sábado, 14 de janeiro de 2012

QUANDO OS HOMENS AGEM COMO TENTADORES, MUITAS VEZES SÃO MAIS ASTUCIOSOS QUE O PRÓPRIO DIABO



Jefferson Magno Costa
Texto bíblico: João 8.1-11
          
    Quando os homens agem como tentadores, muitas vezes são mais astuciosos que o próprio diabo. É isto que podemos constatar analisando atentamente a história da mulher que foi flagrada em pecado de adultério e levada à presença de Jesus para ser julgada por Ele.
     Estudando esse episódio, podemos aprender como nos armar contra a tentação, e como vencer os tentadores. Quem nos ensinará isto? Jesus.

A MISÉRIA DIANTE DA MISERICÓRDIA
          
   Naquela manhã em que alguns homens, exercendo a função do próprio Satanás, prepararam uma cilada para levar Jesus a pronunciar palavras ou contrárias à lei de Moisés, ou contrárias à misericórdia messiânica, a própria Misericórdia em pessoa, Jesus Cristo, havia descido do monte das Oliveiras, entrado no templo e se assentado diante do povo que madrugara para ouvir os seus ensinamentos. 
     A história daquela pecadora teria sido muito diferente se no meio do caminho por onde ela havia de passar conduzida pelos homens que a levavam para a morte, não surgisse a Misericórdia na pessoa bendita de Jesus Cristo.
     Sabemos que o Filho de Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. Se aquela mulher já tivesse sido libertada da escravidão da iniquidade, e já tivesse olhos para distinguir as muitas misericórdias do Senhor, ela poderia dizer o que o salmista Davi disse no salmo 57, versículos 4 e 6:
   
    “A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e cuja língua é espada afiada. (...) Armaram uma rede aos meus passos, e a minha alma ficou abatida; cavaram uma cova diante de mim, mas foram eles que nela caíram.”
     Porém, aquela mulher não passava de uma pecadora, uma alma miserável que precisava de salvação. Mas naquela manhã a miséria iria encontrar-se com a Misericórdia.

O QUE SIGNIFICA JESUS ESTAR DE PÉ OU ESTAR SENTADO
     Diz o evangelista João no versículo 2 do capítulo 8 do seu Evangelho, que Jesus descera cedinho do monte das Oliveiras, entrara no templo e se assentara para ensinar ao povo. Há algo muito importante a ser observado neste versículo.
     João diz que Jesus estava sentado enquanto ensinava. E isto tem uma grande significação. Jesus em pé representa o pleno exercício de sua natureza divina e de sua justiça; e estando sentado representa o pleno exercício de sua natureza humana e de sua misericórdia.
     
    Quando Estêvão estava sendo apedrejado durante aquele ato de extrema injustiça praticado pelos membros do Concílio judeu, Jesus, Aquele que é contra a toda e qualquer injustiça, foi visto por Estêvão no céu, em pé, para recebê-lo: "e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus" (At 7.56).  
     Outro detalhe importante que podemos observar neste versículo é o fato de João não ter feito menção alguma de qualquer escriba ou fariseu ter acordado cedo para vir ao templo aprender com o Senhor, conforme o povo faminto pela Palavra de Deus tinha feito.
     Porém, excepcionalmente naquela manhã, os escribas e fariseus haviam acordado cedo, mas isto ocorrera unicamente por que estavam tentando encontrar um meio de condenar Jesus.      Se fosse para fazer o bem, eles teriam acordado ao meio-dia, mas como era para praticar o mal, levantaram-se de madrugada. Ou talvez tivessem até passado a noite acordados, traçando planos para incriminar o Filho de Deus.       Eles eram exatamente aquele tipo de gente descrita em Provérbios como pessoas que “não dormem, se não fizerem mal, o foge deles o sono, se não fizerem tropeçar alguém” (Pv 4.16).

