quarta-feira, 16 de março de 2011

“O PATRÃO NÃO QUER MAIS VOCÊ NO ESPIRITISMO”

Jefferson Magno Costa

(Matéria jornalística escrita em 1986 para a revista Jovem Cristão, da CPAD)
      Nascido em Itajaí, SC, no dia 25 de Janeiro de 1959, em um lar católico, Carlos Augusto Paulo foi criado como uma criança normal, jogando bola, estudando, tirando boas notas, frequentando a Igreja Católica Romana e até ajudando na celebração de missas.
     Certo dia, quando tinha 11 anos de idade, Carlos estava brincando com dois colegas da sua idade. Eram quatro horas da tarde. Sua mãe havia saído para fazer compras. Após brincarem bastante, os meninos se cansaram e resolveram assentar-se no quintal da casa de um deles. De lá dava para ver os fundos da casa de Carlos, e até mesmo parte do interior da cozinha, através de uma janela de vidro.

Estranha aparição
     Foi nesse momento que Carlos teve a primeira experiência com os espíritos das trevas. Olhando de onde estava para o interior de sua casa, Carlos viu três pessoas ao redor da mesa da cozinha: duas mulheres e um homem. Uma das mulheres era morena, estava sentada, tendo do seu lado uma mulher loura, e do lado esquerdo um homem todo vestido de preto. Ambos estavam de pé.
     Aterrorizado com o que via, Carlos tentou mostrar aos amigos aqueles estranhos visitantes que haviam entrado ali misteriosamente, pois todas as portas e janelas estavam fechadas. Porém, apesar de olharem muitas vezes, os meninos não viam nada. Muito nervoso, sacudindo-os pelos braços, Carlos dizia: “Não é possível! Será que só eu estou vendo e vocês não?”
     Depois disso, uma daquelas mulheres passou a lhe aparecer com bastante frequência. Anos depois, quando Carlos começou a frequentar o Espiritismo, manteve contato com esses demônios, e eles se identificaram pelos seus respectivos nomes.
     Certa vez, já com 18 anos de idade, Carlos estava sozinho em casa e sentiu vontade de ir para o seu quarto descansar. Deitou-se de bruços, e instantes depois sentiu alguém lhe dar um violento tapa nas costas. Virou-se assustado, mas não havia ninguém no quarto. Então Carlos levantou-se e desafiou quem lhe havia batido, dizendo que se ele fosse homem de verdade, que aparecesse em carne e osso e o enfrentasse, pois ele não admitia receber um tapa na covardia.
     Tempos depois, durante uma sessão espírita, baixou um “espírito” (um demônio) e se identificou como aquele que havia batido nas costas de Carlos, e o advertiu: “Olha, não confie nas artes marciais, pois com artes marciais e tudo, caso você me desafie novamente, eu lhe dou uma tremenda surra, e o pior é que você nem vai ter como se defender, porque eu sou espírito e você é matéria”.

Aprofundando-se no espiritismo
     Perturbado com as aparições de espíritos ao seu redor, Carlos procurou a ajuda de uma pessoa espírita que frequentava o grupo Ramatis. Essa pessoa aconselhou-o a frequentar sessões espíritas. Seguindo esse conselho, Carlos aprofundou-se nas práticas mediúnicas. A primeira sessão de que participou foi na casa da pessoa que lhe havia dado aquele conselho.
     Na ocasião, uma das mulheres participantes ficou possessa de um espírito violento. Esse espírito fez várias ameaças a Carlos. Depois baixou um outro e passou a tranquilizá-lo, dizendo que ia protegê-lo, pois era o seu “pai de cabeça”, e toda vez que Carlos se encontrasse em dificuldades, deveria bater no peito três vezes e invocar o nome dessa entidade, e ela se faria presente e o livraria.
     “À medida que se mergulha no espiritismo, a sede de se encontrar algo sólido, que proporcione segurança e paz e afaste as ansiedades aumenta, mas a gente nunca encontra isso no espiritismo”, confessa Carlos.
     Como resposta às suas indagações, os espíritas diziam que ele tinha que desenvolver, “fazer cabeça”, e que havia uma força muito grande nele. Carlos acreditava em tudo isso, mas não quis se submeter ao ritual da feitura de cabeça. Sua mãe participava das sessões, mas não era médium. Seu irmão às vezes participava, conforme a oportunidade.

À procura de Deus
     Segundo Carlos, o motivo que o levou às práticas espíritas foi o imenso desejo de ter um encontro com Deus. “Eu comecei a me envolver com o espiritismo crendo que ele era alguma coisa vinda de Deus. E milhões de pessoas pensam como eu pensava. Nas reuniões espíritas, os demônios (que se diziam ‘espíritos’) afirmavam vir da parte de Deus, trazendo recados ‘do céu’, dizendo da satisfação ou insatisfação divina sobre determinadas atitudes nossas. Eu tinha certeza plena e absoluta de que Deus estava naquilo. Nós, inclusive, orávamos antes de abrir as sessões espíritas, e fazíamos jejum.”

É possível fazer tanto o bem como o mal?
     Certa vez uma dessas “entidades” manifestadas revelou que metade dela era de luz e metade de trevas. Quando estava de bom humor, fazia trabalhos para o bem, mas se alguém a zangasse, ela “virava”, isto é: transformava-se em um exu (demônio) e praticava o mal. Ouvindo essa confissão, o jovem Carlos ficou desconfiado sobre a verdadeira natureza desses “espíritos” que atuam no espiritismo.
     Carlos confessa que “para o indivíduo que tem contato direto com o maligno, e é doutrinado constantemente por ela, é humanamente impossível chegar à conclusão de que as práticas espíritas não procedem de Deus, pois o demônio fecha todas as entradas da mente e do coração da pessoa.”

