segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

JESUS: SE ENTRE O SEU JULGAMENTO E A SUA CRUCIFICAÇÃO, A BUROCRACIA JUDAICA E ROMANA TIVESSEM USADO PAPEL E TINTA PARA REGISTRAR TODAS AS AÇÕES DE SUA ESTRUTURA INEFICIENTE, MOROSA E INOPERANTE, TALVEZ ATÉ HOJE A HUMANIDADE AINDA ESTIVESSE AGUARDANDO PARA SER REDIMIDA


Jefferson Magno Costa
     Jesus foi preso à meia-noite, e crucificado ao meio-dia. E o que aconteceu nessas 12 horas?
     O Senhor foi conduzido a quatro tribunais muito distantes uns dos outros. A um deles foi conduzido duas vezes (o de Pilatos: Lc 23.1; 11).
     Jesus foi levado primeiramente à casa do sumo sacerdote, para ser julgado pelo tribunal judaico, que era composto pelos membros do Sinédrio (Mt 26.57).
     Naquele momento, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos formaram o primeiro concílio para achar motivos que incriminassem Jesus. 
     Esse concílio teve como líder o sumo sacerdote Anás, que foi quem primeiro interrogou Jesus naquela madrugada (Jo 18.2,19).
     Em seguida, Anás levou Jesus, de mãos amarradas, à presença do seu genro, o sumo sacerdote Caifás (João 18.23). Muitas testemunhas falsas foram ouvidas, mas suas mentiras contra Jesus eram tão absurdas e contraditórias, que foram desprezadas (Mc 14.56).
     Finalmente duas testemunhas falaram algo que foi considerado consistente o suficiente para ser usado como prova e transformado em acusação formal contra Jesus (Mt 26.60,61). Porém, Caifás queria algo mais forte, e astutamente provocou Jesus para arrancar dele alguma declaração que pudesse ser usada como uma segunda acusação, a de blasfêmia, pois só assim podia tornar Jesus réu de morte (Mt 26.63-66).
     Após conseguir o que queria, Caifás permitiu que a corja que o acompanhava cuspisse no rosto do Senhor, e lhe desse socos e tapas (Mt 26.67). Cobriram o seu rosto, esbofetearam-no e pediram que Jesus profetizasse dizendo quem lhe batera (Mc 14.65; Mt 26.68).
    Isto durou a noite toda. Quando amanheceu, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo juntaram-se outra vez em concílio para planejarem uma maneira de incriminar Jesus também no tribunal da autoridade romana que representava o César em Jerusalém, o governador Pôncios Pilatos. 
     Resolveram conduzir Jesus até o Pretório, a residência oficial do governador (Jo 18.28).
     Na condição de representante das leis do império romano, Pilatos era a autoridade máxima na cidade. Jesus foi interrogado por ele (Mt 27.11,19).
     Como político perspicaz treinado em seu país entre os assassinos, manipuladores exímios, abutres e lobos da corte romana, Pilatos logo percebeu que estava diante de um inocente (Lc 23.4), e que aquele bando de hipócritas de longas cabeleiras e barbas piolhentas haviam trazido o Filho de Deus para ser julgado por ele tão-somente por inveja de tudo o que Jesus ensinara e realizara entre o povo.
     Em um determinado momento do interrogatório, o governador ouviu um judeu mencionar a palavra “Galileia”, e concluiu que o homem que aquelas raposas enfurecidas lhe haviam trazido como réu de um crime que Pilatos não conseguia encontrar, era galileu (Lc 22.6,7).
    Sabendo que a Galileia pertencia à jurisdição do rei Herodes, e que este estava naqueles dias em Jerusalém, o governador enviou Jesus para ser também julgado por Herodes (Lc 23.7-9). 
     Acostumado a julgar e condenar assassinos perigosos, mas vendo que Jesus era inocente e inofensivo, e entendendo que não conseguiria levar aquele estranho galileu a realizar para ele um showzinho particular com direito a milagres, Herodes desprezou o Senhor, e junto com seus soldados escarneceu dele. 
     Em seguida, vestindo-lhe uma roupa resplandecente, o enviou de volta a Pilatos (Lc 23.8-11).
     E finalmente Pilatos o entregou ao quarto tribunal, o da zombaria, formado pelos soldados e toda a corte de Herodes (Mt 27.27). Jesus tornou-se para eles naquele momento um grande motivo de chacota, risos e diversão. 
     Despiram-no e o cobriram com uma capa escarlate; puseram em sua cabeça uma coroa de espinhos; colocaram em sua mão direita uma cana como cetro real; ajoelharam-se diante dele, e escarnecendo, diziam: Salve, Rei dos judeus!
     Em seguida cuspiram nele, tiraram-lhe a cana da mão, e batiam com ela em sua cabeça coroada de espinhos. 