A INVEJA QUE O NOVO ENSINADOR JESUS CRISTO CAUSOU NOS ESCRIBAS E FARISEUS
     Antes de Jesus começar a exercer o seu ministério, o povo reunia-se no templo para ouvir os ensinamentos de arrogância e hipocrisia dados por alguns daqueles escribas e fariseus. É certo que os ouvintes não necessitavam chegar tão cedo ao templo, porque os ensinadores eram preguiçosos e acordavam tarde.
     Porém, agora eles morriam de inveja ao ver toda aquela multidão dirigindo-se ao templo nas primeiras horas da manhã para aprender com Jesus o que deveriam fazer para cumprir a vontade do Pai.
    Aquelas raposas velhas passaram a viver pelos cantos rosnando, murmurando, planejando vingar-se, porque Jesus se tornara o centro das atenções. Portanto, necessitavam silenciá-lo, envergonhá-lo perante todos, provando que Jesus não respeitava a lei de Moisés nem era o Messias.

O PLANO DOS FARISEUS PARA ENVERGONHAR E CONDENAR JESUS À MORTE
     A intenção principal daquelas almas sobrecarregadas de iniquidade era criar uma situação que não só envergonhasse Jesus, mas que, acima de tudo, o condenasse à morte.
      Ao trazerem aquela mulher flagrada em pecado de adultério para que o Senhor a julgasse, eles tinham certeza de que finalmente Jesus seria derrotado e cairia na armadilha cuidadosamente preparada para ele. Pois, quando os homens agem como tentadores, muitas vezes são mais astuciosos que o próprio diabo.
     Os escribas e fariseus sabiam por experiência que Jesus praticava igualmente a mansidão e a justiça, pois a mansidão sem a justiça é fraqueza, e a justiça sem a mansidão é tirania. E Jesus não era nem fraco nem tinano.
     No versículo quatro João diz que os acusadores colocaram a mulher bem no centro da multidão, e dirigiram a palavra a Jesus, chamando-o de "Mestre". A encenação era perfeita.
     Estavam fingindo que o consideravam “um mestre”, um legítimo juiz, e que concordariam com qualquer decisão que ele tomasse sobre o caso. Tudo falsidade, tudo hipocrisia.
     Interrogaram-no como Mestre e amigo, para em seguida poderem acusá-lo de transgressor da lei e inimigo do povo.

A PARCIALIDADE DISCRIMINATÓRIA DOS ESCRIBAS E FARISEUS
     Aqueles homens eram doutores na lei. Mas eram só doutores nominais, não se importando nem um pouco em obedecê-la. Porque se fossem zelosos cumpridores da lei, teriam apedrejado a mulher no próprio local onde ela havia sido apanhada.
     Aliás, ao trazerem à presença de Jesus a mulher sozinha, e não ela e o homem com quem pecara, estavam dando a Jesus a oportunidade de ele os acusar de descumpridores da lei, porque em Levítico 20.10 está escrito:
      “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera.”
     Mas nós sabemos que a justiça dos homens costuma ser mais rigorosa com os mais fracos. Certamente os próprios escribas e fariseus haviam dado um jeitinho de fazer o homem escapar, pois a intenção era despertar a misericórdia de Jesus, levando-o a perdoar a pecadora, em desrespeito à lei.
     Uma mulher pecadora e indefesa era muito mais digna de misericórdia e perdão do que um casal de pecadores. Foi o que aqueles homens pensaram, pois quando os homens agem como tentadores, muitas vezes são mais astuciosos que o próprio diabo.

OS HIPÓCRITAS DÃO INÍCIO À MAIS ASTUCIOSA PARTE DO PLANO PARA INCRIMINAR JESUS
     “Mestre, esta mulher foi apanhada no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” (vv 4 e 5).
     Aqueles sepulcros caiados já haviam chamado com falsidade Jesus de Mestre em outras ocasiões, como em Mateus 12.38, quando lhe pediram um sinal de sua messianidade, e Jesus lhes chamou de geração má e adúltera (ou seja: não era só aquela mulher que era adúltera; eles também eram adúlteros, em vários sentidos), e em Mateus 22.16-32, quando tentaram colocar Jesus em situação difícil e condenatória com relação ao imposto que era pago a César, e Jesus lhes chamou de hipócritas e lhes deu uma grande lição.
     Mas agora a intenção era colocá-lo frente a frente com a lei de Moisés, e condená-lo pela lei de Moisés. A intenção era levar Jesus a dizer algo contrário à lei.