Plantando a Semente...
     Certa vez Carlos recebeu em sua casa a visita de um evangelista. Criado no Evangelho, e tendo vivido experiências gloriosas com Deus, esse evangelista procurou-o para falar-lhe da salvação proporcionada por Jesus Cristo. Após ouvi-lo, Carlos respondeu: “Olha, mas esse Jesus a que você serve na igreja é o mesmo a que eu sirvo na Umbanda.” O evangelista, usando de sabedoria, ouviu pacientemente o rapaz.
     Quando Carlos, após muito falar, achou que havia dito tudo, ficou surpreso diante deste convite: “Vamos cantar um hino?” Aceitou, e ambos começaram a cantar hinos da Harpa Cristã. O evangelista foi embora, mas durante 30 dias, Carlos viveu sob o efeito daqueles hinos em sua alma: “Alguma coisa de extraordinário começou a ocorrer na minha vida. Era algo que eu não conseguia decifrar. Nessa época ganhei um Novo Testamento e comecei a lê-lo pela primeira vez. Comecei também a orar.”

Desmascarando os “espíritos”
     Apesar dessas experiências iniciais no caminho de Deus, Carlos ainda não havia dado um importante passo na sua vida – aceitar Jesus como seu Salvador - e continuava a ter contatos diários com os espíritos, pois ainda acreditava que eles eram provenientes de Deus.
     Sua casa funcionava como um centro espírita. Quando em um determinado dia, resolvia não realizar sessão, os demônios baixavam sem serem chamados. Apesar de estar envolvido em tudo aquilo. Carlos passou a sentir que faltava alguma coisa de muito essencial na sua vida.
     “Certa vez (conta ele) eu fui abrir a sessão espírita. Diante das pessoas reunidas eu disse: hoje vamos abrir a sessão cantando não um ponto de terreiro, e sim um hino evangélico. E começamos a cantar ‘Fala Deus, fala Deus, toca-me com brasas do altar’ (é o hino 127 da Harpa Cristã: O Senhor da ceifa chama). Sabe o que aconteceu? Nada! Os demônios (que eu, enganadamente, pensava serem espíritos de pessoas falecidas, ou orixás, simplesmente não baixaram.
     “Antigamente nossas reuniões eram realizadas de segunda a segunda, mas quando eu comecei a ler a Palavra de Deus, elas caíram para quatro dias por semana, três, dois, até chegar a ser realizada uma só vez por semana. Eu passei a desconfiar que havia alguma coisa errada em tudo aquilo, e pensei: Ora, eu canto hinos evangélicos, e os espíritos não baixam, eu leio a Bíblia e as reuniões escasseiam. Então estou movimentando forças contrárias.”

“O patrão não quer mais você no espiritismo”
     No decorrer de suas pesquisas, Carlos perguntou a uma pessoa espírita como eram os templos evangélicos por dentro, e como as pessoas procediam lá. Até então, ele nunca havia se interessado por este assunto. Carlos ficou confuso ao ouvir que dentro dos templos evangélicos não havia imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora ou outro santo.
     “Certa vez, nós estávamos resolvidos a não realizar sessão aquela noite. Mas subitamente o demônio pegou uma das mulheres presentes e falou para mim: ‘Homem, nós temos uma coisa pra lhe falar.’ O que é? Respondi. O espírito maligno continuou: ‘Nos vamos sair da sua vida, vamos sair de uma vez por todas. ‘Por quê?’ Perguntei. Eles responderam: ‘Porque você vai ter uma experiência direta com o Espírito Santo de Deus, e por cima dele ninguém passa, nenhum de nós. O que você tinha de passar conosco, já passou. Até aqui o patrão deixou, mas daqui para frente o patrão não quer mais que você fique conosco. O patrão não quer mais você no espiritismo’”

Quando a luz raiou...
     Tempos depois, Carlos foi a uma igreja evangélica, e lá, após ouvir a pregação do pastor, do lugar onde estava orou a Deus: “Deus, eu vou à frente entregar minha vida a Jesus Cristo. Mas eu não quero cair endemoninhado, pois sei que tenho demônios, e se eu cair aqui, a vergonha não me deixará mais voltar a este lugar. O pastor orou por mim, impôs as mãos, e eu o ouvi pronunciar, em meio às palavras normais, algumas palavras em língua estranha. Senti que naquele momento Jesus entrava poderosamente na minha vida. Parece que aquelas palavras em mistério testificaram algo de maravilhoso ao meu espírito, e a partir de então minha vida mudou completamente”.
       Liberto por Jesus Cristo e batizado com o Espírito Santo, hoje o jovem Carlos é evangelista, e este é o seu recado aos espíritas: “Não existe uma segunda chance de vida, representada pela reencarnação. Essa doutrina é muito cômoda e do agrado do diabo, porque enquanto as pessoas vivem presas à esperança reencarnacionista, o tempo vai passando e a oportunidade de aceitar o único que pode salvar o ser humano dos seus pecados e da condenação eterna – Jesus Cristo – esvai-se com a morte. Os espíritas devem considerar que ‘há um Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem’ (1º Tm 2.5), e ‘aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo’, Hb 9.27.
Jefferson Magno Costa

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