sábado, 9 de julho de 2016

A TECNOLOGIA TEM SIDO MALDIÇÃO OU BÊNÇÃO?



Jefferson Magno Costa 


A Revolução Industrial

Até o final do século XVIII, a humanidade só conhecia, como fonte de sustento e produção de renda, o trabalho agrícola. Os trabalhadores produziam o que consumiam, e dominavam todo o processo de produção. Não havia o conceito de patrão, empregado e salário. As pessoas trabalhavam artesanalmente (manualmente), pois não existiam máquinas.

Então, no século XVIII para o XIX, aconteceu a Revolução Industrial (cujo berço foi a Inglaterra), mudando o trabalho artesanal pelo trabalho assalariado. A humanidade passou a usar as máquinas, e surgiram patrões e empregados. 
Em quase todos os países houve o êxodo rural (a vinda dos agricultores do campo para as grandes cidades). Isso causou um grande impacto na qualidade de vida das pessoas que se colocaram à disposição para trabalharem para os seus patrões. Muitos empresários tinham grande ambição de lucro, e colocaram homens, mulheres e crianças para trabalharem até 15 horas por dia, em troca de um salário baixíssimo.

Revoltados, os trabalhadores começaram a sabotar as máquinas, quebrando-as. Essa foi a primeira etapa da Revolução Industrial (1760 a 1860). A segunda etapa ocorreu de 1860 a 1900. 
Foi a época em que a humanidade conheceu os combustíveis derivados do petróleo, o aço, a energia elétrica, os produtos químicos, o motor a explosão, o carro, a locomotiva a vapor e os navios capazes de fazer grandes percursos.

A terceira etapa da Revolução Industrial cobriu os séculos XX e XXI. A humanidade recebeu de presente, como fruto do trabalho de homens que receberam de Deus sua inteligência, o avião, a televisão, a internet, o computador, o telefone celular, o tablet, o conhecimento da engenharia genética, e outras grandes descobertas e invenções.

A multiplicação da ciência

“E tu, Daniel, fecha esta palavra e sela este livro, até ao fim do tempo: muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará” (Daniel 12.4). Esta palavra anunciada pelo anjo ao profeta Daniel tem-se cumprido fielmente nos dias de hoje. 
Jamais nossos antepassados e nossos pioneiros na fé, como Daniel Berg, Gunnar Vingren e Paulo Leivas Macalão poderiam imaginar que a humanidade chegasse, em qualidade de vida e recursos tecnológicos, aonde chegou. Do domínio do fogo e da invenção da escrita e da roda, a humanidade pulou para a era da tecnologia, que multiplicou ao infinito seus recursos de comunicação e de aquisição de conhecimento.

Bênção que virou maldição

Na época em que vivemos não devemos desconhecer que a televisão, o computador, o smartphone e o tablet (as quatro telas do mundo moderno) trouxeram um incalculável progresso à humanidade. 
De simples transmissões por ondas eletromagnéticas, ou ondas de rádio, que também são conhecidas como radiotransmissão, o ser humano pôde transmitir a sua voz pelo mundo inteiro (através do rádio), e depois a sua imagem e voz (através da televisão), e atualmente pode transmitir, em segundos, bilhões de informações, vozes e imagens ao mesmo tempo (através da Internet).

Porém, o que era bênção virou maldição. Nunca a humanidade esteve tão exposta ao desrespeito dos valores cristãos estabelecidos desde o início do cristianismo.
Nunca os seres humanos estiveram tão vulneráveis às artimanhas de Satanás, que os ataca com filmes de violência, sexo e desonestidade, e com pornografia, convites ao adultério e à pedofilia, acessados pela Internet. Tem cristãos que deixam de vir à igreja, ler a Bíblia ou orar, para ficar diante de uma televisão, de uma tela de computador ou de um telefone celular.

A perda da comunhão com Deus

A comunhão do homem e da mulher com Deus começou no jardim do Éden. Porém, o primeiro casal caiu em pecado e perdeu a comunhão espiritual com Deus: “O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado. E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gênesis 3.23,24). 
Mas Deus não abandonou o primeiro casal à sua própria sorte. Na sua onisciência, Ele já sabia que o homem usaria desastrosamente o seu livre-arbítrio, a sua liberdade de escolha, e por isso executou o seu plano de restaurar a comunhão do homem com Ele através do sangue derramado pelo Seu Filho na cruz do Calvário.

Esse plano de redenção e as diretrizes que o homem deveria seguir para obedecer a Deus e receber Jesus como Salvador estão descritos e narrados na Bíblia. Quem não obedece ao que está escrito nas Escrituras Sagradas pode perder ou jamais recuperar a sua comunhão com Deus.