“TU, POIS, QUE DIZES?”
     Para responder esta pergunta, Jesus tinha duas alternativas:
     1º. Ou dizer que a mulher fosse apedrejada,
     2º. Ou dizer que fosse perdoada.
     Se dissesse que fosse perdoada, estaria desprezando a lei, desrespeitando a justiça de Deus, e acobertando uma pecadora.
     E se dissesse que ela fosse apedrejada, estaria desafiando as autoridades romanas que não permitiam aos judeus pronunciar sentenças de morte, e não estaria sendo misericordioso, e sem exercer a misericórdia, ninguém acreditaria que Jesus fosse o Messias.
     Em diversas ocasiões Jesus havia deixado bem claro que não viera ao mundo para condenar as almas, e sim para salvá-las, Lc 9.56.
      Em outra ocasião, após entrar na sinagoga de Nazaré e ler Isaías 61.1,2, que fala que o Messias evangelizaria os pobres, restauraria os quebrantados de coração, curaria os cegos, e libertaria os oprimidos, Jesus declarou, assim que acabou de ler o texto, que aquela profecia estava cumprindo-se nele, Lc 4.16-21.
     Portanto, se Jesus dissesse que a mulher fosse apedrejada, estaria lançando por terra todas as provas de sua messianidade, mas se dissesse que fosse perdoada, estaria também transgredindo a lei e tornado-se réu de morte.
     Não era propriamente um julgamento realizado em uma corte de justiça norte-americana, mas qualquer coisa que Jesus dissesse seria usado contra ele.

A COBRA DE DUAS CABEÇAS QUE OS ESCRIBAS E FARISEUS PREPARAM PARA ATACAR JESUS
     Na lógica, uma das partes em que se divide a filosofia, essa situação chama-se dilemma, vocábulo grego que originou a palavra portuguesa dilema, que é uma situação embaraçosa com duas saídas difíceis.
       Originariamente, dilema era uma espécie de xeque-mate criado pelos filósofos retóricos gregos contra os seus adversários. Era uma espécie de chicote de duas pontas, uma cobra de duas cabeças.
     Levavam o oponente a afirmar algo de duplo sentido, de maneira que, quando a pessoa percebia a tolice que havia dito e tentava escapar para o outro lado da questão, era rapidamente derrotada pelo lado oposto.
     Esta era a situação para a qual os escribas e fariseus queriam levar Jesus, pois quando os homens agem como tentadores, muitas vezes são mais astuciosos que o próprio diabo.
     Cabe aqui uma curiosa e bem-humorada observação feita pelo grande biblicista Jerônimo (347-420) sobre essa atividade dos homens como tentadores.
    Disse ele que um dos motivos de o diabo ter ido tentar Jesus no deserto foi porque os escribas e fariseus tinham-lhe tomado o emprego de tentador que ele exercia na cidade, deixando-o desempregado e superando-o, inclusive, em astúcia no preparo das tentações.
     “Tu, pois, que dizes?” insistiam aqueles homens perversos diante do silêncio do nosso Salvador. Mas o que aqueles hipócritas não sabiam era que nenhum plano, nenhum artifício, nenhuma força, nenhuma inteligência seria capaz de vencer o Filho de Deus. 
     A astúcia humana jamais conseguirá confundir a sabedoria divina. Salomão nos deixou este aviso em Provérbios 21.30: “Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor.” 
     Este mesmo versículo, na Bíblia Viva, foi traduzido desta maneira: “Ninguém, por mais inteligente e esperto que seja, é capaz de enganar ou vencer o Senhor.”