     Depois de o escarnecerem, tiraram-lhe o manto de púrpura, açoitaram-no, vestiram-lhe suas roupas e o levaram para crucificar. Tudo isto aconteceu em um período de 12 horas.
     Resumindo os fatos que ocorreram nesse curto período, de acordo com a linguagem técnica da jurisprudência da época do nosso Salvador:
     As acusações contra Jesus foram apresentadas em duas partes; ouviram-se as testemunhas; foi escolhida a acusação incidente contra ele: blasfêmia; o perdão e a soltura de Barrabás foram solicitados em troca da condenação de Cristo; foram alegadas leis; deram-se vistas; houve réplicas e tréplicas; representaram duas comédias, uma de Cristo profeta com os olhos vendados, e outra de Cristo rei com cetro e coroa.
     Jesus foi três vezes despido, e três vezes vestido; cinco vezes interrogado; duas vezes sentenciado; duas vezes mostrado ao povo; ferido e afrontado muitas vezes com a mão, outras vezes com a cana, centenas de vezes com o açoite. Nessas 12 horas mobilizaram contra Jesus lanças, espadas, fachos, lanternas, cordas, colunas, chicotes, varas, correntes; uma roupa branca, outra de púrpura; canas, espinhos, cruz, cravos, fel, vinagre, mirra, esponja, título com letras em hebraico, grego e latim, não escritas, mas entalhadas, conforme vemos em títulos semelhantes daquele época guardados hoje em museus; também estiveram envolvidos dois ladrões que ficaram de um lado e do outro do Senhor; cruzes para os dois ladrões; Cirineu que ajudou o Senhor a levar a cruz.
     Jesus pregou três vezes: uma a Caifás, outra a Pilatos, e outra às filhas de Jerusalém. Finalmente, caindo e levantando-se, foi levado ao Calvário e crucificado nele. 
     E como foi possível que todas essas coisas, tantas e tão diversas, puderam acontecer no curto período de 12 horas, tendo, além do mais, a metade delas acontecido durante a madrugada e de manhã cedo?
     Tudo isso só aconteceu, tudo isso só foi possível porque em todos esses tribunais, em todos esses conselhos, em todas essas resoluções e execuções, não entrou os dois principais instrumentos da burocracia de ontem e de hoje: o papel e a tinta.
     Se tudo o que aconteceu nessas 12 horas da vida de Jesus tivesse que ser feito com todas os atrasos, adiamentos, prorrogações, vagares, tardanças e delongas que envolvem a burocracia do papel e da tinta em vigor ontem e atualmente, ainda hoje a humanidade estaria esperando para ser redimida pelo sangue que Jesus derramou na cruz do Calvário.
     Só quatro palavras foram escritas durante esse período de 12 horas: as do título colocado no alto da cruz de Jesus (Jo 19.19), e imediatamente houve protestos, embargos, requerimentos, altercações, descontentamentos e teimas. E se Pilatos não tivesse se posicionado com firmeza diante da reação dos judeus, e dito: “O que escrevi, escrevi” (Jo 19.22), o caso se transformaria em apelação para César, que estava em Roma, a 2.322 quilômetros de distância de Jerusalém, e haveria, só para resolver a questão criada por essas quatro palavras, disputas religiosas, políticas e jurídicas que durariam vários anos.
     Portanto, não burocratizemos a nossa vida, e muito menos os assuntos relativos ao Reino de Deus, ou a tudo o que fazemos para Deus na casa de Deus, conforme muitos fazem hoje.
     (Adapt. do Serm. da Sext. Fer. da Quar. Lisb. 1662. A.V.)
Jefferson Magno Costa

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