O perigo das diversas mídias tecnológicas

A Palavra de Deus diz no Salmo 101.3: “Não porei coisa má diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles que se desviam; nada se me pegará”. O uso exagerado da televisão e das redes sociais na Internet está diretamente ligado à queda da frequência de evangélicos às igrejas. 
Desde a infância, nossos filhos e netos, e muitas vezes nós mesmos, somos influenciados por milhares de informações que recebemos dos diversos meios de comunicação, principalmente a televisão e a internet. As novas mídias trouxeram ao mundo recursos altamente positivos.

Se não fosse a televisão, a pregação do Evangelho não teria ainda alcançado as dezenas de países que não conheciam ainda os ensinamentos de Jesus e sua obra de salvação. Mas cuidado com esse aparelho. Ele também propaga a violência, a mentira, a pornografia, o adultério, o homossexualismo e a destruição da família através de filmes e novelas. 
Existem também milhares de crentes que deixam de orar e de ler a Bíblia para ficar diante das redes sociais, diante de uma tela de computador ou telefone celular durante horas e horas. É nisto onde mora o perigo das novas mídias.

Antenados sim, viciados nunca

Nós, como servos de Deus, temos todo o direito de procurarmos nos informar sobre os fatos que estão acontecendo no mundo. Mas não devemos nos tornar escravos dos meios modernos de comunicação (as novas mídias) que nos conectam com o mundo e nos deixam antenados com os fatos que estão acontecendo em nosso país e no planeta. O crente não deve ser um alienado, um desinformado, uma pessoa inculta. 
Mas também não deve ficar horas e horas diante de seu aparelho de televisão, e seu computador ou diante da telinha de seu celular. Se fizer isso estará perdendo a sua comunhão com Deus.

Devemos usar esses aparelhos apenas para obtermos através deles o estritamente necessário para o nosso conhecimento e informação. E jamais devemos esquecer que o diabo está usando essas mídias para levar muitos servos de Deus ao fracasso espiritual, ao pecado. O apóstolo Paulo disse em 1Tessalonicenses 5.21: 
“Examinai tudo. Retende o bem”. Mas esse exame tem de ser feito debaixo do temor de Deus, pois o mesmo apóstolo advertiu em 1Coríntios 10.23: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm: todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam”.

O excesso de informação e o seu perigo

O escritor norte-americano Nicholas Carr, preocupado com o tempo que os seus filhos ficavam plugados à Internet, resolveu pesquisar que efeito isso poderia ter sobre a mente e a inteligência dos seus filhos. Para seu espanto, ele descobriu que os filhos corriam o sério risco de se tornarem idiotas. Sim, isso mesmo, debiloides. 
Por isso ele diminuiu o seu acesso e o acesso de seus filhos à Internet, desligou suas contas no Twitter, no Facebook, e reduziu consideravelmente seus e-mails e whatsapps. Com o resultado da sua pesquisa, ele publicou o livro, ainda sem tradução para o português: The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains, que traduzido é: Águas Rasas: O que a Internet está Fazendo com os Nossos Miolos (ou nossa mente).

Ele chamou a Internet de águas rasas, e tem muitos crentes mergulhando nelas e esquecendo-se de mergulhar nas águas profundas do Espírito Santo. Nicholas Carr descobriu também que a Internet está impedindo as pessoas de raciocinar com profundidade, de pensar, pois ela já entrega tudo mastigado e digerido. 
Ler na Internet mudou perigosamente a forma como usamos o nosso cérebro. Por estarmos lendo cada vez menos livros, ensaios e textos longos, estamos perdendo a capacidade de termos foco, concentração, discernimento e capacidade de pensar por conta própria.

Estamos lendo muito menos livros para fazer as nossas pesquisas, pois já encontramos tudo pronto na Internet, e corremos o sério risco de simplesmente copiarmos o que lemos e de cometermos um crime chamado “plágio”, que é o uso indevido de textos alheios. E também estamos lendo muito menos a Palavra de Deus.

Preparando-se para enfrentar o diabo

O diabo é astucioso. Para derrubar o crente, ele usa táticas sutis, como: “Apenas uma olhadinha naquele site no seu computador não vai fazer mal algum”; ou: “Você trabalhou muito a semana inteira, e tem o direito de assistir um bom filme apimentado na televisão para relaxar”; ou: “Ela é sua secretária?  "Como agradecimento por ela ser tão prestativa, dê-lhe um beijo ou marque para dar uma saidinha com ela, pois isso não tem nada de mais”; ou: 
“Você está entre os seus amigos de trabalho e eles, mesmo sabendo que você é evangélico, estão lhe oferendo uma bebida? Aceite, não seja antisocial; só um golezinho não fará mal algum”.

E assim o crente vai caindo no abismo do pecado até afundar-se e desviar-se completamente dos caminhos do Senhor. Lembremo-nos do que está escrito em Apocalipse 3.11: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. 
As crianças, adolescentes e jovens se orgulham hoje dos recursos tecnológicos que estão à disposição deles. Porém, já está cientificamente provado, conforme já comentei, que o uso demasiado de Internet e de outros recursos tecnológicos modernos traz retardo mental.