QUATRO GRANDES ENSINAMENTOS QUE PODEMOS TIRAR DO FATO DE JESUS TER-SE INCLINADO E ESCRITO ALGO SOBRE O CHÃO
     Enquanto esperavam uma resposta de Jesus, os tentadores ficaram espantados e confusos ao ver que, em vez de abrir os lábios e pronunciar algo que seria usado contra ele, o Filho de Deus inclinou-se e começou a escrever com o dedo na terra (v 6).
     Lendo esta passagem, algumas pessoas podem ser levadas a pensar que, agindo daquele modo, Jesus estivesse fazendo pouco caso daqueles homens, ou não estivesse dando a mínima importância à situação deplorável daquela mulher, que podia ser apedrejada a qualquer momento por um bando de hipócritas irados.
       Porém, aquele foi um dos gestos mais ricos de significado, dentre todos os que os evangelistas documentaram sobre Jesus nos quatro Evangelhos. Pelo menos quatro coisas interessantes podemos identificar nessa atitude de Jesus.
     1ª. A primeira delas é o fato de Jesus ter-se inclinado para escrever na terra. Jesus se inclinou? Então alegra-te, ó pecadora! Enxuga as tuas lágrimas. Se Jesus, como resposta, começa inclinando-se, tu sairás perdoada e viva deste julgamento, pois sua inclinação é sempre para a misericórdia, é sempre para o amor, é sempre para o perdão, é sempre para a salvação.
    Se aquela mulher já conhecesse a Palavra de Deus, poderia ter repetido naquele momento as palavras do salmista Davi: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”, Sl 40.1.
     2ª. A segunda coisa interessante que podemos identificar neste versículo é o fato de Jesus ter escrito. Esta é a única passagem nos Evangelhos que menciona Jesus utilizando-se do recurso da escrita.
     3ª. A terceira coisa interessante foi o fato de Jesus ter escrito com o dedo. Esta ação tem aqui um significado profundo. Para conduzir Jesus àquela armadilha, os escribas e fariseus haviam citado a lei, e a lei tinha sido escrita pelo dedo de Deus em tábuas de pedra no monte Sinai, Ex 31.18.
     Escrevendo naquele momento com o seu dedo sobre o piso do templo, que era de pedras aplainadas e polidas, Jesus estava querendo que aqueles homens soubessem que aquele que estava ali rabiscando algumas palavras no chão de pedra, era o mesmo Deus que havia escrito com o seu dedo a lei sobre duas tábuas de pedra no monte Sinai, para em seguida entregá-la a Moisés.
    E quem deu a lei ao homem não iria violar nenhum de seus preceitos diante dos homens.
     4ª. A quarta observação que podemos fazer aqui é o fato de neste versículo ter sido mencionada a existência de terra no chão do templo sobre o qual Jesus escreveu. Essa terra mencionada é a própria areia, o pó, o barro muito conhecidos de todos nós.      Portanto, havia areia, terra, barro, pó sobre o piso do templo.
     E isto significa que não existe nenhum lugar neste mundo, por mais santo e sagrado que seja, para dentro do qual o homem não leve suas marcas de barro, o seu rastro de pó (“porquanto és pó e em pó te tornarás”, Gn 3.19), seus pés sujos de barro, de areia, que assinalam seus pecados e imperfeições.

FOMOS CRIADOS À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS, MAS VIEMOS DO BARRO, DO PÓ DA TERRA
     Diretamente ligado a esta última observação, há um grande mistério relacionado com a nossa criação como seres humanos, que não podemos deixar de mencionar aqui.
      A Bíblia diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26), mas que a matéria-prima usada por Deus para dar forma ao nosso corpo foi o barro, o pó da terra, Gn 2.7. E por quê ou para que isto ocorreu assim?
     Para que nós, após termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, jamais nos ensoberbecêssemos. Sempre que nos lembrarmos da nossa semelhança, devemos nos lembrar também da matéria da qual somos feitos.

     Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas viemos do barro, do pó da terra. A queda de muitas pessoas ocorre quando elas se esquecem disto.
     O grande teólogo Agostinho observou certa vez em um dos seus sermões que “antes de sermos seres humanos éramos barro, e antes de sermos barro éramos nada. Portanto, entre nós e o nada, o que existe é um pouco de barro. Humanamente falando, nós fomos feitos de barro, e o barro foi criado do nada. Logo, somos filhos do barro e netos do nada”, concluiu o grande teólogo e pregador.

