que haja pessoas descrentes na existência de Deus, fez uso da seguinte ilustração:
      "Suponhamos haja um homem que sempre tenha vivido afastado da convivência social, preso em um lugar subterrâneo, de modo que nunca tenha podido ver nada; suponhamos que um dia esse homem saia de sua morada subterrânea, olhe a paisagem que se estende ao seu redor, e veja o céu pontilhado de estrelas que brilham maravilhosamente, numa noite tranquila de verão, enquanto a Lua difunde a sua luz suave.
     "Suponhamos que alguém explique a esse homem que o número de astros contemplados pelos seus olhos nada representa diante do infinito número que seus olhos não conseguem contemplar. Horas depois, o sol ergue-se no horizonte, inundando de luz o firmamento...
      "Pois bem, dizei-me: diante do espetáculo do Céu estrelado e da harmonia que reina entre os astros; ao contemplar o esplendor da luz e do Sol, e as maravilhas da natureza, que pensamento nasceria na mente desse homem? Que pergunta brotaria dos seus lábios?
      "Tomado de espanto, esse homem não faria senão exclamar: 'Ó maravilha, ó grandeza! Quem criou este Céu? Quem lhe pôs estes astros, e harmonizou os seus movimentos? Quem criou este Sol e o pôs lá em cima? E restaria a nós responder-lhe tão-somente: 'Quem fez tudo isto não foi certamente um homem; não foram muito menos todos os homens juntos, mas sim Deus! Só Deus poderia criar essas maravilhas de poder e sabedoria." (Marco Túlio Cícero. A Natureza dos Deuses, segundo citação de Alfredo Maria Mazzei, no seu livro Existe Deus? Rio de Janeiro. Editora A Noite, 1948, pp. 179, 180)


NECESSIDADE DE UMA COMPLETA REVELAÇÃO DE DEUS
      Diante do exposto, é necessário, porém, que isto fique bem claro: A crença coletiva demonstrada por todos os povos quanto à existência de um Deus soberano, e o testemunho de sua existência proclamado em suas obras não se constituem numa completa revelação de Deus ao homem.
     Apesar de ver as "pegadas do Criador" impressas na Criação, não são essas maravilhas da natureza que conduzem o ser humano aos pés do verdadeiro Deus; não são elas que o levam a aceitar e a se incluir no plano traçado pelo Criador para salvar suas criaturas. Por isso, além de ter-se revelado na voz da natureza e na consciência do homem, Deus se revelou também na Bíblia, através dos profetas, e sobretudo no seu Filho, Jesus Cristo.
     O caminho para Deus não está, portanto, nas estrelas (apesar de elas proclamarem, em todo o Universo, sua existência), e sim no interior do homem, na fé que nasce dentro dele e se projeta na pessoa de Jesus Cristo — autor e consumador dessa fé. O universo fala a todos da existência de Deus, mas quem reconduz o homem ao seu Criador é Jesus Cristo, a mais completa e perfeita revelação de Deus à humanidade.
Jefferson Magno Costa

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