quinta-feira, 24 de março de 2011

A CONSCIÊNCIA HUMANA É O SELO DE FABRICAÇÃO QUE DEUS COLOCOU EM NOSSA ALMA COMO PROVA DE QUE FOMOS CRIADOS POR ELE

Jefferson Magno Costa
     Nossa consciência é, na verdade, a inscrição que Deus gravou em nossa alma com letras lapidares, inapagáveis, infalsificáveis. Todo ser humano traz dentro de si essa voz interior.
     Todos os seres humanos, mesmo aqueles de consciência cauterizada, ou que tenham tido uma educação má, ou sejam produto de um meio social corrompido, conhecem o que é certo e o que é errado, e sabem muito bem que ambos não são a mesma coisa.
     É a consciência que os acusa diante da prática do mal (mesmo que muitos não deem ouvidos a essa acusação) e os aprova pela prática do bem.
     Essa diferença entre o bem e o mal é independente da vontade e dos caprichos humanos. O bem, uma vez reconhecido pelo homem como dever, exige cumprimento incondicional — ao mesmo tempo que proíbe absolutamente a prática do mal, por mais belo e sedutor que este se apresente.
     A consciência nos diz, portanto, que temos obrigação de praticar o bem e de evitar o mal. Ora, se não existe, conforme afirmam os ateus, um Ser Supremo, infinitamente bom e santo, que aprova o bem e reprova o mal, de onde vem essa voz, ou quem a colocou dentro dos seres humanos?
     O senso do dever moral presente em nossa consciência é uma das formas como Deus se manifesta a cada pessoa. O sentimento de obrigação que leva os seres humanos a fazerem aquilo que eles julgam certo é, na verdade, a pressão indireta (em suas consciências) do Criador sobre suas criaturas, impulsionando-as para o bem.
     Aliás, todos aqueles que conhecem a Deus são esforçados na prática do que é correto, do que é bom.
     Jeremias, profetizando contra Jeoaquim, rei de Judá, fala a respeito dos homens de consciência cauterizada, e apresenta um exemplo de alguém que conhecia a Deus — o pai do rei Jeoaquim:
     Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem paga, e não lhe dá o salário do seu trabalho. Ele diz: Edificarei para mim uma casa espaçosa, e largos aposentos. De modo que lhe abre janelas, forra-a de cedros e a pinta de vermelho. Reinarás tu, só porque procuras exceder no uso do cedro? Acaso o teu pai não comeu e bebeu, e não exercitou o juízo e a justiça? Por isso lhe sucedeu bem. Julgou a causa do aflito e do necessitado, e por isso lhe sucedeu bem. Não é isto conhecer-me? diz o Senhor (Jeremias 22.13-16).

QUEM NOS IMPULSIONA PARA O BEM?
    Segundo o que o próprio Deus, nosso Criador, declarou em Gênesis 8.21: ... é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade (ARA), a natureza humana está inclinada para a prática do que é desagradável ao Senhor.
     Diante disto, somos levados a concluir que aquilo que impulsiona uma pessoa a praticar algo contrário à sua própria natureza, ou seja, o bem, deve obrigatoriamente proceder de alguém que lhe é superior.
     Se fosse o homem o autor dessa lei, dessa força, ele poderia entregar-se à prática de tudo quanto é ruim, e depois ir dormir tranquilamente. Mas não o pode. Quando o homem deixa de obedecer a essa lei, ouve dentro de si uma voz insistente que o reprova, acusando-o de ter praticado o mal. Essa voz, que ressoa em sua consciência é mais uma das provas da existência de Deus.
     O célebre poeta alemão Johan Wolgang Goethe (1749-1832) escreveu em um de seus poemas:

Baixinho nos segreda Deus no peito,
Baixo sim, mas bem claro nos indica
O que evitar, o que fazer devemos.

     Esse mesmo Goethe perguntou em um trecho de um de seus livros, quando falava sobre a existência de Deus:
     "Não sentes no coração a ação de uma força desconhecida que paira à tua volta, visível num mistério invisível? Enche com ela a tua alma, e quando tiveres achado a felicidade neste sentimento, chama-lhe o que quiseres; chama-lhe alegria, paz, amor: eu chamo-lhe Deus!" (J. Pantaleão Santos, in Deus: As Mais Belas Afirmações em Prosa e Verso. Petrópolis, Vozes, 1963, p. 72.).
         A voz da consciência, a chamada lei moral, existe dentro de cada ser humano, recriminando-o pela prática de más obras e proclamando a existência de Deus.
     O orador romano Cícero chamou a atenção de todos para o fato de não existir uma lei natural em Roma, outra em Atenas, outra agora, outra depois, mas uma eterna e imutável lei, que se estende a todos os povos e em todos os tempos. E também de Cícero a seguinte observação:
    "Os verdadeiros sábios estão sempre convencidos de que a lei moral não é uma invenção humana, mas eterna, e é a regra do Universo... Todo o fundamento da lei moral se acha em Deus, que ordena e que proíbe." (Marco Túlio Cícero, no livro De Legibus, II, 4, apud Francesco Gaetani. Op. Cit. p. 143.)
         Muitos filósofos e teólogos têm falado dessa voz existente na consciência do ser humano, onde Deus manifesta a sua vontade; têm falado desse ponto em que Deus toca a alma para suspendê-la até ao conhecimento dele. O inspiradíssimo Agostinho, expressando-se à semelhança de um simples pecador destituído da graça de Deus, colocou em seus próprios lábios as palavras que esse pecador, distante dos caminhos eternos, pronunciaria:
     "Há dentro de mim mesmo uma profundidade que não conheço e que tu conheces, Senhor, profundidade que não é mais que trevas, até converter-se em luz, sob o resplendor da tua face!" (Aurélio Agostinho, citado por August Gratry, in De la Connaissance de Dieu. Huitiéme edition. Tome Premier, p. 32, Téqui, Libraire-Editeur, Paris, 1903, p. 238.)
Jefferson Magno Costa

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