O QUE JESUS TERIA ESCRITO SOBRE O CHÃO?
 
     Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. O que será que Jesus escreveu naquele momento? Alguns expositores e comentaristas acham que ele teria escrito uma sentença de perdão para aquela mulher.
      Outros acham que foi a sentença de condenação daqueles homens. Mas eu prefiro acreditar que Jesus, quando inclinou-se pela primeira vez, escreveu os nomes dos escribas e fariseus que o estavam pressionando, e quando inclinou-se pela segunda vez, relacionou, debaixo da cada nome, os pecados de cada um daqueles acusadores.
     Quando Jesus inclinou-se e escreveu pela primeira vez na terra, os escribas e fariseus continuaram perguntando-lhe: “Tu, pois, que dizes?” Após escrever certamente o nome deles no chão, Jesus endireitou-se e disse-lhes: 
     ”Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” E tornando a inclinar-se, continuou escrevendo sobre a areia do piso do templo.
      Foi nesse momento que Jesus certamente passou a escrever, abaixo de cada nome, a lista de pecados de cada um: Levi (Vamos supor que esses fossem os nomes deles), Levi: roubo, adultério, mentira; Sadoque: falso testemunho, traição, abominação; Boaz: blasfêmia, lascivia, assassinato; Abimael: roubo, profanação, adultério. E por aí foi. 
     A Palavra de Deus diz que os nomes dos pecadores serão escritos sobre a terra, enquanto os nomes dos que aceitam a Jesus como salvador serão escritos no céu. Quem fala sobre as pessoas que terão os seus nomes escritos sobre a terra é o profeta Jeremias, em Jr 17.13:
      “Ó Senhor, Esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; os que se apartam de mim serão escritos sobre a terra; porque abandonaram o Senhor, a fonte das águas vivas.”
     Esta é uma palavra que serve tanto para os que insistem em não aceitar o Senhor, como para aqueles que se desviaram dos seus caminhos. Ao escrever sobre o Juízo Final, João disse em Apocalipse 20.12 e 15:
      “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida, e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras (...) E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.”
     Você quer ter o seu nome escrito sobre a terra ou escrito no céu? Quer ter o seu nome escrito no livro dos mortos ou quer ter o seu nome escrito no Livro da Vida? Cabe a você fazer essa importantíssima escolha.

DE ACUSADORES A ACUSADOS
          
     Ao ouvirem o que Jesus tinha dito, e ao verem seus segredos e corações despidos pelo Senhor diante de todos, as pedras que os escribas e fariseus traziam contra a mulher caíram contra suas próprias consciências.
     Disfarçaram, pigarrearam, olharam de um lado para o outro, e começaram a sair “um a um”, conforme observa o evangelista João, e não todos de uma só vez, por que se saíssem todos ao mesmo tempo caracterizaria uma debandada geral, uma derrota vergonhosa, e isto seria muita humilhação para aquela alcatéia de lobos arrogantes.
      João diz que os mais velhos foram os primeiros a sair, por certamente terem mais pecados que os mais novos.
     Finalmente ficaram só Jesus e a pecadora. Certamente aquela mulher ainda guardava um certo medo de ser condenada e apedrejada pelo Filho de Deus.
      Ele era o único ali que podia atirar-lhe pedras, pois não tinha pecados. Isso Jesus deixou bem claro na única vez em que dirigiu a palavra aos escribas e fariseus durante aquele episódio.
      Ele não disse: “Aquele que não tem pecados, que atire a primeira pedra.” Se tivesse dito isto, para não ser contado entre os pecadores, Jesus teria que ser o primeiro e único a apedrejar a mulher.
     Porém, fazendo mais uma vez uso de sua sabedoria, Jesus disse:
      “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” Como todos, com exceção de Jesus, eram pecadores, todos desistiram de apedrejá-la e foram saindo disfarçadamente.
     Até naquele momento extremo em que podia esmagar e humilhar os seus inimigos, Jesus demonstrou ser um homem discreto e educadíssimo. Para não envergonhá-los ainda mais, Jesus continuou inclinado e rabiscando sobre a terra até que o último deles fosse embora.
    Quando todos os acusadores já estavam longe, o Salvador endireitou-se. À sua frente não havia mais nenhum escriba ou fariseu com o olhar, o sorriso ou os dedos de acusação apontados para a mulher.