Lembro-me que quando o meu filho mais velho era adolescente, e vivia, nas horas vagas, agarrado ao seu aparelho de vídeo game ou fazendo suas pesquisas escolares na Internet, ele perguntou-me certa vez: “Pai, quando o senhor era criança ou adolescente, como fazia para se divertir ou para preparar os seus deveres escolares se não dispunha de um vídeo game ou de um computador?”.

Confesso que tive pena dele quando me fez essa pergunta. Eu lhe respondi: “Meu filho, seu pai foi criado brincando com carrinhos, bola de gude, pião, pega-pega, esconde-esconde, e não trancado dentro de um quarto ou uma sala, diante de um vídeo game ou um computador. 
Nas férias, eu ia para o sítio dos seus bisavôs, onde havia vacas, muitas árvores frutíferas, hortas, galinhas, plantação de milho, banana, aipim, batata doce e um rio onde eu e os meus tios e primos pescávamos e tomávamos banho. Fui criado com muita liberdade, em um ambiente que infelizmente você jamais conhecerá”.

Ainda bem que meu filho não é hoje um retardado mental. Hoje, ele é um advogado muito competente em sua profissão, e anda no temor de Deus.

Um transtorno da modernidade

Herdeira intelectual do cientista belga Lévi-Strauss (um dos maiores antropólogos de todos os tempos), a antropóloga francesa Françoise Héritier afirmou que a tecnologia gera alienação, e que os pequenos prazeres da vida foram perdidos e os recursos modernos impedem que as pessoas reflitam e tirem suas próprias conclusões, tanto do que ouvem e veem na televisão e do que ficam sabendo através da Internet.

Tem pessoas hoje que sofrem de nomofobia. O que é isso? É o medo de ficar sem conecção com as pessoas através do celular ou do computador. Tem gente que não larga seu aparelho celular para nada, ou nunca sai da frente da tela do computador. Isso tem efeitos desastrosos no relacionamento familiar, pois esses viciados nos aparelhos da moderna tecnologia ficam trancados ou não dão atenção aos pais ou à esposa ou aos filhos enquanto estiverem grudados nessas telinhas.

Esse vício também tem efeitos na vida profissional dessas pessoas, pois elas deixam de realizar as tarefas de sua responsabilidade para ficar grudadas na telinha de um celular ou de um computador. 
E também tem efeitos espirituais, pois essas pessoas deixam de orar, jejuar, adorar ao Senhor, ler a Bíblia e vir à igreja por estarem presas a esses recursos tecnológicos. Ficam tão viciadas que tirar isso delas é como impedir que um drogado use drogas: caem na crise de abstinência, e só quem viu um viciado com crise de abstinência sabe o que isso significa.

Conquiste uma vida equilibrada

Ter uma vida equilibrada é fundamental para nós, cristãos. Posicionar-se na extrema direita ou na extrema esquerda não é uma atitude sensata e inteligente. Temos que ter equilíbrio. Jesus ensinou aos seus discípulos que nós somos o sal da terra e a luz do mundo. 
O sal tem sempre que salgar, e a luz tem sempre que iluminar. O apóstolo Paulo escreveu que nós somos cartas lidas perante os homens: “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós e escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (2Coríntios 3.2-3).

Devemos ser exemplos diante da nossa família, diante da igreja e diante da sociedade. Martinho Lutero ensinava aos seus liderados que todo cristão tem o dever de ser sempre o melhor em qualquer lugar em que estiver, quer esteja trabalhando como médico, advogado, comerciante, dona de casa, gari ou em outras atividades. Para honrar o nome de Jesus, devemos ser equilibrados, eficientes e fazer a diferença.

Pr. Jefferson Magno Costa - escritor, biógrafo, comentarista de revistas EBD, conferencista, editor e resgatador de obras de domínio público.

2 comentários:

  1. Paz do Senhor Pastor Jeferson!
    Excelente sua abordagem! Pena que muitos que deveriam sequer tomarão conhecimento, por estarem viciados na tecnologia e no conhecimento raso... Mas o recado está dado.
    Parabéns! Deus o abençoe sempre na abordagem de atualizados temas! Abraços!
    Att. Pr. João Quinteiro Cavalheiro

    ResponderExcluir
  2. Prezado pastor João Quinteiro Cavalheiro, o senhor tem razão quando diz que muitos "sequer tomarão conhecimento [desta matéria], por estarem viciados na tecnologia e no conhecimento raso". Muitos de nós estamos vivendo hoje alienados, viciados nas quatro telas que revolucionaram os tempos modernos: a televisão, o computador, o telefone celular e o tablet. A comunicação pessoa a pessoa e entre pais e filhos está perigosamente sendo destruída, principalmente pela telinha do telefone celular, que milhões de usuários não largam o dia todo. Que Deus tenha misericórdia de nós e mude essa situação. Um fraternal abraço do pastor Jefferson.

    ResponderExcluir

(Clique na imagem)

(Clique na imagem)

Visitantes recentes

Top 10 Members

.

.