A PECADORA DIANTE DO ÚNICO QUE PODIA PERDOAR OS SEUS PECADOS

     Ficaram frente a frente a pecadora e o único que podia perdoar os seus pecados, a doente espiritual e o Médico celestial, a fragilidade diante da Fortaleza, a miséria humana diante da Misericórdia divina, a impureza diante da Pureza altíssima, a humilhação e a vergonha diante daquele que abate os soberbos, mas dá dignidade e honra aos humildes que confiam nele.
      Olhando para a acusada, Jesus perguntou:
     “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?”
     Ela respondeu:
     “Ninguém, Senhor.”
     “Nem eu também te condeno; vai-te e NÃO PEQUES MAIS.”

QUATRO ARMAS QUE JESUS USOU PARA VENCER A TENTAÇÃO E OS TENTADORES
     Agora que Jesus já venceu os seus inimigos, encerremos esta exposição da Palavra de Deus identificando as armas que nosso Salvador utilizou para vencer a tentação e os seus tentadores. Foram quatro as armas infalíveis utilizadas por ele.
     1a. A primeira delas foi o ser cheio do Espírito Santo. Lucas diz no seu Evangelho, capítulo 4, versículo 1, que Jesus, "cheio do Espírito Santo, foi levado pelo Espírito ao deserto". E lá, estando cheio do Espírito Santo, enfrentou e venceu as tentações de Satanás.
     2a. A segunda arma que Jesus usou para enfrentar a tentação foi o jejum. Antes de entrar na terrível batalha contra o diabo, Jesus jejuou quarenta dias e quarenta noites, Mateus 4.2.
     3a. A terceira arma de Jesus foi o conhecimento da Palavra de Deus. Nas três vezes em que foi tentado pelo Inimigo (no deserto, no pináculo do templo e no alto do monte), Jesus citou versículos da Bíblia acompanhados das expressões está escrito, também está escrito, e porque está escrito, Mateus 4.4,7 e 11.
     4a. E por último, sua quarta arma contra a tentação e os tentadores foi a oração. Antes de ser tentado pelos homens naquela manhã, Jesus havia acabado de descer do monte das Oliveiras. Passara a noite orando, preparando-se para a batalha que iria ocorrer nas primeiras horas da manhã.
      É na busca da comunhão e do transbordamento do Espírito Santo em nossa vida; é na mortificação da carne através do jejum; é na leitura diária, meditada e perseverante da Bíblia; é nos momentos de oração que passamos aos pés do Senhor, que nos armamos para enfrentar a batalha espiritual de todos os dias, as ciladas do diabo, o apelo da carne, as tentações do mundo, o ataque dos seres humanos que, quando agem como tentadores, são muitas vezes mais astuciosos que o próprio diabo.
     Não devemos esperar que os inimigos nos cerquem, que o diabo nos ataque, ou que as muralhas se ergam ao nosso redor para só então elevarmos os nossos olhos para os montes em busca de socorro.
      Antes de nos vermos cercados por esses inimigos ou por essas muralhas, devemos nos dirigir diariamente ao nosso monte das Oliveiras, ao nosso lugar secreto, reservado, onde costumamos falar com Deus.
      Devemos nos dirigir todos os dias ao nosso jardim da oração em busca da misericória do Senhor, de sua graça, de sua força, de seus livramentos, de seu refúgio. Só assim estaremos sempre preparados para enfrentar e vencer as tentações e as ciladas dos homens e do próprio diabo.


Jefferson Magno Costa

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